Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 45 de 168)

29 de dezembro – Monsenhor André Sampaio

“Só por hoje desejo não sentir a raiva por nenhum acontecimento ou pessoa; só por hoje desejo não magoar a quem quer que seja; só por hoje desejo alimentar meu coração com o amor por aqueles que acredito ser meus inimigos; só por hoje desejo criar para o meu dia uma sinergia com a positividade dos acontecimentos que forem me tirar a tranquilidade; só por hoje desejo continuar  testemunhando a caridade para com aqueles que necessitam da minha ajuda; só por hoje desejo que tudo de negativo que possa ocorrer se dissipe através do pensamento no bem; só por hoje e por todos os outros dias que virão desejo que a minha paz de espírito e o meu amor seja distribuído por todos aqueles que de mim se aproximar. Porque sei que para se viver bem só depende de mim e das minhas ações. Pois mesmo diante da noite mais escura, podemos acender um mísero fósforo e iluminar a rua. Diante da dor mais profunda, podemos confortar com um gesto, uma palavra. Perto do fim, podemos encontrar o nosso começo, e onde tudo parecer impossível, nos resta o encontro divino com a fé, onde Deus responde: Filho, Eu estou aqui, Eu sou o Amor. Que Assim Seja!”

Monsenhor André Sampaio

29 de dezembro – São Tomás Becket, bispo de Cantuária, mártir

São Tomás Becket (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

“Aceito a morte, em nome de Jesus e pela Igreja”. Tomás Becket pronunciou estas palavras pouco antes de morrer. Assim, cumpria-se uma parábola extraordinária do seu testemunho cristão. Aquele homem poderoso, acostumado a comandar, morreu como mártir e servo de Cristo, por não renegar à sua fé e por manter a liberdade da Igreja Católica.

Estadista

Tomás nasceu em Londres, em 1118, em uma família de origem da Normandia. Desde a juventude, foi encaminhado à carreira eclesiástica. Formou-se na Abadia de Merton e, a seguir, estudou na França e frequentou a universidade de Bolonha, distinguindo-se sempre pelas suas qualidades intelectuais.

Em 1154, foi arquidiácono na diocese de Cantuária; no ano seguinte, o novo Rei da Inglaterra, Henrique II, o nomeou Chanceler do seu reino. Tomás era o homem de maior confiança do monarca; vivia uma vida de bem-estar e não renunciava às insígnias e privilégios do poder. Não obstante, o nosso Santo nunca deixou de ser generoso com os pobres e demonstrou sua liberdade interior mesmo diante do soberano, do qual não só era conselheiro, mas também pessoa de confiança.

Ao serviço da Igreja

A reviravolta na vida de Tomás Becket deu-se em 1161, quando aceitou de se tornar Arcebispo de Cantuária. Tal nomeação foi fortemente recomendada por Henrique II, que jamais teria imaginado de encontrar um convicto adversário naquele que, uma vez, era seu colaborador mais íntimo. Desde então, Tomás passou a servir a um Senhor, bem maior que aquele soberano terreno. O contraste entre ambos ocorreu quando o rei quis limitar a liberdade e a independência da Igreja Católica na Inglaterra, por meio das chamadas Constituições de Clarendon. Tomás foi solicitado a sigilar aquela Carta, que delimitava as prerrogativas da Igreja, mas o novo Arcebispo de Cantuária demonstrou ser um baluarte invencível. A imposição do rei foi rejeitada com determinação: “Em nome de Deus onipotente, não colocarei meu sigilo”. Assim, o amigo de então se torna, aos olhos do rei, um inimigo obstinado.

Mártir da fé e da liberdade

Tomás experimentou os sofrimentos do exílio: foi hóspede em um mosteiro Cisterciense e, depois, encontrou refúgio na França, onde permaneceu seis anos distante da sua pátria.

Ao retornar a Cantuária, foi acolhido com alegria pelos fiéis, o que causou uma maior adversidade por parte da Coroa. Narra-se que, certo dia, Henrique II havia expresso o desejo de que alguém liquidasse aquele Bispo incômodo. Seu desejo foi levado a sério por quatro cavaleiros, que partiram de Londres rumo a Cantuária. Assim, Tomás Becket foi barbaramente assassinado a facadas no interior da sua Catedral. Era o dia 29 de dezembro de 1170. Narra-se ainda que, diante da pergunta dos seus assassinos “Onde está Tomás, o traidor?”, o arcebispo tenha respondido: “Estou aqui, mas não sou um traidor; sou apenas um bispo e sacerdote de Deus”.

A imensa comoção que este assassinato suscitou foi além dos confins da Grã-Bretanha, tanto que, apenas três anos depois, no dia 21 de fevereiro de 1173, o Papa Alexandre III sancionou o seu martírio, elevando-o à honra dos altares.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 27 dez. 2023.

28 de dezembro – Santos inocentes, mártires

Santos Mártires inocentes, Evangelhos de Otto III

O evangelista Mateus narra que, quando Jesus nasceu em Belém, alguns Magos se apresentaram ao rei Herodes para lhe perguntar onde estava o Menino – o Rei dos Judeus – para adorá-lo.

Temendo perder o trono, Herodes quis saber mais informações, com a intenção de matá-lo. Então, após consultar os escribas, pediu aos Magos para procurá-lo e, na volta da sua viagem, dizer-lhe onde se encontrava.

Mas, diz o Evangelho, os Magos “avisados em sonhos para não voltar a ter com Herodes, tomaram outra estrada para regressar aos seus países”.

Ao perceber que os Magos o tinham enganado, Herodes, enfurecido, – diz ainda o Evangelho – “mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território, que tivessem menos de dois anos”.

A pequena vanguarda

A Igreja venera esses Inocentes como mártires, desde os primeiros séculos. Uma vez que perderam a vida, logo depois da vinda de Cristo ao mundo, recorda a sua memória próxima à celebração do Natal. Por desejo do Papa Pio V, tal celebração foi elevada a Festa litúrgica.

Prudêncio, poeta do século IV, definiu esses Inocentes, – no hino da Epifania do “Liber cathemerinòn” – como “flores martyrum”, flores dos mártires, “que se tornaram brotos viçosos, por causa do perseguidor de Jesus Cristo”.

O santo Bispo de Cartago, Dom Quodvultdeus, disse em um sermão: “Essas crianças, sem saber, morreram por Cristo, enquanto seus pais choravam pela perda de seus mártires. Assim, Cristo fez suas testemunhas aqueles que ainda não falavam”. E continua: “Ó dom maravilhoso da graça! Quais os merecimentos desses meninos, que se tornaram vencedores? Eles ainda nem falavam e já professavam a fé em Cristo! Eles não eram capazes de enfrentar uma luta, porque mal mexiam seus membros! No entanto, carregaram triunfantes a palma da vitória”!

Enfim, os Santos Inocentes são uma pequena parte do exército de mártires que deram e ainda continuam dando testemunho, com seu sangue, da sua pertença a Cristo; essas criaturas puras escreveram a primeira página da longa lista dos mártires cristãos.

Vítimas inocentes de ontem e de hoje

Para a tradição cristã ocidental, o episódio evangélico dos Santos Mártires Inocentes é um exemplo típico de como a sede de poder pode levar a crimes atrozes. De fato, os filhos de Belém foram vítimas do ódio impiedoso de Herodes com aqueles que poderiam ter impedido seus planos de poder e domínio.

Ao longo dos séculos, foram realizadas várias obras de arte com base neste tema e na história dos filhos de Belém. Em 2016, no dia dos Santos Mártires Inocentes, o Papa Francisco escreveu uma Carta aos Bispos exortando-os a “ouvir o grito e as lágrimas de tantas mães e tantas famílias pela morte dos seus filhos, filhos inocentes”, que representam “o grito de dor das mães, que choraram pela morte dos seus filhos inocentes, diante da tirania e da ânsia desenfreada de poder de Herodes”. “Um grito – escreveu o Pontífice – que ainda hoje continuamos a ouvir, que toca a nossa alma e que não podemos e não devemos ignorar ou calar”.

Com estas palavras, Francisco faz um premente apelo aos Bispos de todo o mundo para que defendam a inocência das crianças “dos novos Herodes do nosso tempo”, que a espezinham e dilaceram “com o peso do trabalho clandestino e escravo, com o peso da prostituição e da exploração; uma inocência exterminada por guerras e a emigração forçada”.

Além do mais, o Papa também recomenda ouvir o pranto e o grito da Igreja, que pede perdão e “chora, não apenas por causa da dor causada aos seus filhos mais pequeninos, mas também por reconhecer que até alguns dos seus membros cometem o mesmo pecado: sofrimento, história e dor de tantos menores, vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 22 dez. 2023.

28 de dezembro – Monsenhor André Sampaio

“A responsabilidade é qualidade inerente ao homem que busca fazer o bem.

Àqueles que são pais cabe exemplificar para os filhos desde cedo o que seja a responsabilidade perante a si e aos outros. Pais irresponsáveis, filhos irresponsáveis. Responsabilidade é virtude que deve ser cultivada desde a infância, guardadas as devidas proporções.

Aquele que é responsável preocupa-se com as consequências de seus atos e assim procura viver de modo que não prejudique ao próximo.

Para que alguém seja responsável é necessário que tenha maturidade de espírito. O ser-humano responsável jamais tomará uma atitude sem antes levar em consideração todas as hipóteses do que possa ocorrer a partir de uma decisão dele.

Falamos em responsabilidade e temos a impressão de que é algo simples de se ter, mas não é bem assim. A responsabilidade vem com o amadurecimento da alma, do espirito. Assim, tenhamos em mente que tudo o que fazemos, pensamos ou falamos para os outros geram consequências. Portanto, somos responsáveis pelas nossas atitudes, pelos nossos pensamentos e por aquilo que falamos. Se não agirmos com responsabilidade, poderemos criar graves problemas para os outros e para nós mesmos. Sabemos que a cada ação corresponde uma reação de igual intensidade. Todo o mal que acarretarmos à alguém será cobrado de nós um dia, pois somos responsáveis por tudo o que fazemos ainda que inconscientemente.”

Monsenhor André Sampaio

27 de dezembro – Monsenhor André Sampaio

“Como pode alguém se achar melhor do que o outro porque tem uma cor, aparência, sexualidade ou religião diferente?

Como saber quem é melhor do que quem?

Só há uma forma de vermos quem realmente é melhor: pelas suas atitudes. Se elas são de arrogância em relação aos outros, então, claramente está demonstrando que não tem valor algum diante do outros. O orgulho provoca bloqueios diante das oportunidades de ser generoso e, consequentemente, feliz.

Julgar sem conhecer é uma das más características dos seres humanos, sem contar a incrível sede de dominar e se sentir superior aos outros. É preocupante ver que o Brasil, um país com tantas misturas de raças e com tanta desigualdade social, não abre os olhos para enxergar que somos todos iguais, e que para a nossa evolução é necessária a compreensão e aceitação daqueles que chamamos de diferentes.

Quem tem sofrido com o preconceito dos outros, deve abandonar essa posição de vítima e jamais se sentir inferior a ninguém. Também não deve revidar essa atitude de intolerância que só vai gerar novas situações de conflito. Se alguém constrói muralhas em seus relacionamentos por causa do preconceito, não pode reclamar mais tarde quando se encontrar solitário e esquecido.

Na verdade, as sequelas do preconceito são muito mais devastadoras para o próprio preconceituoso do que para quem é alvo de preconceito.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento