Catolicismo de maneira inclusiva

Categoria: Santo do dia (Página 53 de 75)

29 de julho – Santa Beatriz

Santa Beatriz, catacumbas de Generosa (© Pontificia commisione di archeologia sacra)

Precipitavam-se as perseguições contra os cristãos em Roma. Da ponte chamada Emília, perto da ilha Tiberina, foram jogados no rio Tibre os corpos dos dois irmãos de Beatriz, – Simplício e Faustino – por serem cristãos. O sofrimento e o temor deviam ser os sentimentos que invadiam o coração da santa mulher, que, porém, não hesitou em recuperar seus corpos para dar-lhes uma digna sepultura. Graças à ajuda de dois sacerdotes, ela conseguiu tirá-los da correnteza do rio.

Martírio por Cristo

A mesma sorte dos irmãos coube também a Beatriz. Sendo denunciada como cristã, foi presa e, apesar das ameaças, perseverou na fé. Outra mulher, Lucina, ofereceu uma sepultura a Beatriz e Rufo, em uma escavação vulcânica, onde tinham sido postos os corpos dos seus irmãos.

Catacumba de Generosa

A Catacumba intitulada “Generosa” surgia na Via Portuense, tanto que os santos foram chamados Mártires Portuenses. Ali, descobriu-se um afresco em relevo, de características bizantinas, denominado Coronatio Martyrum, que remonta ao século VI. Nele estão representados cinco personagens: Cristo, ao centro, coloca a coroa do martírio em Simplício, na presença de Beatriz, enquanto, à esquerda, estão as figuras de Rufo e Faustino, com a palma do martírio na mão.

Com o tempo, as relíquias de Santa Beatriz e dos seus irmãos foram trasladadas para o Oratório da igreja de Santa Viviana, por volta do ano 682, por ordem do Papa Leão II. Mais tarde, o Papa Urbano VIII decidiu que a antiga igreja fosse restaurada pelo próprio Bernini, que mandou derrubar o Oratório. A arca de mármore com as relíquias foi levada para a Basílica de Santa Maria Maior. Algumas relíquias encontram-se em outros lugares da Europa. A mais significativa está na Alemanha.

Beatriz, um nome amado

Desde sempre, o nome desta mártir romana foi difundido e amado, devido ao seu culto. A sua fama aumentou também graças a várias personalidades, como Beatriz Portinari, a mulher amada por Dante Alighieri, e outras mulheres nobres e rainhas.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 27 jul. 2023.

27 de julho – São Simeão Estilita

Ícone de Simeão Estilita, o Antigo, da segunda metade do século XVI de Kostarowce

A história de Simeão, que, entre outras coisas, teve o mérito de levar o tipo de eremitério estilita ao cristianismo oriental, chegou até nós graças ao testemunho ocular do seu amigo Teodoreto, Bispo de Ciro. Filho de pastores, nasceu e viveu entre a Cilícia e a Síria, passando sua infância entre os rebanhos.

A chamada em sonho

Certo dia, o menino Simeão não pôde levar as ovelhas para o pasto porque havia muita neve. Então, entrou em uma igreja e ficou comovido pela passagem evangélica das Bem-Aventuranças. Daí, perguntou a um senhor idoso, como fazer para viver daquela maneira. O homem respondeu-lhe que era preciso abandonar tudo e se dedicar só Deus, sem saber que Simeão o levaria a sério e viveria literalmente.

Uma vez, enquanto rezava, para que o Senhor lhe mostrasse a sua Vontade, adormeceu e sonhou que estava escavando o alicerce para uma casa. A voz lhe recomendava para “escavar sempre mais a fundo!”. Quando, enfim, chegou à profundidade certa, ouviu ainda: “Muito bem, agora você poderá construir o edifício da altura que quiser”.

Viver em mosteiro? Muito pouco!

Deus chamou Simeão e ele respondeu entrando para o mosteiro; porém, aquela vida, para ele, tornou-se logo, de certo modo, muito simples demais: ele buscava uma perfeição mais alta, possível apenas com a prática da austeridade. Assim, transferiu-se para o eremitério de Teleda, onde os monges comiam a cada dois dias. Mas, não lhe foi suficiente. Simeão jejuou a semana inteira, dando a sua comida aos pobres. Ademais, com um ramo de mirto, fez um cilício. Nestas alturas, achando que estava exagerando e que os outros monges pudessem seguir seu exemplo, o Abade o mandou embora. Este fato levou Simeão a tomar medidas bem mais extremas: temendo ser um péssimo mau exemplo de pecador irredutível, desceu ao fundo de um poço, onde ficou chorando por dias e dias. Preocupado de tê-lo castigado, com muita severidade, o Abade chamou-o de volta ao mosteiro.

37 anos sobre uma coluna

Passou-se mais um ano. No entanto, Simeão deixou de novo o mosteiro – desta vez, voluntariamente – para se abrigar em uma cabana, em Teli Nesim, perto de Antioquia, sob a direção do Padre Basso. Seu novo mestre, porém, também ficou preocupado com a vida severa que vivia.

Entretanto, para Simeão, viver em uma cela e jejuar por toda a Quaresma, não era mais suficiente: subiu ao cume de uma montanha e decidiu viver lá sozinho, em um angusto espaço de 20 metros. Para viver corretamente, chegou a acorrentar-se a uma rocha. Quando o Bispo de Antioquia, Melécio, subiu ao monte para visitá-lo, fez-lhe notar que, daquela maneira, somente os animais ferozes podiam viver. Assim, teve uma inspiração: subir em cima de uma coluna, gradualmente, cada vez mais alto, para se separar do mundo “abaixo” até chegar àquele de “cima”, para encontrar a Deus. Sobre a coluna, porém, Simeão não podia se sentar, tampouco se deitar: então ficava em permanente contemplação… ou quase.

Simeão, a multidão e as mulheres

Este estilo de vida incomum, adotado pelo monge, não passaram despercebidos, pelo contrário, atraíam multidões de curiosos. Então, Simeão começou a responder às perguntas, resolver conflitos e fazer pregações, pelo menos duas vezes ao dia, às pessoas que o procuravam. Porém, não deixava as mulheres se aproximar, explicando-lhes o motivo: “Se formos dignos, ver-nos-emos na outra vida”. Não abriu exceção nem para a sua própria mãe, Marta, que era tão importante para ele e o influenciou na sua conversão, quando criança.

Enfim, começou a circular boatos sobre a sua capacidade de fazer curas excepcionais. Assim, uma delegação da Igreja foi ao local para investigar. Diante do pedido dos Bispos de descer da coluna, Simeão aceitou, imediatamente. Porém, a ordem foi revogada e a sua sinceridade e grandeza constatadas.

Desde então, Simeão nunca mais desceu daquela coluna, dedicando todo o tempo ao seu Senhor, que o chamou para Si, no ano 459. Seu corpo, após ter submetido aos atrozes sofrimentos, agora descansava em paz. Após ideias discordantes, o corpo de São Simeão foi sepultado em Antioquia, sob um altar do qual o Santo não poupou milagres e graças.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 26 jul. 2023.

26 de julho – Santos Joaquim e Ana, pais da Imaculada Virgem Mãe de Deus

Santos Joaquim e Ana (©BAV, Vat. gr. 1613, f. 23)

Sobre Joaquim e Ana, pais de Maria, não há nenhuma referência na Bíblia e tampouco notícias certas; as que chegaram até nós, hoje, são extraídas de textos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho do pseudo Mateus, além da tradição.

Descendência, sinal do amor de Deus

Ana parece ter sido filha de Achar e irmã de Esmeria, mãe de Isabel e avó de João Batista. Segundo a tradição, Joaquim era um homem virtuoso e muito rico, da estirpe de Davi, que costumava oferecer parte do ganho dos seus bens ao povo e, outra parte, em sacrifício a Deus. Ambos moravam em Jerusalém. Quando se casaram, Joaquim e Ana não tiveram filhos por mais de vinte anos. Não gerar filhos, para os judeus daquela época, era sinal da falta de bênção e da graça de Deus. Porém, certo dia, ao levar suas ofertas ao Templo, Joaquim foi repreendido por um homem, chamado Ruben (talvez fosse sacerdote ou escriba): pelo fato de não procriar, em sua opinião, ele não tinha o direito de apresentar as suas ofertas. Humilhado e transtornado com aquelas palavras, Joaquim decidiu retirar-se para o deserto e, durante quarenta dias e quarenta noites, suplicou a Deus, entre lágrimas e jejuns, que lhe desse descendentes. Ana também passou dias em oração, pedindo a Deus a graça da maternidade.

Anúncio do nascimento de Maria

As súplicas de Joaquim e Ana foram atendidas lá no alto. Assim, um anjo apareceu a ambos, separadamente, avisando-lhes que estavam para se tornar pais. A encontro entre os dois, na porta de casa, após o anúncio, foi enriquecido com detalhes lendários. O beijo, que os dois esposos trocaram, teria ocorrido diante da Porta Áurea de Jerusalém, lugar onde, segundo a tradição judaica, a presença divina teria se manifestado, como também o advento do Messias. A iconografia deste beijo, diante da famosa Porta, teve grandes dimensões: os cristãos acreditavam que Jesus teria entrado por ali na Cidade Santa, no Domingo de Ramos. Meses depois do retorno de Joaquim, Ana deu à luz a Maria. A criança foi criada com o cuidado carinhoso do pai e a atenção amorosa da mãe, na casa situada perto da piscina de Betzaeda. Ali, no século XII, os Cruzados construíram uma igreja, que ainda existe, dedicada a Ana, que ensinou as artes domésticas à filha.

O culto

Quando Maria completou 3 anos, Joaquim e Ana, em sinal de agradecimento a Deus, levaram-na ao Templo, para consagrá-la ao seu serviço, conforme haviam prometido em suas orações. Os textos apócrifos não fazem outras referências sobre Joaquim, enquanto sobre Anna, acrescentam que ela teria vivido até aos 80 anos de idade. Suas relíquias teriam sido conservadas, por longo tempo, na Terra Santa; depois foram transferidas para a França e enterradas em uma capela, escavada sob a catedral de Apt. Mais tarde, sua descoberta e identificação, teriam sido acompanhadas por alguns milagres.

O culto aos avós de Jesus, desenvolveu-se, primeiro, no Oriente e, depois, no Ocidente; mas, ao longo dos séculos, foram recordados pela Igreja em datas diferentes. Em 1481, o Papa Sisto IV introduziu a festa de Sant’Ana no Breviário romano, fixando a data da sua memória litúrgica em 26 de julho, dia da sua morte, segundo a tradição; em 1584, o Papa Gregório XIII incluiu a celebração litúrgica de Sant’Ana no Missal Romano, estendendo-a a toda a Igreja; em 1510, Papa Júlio II inseriu, no calendário litúrgico, a memória de São Joaquim em 20 de março; depois, foi mudado várias vezes, nos séculos seguintes. Com a reforma litúrgica, após o Concílio Vaticano II, em 1969, os pais de Maria foram “reunidos” em uma única celebração, em 26 de julho.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 25 jul. 2023.

25 de julho – São Cristóvão, mártir

São Cristóvão, Escola de Rimini (© Musei Vaticani)

Protetor dos viajantes

A figura mais frequente de São Cristóvão é representada por um gigante barbudo, que carrega o Menino Jesus nos ombros, ajudando-o a atravessar um rio; o Menino segura o mundo nas pontas dos dedos, como se brincasse com uma bola. Esta imagem remonta a uma das lendas hagiográficas mais famosas sobre a vida do Santo, martirizado em 25 de julho em Anatólia, na Lícia. Segundo esta tradição, seu verdadeiro nome era Reprobus, um gigante que queria prestar serviço ao rei mais poderoso do mundo.

Ao chegar à Corte de um rei, que achava ser invencível, pôs-se ao seu serviço. Mas, certo dia, percebeu que o rei, ao escutar o canto de um trovador que falava do diabo, fez o Sinal da Cruz. Então, perguntou-lhe porquê. E o rei lhe respondeu que tinha medo do diabo e que todas as vezes que o ouvia falar em seu nome, fazia o Sinal da Cruz para buscar proteção.

Desta forma, o diabo pôs-se a procurar o diabo, que pensava que fosse mais poderoso que o seu rei. Não demorou muito e o encontrou; assim, pôs-se a servi-lo e a segui-lo. Porém, um dia, passando por uma rua onde havia uma cruz, o diabo desviou seu caminho. Então, Reprobus perguntou-lhe porquê havia agido desta maneira. E o diabo foi obrigado a admitir que Cristo tinha morrido na Cruz; por isso, diante da Cruz, tinha que fugir de medo.

Por fim, Reprobus deixou o diabo de lado e pôs-se à busca de Cristo. Certo dia, encontrou um eremita que lhe sugeriu construir uma cabana às margens de um rio, cujas águas eram perigosas, e colocar-se à disposição das pessoas a atravessá-lo, uma vez que tinha uma estatura gigantesca.

Um belo dia, o bom gigante ouviu uma voz de criança, que lhe pedia ajuda: era um menino que queria atravessar o rio. Então, o gigante o colocou sobre os ombros e o carregou para o outro lado daquele rio perigoso. Enquanto fazia a travessia, o peso daquela criança aumentava cada vez mais, tanto que, com muito custo, conseguiu chegar à outra margem. Lá, o menino revelou sua identidade: era Jesus e o peso, que havia carregado, era o do mundo inteiro, salvado pelo sangue de Cristo.

Esta lenda, além de inspirar a iconografia ocidental, fez com São Cristóvão fosse invocado como Padroeiro dos barqueiros, peregrinos, viajantes e motoristas.

Um Santo cinocéfalo

No Oriente, São Cristóvão é, geralmente, representado com a cabeça de cão, como testemunham muitos ícones existentes em São Petersburgo e Sofia. A iconografia do santo cinocéfalo, segundo alguns, demonstra que se trata de um culto surgido em âmbito helênico-egípcio, com clara referência ao culto a deus Anúbis. Outra hipótese seria ainda bem mais plausível e complexa: Reprobus se teria alistado no exército romano e se teria convertido ao cristianismo com o nome de Cristóvão. Ao ser denunciado pelo seu apostolado entre os pelotões, foi conduzido diante de um juiz que fez todas as tentativas para que renunciasse a Cristo; tendo resistido, foi, por fim, decapitado. Logo, Cristóvão “carregou Cristo” em seu coração até ao martírio, como o jumento carregou Cristo a Jerusalém, no dia de Ramos.

Por este motivo, ter-se-ia difundido no Oriente, inicialmente, o costume de representar Cristóvão com a cabeça de jumento, que, depois, teria mudado para uma cabeça de cão. Trata-se, porém, de uma iconografia existente no âmbito cristão, sem nenhuma relação com cultos pagãos.

Protetor da vista

Segundo a Lenda Dourada, o martírio de Cristóvão aconteceu em Anatólia, na Lícia. O Santo resistiu às torturas com hastes de ferro e metal incandescentes. Até as flechas que lhe atiraram, ficaram suspensas no ar; uma delas, voltou e transpassou o olho do soberano, que lhe havia ordenado o suplício. Assim, o rei mandou decapitar Cristóvão. Mas, antes de morrer, disse-lhe: “Banhe os olhos com o meu sangue e ficará curado”. O rei recuperou a visão e se converteu. Desde então, São Cristóvão foi invocado contra as doenças da vista.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 24 jul. 2023.

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Por Mauro Nascimento