Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 126 de 168)

21 de junho – São Luiz Gonzaga, jesuíta, padroeiro da juventude católica

São Luiz Gonzaga, jesuíta, padroeiro da juventude católica

“Confesso-lhe, ilustríssima senhora, que, ao meditar na bondade divina, minha mente se perdeu neste mar sem fim e sem confins. Não consigo entender como o Senhor se dignou a olhar para a minha pequena e breve lida, recompensando-me com o descanso eterno, convidando-me do céu para esta felicidade que, até agora, pedi com negligência; como ofereceu a mim, que derramei pouquíssimas lágrimas por Ele, aquele tesouro que coroa grandes lutas e prantos!” (última carta à sua mãe, em 10 de junho de 1591).

Luiz nasceu na província de Mântua, de onde era proveniente a sua linhagem. Como acontece com todo primogênito, de linhagem nobre, a sua vida já estava predefinida. Era o que pensava, pelo menos seu pai, o marquês Ferrante, ao criá-lo entre os arcabuzes e armaduras, enquanto a mãe o educava com testemunhos de fé e orações.

“A conversão para o mundo de Deus”

Assim Luiz descreveu a sua vocação, que amadureceu muito cedo. Na verdade, aos 5 anos brincava de fazer guerra; aos 7, ajoelhava-se, várias vezes por dia, para recitar os salmos penitenciais; aos 10, consagrou-se definitivamente a Maria, como ela se havia consagrado a Deus; finalmente, aos 12 anos, recebeu a Primeira Comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, em visita pastoral à sua cidade.

Muito cedo, confidenciou com a mãe sobre suas intenções, mas seu pai se opôs, com toda a sua força, contra a sua escolha. Até seus parentes gozavam dele, mas ele se defendia, dizendo: “Busco a salvação! Busquem-na vocês também!”.

Seu pai o enviou às cortes italianas esperando desviar o filho das suas intenções e, quem sabe, até se apaixonar por alguém. Mas, o resultado era, cada vez mais, sua firme decisão de entrar para a Companhia de Jesus. Assim, em 1585, o jovem assinou a renúncia aos títulos e herança em benefício do seu irmão mais novo, Rodolfo, e partiu para Roma, com apenas 17 anos de idade.

Uma verdadeira joia espiritual

Entre os Jesuítas, Luiz destacou-se por seu fervor na fé e seu costume de fazer penitência e ser equilibrado. Seus superiores perceberam logo que tinham em mãos uma verdadeira joia espiritual.

Após a sua morte, o Superior Geral, sucessor de Santo Inácio de Loyola, afirmou que pensava que Luiz teria se salvado da sua doença, ciente de que o Senhor o queria como um futuro guia da Companhia de Jesus. Na realidade, passou somente poucos anos na Comunidade dos Jesuítas, onde estudou teologia, mas não teve tempo de fazer seus votos.

“Como os outros”

Durante a sua permanência em Roma, aconteceram várias tragédias, uma depois da outra: seca, escassez e até epidemias. Fiel ao lema da Ordem “Como os outros”, ou seja, esquecer as próprias origens nobres, bem como os privilégios derivados do seu estado de saúde, Luiz saía ao encontro dos “pesteados” para curá-los e socorrê-los, junto com São Camilo de Lellis.

Certo dia, viu um doente abandonado na rua, à beira da morte: colocou-o nas costas e o levou ao hospital da Consolata. Assim, provavelmente, ficou contagiado. Poucos dias depois, faleceu nos braços dos seus coirmãos, com apenas 23 anos.

Luiz Gonzaga foi canonizado, em 1726, por Bento XIII, que, após três anos, o nomeou protetor dos estudantes; Pio XI o proclamou, em 1926, Padroeiro da Juventude católica; João Paulo II o nomeou, em 1991, Padroeiro dos pacientes de AIDS.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 20 jun. 2023.

O que é uma heresia?

Como católicos, acreditamos que a nossa fé é baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo e na tradição da Igreja. No entanto, ao longo da história, algumas ideias ou doutrinas foram propostas que entraram em conflito com esses ensinamentos. Essas ideias ou doutrinas são chamadas de heresias.

Uma heresia é uma crença ou ensinamento que se opõe à doutrina oficial da Igreja Católica. Ela é considerada um desvio da verdade revelada por Deus e pode causar confusão e divisão entre os fiéis. A Igreja considera sua missão proteger e preservar a integridade da fé católica, ensinando a verdade e corrigindo erros que possam surgir.

É importante lembrar que nem todas as opiniões contrárias à Igreja são consideradas heresias. A heresia envolve uma rejeição consciente e persistente de uma doutrina essencial da fé católica. Ela geralmente surge quando alguém interpreta mal ou distorce as verdades reveladas, ou quando alguém propõe novas ideias que contradizem a fé católica.

A Igreja Católica, ao longo dos séculos, teve que lidar com várias heresias. Alguns exemplos famosos são o arianismo, o nestorianismo e o gnosticismo. Essas heresias questionavam a natureza de Jesus Cristo, a Santíssima Trindade e outros ensinamentos fundamentais da fé.

A fim de preservar a pureza da doutrina, a Igreja realizou Concílios Ecumênicos, que são reuniões de bispos e teólogos para discernir a verdade em questões doutrinárias. Esses concílios ajudaram a definir e esclarecer as verdades de nossa fé e a identificar e condenar as heresias.

É importante para os católicos estudarem e conhecerem sua fé, para que possam discernir entre o que é verdadeiro e o que é falso. A heresia pode ser prejudicial, pois leva as pessoas a acreditar em algo que não está de acordo com a vontade de Deus, podendo afetar a relação delas com Ele e com a comunidade de fé.

No entanto, devemos sempre abordar as questões relacionadas à heresia com caridade e respeito, buscando a verdade e corrigindo os erros com amor. É responsabilidade da Igreja, dos bispos e dos sacerdotes ensinar e guiar os fiéis, protegendo-os das influências danosas das heresias.

Mauro Nascimento

Referências:

Evans, A. P., & Wakefield, W. L. (1998). Heresias Medievais. São Paulo: Loyola.

Sallmann, J. M. (2006). História das Heresias: Das origens ao século XVIII. Lisboa: Edições 70.

Santos, I. F. G. (2009). A Inquisição na Era Moderna. São Paulo: Contexto.

Silva, C. J. B. (2012). História da Igreja: Do século I ao século XXI. Petrópolis: Vozes.

Vaz, H. C. L. (2010). Heresias e Superstições: Na Idade Média. São Paulo: Loyola.

20 de junho – Monsenhor André Sampaio

AQUELE QUE É OMISSO ACABA INDIRETAMENTE PRATICANDO O MAL 

“Muitos acreditam que basta não praticar o mal para serem considerados bons. Um grande equívoco pensar desta maneira. A omissão em muitos casos causa tanto prejuízo quanto o mal praticado. Aquele que é omisso acaba indiretamente praticando o mal, pois deixa de fazer o bem. Sempre que formos omissos em relação àqueles que estejam à nossa volta, e, dessa omissão resultar um mal, cedo ou tarde, o remorso virá bater à nossa consciência. Não há dor maior do que o remorso. É sentimento que dói e atinge a alma profundamente, pois o remorso não modifica aquilo que já aconteceu. Todo o erro ou omissão que tivermos praticado é fato consumado. Então, cuidemos para que um dia não tenhamos que nos defrontar, com um sentimento tão triste, fazendo o melhor que pudermos, em todas as situações, pondo em prática todo o bem ao nosso alcance, que seja com quem for. Desse modo estaremos livres de passarmos por este sofrimento, dando lugar somente à paz e a alegria em nossa consciência.”

Monsenhor André Sampaio

19 de junho – Santa Juliana Falconieri, virgem, fundadora das “Mantelatas”

Santa Juliana Falconieri

Juliana, jovem muito bonita, tinha um talento indiscutível. Era uma daquelas mulheres que faziam os homens perder a cabeça, não importava da época.

Juliana viveu na Idade Média e sua cidade, Florença, foi berço de Dante Alighieri, do qual é contemporânea. Na cidade, em que se combatia uma áspera luta entre Guelfos e Gibelinos – entre vértices da tiara e da coroa – se expandem, cada vez mais, forças que partiam de baixo, que pretendiam impor seu gênio empresarial. Juliana fazia parte destas forças por causa do seu sobrenome, Falconieri, que, em Florença, no final do século XIII, era uma poderosa família de comerciantes.

A jovem com mantelete

Não era só a riqueza que reinava no Palácio dos Falconieri. Transparecia também certa riqueza imaterial e poderosa, a fé cristã, que havia levado um descendente da linhagem a se retirar totalmente e se dedicar a Deus.

Alexis Falconieri, irmão do pai de Juliana, foi um dos sete fundadores dos Servos de Maria. Ela ficou encantada pela escolha do tio, que foi para além dos esquemas de uma família que só queria ganhar dinheiro.

A jovem cresceu, desconsiderando a sua beleza. No entanto, recebeu diversas propostas de casamento, que as rejeitou com muita graça. Ela era muito atraída pela vida religiosa e, à moda mundana das mulheres florentinas, preferiu o manto escuro e largo, como aquele que seu tio usava. O mesmo manto foi logo vestido por outras moças da rica burguesia, que, seguindo o exemplo de Juliana, estavam mais propensas a servir aos pobres do que a serem reverenciadas por eles.

Amor à Florença que odiava

As “Mantellate”, – mulheres que usavam manteletes, foram rebatizadas pela Igreja, tornando-se o ramo feminino dos Servos de Maria: eram mulheres de contemplação, de joelhos, e de caridade contínua pelas ruas; nas quartas e sextas-feiras elas não tocavam nenhum tipo de comida; no sábado, se saciavam com pão e água.

Florença começou a conhecê-las como semeadoras de concórdia, em um âmbito de vinganças cruzadas, que ensanguentavam a cidade da flor-de-lis. Os sacrifícios das “mantellate” eram a única arma para acabar com aquele período de tanto ódio. Juliana, em comparação às suas companheiras, tinha algo a mais para oferecer. Há muito tempo, sofria de dores de estômago, dores latejantes, daquelas que irritavam qualquer um, até os mais os mais tenazes. Aos poucos, a jovem “mantellata“, que se tornou mulher e guia, há décadas, do seu convento, não conseguia mais engolir sequer aquele pouco de comida, que servia para sustentá-la.

A “marca” roxa

Assim, dia 19 de junho de 1341, parecia ter chegado ao ápice de uma história absurda. Aquela mulher de Deus, prestes a falecer, foi proibida de receber até a Eucaristia, pelo temor que não conseguisse engolir a hóstia consagrada. Por isso, Juliana pediu que fosse colocada sobre seu peito, como se fazia com os doentes da época, enquanto o padre acompanhava tal gesto com a oração. Porém, narra-se que aconteceu uma coisa incrível com Juliana: a hóstia desapareceu.

Ao falecer, Juliana foi colocada no caixão pelas suas coirmãs, que, em certo momento, descobriram, no lugar do coração, uma mancha roxa do tamanho de uma hóstia, como se ela tivesse ficado impressa no seu corpo.
Até hoje, as “Mantellate” trazem, em seu hábito religioso, esta marca, como recordação da última e prodigiosa comunhão da sua fundadora.

O Papa Clemente XII a canonizou em 1737.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 16 jun. 2023.

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Por Mauro Nascimento