Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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05 de junho – Monsenhor André Sampaio

“Deus nos criou de forma simples e com tudo aquilo que necessitamos para nossa sobrevivência. Temos tudo o que precisamos, porém, a maioria de nós não se conforma com o necessário. Queremos sempre mais. Trabalhamos o tempo todo, não para suprir o necessário, mas para o supérfluo. Se tivermos uma casa para vivermos tranquilamente com nossos familiares, logo não estaremos mais contentes com a mesma. Iremos querer outra. Se conseguirmos mais uma, logo acreditaremos que precisaremos de mais uma e assim por diante. Passamos a viver como escravos do ter. Quanto mais tivermos, tanto melhor. Isso em todos os setores da vida. E assim, vai surgindo um buraco, um vazio na alma que nada é capaz de preencher e passamos a viver numa busca frenética por bens materiais, na ilusão de que algo nos falta ainda. O que falta e deixa esse vazio enorme na alma é a falta de Deus. Ele nos criou com todo o amor, para desenvolvermos nossos sentimentos, para que aprendêssemos a amá-lo, a amar a nós mesmos e ao próximo como a nós mesmos. Será que temos agido assim? Será que esquecemos a razão fundamental de estarmos aqui? Podemos ter uma certeza: não há bem material na Terra capaz de suprir a falta de amor. Só o amor vivido em sua plenitude tornará o homem verdadeiramente feliz. Os bens materiais ficarão, apodrecerão, enferrujarão, perder-se-ão no espaço e no tempo. Somente o espírito é eterno e com ele levaremos apenas as conquistas dos valores morais, as nossas virtudes, os bons sentimentos e todo o amor que houvermos semeado durante a nossa vida!”

Monsenhor André Sampaio

04 de junho – Monsenhor André Sampaio

TUDO AQUILO QUE DARMOS EM TERMOS DE SENTIMENTOS RECEBEREMOS DE VOLTA

“Aquele que cultiva os bons sentimentos em relação ao próximo, certamente  atrairá para si pessoas que possuem sentimentos voltados para o bem. Todo amor, carinho e atenção que doarmos aos outros receberemos em dobro. Amar ao próximo como a si mesmo é a atitude daqueles que sabem se colocar no lugar do outro. O amor é o alimento da alma. Ninguém sobrevive sem amor. O amor nos impulsiona a enfrentarmos as dificuldades que surgem no caminho, aliviando a dor e o sofrimento que possam nos afetar. Tudo aquilo que doarmos em termos de sentimentos receberemos de volta. Doe amor, carinho, afeto, amizade, solidariedade aos outros e receberá de volta todos esses bons sentimentos. Perdoe as mazelas alheias, buscando entender que cada um de nós se encontra num degrau na escala evolutiva do Ser. O perdão sem ostentação e orgulho é sinal de nobreza da alma. Perdoemos para que também possamos ser perdoados, pois também cometemos erros. Estamos aprendendo também. Doemos o que há de melhor em nós e receberemos de volta tudo o que há de melhor nos outros. Deus nosso Pai está atento a tudo. Portanto, lutemos para nos tornarmos cada vez melhores como espíritos eternos que somos.”

Monsenhor André Sampaio

04 de junho – São Francisco Caracciolo, presbítero, fundador dos Clérigos Regulares Menores

Imagem: Wikimedia

“Sangue precioso do meu Jesus, vós sois meu! Convosco e por meio de vós espero salvar-me. Meus sacerdotes, esforcem-se de celebrar a Missa, todos os dias, e inebriar-se com este Sangue!”

Não foi por acaso que Francisco Caracciolo era chamado o “Santo da Eucaristia”: seu amor por Jesus, Pão da vida, brotou muito cedo, como também sua vocação, quando ainda vivia com sua família nobre e rica em Vila Santa Maria, perto de Chieti. O amor que ele sentia por Nossa Senhora não era menos importante, tanto que, em sua honra, costumava usar o hábito do Carmo, quando criança, além de rezar o terço e jejuar todos os sábados.

Uma doença “iluminadora”

Aos 22 anos, Ascânio foi acometido por uma forma maligna de elefantíase, que desfigurou todo o seu corpo. Por isso, prometeu renunciar, para sempre, às riquezas terrenas em troca da sua cura. E foi atendido.

Dois anos depois, foi ordenado sacerdote. Ficou conhecido por algumas supostas curas, entre os doentes dos hospitais, onde exercia seu ministério, bem como nas prisões. Vivia sempre entre os últimos, a ponto de pedir para fazer parte da Companhia dos Brancos, que, em Nápoles, prestava serviço aos condenados à morte e prisioneiros junto ao hospital dos Incuráveis. Transcorria o ano de 1588.

Fundador… por engano

Certo dia, Ascânio recebeu uma missiva de um nobre genovês, Agostino Adorno, e do abade de Santa Maria Maior, em Nápoles, Fabrício Caracciolo. Na verdade, a missiva era endereçada a um religioso, da sua Congregação, que tinha seu mesmo nome. Por engano, a carta foi entregue a ele, que a recebeu como sinal da Providência.

Graças a este descuido, Ascânio se reuniu, com os dois personagens acima mencionados, no mosteiro dos Camáldulos, onde elaborou as Constituições de um novo Instituto, do qual foi cofundador. Ele foi o autor da proposta de acrescentar aos três votos de pobreza, castidade e obediência, um quarto voto, com o qual se comprometia a rejeitar todo e qualquer cargo eclesiástico. Quando o novo Instituto foi aprovado, Ascânio recebeu o nome de Francesco.

A difícil relação com a Espanha

Em 1589, Francisco Caracciolo partiu para a Espanha, junto com Adorno, para expandir seu novo Instituto. Mas, sua viagem foi uma falência. Após um ano, voltaram para casa: Francisco ficou doente e Adorno faleceu.

Em 1591, Francisco foi eleito Prepósito geral perpétuo, cargo que teve que aceitar para cumprir o voto de obediência. Porém, não mudou seu modo de viver a penitência, o jejum e nem seu costume de fazer os trabalhos mais humildes.
Três anos depois, Francisco voltou à Espanha, mas, em Madri, o rei Filipe II ameaçou de fechar o hospital italiano, onde prestava assistência aos enfermos.

Somente em 1601, sendo eleito Mestre de noviços, conseguiu abrir uma Casa, em Valladolid. Ali, demonstrou uma grande capacidade de discernimento entre os jovens, prevendo, para alguns, a vocação para a vida religiosa e, para outros, até a apostasia.

Em 1607, finalmente, foi dispensado de todos os cargos, dedicando-se apenas à oração.

“Caçador de almas”, “pai dos pobres”, mas também “homem de bronze”

Estes eram os três apelidos com os quais Francisco era conhecido, que refletem, perfeitamente, os três votos do seu ministério. No entanto, jamais deixou de visitar os enfermos e assistir aos moribundos. No hospital, dedicou-se, com muito zelo, aos trabalhos mais humildes, como arrumar as camas, limpar os quartos, remendar as roupas dos pacientes. Além do mais, estava sempre disposto a fazer coleta de esmolas, para providenciar a educação das meninas; levava tudo o que tinha aos pobres, até mesmo tirando o pão da sua boca para dar aos necessitados; jejuava sempre e dava as roupas usadas dos confrades aos que precisavam. Enfim, foi um incansável confessor, ensinava o catecismo às crianças, organizava as obras de caridade e pregava as verdades eternas aos fiéis.

Amor a Jesus Eucarístico

Francisco queria o melhor para os outros, mas nada para si: escolhia sempre os quartos apertados, dormia e comia muito pouco; além disso, fazia obras de penitência, a ponto de se cingir com o cilício nas festas e em suas longas viagens a pé. Mas, sobretudo, promovia o culto da Eucaristia, estabelecendo que os estudantes da Ordem se revezassem para a Adoração ao Santíssimo Sacramento. A propósito, nunca se cansava de exortar os sacerdotes à prática de expor o Santíssimo Sacramento, todo primeiro domingo do mês.

Durante a sua peregrinação à Santa Casa de Loreto, foi para o céu, em 4 de junho de 1608, depois de invocar os Santos Miguel, José e Francisco de Assis.

São Francisco Caracciolo foi canonizado por Pio VII, em 1807.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 02 jun. 2023.

03 de junho – Santos Carlos Lwanga e companheiros, mártires de Uganda

Santos Carlos Lwanga e Companheiros, Albert Wider (Joachim Schäfer – Ökumenisches Heiligenlexikon)

“Pegarei na tua mão. Se tivermos que morrer por Jesus, morreremos juntos, de mãos dadas”: eis as últimas palavras pronunciadas por Carlo Lwanga e dirigidas ao jovem Kizito, que morreu com ele, com apenas 14 anos de idade, por ódio à fé. Seu martírio foi compartilhado com outros companheiros, católicos e anglicanos, vítimas das perseguições contra os cristãos, ocorridas em Uganda, no final do século XIX.

Encontro com os “Padres Brancos” e conversão ao cristianismo

A história destes santos mártires deu-se sob o reinado de Mwanga II, rei de Buganda (hoje parte de Uganda), entre novembro de 1885 e meados de 1886.

Carlos pertencia ao clã de Ngabi, mas foi atraído pelas palavras do Evangelho, proferidas e testemunhadas pelos Missionários da África, mais conhecidos como “Padres Brancos”, fundados pelo Cardeal Lavigerie.

O jovem Lwanga converte-se ao cristianismo e, em 1885, foi convocado pelo tribunal para ser prefeito da Sala Real. Desde o início, tornou-se um ponto de referência para os outros, de modo particular, para os recém-convertidos, cuja fé apoiou e encorajou.

Início das perseguições

No início, o rei Mwanga – que também fora educado pelos “Padres Brancos”, embora fosse muito teimoso e rebelde – acolheu Lwanga com benevolência.

Depois, instigado pelos feiticeiros locais, que viam o poder do rei comprometido pela força do Evangelho, Mwanga começou uma verdadeira e própria perseguição contra os cristãos, sobretudo por não cederam aos seus desejos dissolutos.

Em 25 de maio de 1886, Carlos Lwanga foi condenado à morte, junto com outros. No dia seguinte, começaram as primeiras execuções.

“Via Sacra” de oito dias

Para aumentar o sofrimento dos condenados, o soberano decidiu transferi-los para o Palácio Real de Munyonyo, em Namugongo, lugar das penas capitais: as 27 milhas, que separavam os dois lugares, se tornaram 27 milhas de uma verdadeira “Via Sacra”. Ao longo do caminho, Carlos e seus Companheiros foram submetidos à violência dos soldados do rei, que tentavam, com todos os meios, fazer com que renunciassem à sua fé. Em oito dias de caminhada, muitos morreram transpassados pelas lanças, enforcados e até pregados em árvores.

Queimados vivos na colina Namugongo

No dia 3 de junho, os sobreviventes chegaram exaustos à colina Namugongo, onde deviam enfrentar uma fogueira. Carlos Lwanga e seus Companheiros, junto com alguns fiéis anglicanos, foram queimados vivos. Eles rezaram até o fim, sem gemer, dando prova luminosa de uma fé fecunda. Um deles, Bruno Ssrerunkuma, disse, antes de expirar: “Uma fonte, que tem muitas fontes, jamais secará. Quando nós não existirmos mais, outros virão depois de nós”.

Canonizado por Paulo VI, em 1964

Em 1920, Bento XV proclamou a Beatificação destes mártires. Quatorze anos depois, em 1934, Pio XI elevou Carlos Lwanga “Padroeiro da Juventude da África cristã”. Por fim, Paulo VI canonizou todo o grupo, em 18 de outubro de 1964, durante o Concílio Vaticano II. O mesmo Papa Montini, quando da sua viagem a Uganda, em 1969, consagrou o altar-mor do Santuário de Namugongo, construído no lugar do martírio. A forma da igreja, que lá surgiu, se parece com uma cabana africana tradicional, apoiada em 22 pilares, que representam os 22 mártires católicos ugandenses.

Papa Francisco: “Testemunhas do ecumenismo do sangue”

Em 28 de novembro de 2015, durante sua XI Viagem Apostólica a Uganda, o Papa Francisco celebrou Missa no mesmo Santuário, após visitar a vizinha igreja Anglicana, também dedicada aos mártires do país.

Em sua homilia, o Papa disse: “Hoje, recordamos com gratidão o sacrifício dos Mártires ugandenses, cujo testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja atingiu até os confins da terra; recordamos também lembramos os Mártires anglicanos, cuja morte por Cristo testemunha o ecumenismo do sangue… vidas assinaladas pelo poder do Espírito Santo; vidas que, ainda hoje, dão testemunho do poder transformador do Evangelho de Jesus Cristo”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 01 mai. 2023.

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Por Mauro Nascimento