Catolicismo de maneira inclusiva

Categoria: Santo do dia (Página 14 de 75)

07 de fevereiro – Beato Pio IX, papa

Abençoado Pio IX, Basílica de São Paulo Extramuros

Os inimigos de Deus desaparecem, um por um, e a Igreja permanece. Passaremos por tribulações, mas jamais vencidos (Discurso à Ação Católica).

“Joãozinho bondoso”: assim era chamado quando criança, em Senegália, província de Ancona, onde nasceu. Era vivaz e gostava de brincar, como todas as crianças. No entanto, nas tardes de sexta-feira, reunia jovens e adultos na praça, ao redor do Crucifixo, aos quais falava sobre o Evangelho. Começou a sua educação com os Padres Esculápios.

Frequentavam, com assiduidade, a Confissão e a Eucaristia, até quando, aos 17 anos, decidiu se tornar padre. Assim, transferiu-se para Roma, onde estudou no Colégio Romano.

“Simplesmente padre”

Assim era definido pelo seu irmão Gabriel, porque Giovanni Maria se sentia como tal, não obstante a sua nomeação como Arcebispo, a imposição do chapéu cardinalício e eleição como Sucessor de Pedro. Com efeito, era simplesmente um padre, um pastor que queria ganhar tantas almas para Jesus e queria se tornar santo.

Foi ordenado sacerdote em 1819 e, aos 35 anos, foi nomeado Bispo de Espoleto. Depois, transferindo-se para Ímola, em 1840, foi criado Cardeal e, em 1846, eleito sucessor de Gregório XVI, com o nome de Pio IX.

Pontificado de Pio IX

Durante seu longo pontificado, Pio IX governou a Igreja em um período de grandes revoltas políticas na Itália. De fato, após as insurreições, em 1848, foi obrigado a se exilar em Gaeta, enquanto em Roma se instalava a República Romana dos Mazzini, que declarou a queda do poder temporal do Papa. Em 1850, graças à ajuda de alguns príncipes católicos e à intervenção francesa, Pio IX retornou ao seu lugar. Desde então, presenciou a proclamação do Reino da Itália, em 1861, e a ascensão de Roma como capital da Itália, em 1871.

Amor pela Verdade

Muito devoto de Nossa Senhora, no dia da Imaculada Conceição, em 1854, Pio IX definiu o dogma de fé de que Maria havia sido concebida sem pecado original e que era Santíssima desde o início da sua existência.

No dia 8 de dezembro de 1869, sob a proteção da Imaculada Conceição, inaugurou o Concílio Ecumênico Vaticano I, que reuniu Bispos de todas as partes do mundo em Roma.

Em 1870, com a Constituição “Pastor Aeternus”, Pio IX estabeleceu o dogma da infalibilidade do Papa, enquanto ensina “ex-cathedra”, como mestre da fé e da vida cristã, com a devida autoridade concedida por Cristo. O Papa faleceu em 1878 e foi beatificado por São João Paulo II no ano 2000, durante o Grande Jubileu.

Em uma época de fortes contrastes políticos e grandes incertezas, Pio IX entoava sempre esta oração, que por ele chamada “contra o erro”:

Dulcíssimo Jesus, nosso divino Mestre, Vós que sempre tornastes vãs as astúcias infames dos fariseus, com as quais eles dirigiam sempre a Vós, destruí as conspirações dos ímpios e de todos aqueles que, na mesquinhez das suas almas, tentam seduzir e subjugar o vosso Povo com suas falsas sutilezas.

Iluminai todos nós, vossos discípulos, com a luz da vossa graça, para que não sejamos corrompidos pela astúcia dos sábios deste mundo; sábios que difundem, por toda parte, seus erros e seus sofismas funestos, para arrastar também nós para o seu abismo.

Concedei-nos a luz da fé forte para desmascarar as insídias dos ímpios; acreditar, com firmeza, nos dogmas da vossa Igreja e rejeitar, com constância, as máximas enganadoras.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 05 fev. 2024.

06 de fevereiro – Santa Doroteia, virgem e mártir

Santa Doroteia, Lucas Cranach, o Velho

Doroteia era uma jovem que, no final do século III, viveu em Cesareia, na Capadócia, uma região da Ásia Menor, onde florescia uma das primeiras comunidades cristãs. Ao abraçar a fé no Senhor, desde pequena distinguiu-se pelo longo tempo que passava em oração, pelo sacrifício do jejum e pelas obras de caridade com o próximo.

A perseguição de Saprício

Naquela época, a Cesareia estava sob o comando do pretor Saprício, perseguidor dos cristãos. Tendo sido informado da fama de Doroteia, mandou prendê-la, obrigando-a a oferecer sacrifícios aos deuses. Apesar das ameaças de ser lançada na fogueira, a jovem permaneceu firme na sua decisão de não abjurar à sua fé. Então, Saprício a confiou a outras duas jovens, Crista e Calista, que, antes dela, haviam renunciado a Jesus para salvar suas vidas. A ideia do perseguidor, porém, deu êxito contrário: Doroteia converteu as duas jovens ao cristianismo. Assim, ambas as donzelas sofreram o martírio antes dela.

O milagre da cesta de maçãs e rosas

Ao ser conduzida ao patíbulo, Doroteia manteve a promessa, que havia feito, muito tempo antes, ao juiz Teófilo que, durante a sentença de condenação à morte por decapitação, a desafiou dizendo: “Envie-me maçãs e rosas do paraíso”. Então, pouco antes de ser assassinada, o juiz viu um anjo que, em pleno inverno, lhe entregou uma cesta com três rosas e três maçãs. Imediatamente, ele também acreditou.

O poder da conversão

Como havia acontecido com Crista e Calista, a grande fé de Doroteia, sustentada por um evento prodigioso, levou ao Senhor outra alma: a de Teófilo, que, por sua profissão de fé, também foi condenado à morte. De fato, a sua memória litúrgica está associada à de Santa Doroteia, no mesmo dia 6 de fevereiro.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 05 fev. 2024.

05 de fevereiro – Santa Águeda, virgem e mártir de Catânia

Santa Águeda, Giovanni di Paolo (© MET)

A história de Ágata se desenvolve, no século III, entre Catânia e Palermo, na Sicília, sul da Itália. As duas cidades são rivais sobre o nascimento da mártir. Segundo a sua “Passio”, deduz-se que a jovem nasceu, em 235, aos pés do Etna, no seio de uma família nobre e rica. Ainda adolescente, manifestou o desejo de consagrar-se a Deus. Com o rito da velatio, recebeu do seu Bispo o flammeum, o véu vermelho que as virgens consagradas usavam na época. Com base na tradição, ela era uma diaconisa, dedicada ao serviço da comunidade cristã. No ano 250, o edito do imperador Décio contra os cristãos desencadeou uma terrível perseguição. Em Catânia, a ordem foi duramente aplicada pelo impiedoso pro-cônsul Quinciano, que era apaixonado por Ágata.

Da fuga ao martírio

A jovem fugiu de Palermo, mas foi encontrada e reconduzida a Catânia. Levada a Quinciano, ela renunciou categoricamente. Então, o pro-cônsul decidiu aproveitar da virgindade da jovem: confiou-a a uma mulher da corte, de maus costumes, chamada Afrodisia, para educá-la às artimanhas amorosas. Mas, Ágata permaneceu fiel a Cristo, tanto que foi levada novamente a Quinciano, que decidiu submetê-la a um processo. Os Atos do Martírio de Santa Ágata descrevem o colóquio: “A qual classe social você pertence?”, pergunta-lhe Quinciano e ela lhe responde: “Não só nasci livre, mas de uma família nobre”. E Quinciano: “Mas, se você afirma ser livre e nobre, por que vive e se veste como escrava?”. “Porque sou serva de Cristo”, replica ela. Então Quinciano lhe pergunta: “Sendo realmente livre e nobre, por que quis ser escrava?”. Ágata lhe diz: “A máxima liberdade e nobreza consiste em demonstrar de ser serva de Cristo”. Quinciano retruca: “Se for assim, nós que desprezamos servir a Cristo e veneramos os deuses não temos liberdade?”. “A sua liberdade os arrasta para a escravidão, que não só os torna escravos do pecado, mas também os submete à madeira e às pedras”, afirma Ágata.

Diante de tais palavras, Quinciano exortou, mais uma vez, Ágata a renunciar a Cristo. E, para dar-lhe a possibilidade de refletir, a manda prender. No entanto, no dia seguinte, diante de uma nova rejeição, estabeleceu que a jovem fosse submetida a suplícios. Irado por vê-la enfrentar os sofrimentos com coragem, Quinciano manda torturar e arrancar seus mamilos. Depois, foi reconduzida à prisão, dolente e cheia de sangue. Mas, durante a noite, São Pedro lhe aparece e cura suas feridas. Levada de novo diante do Tribunal, Ágata rejeitou, mais uma vez, adorar os deuses e confessou ter sida curada por Jesus Cristo. Irritado com a sua coragem, apesar das torturas, Quinciano manda submetê-la aos carvões incandescentes, vestida apenas com o véu vermelho como esposa de Cristo.

Sua morte abala Catânia

“Enquanto a ordem do pro-Cônsul era executada, o lugar, – onde o santo corpo da virgem era assado, – tremeu… toda a cidade de Catânia também foi abalada pela veemência do terremoto. Por isso, os habitantes foram às pressas até o Tribunal e começaram gritar, correndo um grande risco, pelos tremendos tormentos infligidos à santa serva de Deus”. Então, Ágata foi tirada dos carvões ardentes, com seu véu vermelho ainda íntegro, “e levada novamente para a prisão, onde abriu os braços e se dirigiu ao Senhor, dizendo: ‘Senhor, que me criastes e me protegestes, desde a minha infância; na minha juventude, me fizestes agir com coragem; que me libertastes dos prazeres mundanos; que preservastes meu corpo da contaminação; que me fizestes vencer os tormentos do algoz, dos ferros, do fogo e das correntes; que me destes, entre os tormentos, a virtude da paciência, vos peço, agora, acolher o meu espírito, por que já é hora que eu deixe este mundo, segundo a vossa vontade, para gozar da vossa misericórdia’. Ao pronunciar estas palavras, já com voz fraca, na presença de muitas pessoas, entregou seu espírito”. Era o dia 5 de fevereiro de 251.

O milagre da lava

Os Atos do Martírio de Santa Ágata narram ainda: “Após um ano… o vulcão Etna entrou em erupção; como um grande incêndio e um rio ardente, o fogo desceu impetuoso, liquefazendo a terra e as pedras, rumo à cidade de Catânia”. Então, muitos se dirigiram ao túmulo de Ágata para pedir a sua intercessão para que a cidade não fosse incendiada. Seu véu foi exposto diante da lava, que milagrosamente, parou de escorrer. A fama deste prodígio fez com que Santa Ágata se tornasse a padroeira de Catânia.

Seu culto teve início no ano seguinte do seu martírio, e se difundiu rapidamente por todos os lugares. As suas relíquias são conservadas na catedral, a ela dedicada, em Catânia.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 29 jan. 2024.

04 de fevereiro – São João de Brito

O santo de hoje, chamado São João de Brito (1647 – 1693), nasceu na Mouraria em Lisboa, junto ao Castelo, numa casa que foi abalada no terramoto de 1755, mas que foi reconstruída. Era o filho mais novo do casal, o governador do Brasil, D. Salvador de Brito Pereira, e de sua esposa, dona Brites Pereira. Sempre foi venerado com especial fervor pelo povo português. O Papa Pio XII estendeu seu culto à Igreja Universal, canonizando-o em 1947.

Com apenas 9 anos de idade tornou-se pajem na corte de El-rei. Ao piedoso jovem faltou-lhe ali a direção amorosa da mãe, mas nem por isso a vida na corte causou-lhe dano, pois, como em casa dos pais, conservou-se fiel aos exercícios religiosos, e, no estudo, ativo e diligente. A sua seriedade e modéstia submeteram-no a frequentes observações e caçoadas dos levianos companheiros da corte.

Perigosa enfermidade fê-lo voltar ao lar, onde os cuidados maternos e a fé na intercessão de são Francisco Xavier lhe restituíram a saúde. Aos poucos foi alimentando o desejo de ingressar na Companhia de Jesus, o que realmente fez a 17 de dezembro de 1662, contando 15 anos e dois meses.

Pouco tempo depois de sua ordenação foi mandado, com 27 confrades, para as Índias. Chegou ao porto de Goa após perigosa navegação e foi designado para a missão do Maduré. Aí conseguiu converter populações inteiras de pagãos, recebeu o governo de toda a Missão e não temeu expor-se aos maiores perigos para levar o Evangelho a toda parte. Perseguido pelos brâmanes, que constituíam a primeira das quatro castas, regime aí mais rígido do que em qualquer outra parte da Índia, acabou por cair nas mãos deles; opositores do cristianismo, os brâmanes, soberbos pelo nascimento e posição, mestres do povo, depositários da ciência e sustentáculo da vida religiosa, viam naturalmente na nova religião proclamada uma ameaça à sua influência.

Libertado a primeira vez de cruel cativeiro, foi João de Brito enviado à Europa para tratar dos negócios das missões na Índia. Mas apressou-se a voltar, o que fez após uma visita às residências da província do Malabar. Chegou, assim, novamente a Marava, em 1691. A 8 de janeiro de 1693 foi preso novamente por uma tropa de soldados. Levado à presença do príncipe de Marava, foi condenado à morte por pregar uma doutrina religiosa estranha em seus domínios. Foi enviado depois a Urgur, onde se consumou seu martírio. Cortaram-lhe primeiro a cabeça, depois mãos e pés, e suspenderam o tronco com a cabeça a um poste, no local onde estivera antes do martírio a orar; após o recolhimento dessa oração dissera a seus carrascos: “Podeis fazer de mim agora o que quiserdes.”

A notícia de seu martírio inflamou o zelo dos missionários, firmou a fé dos neófitos, converteu grande número de infiéis. Muitos milagres se realizaram por sua intercessão. Foi canonizado em 1947 pelo papa Pio XII.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 29 jan. 2024.

03 de fevereiro – Santo Anscário (Oscar), bispo de Hamburgo e Brema, Apóstolo da Escandinávia

Santo Anscário, Siegfried Detlev Bendixen

Oscar era um grande estudioso. Desde pequeno foi aluno dos Beneditinos, na abadia de Corbiè, perto de Amiens, no norte da França. Para ali, voltou, mais tarde, como monge e, depois, como “magister interior”, um cargo que desempenhou na nova Corbiè, comunidade nascida na Saxônia.

Sua missão no grande norte

Em 826, Oscar partiu para a Dinamarca, com o novo rei Harald, que acabava de ser batizado por ele, mas, depois de apenas um ano, o soberano foi obrigado a renunciar ao trono. Então, Oscar seguiu o monge Vitimaro, em sua missão na Suécia, onde o rei local era tolerante com a pregação do cristianismo, considerado a religião dos estrangeiros, seguido mais pelos prisioneiros de guerra. Os resultados foram tão bons que o novo imperador, Ludovico o Piedoso, encorajou o nascimento, naquelas terras, de uma nova estrutura eclesiástica, que, porém, teve como sede Hamburgo, além-mar. Ali Oscar se tornou Bispo.

A semente da evangelização

Quando Ludovico morreu, o império começou a desagregar-se, por causa também das incursões de pessoas, como os normandos, que, naqueles anos, devastavam os territórios do norte da Europa.

A invasão dos Vikings chega a Hamburgo. Assim, Oscar foi obrigado a refugiar-se em Bremen, onde, como Bispo, passou os últimos anos da sua vida: ali, segundo algumas fontes, trabalhou na elaboração de uma “Biblia pauperum”, da qual alguns fragmentos ainda são conservados na catedral da cidade.

Santo Oscar faleceu em 865, sem ver a realização do seu sonho de uma profunda evangelização do norte da Europa, mas satisfeito por ter lançado a primeira pequena semente do anúncio cristão naquelas terras.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 29 jan. 2024.

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Por Mauro Nascimento