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Catolicismo de maneira inclusiva

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Dupla moral: reflexões sobre a traição de Neymar

Tradições antigas, arraigadas em normas sociais, podem muitas vezes nos deixar perplexos diante de situações complexas. A traição em relacionamentos amorosos é uma dessas questões delicadas e polêmicas que suscitam reflexões profundas sobre moralidade, equidade e compreensão humana.

A traição do jogador Neymar despertou reações controversas nas redes sociais. Surpreendentemente, alguns comentários de apoio emergiram, clamando pelo poder do amor e pelo perdão de Bruna Biancardi. Essas vozes, movidas por uma suposta vitória do amor, parecem esquecer o momento doloroso em que Bruna estava em casa, enquanto Neymar compartilhava sua intimidade com outra pessoa.

Essa aparente contradição levanta questionamentos sobre a concepção de “vitória do amor”. Será que o amor só prevalece quando uma das partes está ferida? Será que a traição é perdoada somente quando uma pessoa negligencia o amor e busca prazer em terceiros? Essa lógica parece irracional e distante da verdadeira essência do amor.

A equidade de gênero também é um ponto crucial a ser analisado. Se Bruna tivesse sido infiel, provavelmente enfrentaria uma enxurrada de críticas e julgamentos implacáveis. Essa disparidade na forma como a sociedade encara a traição evidencia uma dupla moral que ainda permeia muitos aspectos da nossa cultura.

Pedir desculpas é um gesto nobre, sem dúvida. No entanto, é importante considerar que a prevenção é sempre mais valiosa do que a reparação. Agir de maneira consciente, com empatia e respeito pelos sentimentos do outro, é um caminho que evita a dor, a mágoa e a quebra de confiança.

A verdadeira vitória do amor reside na construção de relacionamentos sólidos, baseados em fidelidade, honestidade e comunicação aberta. Devemos encarar nossas escolhas com responsabilidade, pois cada ação tem o poder de afetar profundamente a vida daqueles que amamos.

No entanto, é importante lembrar que todos somos seres humanos, suscetíveis a erros e falhas. Nesse contexto, é necessário cultivar a capacidade de perdoar e reconstruir, desde que haja arrependimento genuíno e esforço para mudar comportamentos inadequados.

Em última análise, a verdadeira “vitória do amor” não está em justificar ou romantizar a traição, mas sim em promover relações saudáveis, baseadas em confiança mútua, respeito e compromisso. É necessário questionar as normas sociais estabelecidas e buscar uma compreensão mais profunda dos desafios que envolvem os relacionamentos humanos, a fim de construir um mundo onde o amor verdadeiro possa florescer e superar as adversidades.

Mauro Nascimento 

22 de junho – São Tomás Moro, mártir inglês

São Tomás Moro, século XVII

Tomás tinha uma grande fama de homem íntegro e jovial, um Juiz justo, culto e estimado pelos humanistas europeus, tanto que Erasmo de Roterdã, lhe dedicou sua obra “Elogio da Loucura”; era muito amado pelo povo, pela sua caridade; conhecido pelo seu senso de humorismo e sua fina inteligência, como transparecem em suas obras e em sua vida. Porém, ele era, acima de tudo, um homem de grande fé.

Filho de advogado, nasceu em Londres em 1478. Em sua vida privada, frequentava os franciscanos, em Greenwich, e, por um período, na Cartuxa de Londres. A seguir, casou-se com Jane Colt, da qual teve quatro filhos. Ao ficar viúvo, casou-se novamente, esta vez com Alice Middleton. Como esposo e pai, dedicou-se à educação intelectual e religiosa de seus filhos, em sua casa, sempre aberta a amigos.

Um astro em ascensão

Em sua vida pública, Tomás trabalhou como membro do Parlamento e assumiu diversos cargos diplomáticos. Em 1516, escreveu sua obra mais famosa “Utopia”. Tornou-se, novamente, Juiz e presidente da Câmara Comunal. Como conselheiro e secretário do rei, comprometeu-se com a Reforma Protestante. Contribuiu para a elaboração da obra “A defesa dos sete Sacramentos”, que valeu a Henrique VIII o título de “Fidei defensor”. Uma ascensão irrefreável até chegar ao ápice: foi o primeiro leigo a ser nomeado Grão-Chanceler. Transcorria o ano 1529.

Alguns anos depois, em 1532, sua vida teve uma mudança determinante: Tomás pediu demissão. Assim, para a sua família, abriram-se as portas de uma vida de pobreza e abandono.

“Morro como servo fiel do rei, mas, primeiro, como servo de Deus”

Sua história entrelaçou-se com a vida do rei Henrique VIII: decidido de se casar com Ana Bolena, o soberano pediu ao Arcebispo anglicano de Cantuária, Tomás Cranmer, para declarar nulo e sem efeito seu casamento com Catarina de Aragão; em uma escalada de oposição, chegou até a pedir também para que o Papa Clemente VII aceitasse sua liderança como chefe da Igreja na Inglaterra.

Em 1534, o Ato de Supremacia e o Ato de Sucessão marcaram o momento decisivo. Tomás já havia se retirado do mundo político. Logo, não podia aprovar a decisão do rei e, acima de tudo, não queria abjurar à lealdade ao Papa.

Em 1534, Tomás foi preso na Torre de Londres, mas não foi suficiente para se retratar. A “conduta” do silêncio, que havia adotado, não foi suficiente para se salvar. Então, enfrentou um processo, durante o qual pronunciou sua famosa apologia sobre a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pelo patrimônio jurídico, inspirado nos valores cristãos, a liberdade da Igreja em relação ao Estado. Por isso, Tomás Morus foi condenado por alta traição e decapitado em 6 de julho. Após alguns dias, João Fisher, de quem era um grande amigo, também foi condenado pelas mesmas ideias. Desta forma, estes dois Santos são recordados, juntos, pela liturgia da Igreja, no mesmo dia, 22 de junho.

Tomás Morus foi um homem apaixonado pela Verdade, “admirado pela sua “integridade”, – afirmou Bento XVI, em seu discurso no Westminster Hall – com a qual teve a coragem de seguir a sua consciência, mesmo à custa de desagradar ao soberano, de quem também era “bom servidor”, de escolher servir primeiro a Deus”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 jun. 2023.

22 de junho – Monsenhor André Sampaio

ACREDITEMOS EM NOSSOS IDEAIS, MAS TRABALHEMOS PARA TORNÁ-LOS REALIDADE

“Não se sinta jamais um derrotado pela vida. Se as coisas não deram certo até agora é por um desses motivos: você não está seguindo o caminho certo ou ainda não chegou a sua hora. Procure acreditar nos seus sonhos. Não desanime diante dos obstáculos. Eles estão no caminho para serem vencidos e você é capaz. Acredite e confie. Deus está junto de cada um de nós. Ele dá as mesmas oportunidades a todos, para que cresçam e evoluam. Agora o que se faz com as oportunidades é responsabilidade de cada um. Alguns saberão aproveitá-las da melhor maneira possível. Outros deixarão que as oportunidades passem uma a uma, por orgulho, vaidade, até mesmo por preguiça. Acreditemos em nossos ideais, mas trabalhemos para torná-los realidade. Quando nos propomos a trabalhar para o bem, Deus estará sempre conosco, nos guiando, nos fortalecendo, nos encorajando, nos animando para atingirmos a vitória de nossos ideais.”

Monsenhor André Sampaio

21 de junho – Monsenhor André Sampaio

A NEGAÇÃO DE UM SENTIMENTO PODE GERAR DOENÇAS FÍSICAS E ESPIRITUAIS 

“O ser humano experimenta um turbilhão de sentimentos durante a sua existência. Esses sentimentos mudam o tempo todo durante a caminhada. Sentimos medo, insegurança, raiva, mágoa, sentimos também Amor, desejo, bondade, alegria e muitos outros sentimentos. De acordo com o momento da nossa vida estamos vivenciando um sentimento. O importante é sabermos acolher o que estamos sentindo, é escutar esse sentimento, é aceitar, é reconhecer que muitas vezes não estamos sentindo os melhores sentimentos, mas não podemos esconder essa sensação no fundo da nossa alma, pois a negação de um sentimento pode gerar doenças físicas e espirituais e, infelizmente isso acontece muito conosco. Vamos acolher os nossos sentimentos e entender o que se passa no nosso íntimo. Que possamos sempre cultivar: Amor, caridade, benevolência para conosco e para com o próximo. ESCUTAR, ENTENDER, ACEITAR, ACOLHER, TRABALHAR e TRANSFORMAR são ações que aliadas ao AMOR nos ajudam em nossa via de aperfeiçoamento e santificação. Você é o autor da sua história chamada vida.”

Monsenhor André Sampaio

21 de junho – São Luiz Gonzaga, jesuíta, padroeiro da juventude católica

São Luiz Gonzaga, jesuíta, padroeiro da juventude católica

“Confesso-lhe, ilustríssima senhora, que, ao meditar na bondade divina, minha mente se perdeu neste mar sem fim e sem confins. Não consigo entender como o Senhor se dignou a olhar para a minha pequena e breve lida, recompensando-me com o descanso eterno, convidando-me do céu para esta felicidade que, até agora, pedi com negligência; como ofereceu a mim, que derramei pouquíssimas lágrimas por Ele, aquele tesouro que coroa grandes lutas e prantos!” (última carta à sua mãe, em 10 de junho de 1591).

Luiz nasceu na província de Mântua, de onde era proveniente a sua linhagem. Como acontece com todo primogênito, de linhagem nobre, a sua vida já estava predefinida. Era o que pensava, pelo menos seu pai, o marquês Ferrante, ao criá-lo entre os arcabuzes e armaduras, enquanto a mãe o educava com testemunhos de fé e orações.

“A conversão para o mundo de Deus”

Assim Luiz descreveu a sua vocação, que amadureceu muito cedo. Na verdade, aos 5 anos brincava de fazer guerra; aos 7, ajoelhava-se, várias vezes por dia, para recitar os salmos penitenciais; aos 10, consagrou-se definitivamente a Maria, como ela se havia consagrado a Deus; finalmente, aos 12 anos, recebeu a Primeira Comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, em visita pastoral à sua cidade.

Muito cedo, confidenciou com a mãe sobre suas intenções, mas seu pai se opôs, com toda a sua força, contra a sua escolha. Até seus parentes gozavam dele, mas ele se defendia, dizendo: “Busco a salvação! Busquem-na vocês também!”.

Seu pai o enviou às cortes italianas esperando desviar o filho das suas intenções e, quem sabe, até se apaixonar por alguém. Mas, o resultado era, cada vez mais, sua firme decisão de entrar para a Companhia de Jesus. Assim, em 1585, o jovem assinou a renúncia aos títulos e herança em benefício do seu irmão mais novo, Rodolfo, e partiu para Roma, com apenas 17 anos de idade.

Uma verdadeira joia espiritual

Entre os Jesuítas, Luiz destacou-se por seu fervor na fé e seu costume de fazer penitência e ser equilibrado. Seus superiores perceberam logo que tinham em mãos uma verdadeira joia espiritual.

Após a sua morte, o Superior Geral, sucessor de Santo Inácio de Loyola, afirmou que pensava que Luiz teria se salvado da sua doença, ciente de que o Senhor o queria como um futuro guia da Companhia de Jesus. Na realidade, passou somente poucos anos na Comunidade dos Jesuítas, onde estudou teologia, mas não teve tempo de fazer seus votos.

“Como os outros”

Durante a sua permanência em Roma, aconteceram várias tragédias, uma depois da outra: seca, escassez e até epidemias. Fiel ao lema da Ordem “Como os outros”, ou seja, esquecer as próprias origens nobres, bem como os privilégios derivados do seu estado de saúde, Luiz saía ao encontro dos “pesteados” para curá-los e socorrê-los, junto com São Camilo de Lellis.

Certo dia, viu um doente abandonado na rua, à beira da morte: colocou-o nas costas e o levou ao hospital da Consolata. Assim, provavelmente, ficou contagiado. Poucos dias depois, faleceu nos braços dos seus coirmãos, com apenas 23 anos.

Luiz Gonzaga foi canonizado, em 1726, por Bento XIII, que, após três anos, o nomeou protetor dos estudantes; Pio XI o proclamou, em 1926, Padroeiro da Juventude católica; João Paulo II o nomeou, em 1991, Padroeiro dos pacientes de AIDS.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 20 jun. 2023.

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Por Mauro Nascimento