Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 125 de 168)

23 de junho – Monsenhor André Sampaio

DEVEMOS SEMPRE FAZER UMA PARADA QUANDO NECESSÁRIO

“O peso de nossa bagagem depende da nossa maneira de avaliar a importância de cada coisa que guardamos nela… Guardamos tantas coisas em nossos corações que muitas vezes achamos que não vamos mais conseguir seguir adiante pelo seu imenso peso, mas devemos sempre fazer uma parada quando necessário e jogar fora tudo aquilo que pesa e nos entristece… As coisas que foram ruins vocês podem até guardar, mas se já foram transformadas em aprendizado, pois assim pesam bem menos e fortalece o aprendizado de nossa alma.”

Monsenhor André Sampaio

Dupla moral: reflexões sobre a traição de Neymar

Tradições antigas, arraigadas em normas sociais, podem muitas vezes nos deixar perplexos diante de situações complexas. A traição em relacionamentos amorosos é uma dessas questões delicadas e polêmicas que suscitam reflexões profundas sobre moralidade, equidade e compreensão humana.

A traição do jogador Neymar despertou reações controversas nas redes sociais. Surpreendentemente, alguns comentários de apoio emergiram, clamando pelo poder do amor e pelo perdão de Bruna Biancardi. Essas vozes, movidas por uma suposta vitória do amor, parecem esquecer o momento doloroso em que Bruna estava em casa, enquanto Neymar compartilhava sua intimidade com outra pessoa.

Essa aparente contradição levanta questionamentos sobre a concepção de “vitória do amor”. Será que o amor só prevalece quando uma das partes está ferida? Será que a traição é perdoada somente quando uma pessoa negligencia o amor e busca prazer em terceiros? Essa lógica parece irracional e distante da verdadeira essência do amor.

A equidade de gênero também é um ponto crucial a ser analisado. Se Bruna tivesse sido infiel, provavelmente enfrentaria uma enxurrada de críticas e julgamentos implacáveis. Essa disparidade na forma como a sociedade encara a traição evidencia uma dupla moral que ainda permeia muitos aspectos da nossa cultura.

Pedir desculpas é um gesto nobre, sem dúvida. No entanto, é importante considerar que a prevenção é sempre mais valiosa do que a reparação. Agir de maneira consciente, com empatia e respeito pelos sentimentos do outro, é um caminho que evita a dor, a mágoa e a quebra de confiança.

A verdadeira vitória do amor reside na construção de relacionamentos sólidos, baseados em fidelidade, honestidade e comunicação aberta. Devemos encarar nossas escolhas com responsabilidade, pois cada ação tem o poder de afetar profundamente a vida daqueles que amamos.

No entanto, é importante lembrar que todos somos seres humanos, suscetíveis a erros e falhas. Nesse contexto, é necessário cultivar a capacidade de perdoar e reconstruir, desde que haja arrependimento genuíno e esforço para mudar comportamentos inadequados.

Em última análise, a verdadeira “vitória do amor” não está em justificar ou romantizar a traição, mas sim em promover relações saudáveis, baseadas em confiança mútua, respeito e compromisso. É necessário questionar as normas sociais estabelecidas e buscar uma compreensão mais profunda dos desafios que envolvem os relacionamentos humanos, a fim de construir um mundo onde o amor verdadeiro possa florescer e superar as adversidades.

Mauro Nascimento 

22 de junho – São Tomás Moro, mártir inglês

São Tomás Moro, século XVII

Tomás tinha uma grande fama de homem íntegro e jovial, um Juiz justo, culto e estimado pelos humanistas europeus, tanto que Erasmo de Roterdã, lhe dedicou sua obra “Elogio da Loucura”; era muito amado pelo povo, pela sua caridade; conhecido pelo seu senso de humorismo e sua fina inteligência, como transparecem em suas obras e em sua vida. Porém, ele era, acima de tudo, um homem de grande fé.

Filho de advogado, nasceu em Londres em 1478. Em sua vida privada, frequentava os franciscanos, em Greenwich, e, por um período, na Cartuxa de Londres. A seguir, casou-se com Jane Colt, da qual teve quatro filhos. Ao ficar viúvo, casou-se novamente, esta vez com Alice Middleton. Como esposo e pai, dedicou-se à educação intelectual e religiosa de seus filhos, em sua casa, sempre aberta a amigos.

Um astro em ascensão

Em sua vida pública, Tomás trabalhou como membro do Parlamento e assumiu diversos cargos diplomáticos. Em 1516, escreveu sua obra mais famosa “Utopia”. Tornou-se, novamente, Juiz e presidente da Câmara Comunal. Como conselheiro e secretário do rei, comprometeu-se com a Reforma Protestante. Contribuiu para a elaboração da obra “A defesa dos sete Sacramentos”, que valeu a Henrique VIII o título de “Fidei defensor”. Uma ascensão irrefreável até chegar ao ápice: foi o primeiro leigo a ser nomeado Grão-Chanceler. Transcorria o ano 1529.

Alguns anos depois, em 1532, sua vida teve uma mudança determinante: Tomás pediu demissão. Assim, para a sua família, abriram-se as portas de uma vida de pobreza e abandono.

“Morro como servo fiel do rei, mas, primeiro, como servo de Deus”

Sua história entrelaçou-se com a vida do rei Henrique VIII: decidido de se casar com Ana Bolena, o soberano pediu ao Arcebispo anglicano de Cantuária, Tomás Cranmer, para declarar nulo e sem efeito seu casamento com Catarina de Aragão; em uma escalada de oposição, chegou até a pedir também para que o Papa Clemente VII aceitasse sua liderança como chefe da Igreja na Inglaterra.

Em 1534, o Ato de Supremacia e o Ato de Sucessão marcaram o momento decisivo. Tomás já havia se retirado do mundo político. Logo, não podia aprovar a decisão do rei e, acima de tudo, não queria abjurar à lealdade ao Papa.

Em 1534, Tomás foi preso na Torre de Londres, mas não foi suficiente para se retratar. A “conduta” do silêncio, que havia adotado, não foi suficiente para se salvar. Então, enfrentou um processo, durante o qual pronunciou sua famosa apologia sobre a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pelo patrimônio jurídico, inspirado nos valores cristãos, a liberdade da Igreja em relação ao Estado. Por isso, Tomás Morus foi condenado por alta traição e decapitado em 6 de julho. Após alguns dias, João Fisher, de quem era um grande amigo, também foi condenado pelas mesmas ideias. Desta forma, estes dois Santos são recordados, juntos, pela liturgia da Igreja, no mesmo dia, 22 de junho.

Tomás Morus foi um homem apaixonado pela Verdade, “admirado pela sua “integridade”, – afirmou Bento XVI, em seu discurso no Westminster Hall – com a qual teve a coragem de seguir a sua consciência, mesmo à custa de desagradar ao soberano, de quem também era “bom servidor”, de escolher servir primeiro a Deus”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 jun. 2023.

22 de junho – Monsenhor André Sampaio

ACREDITEMOS EM NOSSOS IDEAIS, MAS TRABALHEMOS PARA TORNÁ-LOS REALIDADE

“Não se sinta jamais um derrotado pela vida. Se as coisas não deram certo até agora é por um desses motivos: você não está seguindo o caminho certo ou ainda não chegou a sua hora. Procure acreditar nos seus sonhos. Não desanime diante dos obstáculos. Eles estão no caminho para serem vencidos e você é capaz. Acredite e confie. Deus está junto de cada um de nós. Ele dá as mesmas oportunidades a todos, para que cresçam e evoluam. Agora o que se faz com as oportunidades é responsabilidade de cada um. Alguns saberão aproveitá-las da melhor maneira possível. Outros deixarão que as oportunidades passem uma a uma, por orgulho, vaidade, até mesmo por preguiça. Acreditemos em nossos ideais, mas trabalhemos para torná-los realidade. Quando nos propomos a trabalhar para o bem, Deus estará sempre conosco, nos guiando, nos fortalecendo, nos encorajando, nos animando para atingirmos a vitória de nossos ideais.”

Monsenhor André Sampaio

21 de junho – Monsenhor André Sampaio

A NEGAÇÃO DE UM SENTIMENTO PODE GERAR DOENÇAS FÍSICAS E ESPIRITUAIS 

“O ser humano experimenta um turbilhão de sentimentos durante a sua existência. Esses sentimentos mudam o tempo todo durante a caminhada. Sentimos medo, insegurança, raiva, mágoa, sentimos também Amor, desejo, bondade, alegria e muitos outros sentimentos. De acordo com o momento da nossa vida estamos vivenciando um sentimento. O importante é sabermos acolher o que estamos sentindo, é escutar esse sentimento, é aceitar, é reconhecer que muitas vezes não estamos sentindo os melhores sentimentos, mas não podemos esconder essa sensação no fundo da nossa alma, pois a negação de um sentimento pode gerar doenças físicas e espirituais e, infelizmente isso acontece muito conosco. Vamos acolher os nossos sentimentos e entender o que se passa no nosso íntimo. Que possamos sempre cultivar: Amor, caridade, benevolência para conosco e para com o próximo. ESCUTAR, ENTENDER, ACEITAR, ACOLHER, TRABALHAR e TRANSFORMAR são ações que aliadas ao AMOR nos ajudam em nossa via de aperfeiçoamento e santificação. Você é o autor da sua história chamada vida.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento