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Catolicismo de maneira inclusiva

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18 de junho – Santa Marina de Bitinia

Santa Marina, Século XV

Na verdade, a história da pequena Marina começou com a viuvez precoce do pai, que se retirou para um convento por causa da dor, condenando também sua filha a uma tristeza inconsolável. Porém, o desapego não resistiu à força do afeto. Eugênio confessou seu sofrimento ao abade, pedindo-lhe para viver no mosteiro com seu “filho”. O superior, comovido, aceitou.

Frei Marino

Com o passar do tempo, durante a longa viagem, Marina foi preparada pelo pai sobre os usos e costumes da vida religiosa e entrou para o Cenóbio. Ao entrar para o convento, como jovem imberbe e com feições femininas, – que alguns frades pensam ser um eunuco, – ela se tornou “Frei Marino”.

A vida com que “Marino” vivia a sua nova vida era tão perfeita – com a cumplicidade do ambiente solitário, que mantinha o sigilo – que o estratagema passou despercebido. A barba, que não crescia nas bochechas de Marino, era explicada pela intensa vida ascética, mas isso não importava. Aquele jovem era um verdadeiro exemplo no mosteiro e, seu pai, novamente um homem feliz! Uma alegria que durou três anos, quando Eugênio faleceu.

Infâmia e redenção

Certo dia, Frei Marino foi enviado, com outros confrades, para resolver um negócio e tiveram que dormir em uma pousada. Naquela mesma noite, a filha do dono foi estuprada por um soldado de passagem. Quando descobriu que estava grávida, a moça acusou os frades, em particular, Marino, que poderia ter-se defendido. Mas, ao elevar seu pensamento a Cristo, aceitou a culpa, da qual era alheio. Assim, o monge exemplar acabou caindo no ciclone da injúria. Por isso, foi castigado e expulso do mosteiro, sendo obrigado a cuidar do recém-nascido.

Marino passou três anos críticos, mas não se distanciou do cenóbio. Vive de esmola e se dedica ao nenê com todo o carinho. Seus confrades de então ficaram impressionados pela sua atitude e pediram ao abade a sua readmissão. Frei Marino foi novamente aceito, com a condição de servir aos frades e se dedicar aos trabalhos mais servis. O jovem não pensou duas vezes. Então, retomou seu saio, mais zeloso do que antes, continuando a cuidar do seu filho adotivo.

Miraculado

O desgaste físico, pelo qual passou ainda passava, exigiu um preço. Certa vez, seus confrades o encontraram morto em sua cela. Marino tinha apenas 25 anos, mas sua história podia preencher duas vidas.

A última viravolta ocorreu quando os frades, ao recomporem seu corpo no caixão, descobriram a sua verdadeira identidade e compreenderam, com grande pesar, a infâmia que aquele humilde monge, – que era uma moça – suportou em silêncio.

Narra-se que a jovem, que o havia caluniado, estava possuída pelo demônio. No entanto, correu e se prostrou diante do seu leito de morte, implorando o perdão de Marino. Naquele momento, ela ficou imediatamente curada.

Já se falava de seus prodígios em vida. Mas, depois da sua morte, os sinais extraordinários, atribuídos a Marina de Bitínia, multiplicaram-se.

Seus restos mortais encontram-se em Veneza, desde 1200. Ali a Santa é venerada como um dos Padroeiros.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 14 jun. 2023.

18 de junho – Monsenhor André Sampaio

FALHAS, QUEM É QUE NÃO TEM? 

“Se somente eu lutar por um mundo melhor, um dia eu me cansarei e, certamente, desanimarei diante das dificuldades. Eu sou um ser humano e tenho também meu limite, por mais que Deus em mim habite… Mas, se eu tiver o teu ombro amigo e você caminhar comigo, com a fé que abre portas e a tua palavra de encorajamento nem por um momento ficarei desanimado. Eu irei, sim, além do meu limite e chegarei ao castelo de sonhos que em algum lugar sei que existe… Eu preciso muito de você e, certamente, você precisa também de mim. Vamos unir nossas forças para nos tornarmos fortes. Com o amor sendo um suporte venceremos muitas barreiras e até mesmo a morte… Não importa o teu passado, limitações que tenhas e nem sua crença também, mas tua fé e teu amor… Falhas, quem é que não tem? Eu somente espero que você seja sincero, respeite minhas emoções, ajude nos meus erros, mas aponte também as soluções… Vamos construir um mundo onde haja mais justiça, fraternidade, paz entre as pessoas e muita solidariedade. Isso não é uma fantasia e nem falo com precipitação. Se cada um fizer um pouco, em breve seremos um mundo onde haverá mais testemunhos do amor de Deus!”

Monsenhor André Sampaio

17 de junho – Santos Blasto e Diógenes, mártires, na Via Salária Antiga

Blasto e Diógenes são dois santos mártires da antiguidade, cujos restos mortais descansam na Basílica romana de Santa Praxedes. Venerados desde a Idade Média, sabe-se que Brás era um tribuno, condenado por ser cristão, em 269; o martírio de Diógenes está descrito na epígrafe do presbítero Marea.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 14 jun. 2023.

17 de junho – Monsenhor André Sampaio

“A caridade é uma virtude, deixada por Jesus para ser praticada por todos nós, mas na maioria das vezes nos perdemos e não sabemos praticá-la da forma que Jesus espera. Temos que compreender que a caridade deve ser praticada sem interesses, devemos doar ao outro sem esperar nada em troca, nem mesmo o reconhecimento ou agradecimento. Desta maneira, quando formos ajudar alguém, procure ajudar sem esperar o retorno. Apenas ajude! Lembramos que a Caridade praticada sem interesses eleva nossa alma e deixa em nossos corações somente o amor. A melhor forma de começarmos a prática da caridade é em nosso lar, através da compreensão, paciência e muito Amor. Porque o nosso Lar é a melhor escola para aprendermos a virtude da caridade, comece a praticar a caridade em seu lar, dialogando com seus familiares, compreendendo suas atitudes e principalmente, aceitando seu familiar do jeito que ele é e não como você gostaria que ele fosse. Desta forma a harmonia em seu lar estará estabelecida, e você estará colocando em prática a virtude da caridade.”

Monsenhor André Sampaio

Projeto de lei que criminaliza a “discriminação” de políticos: entre a intenção de proteger e a censura disfarçada

O recente processo de aprovação do Projeto de Lei nº 2720/2023 na Câmara dos Deputados revela uma preocupante pressa e “falta de reflexão” por parte das autoridades responsáveis. Com um placar de votação de 252 a favor e 163 contra, o projeto que visa tipificar a discriminação contra políticos e autoridades públicas foi aprovado em regime de urgência, sem uma análise aprofundada de seus méritos e consequências.

O cerne do projeto reside na imposição de punições para aqueles que discriminarem políticos e autoridades públicas. Embora a intenção de proteger essas figuras do escárnio e do preconceito possa parecer válida em um primeiro momento, é necessário questionar se a abordagem adotada é proporcional e justa.

O texto do projeto estabelece penas que variam de dois a quatro anos de prisão, além de multas, para aqueles que se envolverem em atos discriminatórios contra políticos. No entanto, o projeto não especifica claramente o que constitui uma manifestação pública nas redes sociais ou se assegura a liberdade de expressão dos cidadãos, seja de forma pública ou anônima.

Além disso, o projeto apresenta uma definição ampla do que é considerado discriminação, abarcando desde acusações não julgadas em casos de justiça até a negação de emprego ou a abertura de uma conta bancária com base em associação política. Essa amplitude pode gerar interpretações subjetivas e arbitrárias, colocando em risco a liberdade individual e a possibilidade legítima de crítica e fiscalização dos representantes públicos.

Outro ponto de preocupação é a inclusão de familiares e colaboradores ligados aos políticos no escopo do projeto de lei. Embora seja importante proteger as pessoas próximas de possíveis atos discriminatórios, essa abrangência pode abrir margem para abusos e intimidações, dificultando ainda mais o diálogo e a transparência no cenário político.

Ademais, a aplicação da lei também se estenderia a políticos que são réus em processos sem trânsito em julgado. Embora a intenção possa ser evitar pré-julgamentos e garantir a presunção de inocência, é necessário ponderar se essa medida não limitaria a capacidade da sociedade de questionar e demandar responsabilidades daqueles que ocupam cargos públicos.

Diante dessas considerações, é imprescindível que o projeto de lei em questão seja amplamente debatido. É fundamental que a legislação seja construída com base em princípios de equidade, liberdade de expressão e responsabilidade, garantindo a proteção dos direitos dos cidadãos sem cercear seu direito legítimo de questionar, criticar e se manifestar em relação aos políticos e autoridades públicas.

Em uma democracia saudável, a confiança e a accountability são construídas por meio do diálogo aberto, da transparência e da responsabilização mútua. Restringir a liberdade de expressão e criminalizar a crítica, mesmo que direcionada a políticos, pode ter consequências graves para a sociedade como um todo. Portanto, é necessário encontrar um equilíbrio que proteja os direitos de todos os envolvidos, sem comprometer os pilares fundamentais da democracia.

Mauro Nascimento

Referências:

Câmara aprova punição a quem se recusar a abrir conta ou conceder crédito a pessoa politicamente exposta. Acesso em: 16 jun. 2023.

Projeto que torna crime discriminar políticos inclui 99 mil pessoas e beneficia parentes. Acesso em: 16 jun. 2023.

Câmara aprova projeto que torna crime “discriminação” contra políticos. Acesso em: 16 jun. 2023.

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Por Mauro Nascimento