Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 141 de 168)

22 de maio – Santa Rita de Cássia, religiosa agostiniana

Santa Rita, Santuário de Cássia

A pequena periferia de Roccaporena, na Úmbria, foi berço de Margarida Lotti, provavelmente por volta de 1371, chamada com o diminutivo de “Rita”. Seus pais, humildes camponeses e pacificadores, procuraram dar-lhe uma boa educação escolar e religiosa na vizinha cidade de Cássia, onde a instrução era confiada aos Agostinianos. Naquele contexto, amadurece a devoção a Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino, que Rita escolheu como seus protetores.

Rita, mulher e mãe

Por volta de 1385, a jovem se uniu em matrimônio com Paulo de Ferdinando de Mancino. A sociedade de então era caracterizada por diversas contendas e rivalidades políticas, nas quais seu marido estava envolvido. Mas a jovem esposa, através da sua oração, serenidade e capacidade de apaziguar, herdadas pelos pais, o ajudou a viver, aos poucos, como cristão de modo mais autêntico. Com amor, compreensão e paciência, a união entre Rita e Paulo tornou-se fecunda, embelezada pelo nascimento de dois filhos: Giangiacomo e Paulo Maria. Porém, a espiral de ódio das facções políticas da época acometeram seu lar doméstico. O esposo de Rita, que se encontrava envolvido, também por vínculos de parentela, foi assassinado. Para evitar a vingança dos filhos, escondeu a camisa ensanguentada do pai. Em seu coração, Rita perdoou os assassinos do seu marido, mas a família Mancino não se resignou e fazia pressão, a ponto de desatar rancores e hostilidades. Rita continuava a rezar, para que não fosse derramado mais sangue, fazendo da oração a sua arma e consolação. Entretanto, as tribulações não faltaram. Uma doença causou a morte de Giangiacomo e de Paulo Maria; seu único conforto foi pensar que, pelo menos, suas almas foram salvas, sem mais correr o risco de serem envolvidos pelo clima de represálias, provocado pelo assassinato do marido.

Monja agostiniana

Tendo ficado sozinha, Rita intensificou sua vida de oração, seja pelos seus queridos defuntos, seja pela família de Mancino, para que perdoasse e encontrasse a paz.

Com a idade de 36 anos, Rita pediu para ser admitida na comunidade das monjas agostinianas do Mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia. Porém, seu pedido foi recusado: as religiosas temiam, talvez, que a entrada da viúva de um homem assassinado pudesse comprometer a segurança do Convento. No entanto, as orações de Rita e as intercessões dos seus Santos protetores levaram à pacificação das famílias envolvidas na morte de Paulo de Mancino e, após tantas dificuldades, ela conseguiu entrar para o Mosteiro.

Narra-se que, durante o Noviciado, para provar a humildade de Rita, a Abadessa pediu-lhe para regar o troco seco de uma planta e que sua obediência foi premiada por Deus, pois a videira, até hoje, é vigorosa. Com o passar dos anos, Rita distinguiu-se como religiosa humilde, zelosa na oração e nos trabalhos que lhe eram confiados, capaz de fazer frequentes jejuns e penitências. Suas virtudes tornaram-se famosas até fora dos muros do Mosteiro, também por causa das suas obras de caridade, juntamente com algumas coirmãs; além da sua vida de oração, ela visitava os idosos, cuidava dos enfermos e assistia aos pobres.

A Santa das rosas

Cada vez mais imersa na contemplação de Cristo, Rita pediu-lhe para participar da sua Paixão. Em 1432, absorvida em oração, recebeu a ferida na fronte de um espinho da coroa do Crucifixo. O estigma permaneceu, por quinze anos, até à sua morte. No inverno, que precedeu a sua morte, enferma e obrigada a ficar acamada, Rita pediu a uma prima, que lhe veio visitar em Roccaporena, dois figos e uma rosa do jardim da casa paterna. Era janeiro, período de inverno na Itália, mas a jovem aceitou seu pedido, pensando que Rita estivesse delirando por causa da doença. Ao voltar para casa, ficou maravilhada por ver a rosa e os figos no jardim e, imediatamente, os levou a Rita. Para ela, estes eram sinais da bondade de Deus, que acolheu no Céu seus dois filhos e seu marido.

Santa Rita expirou na noite entre 21 e 22 de maio de 1447. Devido ao grande culto que brotou logo depois da sua morte, o corpo de Rita nunca foi enterrado, mas mantido em uma urna de vidro. Rita conseguiu reflorescer, apesar dos espinhos que a vida lhe reservou, espalhando o bom perfume de Cristo e aquecendo tantos corações no seu gélido inverno. Por este motivo e em recordação do prodígio de Roccaporena, a rosa é, por excelência, o símbolo de Rita.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 mai. 2023.

A cassação do mandato de Deltan Dallagnol: uma reflexão sobre a independência do judiciário

A decisão de cassar o mandato de Deltan Dallagnol como deputado federal levanta questões importantes relacionadas à lei, jurisprudência e separação dos poderes. Embora eu não seja um especialista em direito, é válido refletir sobre os aspectos envolvidos nessa decisão.

De acordo com a Lei Complementar 64/90, especificamente em seu artigo 1º, inciso I, alínea q, membros do Ministério Público que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar são inelegíveis pelo prazo de oito anos. No entanto, para que essa restrição se aplique a Deltan Dallagnol, seria necessário que houvesse um processo administrativo disciplinar em andamento no momento em que ele pediu exoneração do Ministério Público, onde atuou como procurador e coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

De acordo com o Diário Oficial de 5 de novembro de 2021, data em que sua exoneração a pedido passou a valer, não havia nenhum processo administrativo disciplinar em aberto contra Dallagnol. Portanto, não parece ter havido uma violação direta da lei nesse caso específico.

No entanto, é importante ressaltar que essa reflexão é baseada em uma análise superficial dos fatos e que a interpretação da lei e a aplicação da jurisprudência são complexas e podem variar. Como mencionei anteriormente, não sou um especialista em direito, mas um mero curioso. É fundamental que profissionais do direito examinem os detalhes do caso e as fundamentações utilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral para tomar uma posição informada sobre essa decisão.

A separação dos poderes é um princípio fundamental em um Estado de Direito, garantindo que cada poder exerça suas funções independentemente. No contexto da cassação do mandato de Deltan Dallagnol, é importante questionar se a decisão do Tribunal Superior Eleitoral foi baseada estritamente na interpretação da lei e da jurisprudência ou se houve algum fator político ou pessoal envolvido. A independência e imparcialidade do judiciário são essenciais para assegurar a confiança da sociedade no sistema legal.

Em suma, a decisão de cassar o mandato de Deltan Dallagnol como deputado federal parece ter gerado controvérsias relacionadas à interpretação da lei, à aplicação da jurisprudência e à separação dos poderes. Essas questões ressaltam a importância de uma análise criteriosa e imparcial por parte dos especialistas em direito, a fim de garantir a justiça e a conformidade com a lei.

Mauro Nascimento

Referências:

Por unanimidade, TSE cassa registro do deputado federal Deltan Dallagnol. Acesso em: 17 mai. 2023.

Recurso Ordinário N° 0601407-70 – Classe 11550 – Curitiba – Paraná. Acesso em: 18 mai. 2023.

Lei de Inelegibilidade – Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990. Acesso em: 18 mai. 2023.

Decisão ‘arbitrária’ ou ‘irretocável’? Juristas divergem sobre cassação de Deltan Dallagnol. Acesso em: 18 mai. 2023.

Página 56 da Seção 2 do Diário Oficial da União (DOU) de 5 de Novembro de 2021. Acesso em: 17 mai. 2023.

21 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Cuide de você! Cuide do seu coração, dos cantinhos da sua alma que ninguém vê, dos seus sonhos que estão sendo reconstruídos em meio a muitas lutas, orações e esforços. Cuide para que nada, nem ninguém te roube a vontade de ser feliz, de seguir em frente, de ser você mesmo, e de se amar. Cuide para que tudo te vá bem, e para que as coisas deem certo em sua vida. Cuide, e cuide-se! Cuide dos que você ama, dos seus entes queridos. Mas nunca se esqueça, até em seus piores dias, Deus está sempre cuidando de você. Ele te entende, te ama.”

Monsenhor André Sampaio

21 de maio – São Cristóvão de Magalhães, sacerdote, e companheiros, mártires no México

São Cristóvão de Magalhães

“Não se preocupem, irmãos! Mais um momento e, depois, o Céu. Morro inocente e peço a Deus que o meu sangue possa servir para a união dos meus irmãos mexicanos” (São Cristóvão de Magalhães, em seu leito de morte).

Os primeiros anos do século XX foram difíceis para a Igreja no México. Em 1917, o presidente do país concordou com a entrada em vigor de uma nova Constituição, inspirada em princípios anticlericais. Os Bispos se opuseram, imediatamente, mas só conseguiram causar uma reação forte e violenta no governo.

Perseguição à Igreja no México

O Presidente mudou, mas a situação continuou a mesma, ou melhor, piorou. Em 31 de julho de 1926, pela primeira vez em 400 anos, foi suspenso o culto público, em todas as igrejas do país, e o clero católico maltratado.

Tratava-se de uma verdadeira perseguição: foram expulsos os sacerdotes estrangeiros; proibidas e fechadas as escolas particulares, de inspiração católica; suprimidas muitas obras de caridade, pertencentes à Igreja. O povo, porém, não ficou parado olhando. Os leigos mexicanos se organizaram e formaram a chamada “Liga em Defesa da Liberdade Religiosa”, pedindo o apoio dos sacerdotes, que preferiram uma solução pacífica. A situação se precipitou logo, a ponto de chegar à luta armada.

“Movimento Cristero”

A guerra civil, que eclodiu naqueles anos, ficou conhecida com o nome de “Movimento Cristero”, levada adiante pelos fiéis, que queriam defender, a todo custo, a sua liberdade religiosa. Por isso, pediam, com insistência, o apoio de seus pastores, que preferiam sempre uma resistência pacífica: alguns padres deixaram suas paróquias e outros eram completamente hostis ao Movimento. A maioria, mesmo se dissociando, não quis abandonar seus fiéis, se prodigalizando para cuidar das almas: foi o caso de Cristóvão de Magalhães.

Cristóvão de Magalhães, sacerdote de todos

Cristóvão nasceu em Totiche, próximo de Guadalajara, em 1869, no seio de uma família de camponeses, da qual aprendeu a ser devoto do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário.

Ainda jovem, entrou para o Seminário, foi ordenado sacerdote, em 1888, e se tornou pároco da sua aldeia natal. Em Azqueltán, deu início a uma missão entre os nativos de Huicholes, com o objetivo de evangelizar; fundou várias escolas, um abrigo para órfãos e um asilo para idosos.

Animado por sua devoção a Maria, começou a propagar a oração do santo Rosário, mas pregava também o desapego dos bens materiais e buscava melhorar o padrão de vida de seus concidadãos. No entanto, a sua pregação tinha como alvo, de modo especial, as vocações sacerdotais. Quando fecharam o seminário de Guadalajara, fundou, em sua paróquia, um pequeno centro para a preparação de futuros sacerdotes.

Martírio com 24 Companheiros

Quando o “Movimento Cristero” se propagou, Cristóvão não aderiu, pelo contrário, rejeitava, categoricamente, o uso da violência, recordando que Jesus e seus Apóstolos nunca recorreram a ela. Convencido disso, escreveu em um artigo do jornal local: “A única arma da Igreja é a Palavra de Deus”. Entretanto, jamais abandonou o seu povo.

Na manhã de 21 de maio de 1927, Cristóvão foi preso pelo Exército federal, com a acusação de apoiar a rebelião. Mas, na verdade, foi condenado à morte pelo simples fato de ser sacerdote. Quatro dias depois, foi fuzilado, em Colotlán, junto com 24 companheiros, entre os quais 21 sacerdotes: Roman Adame Rosales, Rodrigo Aguilar Alemán, Júlio Alvarez Mendoza, Luís Batis Sáinz, Agustín Caloca Cortés, Mateus Correa Magalhães, Atilano Cruz Alvarado, Miguel de la Mora, Pedro Esqueda Ramírez, Margarito Flores Garcia, José Isabel Flores Varela, David Galván Bermúdez, Pedro de Jesús Maldonado Lucero, Jesús Méndez Montoya, Justyn Orona Madrigal, Sabas Reyes Salazar, José Maria Robles Hurtado, Toribio Romo González, Jenaro Sánchez Delgadillo, David Uribe Velasco, Tranquilino Ubiarco Robles; e três leigos: Salvador Lara Puente, Manuel Morales e David Roldán Lara.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 mai. 2023.

20 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Não cometa o erro de julgar quem quer que seja. Cada pessoa tem uma maneira de encarar a vida. Se você já é capaz de se sustentar, de tomar decisões, de fazer valer os seus direitos, parabéns! Isso é digno de louvor, de reconhecimento. Mas, isso não lhe dá o direito de julgar ninguém, nem quando a sua intenção é a de ajudar… Podemos ajudar mais com o nosso respeito, oferecendo a nossa atenção, mostrando que estamos por perto, mas nunca tentando interferir diretamente, porque achamos que sabemos o que é certo. O nosso certo pode dar totalmente errado, pode não funcionar em outras vidas e situações. Na dúvida, ame um pouco mais…”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento