Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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26 de dezembro – Monsenhor André Sampaio

“Que posso desejar para a vida do meu semelhante?

Que as verdadeiras amizades continuem eternas.

Que as lágrimas sejam poucas e compartilhadas.

Que as alegrias estejam sempre presentes e sejam festejadas por todos.

Que o carinho esteja presente em um simples olá, ou em qualquer outra fase.

Que os corações estejam sempre abertos,

para novas amizades e novos amores e novas conquistas.

Que Deus esteja sempre com sua mão estendida apontando o caminho correto.

Que as coisas pequenas como a inveja e o desamor,

sejam retiradas de nossa vida.

Que aquele que necessite de ajuda encontre em nos uma animadora palavra amiga.

Que a verdade sempre esteja acima de tudo.

Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.

Que tudo que sonhamos se transforme em realidade.

Que o amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.

Que nossa vida seja um caminho de alegria!”

Monsenhor André Sampaio

26 de dezembro – São Estevão, primeiro mártir

São Estêvão (© BAV, Barb. lat. 487, f. 102r)

A dolorida fronte debruçava,

Já mal ferido, o mártir para a terra:

Portas ao céu os olhos seus tornava,

Pedindo a Deus, naquela horrível guerra,

Que aos seus perseguidores perdoasse:

Riso piedoso os olhos lhe descerra. (Purgatório, XV)

Na Divina Comédia, Dante narra ter assistido a uma cena impressionante: a lapidação de um jovem que, moribundo, invoca o perdão para seus perseguidores. O poeta florentino ficou comovido pela mansidão de Estêvão, que, de fato, emerge com toda a sua força na narração dos Atos dos Apóstolos, onde encontramos este acontecimento. “Senhor, não lhes imputes este pecado”, grita Estêvão, ajoelhando-se um pouco antes de expirar.

O jovem Estêvão, cheio de Espírito Santo, foi um dos primeiros a seguir os Apóstolos. Supõe-se que ele era grego ou judeu, educado na cultura helênica. Mas, com certeza, era muito estimado na Comunidade de Jerusalém, tanto que seu nome aparece nos Atos como o primeiro, entre os sete, que foram eleitos para ajudar na missão dos Apóstolos. “Homem cheio de fé e de Espírito Santo”, fazia prodígios e milagres. Porém, alguns da Sinagoga incitaram o povo, os anciãos e os escribas, dizendo tê-lo ouvido pronunciar expressões blasfemas contra Moisés e contra Deus. Era o período do pós-Pentecostal.

Estêvão foi arrastado para diante do Sinédrio, onde falsas testemunhas o acusaram terem ouvido suas afirmações de que Jesus Nazareno teria destruído aquele lugar e alterado os costumes transmitidos por Moisés.

Lapidação e perdão

Estêvão pronunciou o discurso mais longo dos Atos dos Apóstolos, um discurso forte no qual repercorreu a história da salvação. Deus havia preparado a vinda do Justo, mas eles se opuseram ao Espírito Santo, da mesma forma como seus pais perseguiram os profetas. E Estêvão concluiu: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus”. Tais palavras lhe custaram caro. Mas eles gritaram em alta voz e, arremetendo-se contra ele, se puseram a apedrejá-lo. Entre os que aprovaram a sua morte estava Saulo, que, depois se tornou São Paulo, passando de feroz perseguidor dos cristãos a Apóstolo dos gentios. Aos seus pés, depositaram o manto de Estêvão. Enquanto era apedrejado, o jovem pedia a Jesus para acolher o seu espírito e perdoar seus assassinos.

Grande devoção pelo Protomártir

O lugar do martírio de Santo Estêvão, em Jerusalém, situa-se, segundo a Tradição, um pouco fora da Porta de Damasco, onde hoje surge a igreja de Saint-Étienne. No cristianismo, era muito forte a devoção por Santo Estêvão. As notícias sobre as suas relíquias remontam ao ano 400 d.C. A sua vida, sobretudo o seu martírio, repercutiu profundamente na arte. Quase sempre, ele é representado com a palma ou com pedras decorativas.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 mai. 2024.

25 de dezembro – Monsenhor André Sampaio

“Muitos se preocupam com a ceia de Natal, com a festa e presentes. As pessoas se lembram até mesmo daqueles menos afortunados e nesta época sentem a necessidade de auxiliá-los também. Esta é uma atitude bastante válida, pois de certo modo demonstra a busca pela confraternização e união entre as pessoas, bem como a lembrança daqueles que tanto amamos, nesta data tão especial.

Ainda assim, não nos esqueçamos do principal motivo desta comemoração: Jesus. Lembremo-nos do Nosso Salvador, o Verbo de Deus que se fez carne, e meditemos em seus ensinamentos e no seu exemplo de amor e virtudes. Quais seriam os presentes que Jesus gostaria que trocássemos uns com os outros neste Natal?

Objetos e bens materiais que são perecíveis e nada acrescentam ao nosso Espírito, ou aqueles presentes que serão eternos como o Amor, a Caridade, a Solidariedade, a Paciência, o Carinho, o Respeito e tantas outras virtudes, que nos trazem a paz e a felicidade real e eterna?

A lista de presentes que Jesus nos recomenda e gostaria que trocássemos entre nós é infinita, porém não são palpáveis. Podemos senti-los, que é mais importante do que vê-los.

Portanto, não nos preocupemos com o valor material das coisas, mas sim com os sentimentos que temos por aqueles que nos rodeiam e que cultivamos dentro de cada um dos nossos irmãos de jornada.

Na Noite de Natal, se você tiver alguma desavença ou diferença com alguém, presenteie-o com o perdão, a indulgência e a misericórdia, estendendo a bandeira da paz, e saiba que com esta atitude estará presenteando o verdadeiro homenageado da noite, Jesus.

Ao agirmos dentro dos preceitos divinos, significa que aceitamos Jesus dentro de nós e esse é o verdadeiro presente que Ele espera de nós e que durará por toda a eternidade: O Amor Incondicional por Todos os Nossos Irmãos.

Que este Natal seja repleto de Paz e muito Amor, com Jesus no coração!”

Monsenhor André Sampaio

25 de dezembro – Natal de Nosso Senhor

Desde o início, os cristãos celebravam o que o Senhor Jesus fez pela salvação da humanidade: todos os domingos, na “Páscoa semanal” e a festa anual, no domingo após a primeira lua cheia de primavera, a Páscoa.No início do século IV, o calendário litúrgico começou a mudar, dando mais valor à experiência “histórica”​​de Jesus: na Sexta-feira Santa comemorava-se a morte de Jesus e também a Última Ceia… Neste prisma, temos o Natal, o nascimento de Jesus, sobre o qual, em 336, temos o primeiro testemunho, depois do qual, veio a festa do Natal oriental da Epifania, em 6 de janeiro. Esta data era associada à festa civil pagã do “Natal do Sol Invencível” (“Natale Solis Invicti”), que o imperador Aureliano havia introduzido, em 274, em homenagem à divindade siríaca do Sol de Emesa, celebrada, precisamente, no dia 25 de dezembro.

A Solenidade do Natal é a única festa, que podia ser celebrada com quatro Missas: véspera, noite, amanhecer e dia. Os textos desta solenidade são os mesmos para os três Anos Litúrgicos. Trata-se de uma escolha que visa aprofundar e valorizar, quase em câmara lenta, o Acontecimento que mudou o curso da história: Deus se fez homem!

Véspera: “Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão… Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo” (Mt 1,1-25).

Noite: “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa-Nova que será alegria para todo o povo: hoje, vos nasceu, na Cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura” (Lc 2,1-14).

Manhã: “Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: “Vamos até Belém e vejamos o que o Senhor nos manifestou”… Foram com grande pressa… Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus” (Lc 1,15-20).

Dia de Natal: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus”… “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1-18). A Luz veio ao mundo. Hoje, como há mais de dois mil anos, a Luz atravessa a obscuridade da noite e das trevas e nos ilumina. Esta Luz tem um rosto e um nome para nós: Jesus Cristo, que o profeta Isaías preanunciou: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Missa da Noite de Natal, Is 9,1-6). Ele é a Luz do mundo que ilumina as trevas (Evangelho do Natal, Jo 1,9; 3,19); Ele é a Esperança que não decepciona (Rm 5,5); Jesus, raiz e estirpe de Davi (cf. 2Sam 7,8ss, promessa de Deus ao Rei Davi; IV domingo do Advento, Ap 22,16); Jesus é a estrela radiante da manhã (Ap 22,16).

Acontecimento

Eis o Natal: um Fato, um Acontecimento capaz de mudar o curso da história. “Deus se fez homem para nos tornar filhos de Deus” (Santo Irineu). Um acontecimento tão importante e tão decisivo que a liturgia quis que nos rejubilássemos dele, quase em câmara lenta, a ponto de permitir não apenas uma celebração, mas quatro Missas de Natal: às vésperas (por volta das 18h00); à Noite (geralmente entre às 21 e 24 horas, este ano por volta das 20 horas); de Manhã (mais ou menos entre às 7 e às 9 horas); e a do Dia de Natal (entre às 10 e às 18 horas, aproximadamente).Quatro Missas para experimentarmos toda a alegria deste acontecimento, que surpreendeu e transtornou os planos humanos. Eis a alegria do Natal: “Hoje, vos nasceu um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Evangelho da Noite, Lc 2,11). O Senhor Jesus veio em meio a nós para nos dizer “não temais”, para dissipar a indiferença uns dos outros, porque Deus, em Jesus seu Filho, se comprometeu com a humanidade, ferida pelo pecado, para nos salvar.

Detalhes históricos

O texto do Evangelho de Lucas, que ouvimos na Missa da Noite, é rico de detalhes cronológicos e históricos: “Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra… foi feito antes que Quirino fosse governador da Síria…” (Lc 2, 1-2). Eram detalhes que podiam nos deixar indiferentes pela ansiedade de receber a notícia de que Jesus havia nascido; mas, não são detalhes secundários, porque indicam que o nascimento de Jesus não pertence aos “contos de fada”, mas era um fato plenamente inserido na história.

Árvore genealógica

Como o Evangelho da véspera é indicativo, porque insere Jesus em uma árvore genealógica, não exatamente perfeita, visto os personagens, Ele aceita entrar nesta história familiar, que, certamente, não é constelada de Santos. Na longa lista são citados os Patriarcas e, depois, os Reis, antes e depois do exílio da Babilônia. Alguns Reis eram fiéis, outros idólatras, imorais e assassinos. E o que dizer do Rei Davi, no qual se entrelaçam fidelidade a Deus, pecados e crimes (recordamos apenas o crime que ele confessou no Salmo 50, após ter matado Urias).A genealogia quer testemunhar e confirmar que Jesus é da “estirpe de David” (cf. Mt 1,6ss) e que a promessa que Deus fez a Davi, de construir-lhe “uma casa” (cf. 2Sm, IV domingo do Advento) encontrou sua plenitude em Jesus. A genealogia mostra que faz parte de uma história bem maior, que vale para o homem Jesus, que inaugura uma nova história. Atrás de cada nome, às vezes enigmático, há uma história, através da qual Deus tornou possível a realização de alguma coisa. Trata-se de uma página que revela: atrás de cada rosto, há uma eleição de Deus e uma sua promessa, “como era no princípio, agora e sempre”. Também nós somos “eleitos” pela graça de Deus: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” (Jo 15,16). Não fomos escolhidos pelos nossos méritos, mas pela sua Misericórdia: “Amo-te com eterno amor” (Jr 31,3). Eis a nossa certeza: “O Senhor chamou-me desde o seio de minha mãe” (Is 49,1). Como no passado, hoje Jesus entra nesta história e nos convida a olhar para longe, a ler este tempo histórico e social particular, não com uma ladainha de derrota e lamentos, mas com aquela Luz, que vem de cima e ilumina tudo. Enfim, nem José e Maria viveram em um contexto fácil, no entanto…

Manjedoura

“Completaram-se os seus dias e ela deu à luz seu filho primogênito, envolvendo-o em faixas, e o depôs em uma manjedoura” (Missa da Noite, cf. Lc 2,7). Deus Pai, Todo-Poderoso, por meio de Maria, depôs um Menino, o Emanuel, Deus conosco, em uma manjedoura: um Menino que dá início (arché) a um novo Reino, a uma nova História de salvação: Reino de justiça e paz, de amor e verdade.“E o depôs em uma manjedoura”. O verbo, em grego, indica a posição de quem faz a refeição, quase deitado, como um soldado romano. Porém, o Menino Jesus foi deposto em um cocho de animais: um receptáculo de insetos, babas de animais, sujeira; um sinal de como seria toda a vida de Jesus: os Anjos cantam no céu, enquanto Herodes o perseguia; um dia, será aclamado pelo povo e, no outro, condenado pela mesma multidão; um dia, como rei, e no outro, pregado na cruz como malfeitor. Rejeição e glória serão os sinais que distinguirão este Menino.Há também outro detalhe que, geralmente, é proposto pelos ícones: o Menino é colocado no lugar onde os animais comiam. Este mesmo Menino, que precisava ser nutrido para crescer, é recordado, desde o início, como o “pão” que alimenta: “Fazei isto em memória de mim”.Este Menino, nesses detalhes, revela-se como era, mas, ao mesmo tempo, revela o caminho que devemos seguir em nossa vida boa. Em um tempo, em que o homem é escravo dos seus apetites superficiais, Jesus indica uma nova vida, capaz de pôr ordem seus tantos apetites desordenados, que só saciam a própria ilusão e ambição de querer “ser como Deus”, da sua autoafirmação e emancipação de Deus, consequências do pecado original: “A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e apropriado para adquirir sabedoria, tirou-o da árvore e, depois, o ofereceu também ao seu marido” (Gn 3,6). Da manjedoura, Jesus manda-nos um sinal para que nos alimentemos com o que conta, para que, de comedores compulsivos, aprendamos a ser “pão que se doa”. Recordemos que a primeira das tentações de Jesus no deserto se referia, precisamente, ao conceito de “alimento”: “Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães…” Jesus respondeu: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 3-4), indicando-nos assim o exemplo que devemos seguir.

Em faixas

Maria “envolveu” o Menino “em faixas”: apesar da precariedade do momento, Maria sabe se organizar. O seu exemplo nos leva a aprender a “nos organizar” para que o Menino, que pede para nascer em nosso coração e em nossa vida, encontre acolhimento, cuidado e proteção. Em outras palavras, podemos dizer que a memória do Natal de Nosso Senhor ilumina os nossos “natais cotidianos”, onde a fé, ou seja, a amizade com o Menino Jesus, precisa ser acolhida e mantida nas “faixas” das nossas atenções e cuidados, para não desfalecer.Através daquele “Menino”, envolto em faixas e deitado na manjedoura, somos convidados a observar a lógica com que Deus age, e, através dela, aprender a agir “como Deus”; somos convidados a inverter nossas lógicas e estratégias, que requerem mudança de mentalidade e perspectiva. O que conta não é a grandeza e a importância, mas a pequenez, aparentemente insignificante: da grandeza à pequenez, da força à debilidade, do poder ao dom, porque é assim que Deus age!Também nós, como cristãos, somos chamados a ser “sinais” discretos do poder do amor de Deus, humildes instrumentos do Reino do Senhor, cientes de que “a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (cf. 1Cor 1,25). O termo “sinal” não deve ser entendido como fraqueza ou conformidade, porque se “o sal perder o sabor, para nada mais serve, senão para ser lançado fora” (cf. Mt 5, 13). Nosso modo de ser cristãos deveria tornar-se aquele convite vivo e crível do grão de trigo que produz fruto; deve ser aquele “sinal” do Menino de Belém, Jesus, aqui e agora; deve ser um viver e um agir, capazes de demonstrar a alegria do “Natal”, por uma Vida vinda do Alto, capaz de “entregar-se” pelos outros por amor (Páscoa).

Os Pastores

A entrada de Deus na história dá-se por “portas secundárias” e métodos não convencionais, tanto que os Anjos levam o anúncio aos pastores e não aos sacerdotes do Templo. Os pastores eram pobres guardiões, pagos para cuidar das ovelhas; eram excluídos do povo por serem nômades e por frequentarem pessoas fora do povo, estrangeiras e, portanto, impuras segundo a lei. Por isso, foi primeiro a eles que os Anjos transmitiram o anúncio. Confia-lhes, por primeiro, a tarefa de adorar e ir anunciar: “Vamos a Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou. Foram com grande pressa e viram Maria e José e o Menino deitado numa manjedoura… Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus…” (Lc 2, 15-20, Evangelho da Missa da Manhã).Naqueles pastores nômades, que, como Jesus, não sabiam “onde repousar a cabeça” (Mt 8,20), vemos os nômades guardiões do nosso coração, aquela nossa parte inquieta que vigia, busca e espera Alguém, mas que, muitas vezes, se confunde, enganando a verdadeira fome e sede do coração. No fundo, cada um de nós é aquele pastor que tenta seguir seus pobres ideais e, quando pensa ter conseguido, percebe que o caminho ainda é muito longo.

Natal

O Natal de nosso Senhor Jesus recorda-nos que Deus está presente em todas as situações, nas quais pensamos que ele está ausente ou nas quais achamos que ele não pode estar. A nossa fé estimula-nos a viver o tempo natalino com maior serenidade e esperança: Deus está aqui, tão presente que, talvez ou com certeza, nos convida a rever nossos costumes; convida-nos a lembrar que, assim como Ele veio para nos salvar, também nós, através dele, só podemos nos salvar se caminharmos juntos, se aprendermos a cuidar uns dos outros; somos convidados a ser uma “manjedoura”, onde os outros possam se alimentar do pão da amizade, do amor, da misericórdia, da esperança. O Senhor oferece-se a nós para que possamos dar seu testemunho com a nossa vida. Como cristãos, somos convidados a assumir a esperança desta humanidade desnorteada e solitária, a sermos sentinelas da nova manhã… para que as trevas deste tempo sejam rompidas pela Luz, que vem do Senhor Jesus.

Jesus, nossa realidade decisiva

Jesus é a realidade decisiva da minha e da nossa existência. No Senhor Jesus, que se fez um de nós, aprendemos a ser todos irmãos, partilhando nossa solidariedade e a proximidade interior, que é o dom mais precioso, e louvando junto com os Anjos: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens amados pelo Senhor”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 20 dez. 2023.

24 de dezembro – Santa Paula Isabel Cerioli

Paola Elisabetta Cerioli, nasceu em Soncino (Cremona ‑ Itália), aos 28 de janeiro de 1816. Seus pais eram o nobre Francisco Cerioli e a Condessa Francisca Corniani, ricos fazendeiros, e ainda mais ricos pela vida cristã que testemunhavam na família e na sociedade.

Recém-nascida foi logo batizada, em casa, pois corria risco de vida: superada a fase crítica, o dia 2 de fevereiro se completou na Igreja o rito do Batismo.

Desde cedo teve que lidar com o sofrimento: aquele físico, pelo seu corpo frágil e não poucas vezes doente; aquele moral, vendo a miséria, na época muito presente entre as pessoas do campo, para as quais a mãe despertou cedo a atenção dela, com verdadeira sabedoria cristã.

Chegado o tempo da sua formação cultural e moral, como era costume na época para as famílias nobres, foi enviada no Mosteiro das Irmãs da Visitação em Alzano Maggiore (Bérgamo ‑ Itália), onde já tinha sido enviada a irmã e onde se encontrava a tia, irmã Giovanna.

Por quase cinco anos, a partir de 11 anos até 16, Constança ficou naquele colégio recebendo a formação prevista para as filhas da nobreza. Depois da volta para a casa, a vontade dos pais, na qual ela sempre reconheceu a vontade do Deus, a levou, com 19 anos, ao casamento com Gaetano Busecchi, de 58 anos, herdeiro dos Condes Tassis de Comonte de Seriate (Bérgamo ‑ Itália).

O não fácil casamento a viu uma esposa dócil e cuidadosa. Teve a alegria de gerar quatro filhos, dos quais porém três morreram recém nascidos; o outro, Carlos, morreu com 16 anos. Poucos meses depois morria também o marido, deixando Constança sozinha e herdeira de um grande património.

A perda do último filho e do marido foram para ela uma experiência dramática. Caiu num estado de grande aflição. Graças porém à ajuda de dois Bispos de Bérgamo, Mons. Luis Speranza e Mons. Alexandre Valsecchi, que a acompanharam espiritualmente, teve a força de se agarrar à fé. Se deparou com o mistério da Mãe das Dores e se abriu, através de uma profunda vida de fé e de caridade ativa, ao valor da maternidade espiritual, preparando-se desta forma para uma doação total de si a Deus no serviço dos pequenos e pobres.

Só poucos meses depois de ter ficado viúva abriu o seu palácio nobre para as meninas abandonadas do campo e em 1857, junto com seis companheiras, fundou o Instituto das Irmãs da Sagrada Família.

Tendo enfrentado não poucas dificuldades, no dia 4 de novembro de 1863, realizava a sua mais profunda inspiração, abrindo a primeira casa para a acolhida e a educação dos pobres filhos do campo, disponibilizando para isso a sua propriedade de Villacampagna (Cremona ‑ Itália): o primeiro e fiel colaborador era o irmão João Capponi, natural de Leffe (Bérgamo ‑ Itália).

Desta forma ela fundava os Institutos das Irmãs e dos Irmãos da Sagrada Família para o socorro material e a educação moral e religiosa da classe camponesa, na época a mais excluída e pobre.

Escolheu a Sagrada Família como modelo, ajuda e conforto, querendo que as suas comunidades aprendessem dela como ser famílias cristãs acolhedoras, unidas no amor atuante, na fraternidade serena, na fé forte simples e confiante.

Feliz por ter se tornado pobre com os pobresaos 24 de dezembro de 1865 morreu deixando aos cuidados da Providência o Instituto feminino já bem começado e a semente recém jogada do Instituto masculino.

Benaventurada Paola Elisabetta viveu tempos difíceis – nos meados do século XIX – quando as regiões da Lombardia e do Veneto estavam sobe o domínio do Império da Áustria: tempos de fortes contrastes pelas consequências do liberalismo e do nacionalismo como herança da revolução francesa.

O perfil espiritual da Cerioli è marcado pela ação forte da Trindade que moldou a vida e o coração dela de maneira surpreendente. No centro de todo seu desejo e atividade tem sempre uma referência explícita a Deus Pai e ao seu Filho Jesus. Mas o desenvolvimento do seu testemunho espiritual foi marcado de maneira especial pela figura de Maria Mãe das Dores.

Este mistério de Maria, que manifesta uma união total e profunda com o mistério de Jesus que na sua vida terrena não exclui a tentação e a cruz, para a Cerioli não foi só objeto de contemplação exterior: durante o ano de 1854 se tornou verdadeira iluminação que vivificou o destino de sua vida e de sua obra: Confessou que uma vez, considerando as dores de Maria Santíssima e imaginando um momento em que ela viu a morte do seu Divino Filho, sentiu um pressentimento tal e um tal aperto de coração, que angustiada se deixou cair sentada quase desmaiando. “Não sei — dizia depois — como eu posso ter sobrevivido, frágil e provada como estava”.

Foi assim que lentamente se sentiu levada a ter em si mesma aquelas atitudes e disposições que foram próprias de Maria e que o filho agonizante, de maneira profética, a convidava a assimilar: «Mãe não chores, Deus te dará outros filhos».

Destacou-se pela maternidade espiritual, a caridade concreta, a piedade, a absoluta confiança na Providência, o amor para a pobreza, a humildade e a simplicidade e pela admirável submissão aos Superiores (os Bispos seus orientadores espirituais). Valorizou a dignidade e o papel da mulher na família e na sociedade.

O que carateriza de maneira singular a ação apostólica da Beata é a constante referência ao modelo evangélico Jesus, visitado e vivido em várias formas contemplativas e no apostolado social, voltado de maneira especial para o socorro e a educação das crianças pobres do campo porque consideradas as mais abandonadas e as mais necessitadas. Criou colégios para órfãs e órfãos, abandonados e sem futuro; instituiu escolas, cursos de doutrina cristã, exercícios espirituais, recreações festivas e assistência às enfermas. Vencendo dificuldades e incompreensões de todo tipo, quis dar início a uma instituição religiosa constituída por homens e mulheres que, de alguma forma, imitassem o modelo evangélico do mistério de Nazaré constituído por Maria e José que acolhem Jesus para doá-lo ao mundo.

O propósito da Fundadora de mediar a paternidade-maternidade benéfica de Deus para os filhos abandonados dos pobres camponeses da sua época tem como referência fundamental a Santa Família de Jesus, Maria e José. E isso não como conseqüência de uma reflexão teológica sobre a Família de Nazaré por parte da Cerioli, mas da sua experiência prática pessoal.

A contemplação da Família de Nazaré sugere a ela a aceitação de um modelo de geração, de paternidade, de maternidade e também de filiação característicos só da fé, aberto para novos horizontes e a nos caminhos para criar condições sempre mais eficazes para a afirmação da paternidade-maternidade de Deus.

Este projeto vocacional levou Irmã Paola Elisabetta a aceitar com alegria a pobreza total da Santa Família:

«Eis-nos a Belém! Ó, feliz Belém! Aqui, Irmãs, entremos com respeito, nesta humilde gruta, morada do Homem-Deus. Não tenham medo: aqui todos tem livre acesso. Que bondade! Prostremo-nos em silêncio num canto deste lugar e olhemos com respeito estes três augustos Personagens do Céu, e com a luz daquele fulgurante esplendor que ilumina em cada parte a querida choupana, meditemos com atenção o que Eles dizem e fazem, o que aqui acontece… porque é a partir destes primeiros exemplos que as Irmãs da Sagrada Família devem formar o seu espírito. Pobreza, eis o que por primeiro cai sob o nosso olhar… Ó pobreza, quanto você é grande! Quanto você é honrada agora que foi escolhida como companheira por um Deus Menino!».

A pobreza vivida e ensinada por esta Benaventurada não é principalmente a pobreza de recursos materiais, e sim a renúncia a gerir os afetos de maneira pessoal para deixar a Deus a liberdade de doar o que a Ele agrada.

Madre Paula Isabel Cerioli foi beatificada pelo Papa Pio XII em 1950, durante o Ano Santo. Foi declarada santa pelo papa João Paulo II em 2004.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 20 dez. 2023.

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Por Mauro Nascimento