Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 31 de 168)

01 de fevereiro – Santa Veridiana

Santa Veridiana de Castelfiorentino (Castelo de Florença) nasceu em 1182. E, portanto, contemporânea de São Francisco de Assis, que segundo a tradição a visitou-a em 1221, admitindo-a na Ordem Terceira.

Santa Veridiana nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra.

A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos à ela, mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou à seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras.

A cidade atravessava uma época terrível de carestia e fome, seu tio nem pensou em auxiliar os necessitados, era um mercador e como tal aproveitando-se da miséria reinante. Durante algum tempo procurou vender grande parte desses víveres, o que conseguiu por um preço elevado, obtendo grande lucro. Mas, ao levar o comprador para retirar o material vendido, levou um susto, suas despensas estavam completamente vazias. Veridiana tinha distribuído tudo aos pobres

O tio comerciante ficou furioso, pediu um prazo de 24 horas ao comprador e ordenou a Veridiana que solucionasse o problema, já que fora a causadora dele. No dia seguinte, na hora marcada, as despensas estavam novamente cheias, e o negócio pode se concretizar.

Veridiana após uma peregrinação ao túmulo de Tiago em Compostela, Espanha, diga-se um centro de peregrinação tão requisitado quanto Roma o é pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, ao retornar se decidiu pela vida religiosa e reclusa. Para que não se afastasse da cidade, seus amigos e parentes construíram então uma pequena e desconfortável cela, próxima ao Oratório de Santo Antônio, onde ela viveu 34 anos de penitência e solidão. A cela possuía uma única e mínima janela, por onde ela assistia à missa e recebia suas raras visitas e refeições, também minúsculas, suficientes apenas para que não morresse de fome.

No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana.

O culto de Santa Veridiana foi aprovado pelo papa Clemente VII no ano de 1533. Ela também se tornou protetora do presídio feminino de Florença e, sua devoção ainda é muito popular na região da Toscana, na Itália.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 29 jan. 2024.

01 de fevereiro – Monsenhor André Sampaio

“Os humildes de coração não se importam com aquilo que tem, mas sim, com aquilo que se mantem moralmente, deixando de lado os vícios morais como a maledicência, a arrogância e o orgulho dando passagem para a expansão real do coração, onde mora o amor incondicional, a caridade sem ostentação e a beneficência como princípio do respeito ao outro.

Levar apenas o que faz bem ao coração daquele que sofre e para os que ainda estão na escuridão do conhecimento dos ensinamentos do Cristo, leva a compreensão como remédio cicatrizante da raiva, da ignorância, da magoa e da vingança.

Perdoa verdadeiramente sem ressalvas e segue adiante, pois de nada vale falar em perdão e não o fazê-lo na concepção real do seu significado.

Por isso os humildes de coração não se abatem ao longo da caminhada, porque tudo é perdoado, tudo pode ser revertido em uma ação para o bem sem olhar a quem, não cabe em um coração humilde o julgamento das ações do próximo mas cabe o entendimento e a caridade em tentar compreender o outro como é.”

Monsenhor André Sampaio

31 de janeiro – Monsenhor André Sampaio

“Não menospreze o problema do outro, agindo com sarcasmo e pouco caso. Só aquele que está passando pela dificuldade sabe o tamanho da sua dor. Quem vê de fora tem uma percepção diferente daquele que está vivendo o problema na pele. Se alguém o procurar pedindo ajuda, ouça com atenção e respeito. Se puder fazer algo que possa ajudar faça e não terá motivos para arrependimento e remorso. Agir com menosprezo à dor do outro é forma perigosa de agir, pois amanhã poderá ser você a passar por situação igual ou pior. Da mesma forma com que agirmos com o próximo, outros agirão para conosco. Por isso seja solidário sempre. Tente compreender a dor do outro. Não critique, apenas auxilie. Jesus jamais criticou ou julgou aqueles que lhe procuravam buscando ajuda. Sigamos o exemplo do Cristo Jesus, ajudando sempre, sem indagar coisa alguma. Creiamos que muitas bênçãos chegarão a nós, pois todo o bem que fizermos, a nós retornará duplicado.”

Monsenhor André Sampaio

31 de janeiro – São João Bosco, presbítero, fundador dos salesianos, pai e mestre dos jovens

São João Bosco (© SDB)

João Bosco tinha um propósito firme e constante: levar o maior número de almas ao Paraíso! É que ele sempre cultivou em seu coração, colocando, acima de tudo, a salvação eterna dos que encontrava pelas ruas ou que batiam à sua porta. Seu zelo com as crianças de rua, pobres ou sem educação, exigia, paulatinamente, uma vida mais espiritual do que social.

O sonho premonitório

O fogo da caridade, que animava o sacerdote, era o desejo de amar o Deus Todo-Poderoso em quem encontrasse. “De mihi animas, coetera tolle” (“Dai-me as almas e pegai todo o resto”) era o lema que se destacava em seu quarto. Ele teve um sonho premonitório, quando tinha apenas nove anos de idade: “Estava circundado de jovens que blasfemavam”.

João Bosco tinha um temperamento impulsivo. Para que aqueles jovens parassem de blasfemar, ele os agredia com socos e chutes. Mas, Jesus lhe apareceu, por primeiro, e, depois, a Virgem convidando-o a ganhar “amigos”, “não com socos, mas com a mansidão e a caridade”: somente assim poderia levá-los a entender “sobre a fealdade do pecado e a preciosidade da virtude”.

Nascido em família pobre e dotado de grande inteligência

João Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815 em uma família de camponeses, em Becchi, uma fração de Castel Nuovo de Asti; seu pai, Francesco, que havia se casado com Margarida Occhiena, em segundo casamento, morreu com apenas trinta e três anos, de pneumonia, quando João Bosco tinha só dois anos de idade.

Para a sua família, a estrada começou a se tornar íngreme: a notável inteligência de Joãozinho, que emergiu já em tenra idade, logo se defrontou com a hostilidade de seu meio-irmão Antônio, que achava uma perda de tempo ler livros. A arrogância do seu meio-irmão obrigou dona Margarida a mandar João sair de casa, encontrando-lhe um trabalho como garçom na Casa de Campo Moglia.

João Bosco havia apenas feito a sua Primeira Comunhão, mas já atraía em torno de si muitos coetâneos, aos quais falava de Jesus, com uma linguagem atraente, com jogos e acrobacias, que havia aprendido em circos.

A vivacidade intelectual do rapaz não passou despercebida, em 1829, pelo capelão de Murialdo, Padre João Calosso, que, antes de morrer repentinamente, lhe deu as primeiras lições de latim.

Somente assim, em 1831, João pôde retomar seus estudos e completar seus cursos, elementar e ginasial, em quatro anos. Para pagar as lições, trabalhava como alfaiate, garçom, estribeiro, carpinteiro, sapateiro, ferreiro.

Este estudante valoroso e de memória surpreendente, logo chamou a atenção de São José Cafasso, sacerdote que o encaminhou ao seminário.

Em 5 de junho de 1841, foi ordenado sacerdote, na Capela do Arcebispado de Turim. A seguir, transferindo-se para o Internato Eclesiástico da cidade, começou seu apostolado na vizinha igreja de São Francisco de Assis, onde se dedicou aos jovens mais pobres, que encontrava nas ruas, nas casas abandonadas e nas prisões, provenientes, muitas vezes, dos campos, incivilizados e desorientados pelo processo de industrialização.

Oratório e paixão pelos jovens

Em 8 de dezembro de 1844, inspirado por São Filipe Néri, fundou um Oratório, dedicado a São Francisco de Sales, cuja sede, a seguir, foi estabelecida em Valdocco.

Desta forma, Don Bosco dava início também à Congregação Salesiana, em prol da juventude; mais tarde, em 1872, junto com Santa Maria Domenica Mazzarello, fundou o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora para a educação da juventude feminina.

Esta missão salesiana assumiu, logo, um carácter internacional: o Boletim Salesiano, hoje divulgado em 26 idiomas e em 135 países; a tradução dos seus textos de hagiografia e pedagogia, em várias línguas, enquanto o santo ainda vivia, sempre inspirados em uma abordagem educativa e jamais repressiva. O sacerdote era um promotor convicto da “boa imprensa católica”, que visava combater os efeitos funestos daquela imprensa “má”, que veiculava mentiras e heresias.

Formar cidadãos honestos e bons cristãos

Tantos compromissos católicos, espirituais, pastorais e sociais – além de uma incondicionada fidelidade ao Papa – não poderiam não criar, para o fundador dos Salesianos, inimizades, perseguições e ataques, em um período de governo liberal e maçônico.

No entanto, Don Bosco era tão estimado pela opinião pública, pela sua obra educativa, que, em várias ocasiões, foi escolhido como mediador entre o Estado e a Santa Sé.

A igreja do Sagrado Coração, em Roma, construída, a pedido do Papa Leão XIII, com a ajuda da Providência, tornou-se lugar de espiritualidade e âncora social para inúmeros jovens. “Formar cidadãos honestos e bons cristãos” foi a missão à qual o Santo se dedicou até à morte, ocorrida em 31 de janeiro de 1888.

Pio XI beatificou Don Bosco em 1929 e o canonizou em 1934. São João Paulo II, por ocasião do centenário da sua morte, o declarou “pai e mestre da juventude”.

Inúmeros jovens ainda frequentam a sua escola. A eles, Don Bosco recorda que “ser bom não consiste em não cometer erros, mas em ter vontade de se arrepender”. Trata-se de um caminho de santificação que, para usar as palavras de São Domingos Sávio, seu aluno, consiste em “ser felizes e no perfeito cumprimento dos próprios deveres”. Eis o “carisma da alegria” que o Papa Francisco admitiu ter aprendido, quando criança, ao frequentar a sexta série dos Salesianos na Argentina.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 29 jan. 2024.

30 de fevereiro – Santa Jacinta Mariscotti, virgem romana

Santa Jacinta Mariscotti, Domenico Corvi

Quando a pessoa é bonita, rica, além de nobre, pensa poder ter tudo. Assim também pensava Clarice, filha dos príncipes Marescotti de Vignanello: desde criança, sonhava ter uma vida confortável e um bom casamento, mas estes não eram os planos do Senhor para ela. No entanto, achava que seria possível: conheceu um jovem marquês, Capizucchi, do qual se apaixonou. Mas, muito cedo, coube-lhe o destino de se casar com sua irmã mais nova, Ortênsia.

Uma vocação forçada

A decepção de Clarice foi tão grande, que decidiu não perdoar o pai, por ter preferido sua irmã, e começou a tornar a sua vida impossível. Em contrapartida, o príncipe mandou-o para o Mosteiro de São Bernardino, em Viterbo, onde havia estudado quando criança e onde outra sua irmã, Genebra, tinha se tornado religiosa. Clarice, porém, não desanimou: recebeu o nome de Jacinta, submeteu-se à vida de oração comunitária, professou o voto de castidade, tornando-se Terciária franciscana para não ficar enclausurada.

Mas, Jacinta não era feita para os votos de obediência e pobreza. Por isso, continuou a se vestir com roupas refinadas, a morar em um apartamento bem mobiliado, onde muitos amigos iam visitá-la e a ser servida por duas noviças. De fato era nobre e, como tal, queria continuar vivendo.

De adolescente obstinada a uma grande Santa

Jacinta viveu assim por 15 anos, apesar dos seus escândalos. Depois, adoeceu seriamente e entendeu que o Senhor, paciente, a aguardava no sofrimento da doença. E o invocou: “Ó Deus, eu vos suplico, dai sentido à minha vida, dai-me esperança, dai-me a salvação”! Tendo-se restabelecido da enfermidade, pediu perdão às coirmãs e se despojou de tudo.

Os 24 anos seguintes da sua existência foram anos de privações e de doação ao próximo, sobretudo aos pobres e enfermos. Graças à ajuda financeira dos velhos amigos, conseguiu dirigir da clausura as obras de dois institutos de assistência social: os “Sacconi” – assim eram chamados os coirmãos, que usavam sacos de estopa durante seu serviço – os enfermeiros que ajudavam os doentes; e os “Oblatos de Maria”, que levavam conforto aos idosos e abandonados. Tudo o que recebia, oferecia aos pobres. Seu exemplo levou muitos a retornarem à fé, da qual tinham se distanciado.

Morte em odor da santidade

Jacinta faleceu em 1640 e, imediatamente, foi venerada pelo povo como Santa, especialmente entre os que haviam sido grandes pecadores e, depois, convertidos pela graça.

Durante o velamento, todos queriam levar um pedaço da sua roupa como relíquia. Por isso, seu corpo teve que ser revestido três vezes.

O Papa Pio VII presidiu à sua canonização em 1807.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 29 jan. 2024.

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Por Mauro Nascimento