Catolicismo de maneira inclusiva

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01 de abril – Monsenhor André Sampaio

CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO OU “CAÓTICO APOSTÁTICO ROMÂNTICO”? 

Católico ou “caótico”?

“Comecemos pelo ‘católico-caótico’. A palavra ‘católico’ é um adjetivo da língua grega que, no masculino, feminino e gênero neutro corresponde respectivamente a: katolikós, katoliká, katolikón. O significado de católico é: universal. Quer indicar que o cristianismo deve ser universal, abranger todos os povos de toda a terra e de todos os tempos. O Evangelho é universal, é para todos. No caso, o substantivo é: cristão; católico é adjetivo, que poderia ser substituído por ‘universal’; mas, ficaria um tanto pernóstico dizer: ‘sou cristão universal’… E por isso, ficamos com o adjetivo ‘católico’ mesmo, querendo dizer ‘universal’. Entendido?

Pois bem. Mas, em nossa querida Pátria e alhures, o cristão em vez de ser ‘católico’, isto é, aceitar todo o Evangelho, a Igreja-Hoje, o tal cristão-‘caótico’ faz uma misturança de tudo e faz uma religião das suas conveniências, catando aqui e ali meias verdades e… bota tudo no ‘liquidificador’ do seu egoísmo e da sua ignorância, aperta o botão das suas conveniências, e… dá aquela mistura caótica de católico-umbandista-cientificista-espiritualista-esotérico-maçonista e… diabo-a-quatro. E depois se mete a discutir religião sem entender bulhufas.

A Fé desse cristão caótico fica na periferia. E, no fundo mesmo, ele não quer é se comprometer com as dimensões da Fé: a dimensão pessoal da consciência limpa, a dimensão social da Justiça, a dimensão Política do compromisso com a ética do bem-comum; e, por aí afora. O cristão caótico cria um caos entre Fé e Vida, entre Fé e as realidades temporais onde ele deve atuar. O ‘caótico’ cria uma religião liberalóide, à imagem e semelhança de suas ideias e gostos. Assim é fácil, não?…

Apostólico ou “apostático”?

Outro tipo de católico original, mas muito comum, é o que afirma, nos recenseamentos, ser católico-apostólico, mas, em vez de ‘apostólico’, ele é ‘apostático’. Sem querer fazer muita apologética nem muita discussão sobre o assunto, é fácil verificar qual é a verdadeira religião cristã (universal = católica), a que vem desde os tempos dos apóstolos, do tempo de Cristo, portanto. É só ver nos Evangelhos como Jesus quis sua Igreja como sinal do Reino. E logo constataremos que Jesus quis, nessa Igreja, u ma autoridade que fosse a pedra fundamental, garantia da unidade. E sabemos que ele colocou Pedro como a primeira autoridade, que depois vai tomando o nome de papa (pai). Está clara, nos Evangelhos, a indicação do Apóstolo Pedro como o primeiro chefe. E como essa Igreja deveria perdurar e continuar através dos séculos, vemos, na história da Igreja, que vieram Uno, Cleto, Clemente… até o nosso atual Papa Francisco. Então esta será, claro, a Igreja Apostólica, a Igreja que o Cristo quis… apesar de todas as misérias acontecidas com a necessidade de contínuas reformas na parte humana da Igreja.

Pois bem. O nosso católico ‘apostático’, em vez de ficar com essa Igreja, ele vai ‘apostando’, como o ‘caótico’, num sincretismo religioso, numa mistura de religiões ou fantasias religiosas, superstições e ‘etceterões’ que não podem caber num ‘mesmo saco’, numa mesma vida…

Assim, de manhã, o ‘apostático’ aposta na missa. Ao meio dia, aposta no horóscopo (alguns jornalistas-horoscopistas disseram-me como fazem quando ‘falta assunto’: pegam horóscopos de uns anos atrás e recopiam com algumas mudanças e publicam o ‘horóscopo do dia’…). E à noite, em que ‘aposta’ o nosso ‘apostático’? No terreiro, saracoteando na macumba e quejando…

E assim vai ele, pela vida, ‘apostando’, até que acaba é apostatando mesmo, sem eira nem beira, sem convicção cristã nenhuma, sem compromisso com a Fé. Uma religião na base da emoção, da fantasia, sem firmeza histórica, sem firmeza evangélica, sem firmeza da Fé. Apostando no que lhe convém no momento… Nem cristão, nem católico, nem apostólico, mas: ‘apostático’…

romano ou “romântico”?

Vimos os dois tipos de cristãos batizados e crismados com os quais o Espírito Santo da Crisma não terá chance nenhuma de contar para o testemunho da Fé. São os católicos ‘caóticos’ e os ‘apostáticos’.

Mas há um 3º espécimen, muito caracterizado e muito comum entre eles e entre elas… É o chamado cristão-católico ‘romântico’: ‘ái Jésúis!’ E como os há, por aí afora… Dizemos ‘romântico’ em oposição a romano; isto é, sem a adesão incondicional à Igreja de Jesus Cristo, desde os inícios sediada em Roma. ‘Romano’ só porque, desde Pedro, os 263 Papas sediaram-se em Roma.

‘Romântico’ é o católico superficial, que tem as emoções como termômetro da Fé; o que se apega às periferias da religião, sem convic­ções profundas, e que age ao sabor do ‘gosto não-gosto’. Neles e nelas não é a firmeza da Fé, a constância da Esperança nem a fidelidade do Amor que orientam a vida, mas sim, os ‘gostinhos’ e preferências da ocasião, da  ‘moda’.

‘Romântico’ é o católico que não perde a procissão do Senhor Morto e faz questão fechada de depositar seu ósculo no esquife do Senhor Morto… Mas foge, na vida do dia-a-dia, de ‘beijar’ o Senhor vivo do Evangelho, o Cristo da justiça, do amor ao irmão, do perdão. É fácil beijar um ‘Senhor Morto’ de madeira, de pedra, de gesso: quero ver é você beijar o Cristo do Evangelho, quando exige tomadas de posição na caminhada da Igreja, na justiça etc., etc.

Católica ‘romântica’ é aquela que me dizia: ‘Ah! padre, o dia da 1.a comunhão de minha filha, quero que fique ‘indelééévvelll’… na minha vida…’. Mas, ela mesma nem ‘limpou a cocheira’ dos pecados para poder comungar com a filhinha… ‘Romântico’ é o cristão que lê o Evangelho, concordando com umas coisas que Jesus disse e não con­cordando com outras que o mesmo Jesus disse… ‘Eu acho… eu não acho…’ como se cristianismo fosse ‘achismo’… E, por aí afora, meus amigos, quantos cristãos e cristãs romântico(a)’s, não? E onde fica o Batismo dessa gente, onde fica a Crisma com o Espírito Santo exigindo uma vida coerente com o Evangelho, com a Igreja e não com os caprichos de cada um?”

Monsenhor André Sampaio

31 de março – Monsenhor André Sampaio

“É comum que se confunda Conhecimento com Sabedoria, mas essas são coisas bem diferentes.

Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível. O conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de cultura. Podemos adquirir conhecimento sem sequer vivermos uma experiência fora dos livros e das aulas teóricas. Podemos nos tornar cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca.

Já a Sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na prática, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos previamente adquiridos. Para ser sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida. É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação. Deve-se atentar para não se tornar alguém fechado em si mesmo e no próprio processo de aprendizado. Fazer isso é o mesmo que iniciar uma viagem e se encantar tanto com a estrada a ponto de se esquecer para onde se está indo. E isso não parece ser uma atitude muito sábia.

Então, sejamos Sábios: vivamos, amemos e compartilhemos o que há em nossos corações!”

Monsenhor André Sampaio

30 de março – Monsenhor André Sampaio

“O silêncio é um momento vivificante de

graça, em que a criatura se cala, mas o espírito fala.

Calar sobre sua própria pessoa, é humildade.

Calar sobre os defeitos dos outros, é caridade.

Calar quando a gente está sofrendo, é heroísmo.

Calar diante do sofrimento alheio, é covardia.

Calar diante da injustiça, é fraqueza.

Calar quando o outro está falando, é delicadeza.

Calar quando o outro espera uma palavra, é omissão.

Calar e não falar palavras inúteis, é penitência.

Calar quando não há necessidade de falar, é prudência.

Calar quando Deus nos fala no coração, é silêncio.

Calar, diante do mistério que não entendemos, é sabedoria.”

Monsenhor André Sampaio

29 de março – Monsenhor André Sampaio

“Há muito tempo você se propõe reformar sua vida, melhorar seus atos, cessar definitivamente suas fraquezas. Vamos então começar a partir deste momento fazer sua reforma interior! Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje diz um provérbio muito conhecido… De certo você não há de resolvê-lo do dia para a noite, pois isto é quase utopia. Mas comece já, pois está tendo uma oportunidade de ouro! E se cair de novo, não desanime: saiba recomeçar quantas vezes for preciso! Deus nos dá quantas oportunidades forem necessárias para nosso crescimento humano e espiritual, o que mostra sua Paciência e Tolerância para conosco. Pense nisso e siga em frente!”

Monsenhor André Sampaio

28 de março – Monsenhor André Sampaio

“A caridade começa por você mesmo, porque você não pode dar o que não tem. Os sentimentos são como os bens materiais, se você não os tiver para si, não pode dá-los aos outros. Se você tem somente um saco de pão e alguém lhe pede uma laranja, você não pode dar, pois não a tem. Se você não tiver amor e paz dentro de você, não poderá dar, pois, primeiramente, é preciso ter para si, para depois poder dar para os outros. Cada pessoa deve ser ‘apaixonada’ por si mesma, deve gostar de sua vida e estar satisfeita com o que é, mas sem ser egoísta. Se você não está satisfeito com o que é, imagine o que gostaria de ser e trabalhe para atingir seu ideal, porque quando você pensa o bem, todas as forças do Universo conspiram a seu favor. Aprenda a amar-se a si mesmo para poder saber amar aos outros. Lembre-se, você não pode dar o que não tem, por isso, se não tiver amor em seu coração, não pode dar. Se não tiver paz na sua consciência, não pode dar. Se não tiver alegria, não pode dar, e assim por diante. Esse o porquê de a caridade começar por você, depois para com os mais próximos (logicamente os que merecem e querem ajuda), e, posteriormente, para com os desconhecidos. Muitas pessoas, trabalhadores abnegados do bem, lutam incessantemente contra as forças do mal em nome de Deus; mas devem tomar cuidado para não usarem a caridade, como fuga de seus problemas. Não adianta trabalhar na caridade e não ter caridade consigo, não adianta conquistar o mundo, se não dominar a si mesmo. Não existe fé sem obras, pois a religião sem caridade é um saco vazio. A caridade é o exercício da fé; ninguém é tão pobre que não possa dar um sorriso. A caridade deve ser praticada diariamente com compromisso e disciplina, porque sem isto não há trabalho, há desordem. Deve ser feita principalmente com doação, sem esperar alguma coisa em troca, pois, se assim fizer, estará trocando e não doando. Tenha consciência de que você está trabalhando não pela sua glória, mas sim pela glória de Deus.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento