Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 102 de 168)

13 de agosto – Santa Filomena

Santa Filomena (© Musei Vaticani)

Filomena, mártir cristã?

O culto de Santa Filomena, acompanhado por todos os interrogativos sobre a sua identidade, tiveram origem em Roma, em 25 de maio de 1802, durante as escavações na Catacumba de Santa Priscila, na Via Salaria. Na época, foram descobertos os ossos de uma jovem, de treze ou quatorze anos de idade, e uma ampola contendo um líquido, que, se pensava, fosse o sangue da Santa. O lóculo estava fechado por três lajes de terracota, sobre a qual estava escrito: “LUMENA PAZ TE CUM FI“. Pensava-se que, por negligência, tivesse sido invertida a ordem dos três fragmentos, que remontavam entre os séculos III e o IV d.C. e que deveriam ser lidos assim: “PAX TE / CUM FI / LUMENA“, isto é, “A paz esteja contigo, Filomena”.

Além do mais, os diversos sinais decorativos, em volta do nome, – sobretudo a palma e as lanças – levaram a atribuir estes ossos a uma mártir cristã dos primeiros séculos. Na época, de fato, achava-se que a maior parte dos corpos presentes nas Catacumbas remontava às perseguições do período apostólico.

Relíquias e prodígios em Mugnano del Cardinale

A seguir, a pedido do sacerdote de Nola, Padre Francisco de Lucia, estas relíquias foram transferidas para Mugnano del Cardinale, na província de Avelino, na igreja dedicada a Nossa Senhora das Graças, onde se encontram até hoje. Foi exatamente este sacerdote que narrou os primeiros milagres realizados ali pela Santa. Atingido por tais acontecimentos, o Papa Leão XII concedeu ao Santuário a lápide original, que Pio VII havia mandado transferir para o lapidário Vaticano.

Neste contexto, em 1833, inseriu-se a “revelação” da Irmã Maria Luísa de Jesus, que contribuiu para difundir o culto de Santa Filomena na Europa e no Continente americano.

Personagens famosos, – como Paulina Jaricot, Fundadora da Obra de Propagação da Fé e do Rosário, e o Santo Cura D’Ars, – receberam a cura completa dos seus males, por intercessão de Santa Filomena, da qual se tornaram devotos fervorosos.

A biografia, segundo a Irmã Maria Luísa

Foi precisamente a narração da Irmã Maria Luísa a revelar a história da Santa. A freira afirmou que a vida de Filomena lhe teria sido transmitida pela “revelação” da própria Santa.

Filomena teria sido filha de um rei da Grécia, que se converteu ao cristianismo e, por isso, tornou-se pai. Aos 13 anos, ela se consagrou a Deus com o voto de castidade virginal. Ao mesmo tempo, o imperador Diocleciano declarara guerra ao seu pai: a família foi obrigada a transferir-se para Roma para entabular um tratado de paz. O imperador apaixonou-se pela donzela; mas, ao rejeitar seu pedido, foi submetida a uma série de tormentos, dos quais sempre foi salva, até à decapitação definitiva. Duas âncoras, três flechas, uma palma e uma flor eram os símbolos representados nas lajes de terracota do cemitério de Priscila, que foram interpretados como símbolos do seu martírio. No entanto, um estudo mais aprofundado dos achados arqueológicos constatou a ausência da escrita martyr, fazendo decair a possibilidade da sua morte por martírio. Sobre a ampola, encontrada ao lado dos restos mortais, foi comprovado, outrossim, que o líquido contido não era sangue, mas perfumes típicos das sepulturas dos primeiros cristãos. Enfim, o corpo era de uma donzela, morta no século IV, sobre cujo sepulcro foram colocadas lajes, com inscrições de um sepulcro antecedente.

A Sagrada Congregação dos Ritos, por ocasião da Reforma Litúrgica dos anos 60, eliminou o nome de Filomena do calendário. Porém, seu culto permaneceu.

A Devoção continua

A “Santinha” de Cura D’Ars, como muitos chamavam Santa Filomena, foi venerada, de modo particular, por São Pio de Pietrelcina, desde criança. Ele a chamava “princesinha do Paraíso” e, a quem ousava colocar em discussão a sua existência, ele respondia que suas dúvidas eram fruto do demônio, e repetia: “Pode ser que não se chamava Filomena! Mas, esta Santa fez muitos milagres e não foi seu nome a realizá-los”. Ainda hoje, Filomena intercede por muitas almas e numerosos fiéis vão rezar diante dos seus restos mortais.

Santa Filomena é considerada protetora dos aflitos e dos jovens esposos; muitas vezes, proporcionou a alegria da maternidade a mães estéreis.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 11 ago. 2023.

13 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Falar em talento, nos leva a algumas perguntas: Qual o seu Talento? O seu talento te leva a quê? Qual a aplicação que você dá ao seu talento? Você já colocou em prática os seus talentos? São perguntas que muitos com certeza vão responder de forma negativa, que não tem talento para coisa alguma, mas é um equívoco pensarmos assim, porque todos nós indistintamente possuímos algum talento e se não o encontramos ainda é porque estamos fechados para colocá-lo em prática em nossa vida. Porque o talento é a criatividade que temos para executar algo e todos nós somos criativos em algum campo de nossa vida, desta forma nos deixamos apagados muitas vezes por desconhecer quais são os nossos talentos. Percebam que às vezes temos uma angústia interior que não sabemos o motivo, esta angústia pode estar ligada ao seu talento não desenvolvido. Somos todos talentosos e temos a criatividade, a inspiração e a intuição que Deus nos deu para colocarmos em prática todos os nossos talentos e assim poder auxiliar nossos irmãos e ajudá-los a progredirem de alguma forma. Alguns têm o talento para a música, outros para a fala e assim uma infinidade de talentos guardados por nós a sete chaves, porque não valorizamos essa dádiva do Criador, que nos deu condições maravilhosas para traçar nossa transformação. Não jogue fora os talentos que recebeu, procure em você o seu talento e o coloque em prática a favor daqueles que necessitam dele. Doe seu talento para algo que realmente faça bem a você e aos que o acompanham em sua vida.”

Monsenhor André Sampaio

12 de agosto – Monsenhor André Sampaio

AQUELE QUE É OMISSO ACABA INDIRETAMENTE PRATICANDO O MAL

“Muitos acreditam que basta não praticar o mal para serem considerados bons. Um grande equívoco pensar desta maneira. A omissão em muitos casos causa tanto prejuízo quanto o mal praticado. Aquele que é omisso acaba indiretamente praticando o mal, pois deixa de fazer o bem. Sempre que formos omissos em relação àqueles que estejam à nossa volta, e, dessa omissão resultar um mal, cedo ou tarde, o remorso virá bater à nossa consciência. Não há dor maior do que o remorso. É sentimento que dói e atinge a alma profundamente, pois o remorso não modifica aquilo que já aconteceu. Todo o erro ou omissão que tivermos praticado é fato consumado. Então, cuidemos para que um dia não tenhamos que nos defrontar, com um sentimento tão triste, fazendo o melhor que pudermos, em todas as situações, pondo em prática todo o bem ao nosso alcance, seja com quem for. Desse modo estaremos livres de passarmos por este sofrimento, dando lugar somente à paz e à alegria em nossa consciência.”

Monsenhor André Sampaio

11 de agosto – Santa Clara de Assis, fundadora das Clarissas

Santa Clara, Maestro di Santa Chiara, Assis

Pobre por escolha nos rastos de Francisco

Domingo de Ramos de 1211. O silêncio da noite, nos campos de Assis, foi quebrado pelos passos rápidos de Clara, dezoito anos. Sabia estar indo contra a sua amada e rica família, mas Deus inspirou nela o desejo de uma verdadeira liberdade: ser pobre. Aquela fuga de toda segurança foi o epílogo de percurso iniciado sete anos antes, quando presenciou a um fato chocante: um jovem rico se despoja das suas roupas, as devolve ao pai e abraça a Senhora Pobreza. É Francisco! Naquela noite, ele estava na Porciúncula aguardando Clara: corta os seus cabelos, entrega-lhe um saio de lã grosseira e lhe encontra abrigo no mosteiro Beneditino de São Paulo, em Bastia Umbra. Seu pai tentou, em vão, convencê-la a voltar para casa.

“Pobres Damas”

O gesto de Clara atrai outras mulheres, entre as quais sua mãe e as irmãs: logo se tornaram cerca de cinquenta. Francisco as chamou “Pobres damas” ou “Pobres reclusas” e colocou-lhes à disposição o pequeno mosteiro de São Damião, que acabara de restaurar e onde recebera o convite “Vai e repara a minha casa”. Entre o Pobrezinho e Clara há plena comunhão: ela se define a “sua plantinha” e acompanha a missão dos Frades no mundo, mediante a sua oração incessante, junto com suas coirmãs.

A primeira mulher a escrever uma Regra

A primeira mulher a escrever uma Regra era forte e determinada; ela obteve a aprovação, por parte de Gregório IX, – sigilada, depois, com a Bula de Inocêncio IV, em 1253, – do “privilégio da pobreza” e do ardente desejo de “observar o Evangelho”.

Incansável adoradora da Eucaristia

A doença assinala seus últimos 30 anos, mas jamais viola seu alegre contrato com o Senhor na oração: “Nada é tão grande – escreve – quanto ao coração do homem, no íntimo do qual Deus reside”. A incansável adoradora da Eucaristia, com a píxide nas mãos, afugentou dos sarracenos de Assis.

Proclamada santa, dois anos depois da morte

Em uma noite de Natal, recolhida em oração, assiste, na parede da sua cela, os ritos que, naquele momento, se realizavam na Porciúncula, coração pulsante da comunidade dos Frades. Por este motivo, foi declarada, por Pio XII, padroeira da Televisão.

Santa Clara faleceu no dia 11 de agosto de 1253 no chão nu do Mosteiro de São Damião. Seus lábios sussurram a última oração de ação de graças: “Senhor, vós que me criastes, sede bendito”.

Uma incontável multidão, jamais vista, participou do seu enterro. Dois anos depois, foi proclamada Santa por Alexandre IV.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 08 ago. 2023.

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Por Mauro Nascimento