Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 142 de 168)

20 de maio – São Bernardino de Sena, presbítero franciscano

Santo Bernardino de Sena, século XV

As suas Pregações populares eram um fenômeno de massa: Gênova, Milão, Veneza, Roma. Multidões eram atraídas por um frade franzino, capaz de explicar o Evangelho na língua do povo. Fazia vibrar o coração seja de um Papa seja de uma dona de casa, utilizando piadas fogosas para iluminar a fé.

Bernardino era um fenômeno coletivo; ele antecipou muito os tempos – viveu na primeira metade do século XV – a ponto de a sua eloquência chegar a estimular até invenções “tecnológicas”, como o uso de bandeirinhas, para saber qual a direção do vento, a fim de posicionar os palanques de onde falava, para que o povo não perdesse nenhuma de suas palavras.

A peste e o saio

Antes de tornar-se um arrebatador de multidões, Bernardino tinha vivido de modo bastante retirado. Ainda jovem doutor em Filosofia e Direito – no início tinha “alergia” pela ideia de ser religioso – mudou de ideia quando Sena, onde viveu como pequeno órfão, foi atingida pela peste.

Transcorria o ano 1400. Bernardino tinha apenas 20 anos de idade, mas, há dois anos já fazia parte da Irmandade dos Disciplinados de Santa Maria da Scala, uma companhia de jovens flageladores. Com eles, por quatro meses, prestou ajuda aos doentes, contraindo a infecção. Porém, conseguiu se salvar. Esta experiência foi marcante para ele, a ponto de optar entrar para uma Ordem religiosa. De fato, entrou, como noviço, em 1402, a fazer parte da Comunidade dos Franciscanos; após certo tempo, foi transferido para o Convento de Saggiano, na encosta meridional do Monte Amiata. A comunidade, que pertencia à Regra da Observância, – surgida, no seio da Ordem, há 33 anos – era caracterizada pela absoluta pobreza e austeridade, em oposição aos Conventuais mais “brandos”.

Na escola de analfabetos

Ao tornar-se sacerdote, Frei Bernardino – que andava descalço e pedia esmolas – se comprometeu para a difusão do estilo da Observância. Por isso, mandou construir um Convento maior, na colina de Capriola, às portas de Sena, onde estudou os grandes doutores e teólogos da Igreja, sobretudo os Franciscanos.

Mas, de qualquer forma, foi o mundo dos camponeses, com o qual estava mais em contato, a “aperfeiçoar” a sua formação. Assim, aprendeu a usar expressões, imagens vivazes e anedotas, e brincava com as pessoas, às quais dava apelidos engraçados.

Estava começando a se afirmar e a ser apreciado como pregador, quando uma doença nas cordas vocais o tornou quase afônico. Após alguns anos nestas condições, Frei Bernardino decidiu pedir para ser exonerado da pregação. Mas, a sua voz voltou a ser não só nítida, mas também musical e penetrante, rico em modulações.

Na terra nua

Nestas alturas, começou a fase das suas longas viagens, indo de uma cidade à outra, atravessando quase toda a Itália.

Em 1438, foi encarregado pelo Ministro geral da Ordem Franciscana para continuar a obra de reforma. Os conventos passam de 20 para 200, todos estimulados a fazer renascer o espírito da Regra de Francisco, adaptando-o às necessidades dos novos tempos.

Apesar do cansaço, Bernardino empreendeu uma nova viagem, com o objetivo de chegar até ao Reino de Nápoles, pregando em Perugia, Assis, Foligno, Espoleto, Rieti. Exausto, entregou-se perto da cidade de Áquila.

Em 20 de maio de 1444, foi transportado, em uma maca, ao Convento de São Francesco da cidade, onde faleceu, no mesmo dia, aos 64 anos. Seu último desejo foi o mesmo do seu fundador: ser deposto na terra nua.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 18 mai. 2023.

O perigo do carreirismo: um alerta do Papa Francisco

Na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta, no dia 15 de maio de 2018, o Papa Francisco trouxe à tona uma reflexão importante sobre a missão do bispo, inspirando-se na despedida de Paulo dos anciãos em Éfeso. A mensagem central do Papa é que a missão do bispo é cuidar do rebanho, e não fazer carreira.

A partir dessa perspectiva, é fundamental analisar o papel do bispo na Igreja e na sociedade. O bispo, como líder espiritual, deve ser um exemplo de humildade, dedicação e serviço aos fiéis. Sua missão é guiar e proteger o rebanho, garantindo que todos sejam nutridos espiritualmente e que a comunidade permaneça unida em torno dos ensinamentos de Cristo.

Nesse sentido, o Papa Francisco enfatiza a importância de evitar a busca por poder e prestígio, que pode desviar o bispo de sua verdadeira missão. A carreira eclesiástica não deve ser vista como uma oportunidade para ascensão pessoal, mas sim como um chamado para servir a Deus e ao próximo com amor e dedicação.

Essa reflexão nos convida a repensar nossas próprias atitudes e ações, não apenas no contexto da Igreja, mas também em nossas vidas cotidianas. A mensagem do Papa Francisco é um lembrete de que devemos nos concentrar no que realmente importa: cuidar uns dos outros, ser solidários e buscar a justiça e a paz.

Ao colocar o bem-estar do rebanho acima de interesses pessoais, o bispo demonstra seu compromisso com a missão de Cristo e com os valores do Evangelho. Essa postura inspira os fiéis a seguir o exemplo de seu líder e a se esforçar para viver de acordo com os ensinamentos de Jesus.

Em suma, a homilia do Papa Francisco na Casa Santa Marta nos convida a refletir sobre a verdadeira missão do bispo e a importância de colocar o serviço ao próximo acima de qualquer ambição pessoal. Essa mensagem é relevante não apenas para os líderes da Igreja, mas também para todos nós, como membros da sociedade e da comunidade cristã. Que possamos nos inspirar nessas palavras e buscar viver de acordo com os valores do Evangelho, priorizando o cuidado com o próximo e a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Mauro Nascimento

Referência:

Homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta, no dia 15 de maio de 2018. Acesso em: 19 mai. 2023.

19 de maio – São Pedro Celestino V, papa (Pietro Del Murrone)

São Pedro Celestino V, papa, Basílica de São Paulo fora dos muros

À busca de Deus

Pedro Angeleri de Morrone, desde a sua juventude, pôs-se à contínua busca de Deus; encontrava, no silêncio e na beleza da natureza, a dimensão favorável para contemplar o Criador e servir os irmãos.

Pedro nasceu em uma família de camponeses, em Isernia, em 1215, e era o penúltimo de doze filhos. Bem cedo, tendo ficado órfão de pai, foi encaminhado por sua mãe aos estudos eclesiásticos. Atraído pela vida monacal, entrou para a Ordem Beneditina. Aos 24 anos, tornou-se sacerdote, mas escolheu viver como eremita no monte Morrone, na região dos Abruços. Oração, penitência e jejum marcaram seus dias; porém, não lhe faltaram tentações, que as venceu com a cruz nas mãos. Atraídos pelo seu exemplo, muitos o seguiram. Assim, nasceu o primeiro núcleo de Eremitas de Maiella, com a aprovação de Urbano IV. Graças à benevolência do Cardeal Latina Malabranca e do Rei de Nápoles, Carlos II de Anjou, conhecido como o “aleijado”, os “Celestinos” – assim se chamaram – se expandiram, fundando mosteiros e restaurando abadias decadentes. Para Pedro, o tempo era marcado pela oração ininterrupta.A sua fama se difundiu, na Europa, como homem de Deus. A ele acorriam pessoas de todos os lugares, para receber conselhos e curas. A todos o Santo propunha a conversão de coração como meio para se obter a paz, em um momento histórico, dilacerado por tensões, conflitos – mesmo dentro da Igreja – e pestilências.

Homem de oração, alheio aos conflitos

Transcorria o ano de 1292. Com a morte do Papa Nicolau IV, seguiram-se 27 meses de Sede Vacante. Os onze Cardeais eleitores não conseguiam entrar em um acordo, polarizados pelo conflito entre as famílias Orsini e Colonna, como também pressionados pelo desejo do Rei Carlos II de encontrar um candidato do seu gosto.

Do isolamento na sua cela, Pedro de Morrone advertiu os Cardeais com a profecia de uma iminente punição divina, que poderia ser evitada apenas com a eleição do Sumo Pontífice, no prazo de poucos meses.

A fama do eremita, conhecido por seus milagres e sua conduta espiritual íntegra, levou os Cardeais eleitores a identificar precisamente ele, como candidato ideal para superar o impasse. Recebendo, na sua caverna de Maiella, uma delegação de prelados, Pedro, a princípio, recusou-se, mas, depois, entendeu que era o próprio Deus que o chamava para esta nobre responsabilidade. No entanto, rejeitou o convite dos Cardeais de ir a Perugia.

No dia 29 de agosto de 1294, memória litúrgica de São João Batista, escoltado pelo Rei Carlos, foi a Áquila, montado em um jumento, onde recebeu a tiara na grande igreja de Santa Maria em Collemaggio, por ele construída alguns anos antes. O novo Papa escolheu o nome de Celestino V e convocou o primeiro Jubileu da história, conhecido como “Jubileu do Perdão”.

Um Pontificado curto e sofrido

Celestino percebeu, logo, que não era livre no exercício do seu Ministério, por causa daqueles que, na Cúria, esperavam se beneficiar pela sua pouca experiência de governo. Por isso, convocou um Consistório e nomeou 12 Cardeais. Muitos criticaram, com severidade, a decisão do Papa de confiar na proteção de Carlos de Anjou e de transferir a sede da Cúria para Nápoles. Muito cedo, porém, percebeu ter sido refém da coroa.

Na sua pequena cela, em Castel Nuovo, que se tornou sua morada, amadureceu a ideia de desistir do Pontificado, sustentada também pelo Cardeal Benedetto Caetani, especialista em Direito Canônico, que o sucedeu com o nome de Bonifácio VIII.

«Eu, Papa Celestino V, impelido por legítimas razões, pela humildade e debilidade do meu corpo e pela maldade da Plebe, e com o intuito de retornar à minha tranquilidade perdida, renuncio livre e espontaneamente ao Pontificado, como também ao trono, à dignidade, às honras e ônus, que comporta». Com estas palavras, no dia 13 de dezembro de 1294, Celestino despoja-se dos seus paramentos sagrados e se reveste com o antigo saio.

Apenas onze dias depois, o novo Papa mandou levar Pedro, – que havia fugido para lugares desertos, – ao castelo de Fumone. Ali, em uma restrita cela, o eremita morreu em oração, no dia 19 de maio de 1296.

Ao passar para a história pela sua “grande renúncia”, – deplorada por Dante, na Divina Comédia, – Pedro foi exemplo de liberdade evangélica e santidade.

São Pedro Celestino V foi canonizado pelo Papa Clemente V, em 1313. Seus restos mortais, que descansam na Basílica de Collemaggio, são meta de contínuas peregrinações. Entre os mais ilustres peregrinos destaca-se Bento XVI, que, em 2009, ali deixou o pálio recebido no início do seu Pontificado.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 18 mai. 2023.

19 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Nem tudo o que você fizer bem será elogiado. Haverá momentos em que tentará com muito esforço demonstrar um bom coração e ninguém vai reparar nisso. Todo o mundo afirma que devemos ser honestos, altruístas e gentis, mas na hora de passar das palavras às ações, cada um busca seus próprios interesses.

Talvez seja um grande desafio se empenhar em cultivar verdadeiros valores quando se está rodeado de pessoas que buscam o contrário. Ainda assim, não pense que não vale a pena desenvolver boas qualidades. Você sempre estará em paz e de consciência tranquila se souber que deu seu melhor.

Faça tudo o que puder por quem precisa, vença os obstáculos e tente se superar a cada dia. Esse é o caminho certo para se sentir verdadeiramente realizado, e acima de tudo, tenha fé!”

Monsenhor André Sampaio

18 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Nem sempre a escolha mais fácil ou o caminho mais cômodo é a melhor decisão. Tudo que vale a pena nunca vem acompanhado de facilidades, mas de grandes lutas com algumas renúncias pelo caminho, pois para conquistar há necessidade de batalhar e esmerar-se para chegar ao objetivo. Quando uma porta bem larga abrir-se diante dos olhos, pare, faça uma reflexão e veja se realmente vale a pena entrar, porque muitas vezes são só enganos e ilusões. O caminho a ser trilhado é longo, onde haverão muitas escolhas a serem feitas, mas cabe a cada um seguir o seu caminho, lembrando que aos olhos de Deus as escolhas devem permear sempre para o bem.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento