Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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20 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Queremos tudo para ontem! Não percebemos, mas somos imediatistas. Sempre apressados! Saúde, alegria, felicidade, prosperidade, tudo isso queremos de uma só vez, sem pensar no quanto custa conquistar cada uma dessas situações. Temos saúde física quando estamos bem com a parte emocional e com a espiritual. Esquecemo-nos de que para que possamos viver verdadeiramente bem, em paz, com saúde, alegria e prosperidade, temos que conquistar a paz espiritual e de consciência em primeiro lugar. O imediatismo sempre nos leva a tomarmos decisões erradas, a fazermos tudo exatamente de forma contrária ao nosso bem. Infelizmente o imediatismo acaba por nos levar à dor e ao sofrimento, porque não pesamos as consequências de nossas atitudes e quando acordamos já é tarde demais. Para Deus não existe o impossível, nem o irremediável, pois Ele nos dará sempre novas oportunidades para refazermos aquilo que destruímos. Mas, quanto mais insistirmos pelo caminho do imediatismo, maior a dor e o sofrimento. Aprendamos com a dor a caminhar com calma, paciência, fazendo tudo sem exageros e dentro de nossas possibilidades. Não queira jamais dar um passo maior do que seus pés possam alcançar. Seja coerente em tudo. Tenha a certeza de que agindo dessa maneira estará se poupando de muita dor, sofrimento e desgaste emocional.”

Monsenhor André Sampaio

20 de agosto – São Bernardo, abade e doutor da Igreja

São Bernardo, Taddeo Crivelli (Digital image courtesy of the Getty’s Open Content Program)

Uma família de oração

Bernardo nasceu em 1090, em Fontaines, França, em uma família opulenta. Aos 22 anos, após ter estudado gramática e retórica, entrou para o Mosteiro fundado por Roberto de Molesmes, em Citeaux (em latim Cistercium, do qual deriva o nome de Cisterciense). Alguns anos depois, fundou o Mosteiro de Claraval (Clairvaux), junto com 12 companheiros, entre os quais, 4 irmãos, um tio e um primo. Pelo seu exemplo, muitos de seus parentes também escolheram a vida religiosa.

Jesus e Maria

Segundo o espírito de Bernardo, a vida monacal era constituída de trabalho, contemplação e oração, tendo como estrelas fixas Jesus e Maria. Para o Abade cisterciense, Cristo era o centro de tudo: “Para mim, nas discussões ou conversas, se não for pronunciado o nome de Jesus nada tem sentido” (Sermones super Cantica Canticorum, XV). Maria – escreve Bernardo – leva a Jesus: “Nos perigos, nas angústias, nas incertezas, deve-se elevar o pensamento a Maria, invocar Maria. Que ela jamais saia dos nossos lábios; jamais se separe do nosso coração; para obtermos a ajuda na oração, jamais devemos esquecer seu exemplo de vida. Se a seguirmos, não nos perderemos; se rezarmos a ela, não nos desesperaremos; se pensarmos nela, não erraremos…” (Homilia II super Missus est“).

Os quatro degraus do amor

No seu escrito “De diligendo Deo“, Bernardo indica o caminho da humildade para atingir o amor de Deus; exorta a amar o Senhor sem limites. Para o monge Cisterciense, os degraus fundamentais do amor são quatro:

1 – O amor de si para si: “Primeiro, o homem ama-se a si mesmo; depois, vendo que sozinho não pode viver, começa a buscar a Deus por meio da fé”.

2 – O amor de Deus para si: “No segundo degrau, portanto, ame a Deus para si e não para Ele. Porém, deve começar a frequentar a Deus e a honrá-lo, segundo as próprias necessidades”.

3 – O amor de Deus por Deus: “A alma passa para o terceiro degrau, amando a Deus, não por si mesmo, mas por Ele. Neste degrau, se detém longamente; aliás, não sei se nesta vida seja possível chegar ao quarto degrau”.

4 – O amor de si por Deus: “Aquele amor em que o homem ama a si mesmo somente por Deus. Assim sendo, terá quase que esquecido admiravelmente a si mesmo; quase deixa a si mesmo para tender totalmente a Deus, a ponto de ser um só espírito com Ele”.

Bernardo e os Templários

Entre os escritos do Abade cisterciense há também um famoso elogio da Ordem monacal-militar dos Templários, fundada em 1119, por alguns Cavaleiros, sob a guia de Hugo de Payns, feudatário da região de Champanhe e parente de Bernardo. No seu “De laude novae militiae ad Milites Templi“, descreve assim os Cavaleiros do Templo: “São vestidos de modo simples e cobertos de pó; rosto queimado pelo sol e olhar orgulhoso e severo: antes da batalha, armam-se interiormente, com a força da fé. A sua única fé é a Deus”.

Doctor Mellifluus

Bernardo morreu em 20 de agosto de 1153. Papa Alexandre III o proclamou santo em 1174. Pio XII dedicou-lhe uma encíclica intitulada “Doctor Mellifluus”, na qual recorda, de modo particular, estas palavras de Bernardo: “Jesus é mel na boca, suave concerto aos ouvidos, júbilo ao coração”. “O Doutor melífluo, último dos Padres, mas não, certamente, inferior aos primeiros – escreveu o Pontífice – se destacou por seus dotes de mente e de espírito, aos quais Deus acrescentou abundantes dons celestes”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: Acesso em: 18 ago. 2023.

 

19 de agosto – São Sisto III, papa

Papa desde o ano 432, Sisto III destacou-se pela luta contra as heresias de Pelágio e Nestor e pela reconciliação entre os Patriarcados de Antioquia e Alexandria. Consolidou o dogma trinitário e construiu a Basílica de Santa Maria Maior. Faleceu em 440 e foi sepultado em São Lourenço fora dos Muros.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 18 ago. 2023.

19 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“É interessante como estamos sempre prontos para observar, e apontar os erros dos outros. Em sequência, sem qualquer piedade, julgamos e condenamos o outro. Porém, quando o erro é nosso, sempre temos uma boa desculpa, tentando nos justificarmos de qualquer maneira, e, ainda, exigimos apoio dos outros para as nossas atitudes. Não devemos nos preocupar com os erros dos outros, pois cada um responderá perante as Leis de Deus. A cada um segundo suas obras. Temos ainda que nos perguntar: Qual de nós está em condições de julgar o próximo? Não nos esqueçamos de que todos nós estamos matriculados, e cursando a mesma escola da vida. Uns mais à frente e outros mais atrás, sendo certo que um dia todos alcançarão graus mais altos, pelos nossos esforços. Procuremos assim, olharmos mais para nós mesmos, reconhecendo que ainda somos falíveis e passíveis de erros, aprendendo a reconhecê-los, com humildade. Quando reconhecemos nossos erros, admitindo-os, já estamos a um passo de corrigi-los em nós. Admitir é fácil, bastando entendermos que todos nós estamos, em processo de aprendizado, crescimento e santificação. A partir daí, corrigir o erro torna-se muito mais fácil!”

Monsenhor André Sampaio

18 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Para os seres humanos, a luz é crucial e não nos sentimos muito bem na escuridão. São muitas as histórias de medo, de insegurança e de confusão que recordamos da nossa experiência com a escuridão. Quando entramos num compartimento escuro, geralmente temos medo e andamos devagar, receosos de chocar contra alguma coisa e assim nos magoarmos. A escuridão paralisa-nos e impede-nos de nos movimentarmos à vontade e com confiança.

Mas, a partir do momento em que acendemos a luz, o temor desaparece e conseguimos movimentar-nos com rapidez e segurança. A luz simplifica-nos a vida e traz-nos confiança e segurança. Perante a luz, tudo se torna visível e bem identificado. Ao longo das páginas da Bíblia, a luz é um símbolo poderoso acerca do que é Deus, a ponto de São João dizer, na sua primeira carta, que o Todo-poderoso é a luz: ‘Deus é luz, nele não há trevas’ (I Jo 1,5).

Assim como há a identificação de Cristo com a luz, como São João descreve no Evangelho de sua autoria: ‘Eu sou a luz do mundo’ (Jo 8,12). É a afirmação da Sua divindade, da vitória definitiva da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado. A Pessoa e a Mensagem de Jesus Cristo têm poder para iluminar as nossas vidas, impedindo-nos de viver nas trevas. Assim, para os cristãos, a nossa luz é Cristo. É Ele que ilumina a nossa vida, erradicando o medo e a insegurança e acrescentando sentido e valor a ela.

As trevas, ao longo da Sagrada Escritura, significam a ausência de Deus, a ruptura com o Seu projeto salvífico e o consequente afastamento d’Ele. As trevas presentes no nosso mundo contemporâneo só poderão ser dissipadas com a presença do Altíssimo e a valorização da Sua mensagem, que tranquiliza, dignifica e pacifica a dignidade do ser humano. A sociedade em que vivemos e da qual somos parte ativa e comprometida precisa da luz do Evangelho, da proposta do amor e da esperança que Jesus nos veio trazer.

A luz não existe em função de si, não é luz para si mesma, não ilumina a si mesma. A Luz existe em função do que a rodeia, existe para iluminar a tudo e a todos. Ao reconhecermos e aceitarmos Jesus como a Luz do mundo, também nós nos tornamos luz. Podemos fazer uma comparação simples. Assim como a lua reflete a luz do sol também nós devemos refletir a Luz de Cristo, o nosso Sol. O mundo precisa que sejamos o reflexo da Luz, que é Cristo. O Senhor também disse que não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa (cf. Mateus 5,15).

Ou seja, a luz que temos dentro de nós não é para ser escondida timidamente, mas para ser oferecida aos outros para que também eles possam ser inundados por ela. Ser luz significa mostrar com o nosso testemunho, as nossas palavras e as nossas ações que, realmente, Cristo faz a diferença e de que uma vida de acordo com os Seus ensinamentos é uma vida mais feliz.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento