Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 32 de 167)

29 de janeiro – São Sulpício Severo

São Sulpício Severo (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

Riqueza e mundanismo

A capacidade de oratória e a administração dos negócios representavam, entre os homens instruídos e sérios, as atitudes dos cargos mais altos do império. Sulpício distinguiu-se pela sua eloquência, fineza de espírito, habilidade em resolver questões jurídicas, rigor em julgar e solidez em argumentar. Desta forma, sua reputação foi longe. Com sua fortuna e gênio, podia aspirar aos mais altos cargos do Estado.

Totalmente absorvido pela vida mundana, em uma época em que todas as esperanças favoreciam a imaginação, Sulpício casou-se com a filha de um Cônsul, que também era muito rica e com muitos conhecimentos sociais. Poucos jovens podiam contar com recursos melhores para iniciar uma carreira honrosa. Mas, infelizmente, seus lindos sonhos futuros se dissiparam: a Providência divina lhe havia reservado um destino mais glorioso. Com o falecimento da sua esposa, caiu em profunda depressão.

Consolação divina

Todavia, ao invés de se deixar abater pelo desespero, recobrou suas energias, buscando consolação em uma vida de piedade. Deus recompensou a sua fé, de modo magnífico, com milhares de outras graças, entre as quais a de conhecer São Martinho, Bispo de Tours. Assim, decidiu consagrar-se a Deus e despojar-se dos seus inumeráveis bens. No entanto, como havia feito Santo Ambrósio, não vendeu a sua herança para distribuir o dinheiro aos pobres: contentou-se em ceder seus bens à Igreja, reservando o usufruto para si.

Esta mudança de vida irritou seu pai; ele mesmo tornou-se objeto de escárnio entre seus velhos amigos. Além destes desprazeres e da desoladora amargura, foi acometido também pela doença: ficou gravemente doente, por duas vezes, mas a sua força de espírito, sustentada pela graça divina, triunfou sobre todas as tribulações.

Confidente de São Martinho

As gerações futuras conheceram Sulpício Severo como escritor da vida de São Martinho de Tours. Embora o santo Bispo tivesse o costume de não falar de si e de não revelar as graças particulares que Deus lhe concedia, Sulpício narrou em sua biografia alguns acontecimentos, colhidos em suas conversas. Outros elementos, entre os quais muitas circunstâncias interessantes, foram-lhe revelados pelos religiosos da diocese de Tours ou pelos monges de Marmoutier.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 22 jan. 2024.

29 de janeiro – Monsenhor André Sampaio

“Na psicologia, o caráter é a definição da personalidade de uma pessoa. É a forma predominante de agir de cada um; é individual, o resultado da junção de todos os seus traços comportamentais. O caráter também pode ser chamado de índole, temperamento ou natureza de uma pessoa.

As qualidades (boas ou más) de uma pessoa é que determinam seu caráter. A palavra caráter não designa apenas o bom caráter; ela faz referência ao somatório das virtudes e vícios de uma pessoa. Porém, é muito comum que se diga que alguém de má índole tem falta de caráter.

O caráter de uma pessoa pode ser definido com base na sua maneira de agir e de reagir às situações da vida.

Uma pessoa de boa índole pauta suas atitudes segundo as normas da moral do local e época em que vive. Uma pessoa de caráter tem firmeza e coerência de atitudes, tem firmeza nas suas escolhas. O contrário é o indivíduo mau-caráter.

É sintomático do caldo de cultura nacional a apologia da malandragem. Diante das vísceras expostas da safadeza e frouxidão ética que infectam a República nos três níveis do poder e se ramificam por toda a sociedade, frutos podres da malandragem institucionalizada no País, dá profunda tristeza, imensa indignação ouvir a exaltação da malandragem, opondo-a com desdém ao seu oposto sociológico, o desprezível Mané. Diz ele: ‘Malandro é malandro, mané é mané’.

Diz o Dicionário Aurélio: ‘Malandro é o indivíduo dado a abusar da confiança dos outros, que não trabalha e vive de expedientes, preguiçoso, mandraço, mandrião, patife, velhaco; gatuno, ladrão, esperto, matreiro, astuto, vivo’.

Malandro é o sujeito dotado de inominável cara-de-pau, dono de destruidor sorriso sardônico e um imbatível sarcasmo, sempre tranqüilo, boa praça, dono da situação e senhor da razão, que não liga pra o que ocorre em volta, rei da trapaça, do trambique, sem limites ou respeito à ética, às conveniências, às leis: ele é a lei, tripudia sobre os bons costumes, contanto que vença, não importa o preço a pagar.

A malandragem é uma patologia ética, desvio de caráter ético na busca do bem comum, na política sadia: cegueira e cinismo ético-político, insensibilidade ao bem comum caracterizam o malandro. Ensinar a safadeza também é ensinar. A malandragem também se aprende. E muitas vezes é mais fácil aprender os meandros da corrupção, da malandragem, dos atos indizíveis… do que aprender o valor humano, o valor da solidariedade, o valor da participação.”

Monsenhor André Sampaio

28 de janeiro – Monsenhor André Sampaio

“A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração, sorrir para as pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam, calar-me para ouvir, aprender com meus erros, afinal, eu posso ser sempre melhor! Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar, a abrir minhas janelas para o amor. E não temer o futuro, a lutar contra as injustiças. Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo. Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade. Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar.”

Monsenhor André Sampaio

28 de janeiro – São Tomás de Aquino, presbítero dominicano, doutor da Igreja, Padroeiro das escola católicas

São Tomás de Aquino (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

“Vocês o chamam de boi mudo! Ao invés, eu lhes digo que este boi vai berrar tão alto, que seu berro vai ecoar no mundo inteiro”. É o que afirmava Santo Alberto Magno, seu professor, e não se enganava ao defendê-lo perante seus colegas, que, por causa do seu caráter taciturno e, aparentemente, opaco, lhe haviam dado o apelido de “boi mudo”.

Seus familiares o prenderam por ter-se tornado frade Pregador

Tomás nasceu em uma família de Condes, Aquino, no castelo de Roccasecca, no sul do Lácio, unidos, por vínculos de parentela ao imperador Federico II. Seu pai, Landolfo, queria que ele fosse abade do mosteiro de Montecassino, pensando ser compatível com a natureza tímida e gentil do filho e com seus desígnios políticos. Mas, em Nápoles, Tomás quis tornar-se frade Dominicano, rejeitando toda e qualquer ambição e escolhendo apenas uma Ordem mendicante.

Esta sua escolha chocou toda a família, tanto que, dois de seus irmãos, o mandaram prender. Foi colocado em uma cela, proverbial pela sua disposição pacífica. No entanto, ele ficou muito irritado quando mandaram uma prostituta entrar na sua cela, para que desistisse da sua vocação. Mas, ele a afugentou com uma brasa ardente. Em suma, parece que ele tenha conseguido escapar da cadeia, com a ajuda de duas irmãs, que o fizeram descer da janela com uma grande cesta.

Um intelectual apaixonado por Deus

Tomás foi mandado para Colônia, onde aprofundou a tese sobre o aristotelismo, com Santo Alberto Magno; depois, em Paris, lecionou na Universidade, apesar da incompatibilidade com o clero secular.

Ao regressar para a Itália, intensificou seus estudos sobre Aristóteles, graças à tradução de um confrade, e compôs o famoso Hino “Pange lingua“, para a festa de Corpus Christi.

Começou a escrever sua “obra-prima”, “Summa theologiae”, dividida em cinco partes, para demonstrar a existência de Deus. O centro da sua obra é a confiança na razão e nos sentidos; a filosofia é a serva da teologia, mas a fé não anula a razão. Ele gostava muito de estudar e não é difícil imaginar que a sua vasta produção filosófico-teológica tenha causado estupor entre os teólogos contemporâneos.

Certo dia, em 6 de dezembro de 1273, Tomás disse ao coirmão Reginaldo que não ia escrever mais nada: “Não posso, porque tudo o que escrevi é como palha para mim, em comparação ao que me foi revelado”. Segundo alguns biógrafos, esta decisão foi precedida por uma conversa mística com Jesus.

Por fim, Tomás adoeceu. Em 1274, durante uma viagem a Lyon, para participar do Concílio, a pedido do Papa Gregório X, faleceu na abadia de Fossanova, com apenas 49 anos.

São Tomás, segundo Chesterton: reconciliação-fé-razão

O famoso escritor inglês, G. K. Chesterton, dedicou-lhe, com acuidade, um ensaio famoso? “Tomás reconciliou a religião com a razão, estendendo-a ao campo da ciência experimental, na qual afirmava que os sentidos eram as janelas da alma e o intelecto tinha o direito de se nutrir de fatos concretos”.

Para Chesterton, São Tomás e São Francisco foram os iniciadores de uma grande renovação do cristianismo, a partir de dentro, e a Encarnação era central: “Eles se tornaram mais ortodoxos quando começaram a ser mais racionalistas ou mais próximos da natureza”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 22 jan. 2024.

27 de janeiro – Dia Internacional da Memória do Holocausto

NÃO HÁ IMAGEM NENHUMA CAPAZ DE TRANSMITIR O QUÃO HORRÍVEL FOI A SHOAH 

“O século passado foi testemunha de uma indizível tragédia, que jamais poderá ser esquecida: a tentativa do regime nazista de exterminar o povo judaico, com o consequente morticínio de milhões de judeus. Homens e mulheres, adultos e jovens, crianças e recém-nascidos, só porque eram de origem judaica, foram perseguidos e deportados. Alguns foram trucidados imediatamente, outros foram humilhados, maltratados, torturados, privados completamente da sua dignidade humana e, por fim, mortos. Pouquíssimos de quantos foram internados nos campos de concentração sobreviveram, e ficaram aterrorizados durante a vida inteira. Este foi o Shoah: um dos principais dramas da história deste século, um facto que ainda hoje nos diz respeito.

Que a nossa tristeza pelas tragédias que o povo judaico sofreu no século passado leve a novas relações com esse povo. Desejemos transformar a consciência dos pecados do passado em firme empenho por um novo futuro, no qual já não haja sentimento antijudaíco entre os cristãos, nem sentimento anticristão entre os judeus, mas sim um respeito recíproco compartilhado, como convém àqueles que adoram o único Criador e Senhor e têm um comum pai na fé, Abraão.

Por fim, os homens e as mulheres de boa vontade são convidados a refletirem profundamente sobre o significado do Shoah. As vítimas desde os seus túmulos, e os sobreviventes através do vívido testemunho de quanto sofreram, tornaram-se um forte clamor que chama a atenção da humanidade inteira. Recordar este terrível drama significa tomar plena consciência da advertência salutar que ele comporta: às sementes infectadas pelo antijudaísmo e pelo antissemitismo jamais se deve consentir que lancem raiz no coração do homem.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento