Catolicismo de maneira inclusiva

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Katholikós – Catholicus

“O adjetivo católico possui uma complexa etimologia, envolvida num emaranhado de significados, fruto de uma longa história. Do grego katholikós, a palavra católico é a junção de dois termos gregos kata (sobre – junto) e holos (inteiro, todo, total). A tradução corrente para o português é universal, que abrange tudo, que reúne todos. Portanto, católico designa aquilo que tem vocação de universalidade, que é universal. Curioso notar que Aristóteles, no século IV aC, usava este termo para designar as proposições universais, enquanto Zenão de Eléia também escreve sobre os universais designando-os como católicos.

Na tradição cristã o termo católico foi utilizado pela primeira vez para descrever a igreja cristã no início do século II, quando Inácio de Antioquia escreve sua Epístola aos Esmirniotas (110 dC). Nesta epístola aparece a expressão ‘a igreja católica’, querendo designar a Igreja como Reino de Deus que abarca a todos. Depois disso, Cirilo de Alexandria, em suas Palestras Catequéticas (350 dC) e Teodósio I no Edictum de Fide Catholica (380 dC) também usaram a mesma expressão, sendo este último para estabelecer o cristianismo católico como a religião oficial do Império Romano.”

Fonte:

<https://faculdadejesuita.edu.br/wp-content/uploads/2021/12/Palavra-do-reitor-Abril-2022.docx.pdf>. Acesso em: 20 set. 2023.

A “Terceira Provação”: momento final da formação jesuíta

Após alguns anos exercendo o apostolado como padre ou irmão, os jesuítas concluem a última etapa de formação, conhecida como a Terceira Provação. Nesse momento, os jesuítas são convidados a mergulhar novamente na profundidade da experiência dos Exercícios Espirituais de trinta dias e no estudo da espiritualidade e do carisma da Ordem religiosa.

Os Exercícios Espirituais são um conjunto de práticas de oração e meditação que foram desenvolvidos por São Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus. Os Exercícios são uma experiência profunda de encontro com Deus e com a própria vida. Eles ajudam os jesuítas a discernir o seu chamado e a viver sua missão no mundo.

A espiritualidade jesuíta é baseada no Evangelho e na vida de Jesus Cristo. Os jesuítas buscam seguir Jesus Cristo no seu amor pelos pobres, pelos excluídos e pelos que sofrem. Eles também buscam promover a justiça e a paz no mundo.

O carisma da Companhia de Jesus é a missão de servir a Igreja e ao mundo na educação, na pastoral e na promoção da justiça. Os jesuítas acreditam que a educação é um instrumento poderoso para transformar o mundo. Eles também acreditam que a pastoral é essencial para a evangelização e para o crescimento da fé. Por fim, os jesuítas acreditam que a promoção da justiça é uma responsabilidade de todos os cristãos.

A Terceira Provação é uma etapa importante na formação jesuíta. É um momento de aprofundamento da espiritualidade, do carisma e da missão da Companhia de Jesus. Os jesuítas que concluem a Terceira Provação estão preparados para servir a Igreja e ao mundo com amor, compaixão e justiça.

Sobre a Companhia de Jesus

A Companhia de Jesus é uma ordem religiosa católica fundada por São Inácio de Loyola em 1534. A Companhia de Jesus é uma das maiores ordens religiosas do mundo, com membros em mais de 100 países. Os jesuítas são ativos em diversos campos, como educação, pastoral, promoção da justiça e diálogo inter-religioso.

Mauro Nascimento

Referências:

Etapas de formação. Acesso em: 31 jul. 2023.

Saiba quem são os jesuítas, ordem do papa Francisco. Acesso em: 31 jul. 2023.

 

O que é uma heresia?

Como católicos, acreditamos que a nossa fé é baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo e na tradição da Igreja. No entanto, ao longo da história, algumas ideias ou doutrinas foram propostas que entraram em conflito com esses ensinamentos. Essas ideias ou doutrinas são chamadas de heresias.

Uma heresia é uma crença ou ensinamento que se opõe à doutrina oficial da Igreja Católica. Ela é considerada um desvio da verdade revelada por Deus e pode causar confusão e divisão entre os fiéis. A Igreja considera sua missão proteger e preservar a integridade da fé católica, ensinando a verdade e corrigindo erros que possam surgir.

É importante lembrar que nem todas as opiniões contrárias à Igreja são consideradas heresias. A heresia envolve uma rejeição consciente e persistente de uma doutrina essencial da fé católica. Ela geralmente surge quando alguém interpreta mal ou distorce as verdades reveladas, ou quando alguém propõe novas ideias que contradizem a fé católica.

A Igreja Católica, ao longo dos séculos, teve que lidar com várias heresias. Alguns exemplos famosos são o arianismo, o nestorianismo e o gnosticismo. Essas heresias questionavam a natureza de Jesus Cristo, a Santíssima Trindade e outros ensinamentos fundamentais da fé.

A fim de preservar a pureza da doutrina, a Igreja realizou Concílios Ecumênicos, que são reuniões de bispos e teólogos para discernir a verdade em questões doutrinárias. Esses concílios ajudaram a definir e esclarecer as verdades de nossa fé e a identificar e condenar as heresias.

É importante para os católicos estudarem e conhecerem sua fé, para que possam discernir entre o que é verdadeiro e o que é falso. A heresia pode ser prejudicial, pois leva as pessoas a acreditar em algo que não está de acordo com a vontade de Deus, podendo afetar a relação delas com Ele e com a comunidade de fé.

No entanto, devemos sempre abordar as questões relacionadas à heresia com caridade e respeito, buscando a verdade e corrigindo os erros com amor. É responsabilidade da Igreja, dos bispos e dos sacerdotes ensinar e guiar os fiéis, protegendo-os das influências danosas das heresias.

Mauro Nascimento

Referências:

Evans, A. P., & Wakefield, W. L. (1998). Heresias Medievais. São Paulo: Loyola.

Sallmann, J. M. (2006). História das Heresias: Das origens ao século XVIII. Lisboa: Edições 70.

Santos, I. F. G. (2009). A Inquisição na Era Moderna. São Paulo: Contexto.

Silva, C. J. B. (2012). História da Igreja: Do século I ao século XXI. Petrópolis: Vozes.

Vaz, H. C. L. (2010). Heresias e Superstições: Na Idade Média. São Paulo: Loyola.

Curiosidades: o que é uma hagiografia?

Hagiografia é basicamente uma biografia de santo, especialmente no contexto cristão. É um tipo de escrita que conta a vida, as obras e os milagres desses santos, além de celebrar e venerar a sua figura.

As hagiografias são geralmente escritas de maneira positiva, destacando as virtudes, os feitos extraordinários e os exemplos de piedade dos santos. Elas podem incluir histórias de milagres atribuídos a eles, relatos sobre sua santidade e até mesmo detalhes sobre o seu martírio, se for o caso. O objetivo das hagiografias é inspirar e fortalecer a fé dos fiéis, fornecendo exemplos de como viver uma vida espiritual e moralmente correta.

É importante lembrar, porém, que as hagiografias não são necessariamente registros históricos precisos. Muitas vezes, elas contêm elementos lendários, mitológicos ou simbólicos. Elas refletem a devoção popular e a interpretação da figura do santo dentro de uma determinada comunidade religiosa.

Mauro Nascimento 

Referência:

CERTEAU, Michel de. A escrita da história. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

Motu Proprio – um instrumento papal de mudança

O termo “Motu Proprio” é uma expressão latina que significa “por iniciativa própria” ou “de sua própria vontade”. No contexto da Igreja Católica, um Motu Proprio é um documento oficial emitido diretamente pelo Papa, sem qualquer interferência ou influência de bispos, cardeais ou outros membros da hierarquia eclesiástica. Esse tipo de documento é uma recomendação veemente do Papa em relação a mudanças dentro da Igreja.

Quando um Papa decide emitir um Motu Proprio, ele está demonstrando sua autoridade suprema e sua capacidade de tomar decisões unilaterais sobre assuntos importantes para a Igreja. Esses documentos podem ser utilizados para diversas finalidades, desde a reforma de instituições eclesiásticas até a modificação de práticas litúrgicas.

Um Motu Proprio é geralmente precedido por um estudo aprofundado do Papa e de sua equipe, envolvendo teólogos, canonistas e especialistas em diversos campos. O objetivo é garantir que as mudanças propostas sejam coerentes com a doutrina e a tradição da Igreja, ao mesmo tempo em que atendam às necessidades e desafios contemporâneos.

Esses documentos podem abordar uma ampla gama de questões, como a organização interna da Igreja, a disciplina do clero, a promoção da justiça social, a liturgia e a pastoral. Independentemente do assunto, o Motu Proprio reflete a vontade do Papa de implementar mudanças significativas dentro da Igreja Católica.

Uma vez promulgado, um Motu Proprio tem força legal e obriga todos os membros da Igreja a cumpri-lo. No entanto, em algumas questões, especialmente aquelas relacionadas à doutrina e à moral, o Papa deve levar em consideração a tradição e o consenso dos bispos e teólogos, a fim de evitar decisões arbitrárias ou controversas.

Mauro Nascimento

Referência:

CROSS, Frank Leslie; LIVINGSTONE, Elizabeth A. (Ed.). The Oxford dictionary of the Christian church. Oxford University Press, USA, 2005.

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Por Mauro Nascimento