Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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12 de julho – Monsenhor André Sampaio

DIFICULDADE NÃO É SINÔNIMO DE DERROTA

“As dificuldades são inerentes à todos nós, sejam elas materiais ou emocionais. Todas as dificuldades que enfrentamos temos condições de superar, se assim não fosse não estaríamos passando por ela. É difícil entender porque temos tantos atalhos a enfrentar, mas quando nos voltamos ao Alto sinceramente entendemos que há um propósito muito maior reservado para nós. Se algo que queremos muito não acontece, devemos entender que nem tudo que queremos é o melhor para nós. O importante é tirarmos das dificuldades sempre o melhor, porque crescemos e amadurecemos, são experiências valiosas para nossa caminhada. Dificuldades não são sinônimo de derrota, mas sim de superação porque exige de nós força, coragem e principalmente sabedoria.”

Monsenhor André Sampaio

12 de julho – São João Gualberto, abade, fundador dos Valombrosanos

São João Gualberto, afresco de Neri di Bicci, Igreja da Santa Trindade, Florença

João Gualberto foi um monge em São Miniato, mas, por ter acusado o Abade de simonia, deixou o mosteiro. Em 1038, junto com outros ex-monges, fundou o mosteiro de Vallombrosa. Malgrado, aceitou o cargo de Abade e moldou a comunidade segundo o espírito de pobreza, trabalho e exemplo dos apóstolos.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 11 jul. 2023.

O valor dos professores: desconstruindo discursos sensacionalistas e promovendo o respeito

“Não tem diferença de um professor doutrinador para um traficante que tenta sequestrar e levar os nossos filhos para o mundo do crime. Talvez até o professor doutrinador seja ainda pior, porque ele vai causar discórdia dentro da sua casa, enxergando a opressão em todo o tipo de relação. Fala que o pai oprime a mãe, a mãe oprime o filho e aquela instituição chamada família tem que ser destruída” (Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, 09/07/2023).

O discurso do deputado federal Eduardo Bolsonaro, em que compara um professor a um traficante, levanta questões importantes e requer uma reflexão cuidadosa. É fundamental evitar generalizações simplistas e comparações extremas que distorcem a realidade.

Primeiramente, é importante reconhecer que a função de um professor vai muito além de transmitir conhecimentos. Os professores desempenham um papel crucial na formação de cidadãos conscientes, promovendo valores como respeito, diversidade e pensamento crítico. No entanto, atribuir aos (as) professores (as) a intenção de doutrinar ou corromper a mente dos alunos é injusto e infundado.

Comparar um professor a um traficante, que sequestra e leva os filhos para o mundo do crime, é uma analogia extremamente exagerada. Traficantes são criminosos que causam danos significativos à sociedade, enquanto professores são profissionais que dedicam suas vidas à educação e ao desenvolvimento dos alunos. Fazer tal comparação não apenas difama os professores, mas também desvaloriza sua importância e contribuição para a sociedade.

Além disso, é importante lembrar que ideologias existem em todas as esferas políticas, e não apenas em um espectro específico. Todos nós, como seres humanos, possuímos nossas crenças, valores e convicções. No entanto, é fundamental distinguir entre a apresentação de diferentes perspectivas e a doutrinação. Um professor comprometido com o ensino equilibrado e imparcial deve fornecer aos alunos uma visão ampla e pluralista, incentivando-os a pensar criticamente e formar suas próprias opiniões.

Em uma sociedade democrática, é essencial promover um diálogo aberto e respeitoso, onde diferentes ideias possam ser debatidas e contestadas. Rotular indiscriminadamente professores como doutrinadores é um obstáculo para o progresso educacional e para a construção de uma sociedade inclusiva.

Portanto, é crucial evitar generalizações simplistas e descontextualizadas. Devemos incentivar o debate saudável e a busca pelo conhecimento, valorizando o papel dos professores como facilitadores do aprendizado, que contribuem para o desenvolvimento intelectual e moral dos alunos. Somente assim poderemos promover uma educação de qualidade e uma sociedade mais justa e plural.

Mauro Nascimento 

11 de julho – São Bento Abade, padroeiro da Europa

São Bento, Perugino (© Musei Vaticani)

Espírito beneditino, linfa da Europa

O ensinamento de São Bento, que nasceu em Núrsia, por volta do ano 480 d.C., foi uma das alavancas mais poderosas, após o declínio da civilização romana, para o nascimento da cultura europeia; é a premissa para a difusão de centros de oração e de hospitalidade. Não é apenas o farol do monacato, mas também uma fonte providencial para peregrinos e pobres.

“Deveríamos perguntar-nos – escreveu o historiador Jacques Le Goff – a quais excessos as pessoas da Idade Média teriam chegado, se esta grande e suave voz não se tivesse elevada?” Uma voz sobre a qual se deteve o grande biógrafo de exceção, São Gregório Magno, no II Livro dos “Diálogos”.

“Um astro luminoso em um século obscuro”

Para São Gregório, Bento é “um astro luminoso” em uma época dilacerada por uma grave crise de valores. Ele pertencia a uma nobre família da região de Núrsia. Segundo a tradição, no lugar, onde se encontrava a casa natal do Santo, foi construída a Basílica de São Bento.

Sua vida, desde a juventude, era dedicada à oração. Seus pais, bastante ricos, mandaram-no a Roma para garantir-lhe uma boa formação. Ali, porém, – narra São Gregório Magno – encontrou más companhias, amigos viciados, que viviam ao léu. Então, Bento deixou Roma e foi, inicialmente, para a localidade denominada Enfide e, depois, por três anos, viveu como eremita em uma gruta, em Subiaco, que se tornaria o centro espiritual dos Beneditinos, chamada “Sacro Speco”. Este seu período de solidão foi uma preparação prévia para outra etapa fundamental do seu caminho: Montecassino.

Ali, entre as ruinas de uma antiga acrópole pagã, São Bento e alguns companheiros construíram a primeira Abadia de Montecassino.

A Regra

A São Bento, irmão de Santa Escolástica, foram atribuídos muitos milagres. Mas, o milagre maior e mais duradouro do Pai da Ordem beneditina foi a composição da “Regra”, escrita por volta do ano 530 d.C. Trata-se de um Manual, um código de orações para a vida monacal. Seu estilo, desde às primeiras palavras, é muito familiar: desde o prólogo até o últimos dos 73 capítulos, Bento exorta os monges a “ouvirem com o coração” e a “jamais perderem a esperança na misericórdia de Deus”. De fato, escreveu: “Ouça, filho, os ensinamentos do Mestre; dê-lhe ouvidos com o coração; receba, com agrado, os conselhos de um pai que lhe quer bem, para se dirigir, com o rigor da obediência, Àquele do qual você se distanciou por causa da negligência e da desobediência”.

Ora et labora

“O ócio – escreveu São Bento na Regra – é inimigo da alma. Por isso, os irmãos devem dedicar-se, em determinadas horas do dia, ao trabalho manual e, em outras, à leitura dos livros que contêm a Palavra de Deus”. Oração e trabalho não se contrapõem, mas estabelecem uma relação de simbiose. Sem a oração não é possível encontrar a Deus.

A vida monacal, definida por São Bento como “uma escola de serviço ao Senhor”, não pode prescindir do compromisso concreto. O trabalho é uma extensão da oração. “O Senhor – recorda São Bento – espera, todos os dias, a nossa resposta concreta aos seus santos ensinamentos”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 10 jul. 2023.

11 de julho – Monsenhor André Sampaio

PODE ALGUÉM DAR ÁGUA DE UMA FONTE SECA OU DAR PÃO DE UMA CESTA VAZIA?

“Ninguém dá o que não tem. A bondade, o amor, o perdão, a generosidade, só podemos dar se trazemos em nós mesmos, dentro do nosso coração. Pode alguém dar água de uma fonte seca ou dar pão de uma cesta vazia? Jesus deu amor por que sempre foi uma fonte inesgotável de amor; deu compaixão, por que isso fazia parte dele. Se quer dar luz, cultive-a dentro de si mesmo; Se quer dar bondade, seja bom; Se quer abençoar, seja primeiro a bênção. Você só pode dar o que possui em seu coração. Seja um campo de flores bonitas e todas as pessoas que cruzarão seu caminho, jamais continuarão a jornada sem carregar nelas um pouco do seu perfume.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento