Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 143 de 168)

18 de maio – São João I, papa e mártir

São João I, papa e mártir, Basílica de São Paulo fora dos muros

João nasceu na região italiana da Toscana, talvez na localidade de Sena ou Arezzo, filho de um cavalheiro chamado Constâncio. Tornou-se Papa, em 523, mas pouco se sabe sobre o seu Pontificado. Parece que contribuiu para ampliar e ornar algumas basílicas romanas ao longo das Vias Ardeatina e Ostiense, graças à magnanimidade do imperador Justino I. João I manteve muitos laços de amizade com as Igrejas Orientais.

Contexto histórico

João I foi sucessor do Papa Ormisda, que teve a capacidade de pôr fim ao Cisma entre Roma e Constantinopla, graças à colaboração do imperador romano do Oriente, Justino I, tio de Justiniano.

O Cisma eclodiu, em 484, por culpa de Henotikon: uma nova elaboração da fé, por obra do imperador Zenão e do Patriarca de Constantinopla Acácio, que tentaram um compromisso impossível entre a fé católica e a heresia monofisista, que defendia uma única natureza de Jesus Cristo: a divina.

O novo Papa, no entanto, teve que se deparar mais com o Arianismo, que defendia a natureza divina do Filho inferior à do Pai. Os Godos, que reinavam na Itália, e seu rei Teodorico, eram de fé ariana.

O drama de Teodorico

Na realidade, a questão religiosa estava fortemente entrelaçada com a política. Em 523, o Imperador do Oriente, Justino I, que tinha grande consideração pelos católicos, promulgou um decreto muito severo contra os Arianos do Oriente, que os obrigava a se retratar e a devolver aos católicos as igrejas ocupadas e os bens confiscados durante as invasões. Ele os proibia também a ocuparem qualquer cargo civil ou militar. Teodorico estava disposto a aceitar tais disposições: era verdade que ele reinava em outro lugar, mas não podia ignorar o fato de que os seguidores da sua própria fé tivessem semelhante tratamento, onde quer que seja. Sua irritação aumentou ainda mais porque, pelo contrário, em seu reino, havia feito muitas concessões aos católicos. Além disso, a aproximação entre Constantinopla e a Santa Sé lhe causava medo.

Então, em 524, compôs uma delegação para ser enviada a Constantinopla, da qual tomavam parte legados romanos, mas também alguns Bispos, como o de Fano, Ravena e Cápua, obrigando o Papa João I a guiá-la. O objetivo, naturalmente, era iniciar uma negociação.

A viagem a Constantinopla

João I já era idoso e a viagem ao Oriente era longa, mas se era esta a vontade do Senhor, aceitou sem hesitar. O Pontífice, de fato, temia que sua recusa pudesse representar uma represália contra os católicos de Roma. Era verdade que Teodorico havia concedido liberdade de culto, mas impôs também pesadas taxas ao clero, privando-o de muitas imunidades que tinha anteriormente. Porém, João sabia também que Teodorico esperava que ele conseguisse obter a revogação do decreto, que impedia aos convertidos ao catolicismo retornar ao arianismo.

Ao chegar a Constantinopla, João I foi recebido com as maiores honras: presidiu às celebrações do Natal e da Páscoa e obteve algumas concessões para os arianos, mas não todas aquelas que o rei dos Godos lhe havia pedido. Na volta para Roma, enfurecido, Teodorico mandou prendê-lo no cárcere de Ravena, onde morreu pouco tempo depois no ano 526. A seguir, suas relíquias foram trasladadas para a Basílica de São Pietro, onde São João I é venerado como mártir da fé.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 16 mai. 2023.

Dom Jaime Spengler, atual presidente da CNBB, é eleito Presidente do Celam

A 39ª Assembleia Geral Ordinária do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) foi realizada na cidade de Aguadilla, na Diocese de Mayagüez, em Porto Rico, de 16 a 20 de maio de 2023. Durante a primeira sessão realizada na tarde de quarta-feira, 17 de maio, foram eleitos os novos líderes para o quadriênio 2023-2027.

Dom Jaime Spengler, OFM, Arcebispo de Porto Alegre, no Brasil, foi eleito como o novo Presidente do Celam. Sua eleição reflete o reconhecimento de seu trabalho e liderança na Igreja Católica na América Latina. Dom Spengler assumirá a presidência do Celam com a missão de orientar e representar as diversas dioceses e arquidioceses da região.

Além disso, durante a mesma sessão, foram eleitos também os cargos de Primeiro Vice-presidente e Segundo Vice-Presidente. Dom José Luis Azuaje Ayala, Arcebispo de Maracaibo, na Venezuela, foi eleito como Primeiro Vice-presidente, enquanto Dom José Domingo Ulloa Mendieta, Arcebispo do Panamá, no Panamá, assumirá o cargo de Segundo Vice-Presidente.

A eleição dos novos líderes do Celam é um momento importante para a Igreja Católica na América Latina, pois define a direção e as prioridades da instituição nos próximos anos. O Celam desempenha um papel fundamental na promoção da unidade entre as dioceses e arquidioceses da região, bem como no apoio às iniciativas pastorais e sociais.

Após a eleição, os membros da Assembleia Geral expressaram sua gratidão ao Espírito Santo e pediram que Ele continue a guiar o caminho sinodal da Igreja, a fim de servir ao Povo de Deus de maneira ainda mais eficaz.

Vale destacar que o Cardeal de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, que tinha aspirações de presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Celam, não obteve os cargos almejados. Sua não eleição demonstra que nem sempre o “poder” está necessariamente ligado à força e que a vontade do Espírito Santo é soberana nas decisões da Igreja.

A nova liderança do Celam enfrentará desafios significativos nos próximos anos, mas também terá a oportunidade de fortalecer os laços entre as dioceses da América Latina, promover a solidariedade e impulsionar a missão evangelizadora da Igreja em toda a região.

Mauro Nascimento

Motu Proprio – um instrumento papal de mudança

O termo “Motu Proprio” é uma expressão latina que significa “por iniciativa própria” ou “de sua própria vontade”. No contexto da Igreja Católica, um Motu Proprio é um documento oficial emitido diretamente pelo Papa, sem qualquer interferência ou influência de bispos, cardeais ou outros membros da hierarquia eclesiástica. Esse tipo de documento é uma recomendação veemente do Papa em relação a mudanças dentro da Igreja.

Quando um Papa decide emitir um Motu Proprio, ele está demonstrando sua autoridade suprema e sua capacidade de tomar decisões unilaterais sobre assuntos importantes para a Igreja. Esses documentos podem ser utilizados para diversas finalidades, desde a reforma de instituições eclesiásticas até a modificação de práticas litúrgicas.

Um Motu Proprio é geralmente precedido por um estudo aprofundado do Papa e de sua equipe, envolvendo teólogos, canonistas e especialistas em diversos campos. O objetivo é garantir que as mudanças propostas sejam coerentes com a doutrina e a tradição da Igreja, ao mesmo tempo em que atendam às necessidades e desafios contemporâneos.

Esses documentos podem abordar uma ampla gama de questões, como a organização interna da Igreja, a disciplina do clero, a promoção da justiça social, a liturgia e a pastoral. Independentemente do assunto, o Motu Proprio reflete a vontade do Papa de implementar mudanças significativas dentro da Igreja Católica.

Uma vez promulgado, um Motu Proprio tem força legal e obriga todos os membros da Igreja a cumpri-lo. No entanto, em algumas questões, especialmente aquelas relacionadas à doutrina e à moral, o Papa deve levar em consideração a tradição e o consenso dos bispos e teólogos, a fim de evitar decisões arbitrárias ou controversas.

Mauro Nascimento

Referência:

CROSS, Frank Leslie; LIVINGSTONE, Elizabeth A. (Ed.). The Oxford dictionary of the Christian church. Oxford University Press, USA, 2005.

São Pascoal Bailão, leigo franciscano, padroeiro das associações eucarísticas

São Pascoal Bailão em San Francesco della Vigna, Veneza

“Precisamos ter um coração de filho para Deus; um coração de mãe, para o próximo; um coração de juiz, para si.”

Pascoal nasceu no seio de uma família pobre de Aragão, Espanha, e, desde sua tenra idade, começou a ser pastor de ovelhas. Para ele, que amava tanto a Jesus, era a condição ideal: podia isolar-se, quando quisesse, meditar e rezar.

Pascoal aprendeu a ler sozinho, como autodidata, através dos livros de oração. Aos 18 anos, tentou entrar para o convento dos Franciscanos Reformados de Santa Maria de Loreto – chamados Alcantarinos – por obra de São Pedro de Alcântara, mas foi rejeitado talvez por causa da sua jovem idade.

Um senhor rico, para o qual trabalhava, até lhe fez a proposta de adotá-lo e torná-lo seu herdeiro, mas ele não aceitou, porque estava decidido de se tornar franciscano. De fato, tentou novamente, em 1564, e se tornou noviço.

O humilde porteiro rumo a Paris

Pascoal destacou-se logo no convento por sua inteligência brilhante, fé inabalável e dedicação incrível à oração e adoração ao Santíssimo Sacramento. No entanto, permaneceu Irmão leigo por toda a sua vida, contra o parecer dos seus superiores, porque se sentia indigno do ministério sacerdotal e tocar em Jesus Eucarístico com as suas mãos. Rejeitou também todo e qualquer encargo importante, fazendo as tarefas mais humildes, como a de porteiro do convento de Jatíva e Valência. Porém, não pôde recusar a tarefa, que lhe foi confiada pelo ministro provincial, em 1576, de levar documentos importantes ao Padre Geral, que residia em Paris.

O “Serafim da Eucaristia”

A viagem a Paris era longa e perigosa: Pascoal corria o risco de ser morto pelos calvinistas. Muitas vezes, foi espancado, zombado, insultado. Em Orléans, quase foi apedrejado por uma disputa acirrada sobre a Eucaristia com seus opositores.

A Eucaristia estava sempre ao centro da vida e da espiritualidade do frade Pascoal: quando voltou de Paris escreve uma Coleção de Máximas para provar a presença real de Jesus sob as espécies do Pão e do Vinho e o poder divino transmitido ao Papa. Este livreto foi parar mãos do Pontífice, em Roma, que lhe deu o apelido de “Serafim da Eucaristia”.

De fato, a presença de Pascoal no mundo era angélica: seus confrades, muitas vezes, o viram em êxtase ou até em elevar-se durante as horas de adoração a Jesus Eucarístico, sobre a qual falava, continuamente, aos fiéis, aos frades e a todos, em cada momento e por toda a parte.

Pentecostes e os dons do Espírito

Há uma coincidência curiosa na vida de Pascoal: o dia de seu nascimento, em 16 de maio de 1540, ocorreu no dia de Pentecostes e seu falecimento, – por fraqueza, provações, constantes jejuns e privações corporais, – em 17 de maio de 1592, também no dia de Pentecostes.

Além do mais, seu nome, Pascoal, deve-se também a evento: a solenidade do Pentecostes, em espanhol, era chamada “Páscoa cor-de-rosa” ou “Páscoa do Pentecostes”.

Na pobreza material, que o frade sempre buscava e que o acompanhou por toda a vida, Pascoal foi enriquecido pelos dons do Espírito Santo, sobretudo pela sabedoria. Apesar de mal saber ler e escrever, muitas personalidades o procuravam para pedir-lhe conselhos; entre os franciscanos, era ainda considerado um teólogo e, para os fiéis, um ponto de referência.

No entanto, como foi dito, ele nunca foi sacerdote e nem teve a alegria de dar Jesus Eucarístico aos fiéis. Esta era uma das tantas privações, que havia decidido se infligir, porque não se considerava suficientemente digno.

Morte e culto

Após passar por tantas provações e mortificações do corpo, Pascoal faleceu, em 1592, depois de receber a Comunhão, no convento de Vila Real.

Dizem que, durante seu enterro, o frade ainda abriu os olhos para adorar, mais uma vez, Jesus na Eucaristia.

São Pascoal Baylon foi canonizado pelo Papa Alexandre VIII, há quase um século depois da sua morte, enquanto, em 1897, o Papa Leão XIII o proclamava Padroeiro das Obras e dos Congressos Eucarísticos.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 16 mai. 2023.

17 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Há pessoas que estão sempre alegres e sorrindo. Tem-se a impressão de que para elas não existem problemas. Só que ao contrário do que muitos pensam, não há neste mundo quem não tenha suas dificuldades. A diferença é que alguns têm plena confiança em Deus e na sua obra. São pessoas que sabem que as atribulações fazem parte da vida, pois só com as dificuldades aprenderemos. As dificuldades nos ajudam a colocarmos em prática as nossas virtudes, como paciência, tolerância, confiança, fé e outras mais. A alegria é um estado da alma e devemos cultivá-la dentro de nós. A alegria melhora nossa imunidade e afasta o mal. A alegria cura as doenças. Onde existe alegria não há lugar para a amargura, a tristeza, que são sentimentos altamente destrutivos. Por isso, veja como você está com sinceridade. Se faltar alegria em sua vida, algo está errado e você caminha para um despenhadeiro. Mude a atitude. Pense em coisas boas, ria, brinque, não dê mais importância aos problemas do que eles merecem. E pense: na vida tudo passa. Somente o bem, a paz, a alegria e o amor permanecem por toda a eternidade.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento