Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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08 de julho – Santos Áquila e Prisca (ou Priscila), discípulos de São Paulo

Santos Áquila e Prisca (© BAV Vat. gr. 1613, f. 396)

Áquila e Priscila tinham uma vida unida, sempre em movimento, com o olhar fixo em Cristo. Seu dinamismo em dar testemunho de fé chamou a atenção de Paulo de Tarso, do qual se tornaram amigos íntimos. Os poucos dados sobre a vida deste casal podemos encontrar nas Cartas do Apóstolo dos Gentios e nos Atos, quando Paulo elogia seus amigos.

Áquila era um judeu, nascido em Ponto, atual Turquia; ao imigrar para Roma, apaixonou-se e casou-se com uma jovem romana chamada Priscila. Juntos, iniciam uma fábrica de tendas e, juntos, convertem-se ao cristianismo. Mas, não puderam permanecer por muito tempo na Cidade Eterna, por causa do edito, promulgado pelo Imperador Cláudio, no ano 49, que previa a expulsão de todos os judeus acusados de fomentar tumultos.

Amizade com Paulo

Áquila e Priscila transferiram-se para Corinto, uma cidade cosmopolita, onde prosperava o culto a Afrodite. Ali, encontraram Paulo, que o hospedaram em sua casa, o envolveram em seu trabalho, para que pudesse providenciar o necessário para a sua subsistência.

Naquela cidade, capital da Acaia, o apóstolo escolheu, como local de culto e pregação, a casa do prosélito, Tício Justo, próxima àquela dos cônjuges. A amizade deles, arraigada em Jesus, nunca se interrompeu, nem quando Paulo decidiu voltar para a Síria. Os dois esposos acompanham-no, em parte da viagem, e se estabeleceram em Éfeso.

Risco de vida

Na cidade jônica da Anatólia, centro de intercâmbios culturais, religiosos e comerciais, os três encontraram-se novamente. Ali, Paulo morou por mais de dois anos e fundou uma Igreja. Áquila e Priscila, sem deixar suas atividades comerciais, ajudaram-no na formação de novos convertidos; de modo especial, acompanharam a iniciação cristã de Apolo, um judeu de Alexandria, profundo conhecedor das Escrituras; ele ficou fascinado pela catequese deles, que se tonou crível pelo testemunho reciprocidade e oblação conjugal.

A grande casa em Éfeso, adquirida pelos cônjuges, tornou-se logo ponto de referência para a comunidade recém-nascida, que ali se encontrava para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia. Ali, o Apóstolo se hospedou, recordando sempre, com gratidão, a calorosa acolhida dos dois amigos, que, para o salvar – escreve na Carta aos Romanos – “arriscaram a sua vida”.

Testemunhas do amor conjugal, arraigado no Evangelho

Ao cessar o edito imperial, concernente à expulsão dos judeus, Áquila e Priscila retornaram a Roma, sempre propensos ao zelo missionário e ao testemunho do Ressuscitado.

Nada se sabe sobre a morte dos dois esposos. Há quem identifica Priscila com Prisca, a primeira mulher mártir, decapitada e venerada na igreja homônima do bairro romano do Aventino. Outros, com a Priscila, proprietária das catacumbas na Via Salária. A estas duas era ligada a gens Acilia, que alguns estudiosos intitulam o nome de Áquila.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 06 jul. 2023.

07 de julho – Festa de todos os pontífices

Esta festa celebra, em uma única data, a memória de todos aqueles, entre os 266 Pontífices Romanos, venerados como Santos e Beatos: 82 Santos e 9 Beatos (até hoje, 2021). Com esta festa, que se realiza na Basílica de São Pedro, queremos recordar a missão de Pedro, que todos os seus sucessores continuam. Alguns deram testemunho, de modo heroico, do mandato de confirmar os irmãos, merecendo ser inscritos no álbum dos Santos e propostos para a veneração do povo cristão.

Evangelho: Lucas 22, 28-32

«Naquele tempo, Jesus disse aos seus apóstolos: “Vós tendes permanecido comigo nas minhas provações; eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor, para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel. Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu rezei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos”.

“Simão, eu rezei por ti”

Pode parecer estranho, mas, geralmente, quando queremos apresentar os “grandes” personagens da história, procuramos colocar em evidência os seus grandes feitos, procurando, no máximo possível, deixar seus pontos fracos na penumbra.

O Evangelho escolhido para esta festa mostra-nos, porém, um Jesus que quer advertir Pedro e lhe prometer a sua ajuda: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu rezei por ti, para que a tua confiança não desfaleça”.

Estas palavras demonstram a garantia que deu a Simão: uma oração especial de Jesus para que a sua fé não desfaleça, sinal de que, sem Jesus, até a fé de Pedro pode enfraquecer. O ministério de Pedro não se realiza pelas suas qualidades e tampouco pela pretensão humana de fidelidade, que, pontualmente, esmoreceu, mas pela graça, que também triunfa nas suas fragilidades. A experiência do seu descrédito fez com que Pedro aprendesse que não podia depositar sua confiança apenas em suas forças pessoais e em qualquer fator humano, mas, sobretudo, em Cristo. Há ainda um segundo aspecto que emerge das palavras de Jesus, o anúncio da missão que lhe foi confiada: “E tu, por tua vez, confirma os teus irmãos”.

Caminho de conversão de Pedro

Ao relermos os Evangelhos, descobrimos o perfil de Pedro e como seu caminho de conversão foi longo e penoso. Depois de aderir, prontamente, ao chamado de Jesus (Mt 4,18-22), Pedro se defrontou com tantas resistências. Em Cesareia de Filipe, Pedro não quis aceitar que Jesus tomasse o caminho para Jerusalém, onde seria morto, pois esperava um Messias poderoso e vitorioso (Mc 8,31ss); no Cenáculo, não quis aceitar que Jesus lhe lavasse os pés (Jo 13,8ss); no Jardim das Oliveiras, desembainhou a espada (Jo 18,10); no pátio, renegou o Mestre por três vezes (Mc 14,66ss). Enfim, Pedro alimentava grandes desejos e esperança em Jesus; no entanto, continuava a manter, em si, a imagem que tinha sobre o Messias: o fato de renunciar às próprias expectativas, para acolher, plenamente, o verdadeiro Messias esperado pelo povo, não foi fácil para ele. Requeria tempo, confiança, humildade, conversão. Esta experiência levou Pedro a aprender a “confirmar seus irmãos”, sem julgar, mas com misericórdia, como Jesus a cultivou nele.

O ministério do Papa

Eis porque o Pedro de então e o Pedro de hoje – o Papa – precisam da oração de Jesus e pedem para ser sustentados pela oração do povo, pois, graças à oração, que os Papas Romanos puderam e continuam a cumprir o ministério que lhes foi confiado pelo Senhor Jesus, o maravilhoso Pastor do rebanho. E a promessa de oração, por parte de Jesus, demonstra a missão particular que Pedro recebeu na Igreja e para a Igreja.

A nossa oração, hoje

Neste dia, na Basílica de São Pedro, o povo de Deus entoa cânticos de louvor ao Senhor pelos Papas, que ele suscitou na Igreja e pela Igreja; e, ainda mais, por aqueles que deram testemunho do seu ministério, de modo exemplar e heroico, a ponto de serem venerados como Santos e Beatos. Por isso, eles devem ser os primeiros amigos, modelos e intercessores, sobretudo, aos que, hoje, são chamados a cumprir o ministério de Pedro.

Felizes e sustentados por esta multidão de santos Papas romanos, também nós somos estimulados a rezar pelo nosso Papa, para que, com a oração de Jesus e a nossa oração, ele possa cumprir o ministério que lhe foi confiado por Cristo e continuar a “confirmar seus irmãos”.

Assim, as palavras com as quais o Papa Francisco costuma concluir seus pronunciamentos adquirem mais valor: “Por favor, não se esqueçam de rezar por mim”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 05 jul. 2023.

07 de julho – Monsenhor André Sampaio

FELIZ É AQUELE QUE CONSEGUE SER HUMILDE CONSIGO PRÓPRIO 

“Quantas vezes nos deparamos em situações onde a nossa arrogância fala mais alto e a vaidade e o orgulho pautam a nossa caminhada, tudo isso porque ainda não sabemos ser humildes de coração, temos sempre uma resposta a dar a qualquer questionamento que nos tire da nossa zona de conforto, onde a vida é como queremos que seja, mas nos enganamos pensando assim, ainda somos pequenos diante da grandiosidade da vida e de todos os seus acontecimentos. De nada vale termos a convicção de sermos os melhores se não temos humildade. Quando se fala em humildade muitos de nós pensamos no pobrezinho sem nada material, e ainda falamos : ‘ele é muito humilde’, erramos pensando assim, porque uma pessoa pode não ter nada de material e não ser humilde, a humildade está no coração, nos sentimentos e não na matéria, por isso a importância de estarmos sempre atentos aos nossos sentimentos e principalmente como estamos nos apresentando para aqueles que encontramos pelo caminho. Feliz é aquele que consegue ser humilde consigo próprio, porque este se despiu de sentimentos menores que atrasam a caminhada rumo a santidade, não perde tempo nem energias desgastando os seus sentimentos. Todos nós temos capacidade de promover em nós a humildade, só depende de nós.”

Monsenhor André Sampaio

06 de julho – Monsenhor André Sampaio

“A inteligência sem amor te faz perverso.

A justiça sem amor te faz implacável.

A diplomacia sem amor te faz hipócrita.

O êxito sem amor te faz arrogante.

A riqueza sem amor te faz avarento.

A docilidade sem amor te faz servil.

A pobreza sem amor te faz orgulhoso.

A beleza sem amor te faz ridículo.

A autoridade sem amor te faz tirano.

O trabalho sem amor te faz escravo.

A política sem amor te deixa egoísta.

A simplicidade sem amor te deprecia.

A fé sem amor te deixa fanático.

A cruz sem amor se converte em tortura.

A vida sem amor não tem sentido.”

Monsenhor André Sampaio

06 de julho – Santa Maria Goretti, virgem e mártir

Santa Maria Goretti, Riccardo Sanna

“Um anjo de filha”

Quem a conhecia, em Ferriere de Conca, uma fração da província de Latina, a chamava de Mariazinha, secundogênita de Luís Goretti e Assunta Carlini, camponeses que emigraram, com seis filhos, para a lavoura na região da Pontina, provenientes de Corinaldo, na província de Ancona. Ele nasceu naquela cidadezinha das Marcas em 16 de outubro de 1890.

Testemunha da fé também nas dificuldades

Afabilidade, generosidade e pureza de coração eram as características da índole da pequena Maria; a menina sempre se dedicava aos trabalhos domésticos e aos cuidados dos irmãos menores, enquanto os pais exerciam, sem cessar, o massacrante trabalho na lavoura.

Sua fé e assiduidade na oração, especialmente o Rosário, jamais faltaram em sua vida, nem quando, com a idade de dez anos, sofreu pela perda de seu amado pai, acometido pela malária. Contudo, os sofrimentos não influenciaram no ânimo de Mariazinha; pelo contrário, a partir daquele momento, sentiu o dever de consolar a mãe, que ficara sozinha para cuidar da família.

O desejo da Santa Comunhão

As condições econômicas precárias levaram a família Goretti a associar-se, por necessidade, à família Serenelli, que morava na mesma granja, que também trabalhava no campo agrícola de propriedade do conte Mazzoleni.

Enquanto o pai e o filho da família Serenelli trabalhavam na lavoura e Assunta cuidava dos filhos, Maria se ocupava de vender ovos, na distante cidade de Netuno, preparar a comida para os camponeses e remendar as roupas. As intensas atividades da menina jamais diminuíram seu desejo de rezar: apesar de ser analfabeta, em 1902, com apenas onze anos, pediu e obteve a permissão de receber o sacramento da Comunhão, um ano antes do previsto. Estava disposta a renunciar a horas de sono para poder participar da Missa dominical em Campomorto, situado a vários quilômetros da sua casa.

A cruz e o silêncio

A perturbar a paz espiritual, que Mariazinha sempre havia nutrido em seu coração, foi o momento em que, tendo-se desenvolvido fisicamente, ela se tornou objeto de morbosas atenções de Alexandre Serenelli, dezoito anos, até então considerado como um irmão. O jovem procurou, com insistência, seduzir Maria, que sempre o rejeitou, convidando-o a não ofender a Deus; ele a ameaçava de morte se ela falasse à família sobre as suas insinuações. O silêncio foi-lhe uma pesada cruz para carregar. Mas, a menina, evitando agravar as relações, já tensas, entre as duas famílias, encontrou conforto em suas confidências à Virgem.

O martírio e a canonização

No dia 5 de julho de 1902, enquanto as famílias Serenelli e Goretti trabalhavam na lavoura e Maria se encontrava sozinha em casa, Alessandro a agrediu e tentou violentá-la: “Não! Deus não quer. Você vai para o inferno!”. Assim a menina o advertia, para manter a sua pureza. Então, obcecado pela raiva, o jovem começou a feri-la à morte com diversos golpes de arma pontiaguda. No dia seguinte, antes de expirar, a pequena perdoou o algoz, confiando à mãe seu íntimo desejo de que ele pudesse se encontrar com ela no Paraíso.

Condenado à prisão, o rapaz se converteu, em 1910 e, depois de cumprir a pena, em 1928, pediu perdão a Assunta Goretti, com quem se aproximou da Comunhão.

Por desejo de Pio XII, no dia 24 de junho de 1940, Mariazinha foi beatificada. Em 1950, por ocasião da sua canonização, entre uma imensa multidão, estavam presentes o rapaz e a mãe enferma.

Os restos mortais da virgem e mártir descansam no Santuário de Nossa Senhora das Graças, meta de numerosas peregrinações.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 05 jul. 2023.

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Por Mauro Nascimento