Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 99 de 168)

21 de agosto – São Pio X, papa

São Pio X, Basílica de São Paulo Extramuros

Quantos pensamentos se passavam pela cabeça do pequeno José Sarto, quando percorria, – muitas vezes, a pé, – a estrada da sua casa, em Riese, na região veneta, até à escola em Castelfranco! Mas, jamais teria imaginado que um dia ocuparia o sólio de Pedro.

Pio X foi o primeiro Papa, na história contemporânea, proveniente da classe camponesa; a sua formação foi exclusivamente pastoral: não ocupou nenhum cargo na Cúria Romana, nem nas atividades diplomáticas da Santa Sé.

Nasceu em 1835 e foi o segundo de dez filhos. Com a morte do pai, poderia tê-lo substituído no trabalho Municipal – pois tinha 17 anos – mas a sua mãe o ajudou a seguir a sua vocação, trabalhando, dia e noite, para ir levando a vida. Tal amor e tenacidade não foram esquecidos por José Sarto: gostava de estudar, gozava de uma ótima saúde, era bondoso, mas também muito tenaz, e tinha uma vida rica de obras de caridade. Foi capelão, pároco, diretor espiritual no Seminário, Bispo de Mântua, Patriarca de Veneza e, por fim, Papa. Seu primeiro ato, como Pontífice, foi abolir o “veto laical”, – uma espécie de direito, derivado de algumas monarquias europeias – com a Constituição “Commissum nobis“.

“Restaurar” para reformar

O famoso Catecismo, que traz o seu nome, foi adotado na Itália com uma particular estrutura de “perguntas e respostas”. Foi elaborado precisamente para pessoas simples, em uma sociedade onde a cultura ainda não havia atingido todas as classes sociais. A maior preocupação de Pio X era difundir, o máximo possível, a catequese entre os cristãos. Eis algumas das principais características do seu Pontificado: oposição ao modernismo e às leis anticristãs na França; impulso à reforma do Direito Canônico e da Cúria Romana; antecipação para sete anos de idade a Primeira Comunhão. Ainda na Itália, a moderação das restrições do “Non expedit” de Pio IX, ou seja, a proibição dos católicos italianos de participar da vida política.

Por outro lado, Pio X favoreceu a reforma Litúrgica, o movimento Bíblico e deu prioridade ao canto gregoriano. Mas, ao centro de tudo, estava a participação na Eucaristia. Estes são apenas alguns acenos, diante da riqueza das intervenções do seu Pontificado.

Ao centro, a preocupação Pastoral

Logo, o Papado de Pio X foi, certamente, muito “ativo” e variegado, tanto que, seu grande amigo e Secretário de Estado, Cardeal Rafael Merry del Val, não por acaso, ressaltou: “Este enorme trabalho foi, sobretudo, devido à sua iniciativa pessoal, consequente da sua bondade, que ninguém seria capaz de colocar em dúvida”. Ao centro da sua vida e Magistério estava a sua preocupação pastoral, em uma sociedade onde se advertia, cada vez mais, uma crise de Fé. Esta sua intenção já era claramente expressa no lema do seu Pontificado “Instaurare omnia in Christo“, extraído da Carta aos Efésios. Enfim, São Pio X quis viver como pobre. De fato, deixou escrito em seu testamento: “Nasci pobre, vivi como pobre e, certamente, morrerei muito pobre”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 18 ago. 2023.

20 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Queremos tudo para ontem! Não percebemos, mas somos imediatistas. Sempre apressados! Saúde, alegria, felicidade, prosperidade, tudo isso queremos de uma só vez, sem pensar no quanto custa conquistar cada uma dessas situações. Temos saúde física quando estamos bem com a parte emocional e com a espiritual. Esquecemo-nos de que para que possamos viver verdadeiramente bem, em paz, com saúde, alegria e prosperidade, temos que conquistar a paz espiritual e de consciência em primeiro lugar. O imediatismo sempre nos leva a tomarmos decisões erradas, a fazermos tudo exatamente de forma contrária ao nosso bem. Infelizmente o imediatismo acaba por nos levar à dor e ao sofrimento, porque não pesamos as consequências de nossas atitudes e quando acordamos já é tarde demais. Para Deus não existe o impossível, nem o irremediável, pois Ele nos dará sempre novas oportunidades para refazermos aquilo que destruímos. Mas, quanto mais insistirmos pelo caminho do imediatismo, maior a dor e o sofrimento. Aprendamos com a dor a caminhar com calma, paciência, fazendo tudo sem exageros e dentro de nossas possibilidades. Não queira jamais dar um passo maior do que seus pés possam alcançar. Seja coerente em tudo. Tenha a certeza de que agindo dessa maneira estará se poupando de muita dor, sofrimento e desgaste emocional.”

Monsenhor André Sampaio

20 de agosto – São Bernardo, abade e doutor da Igreja

São Bernardo, Taddeo Crivelli (Digital image courtesy of the Getty’s Open Content Program)

Uma família de oração

Bernardo nasceu em 1090, em Fontaines, França, em uma família opulenta. Aos 22 anos, após ter estudado gramática e retórica, entrou para o Mosteiro fundado por Roberto de Molesmes, em Citeaux (em latim Cistercium, do qual deriva o nome de Cisterciense). Alguns anos depois, fundou o Mosteiro de Claraval (Clairvaux), junto com 12 companheiros, entre os quais, 4 irmãos, um tio e um primo. Pelo seu exemplo, muitos de seus parentes também escolheram a vida religiosa.

Jesus e Maria

Segundo o espírito de Bernardo, a vida monacal era constituída de trabalho, contemplação e oração, tendo como estrelas fixas Jesus e Maria. Para o Abade cisterciense, Cristo era o centro de tudo: “Para mim, nas discussões ou conversas, se não for pronunciado o nome de Jesus nada tem sentido” (Sermones super Cantica Canticorum, XV). Maria – escreve Bernardo – leva a Jesus: “Nos perigos, nas angústias, nas incertezas, deve-se elevar o pensamento a Maria, invocar Maria. Que ela jamais saia dos nossos lábios; jamais se separe do nosso coração; para obtermos a ajuda na oração, jamais devemos esquecer seu exemplo de vida. Se a seguirmos, não nos perderemos; se rezarmos a ela, não nos desesperaremos; se pensarmos nela, não erraremos…” (Homilia II super “Missus est“).

Os quatro degraus do amor

No seu escrito “De diligendo Deo“, Bernardo indica o caminho da humildade para atingir o amor de Deus; exorta a amar o Senhor sem limites. Para o monge Cisterciense, os degraus fundamentais do amor são quatro:

1 – O amor de si para si: “Primeiro, o homem ama-se a si mesmo; depois, vendo que sozinho não pode viver, começa a buscar a Deus por meio da fé”.

2 – O amor de Deus para si: “No segundo degrau, portanto, ame a Deus para si e não para Ele. Porém, deve começar a frequentar a Deus e a honrá-lo, segundo as próprias necessidades”.

3 – O amor de Deus por Deus: “A alma passa para o terceiro degrau, amando a Deus, não por si mesmo, mas por Ele. Neste degrau, se detém longamente; aliás, não sei se nesta vida seja possível chegar ao quarto degrau”.

4 – O amor de si por Deus: “Aquele amor em que o homem ama a si mesmo somente por Deus. Assim sendo, terá quase que esquecido admiravelmente a si mesmo; quase deixa a si mesmo para tender totalmente a Deus, a ponto de ser um só espírito com Ele”.

Bernardo e os Templários

Entre os escritos do Abade cisterciense há também um famoso elogio da Ordem monacal-militar dos Templários, fundada em 1119, por alguns Cavaleiros, sob a guia de Hugo de Payns, feudatário da região de Champanhe e parente de Bernardo. No seu “De laude novae militiae ad Milites Templi“, descreve assim os Cavaleiros do Templo: “São vestidos de modo simples e cobertos de pó; rosto queimado pelo sol e olhar orgulhoso e severo: antes da batalha, armam-se interiormente, com a força da fé. A sua única fé é a Deus”.

Doctor Mellifluus

Bernardo morreu em 20 de agosto de 1153. Papa Alexandre III o proclamou santo em 1174. Pio XII dedicou-lhe uma encíclica intitulada “Doctor Mellifluus”, na qual recorda, de modo particular, estas palavras de Bernardo: “Jesus é mel na boca, suave concerto aos ouvidos, júbilo ao coração”. “O Doutor melífluo, último dos Padres, mas não, certamente, inferior aos primeiros – escreveu o Pontífice – se destacou por seus dotes de mente e de espírito, aos quais Deus acrescentou abundantes dons celestes”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: Acesso em: 18 ago. 2023.

 

19 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“É interessante como estamos sempre prontos para observar, e apontar os erros dos outros. Em sequência, sem qualquer piedade, julgamos e condenamos o outro. Porém, quando o erro é nosso, sempre temos uma boa desculpa, tentando nos justificarmos de qualquer maneira, e, ainda, exigimos apoio dos outros para as nossas atitudes. Não devemos nos preocupar com os erros dos outros, pois cada um responderá perante as Leis de Deus. A cada um segundo suas obras. Temos ainda que nos perguntar: Qual de nós está em condições de julgar o próximo? Não nos esqueçamos de que todos nós estamos matriculados, e cursando a mesma escola da vida. Uns mais à frente e outros mais atrás, sendo certo que um dia todos alcançarão graus mais altos, pelos nossos esforços. Procuremos assim, olharmos mais para nós mesmos, reconhecendo que ainda somos falíveis e passíveis de erros, aprendendo a reconhecê-los, com humildade. Quando reconhecemos nossos erros, admitindo-os, já estamos a um passo de corrigi-los em nós. Admitir é fácil, bastando entendermos que todos nós estamos, em processo de aprendizado, crescimento e santificação. A partir daí, corrigir o erro torna-se muito mais fácil!”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento