Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 88 de 168)

16 de setembro – Santos Cornélio, papa e Cipriano, bispo, mártires

São Cornélio, papa, Basílica de São Paulo fora das muralhas

A comemoração destes dois mártires, no mesmo dia, é muito antiga. O Martirológio de São Jerônimo já os celebrava juntos. Esta data escolhida indica, em particular, a renúncia ao trono papal do primeiro e a morte do segundo por decapitação.

Cornélio, o Papa da mansidão

Em Roma, no ano 251, após alguns anos de cargo vacante, devido à perseguição de Décio, Cornélio foi eleito Papa: era um romano, talvez de origens nobres, mas, certamente, reconhecido como homem de fé, justo e amoroso. Porém, a sua eleição não foi aceita pelo herege Novaciano, que se fez consagrar antipapa e promoveu um cisma precisamente na Cidade de Roma. Cornélio – que apoiava à distância o Bispo Cipriano – foi acusado de ser muito manso com os “lapsos”: estes eram apóstatas, que retornavam à Igreja, sem as devidas penitências, mas simplesmente com a apresentação de um certificado de reconciliação, obtido de algum suposto confessor. Além do mais, uma epidemia abateu-se sobre Roma e, depois, teve início também a perseguição anticristã de Galo. O Papa Cornélio foi exilado e preso em Civitavecchia, onde faleceu, mas foi sepultado nas catacumbas de São Calisto, em Roma.

Cipriano, Bispo convertido

Cipriano nasceu em Cartago, no ano 210: era um hábil retórico, que exercia a profissão de advogado. Certo dia, ao ouvir a palavra de Jesus, converteu-se ao Cristianismo. Transcorria o ano 246. Graças à sua fama de intelectual, foi imediatamente ordenado sacerdote e consagrado Bispo da sua cidade. Mas, em Cartago, a situação dos cristãos não era fácil: agravaram-se as perseguições de Décio, depois de Galo, Valeriano e Galieno. Assim, muitos fiéis, ao invés de morrer, decidiram voltar ao paganismo. Com o tempo, alguns se arrependeram, mas a conduta de acolhida e benevolência do Bispo Cipriano com eles não foi aceita pelos rigoristas. Envolvido na contenda dos “lapsos”, lutou contra o Padre Novato, que apoiava o antipapa Novaciano, e contra o diácono Felicissimo, que havia eleito Fortunato como antibispo. Em 252, Cipriano conseguiu convocar um Concílio em Cartago para condená-los, enquanto o Papa Cornélio, em Roma, confirmava a excomunhão deles. Durante a perseguição de Valeriano, o clandestino Cipriano retornou a Cartago, para dar testemunho da fé, mas ali foi martirizado.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 12 set. 2023.

15 de setembro – Monsenhor André Sampaio

“Ter garra!

É caminhar com segurança e força, sabendo que todo esforço é válido;

É manter-se firme no propósito que se propôs na vida;

É conter o choro através do sorriso, mesmo que seja difícil;

É andar de mãos dadas com o bem, proporcionado sempre a harmonia por onde passar;

É continuar no escuro, mas sabendo que haverá uma luz a iluminar o caminho mais adiante;

É manter a fé inabalável em Deus e ter a certeza de que Ele sempre caminha ao nosso lado;

Ter garra acima de tudo é saber que tudo passa e que o aprendizado e o crescimento espiritual são certos.”

Monsenhor André Sampaio

O paradoxo dos influenciadores católicos: devoção superficial em busca de sucesso

Nos últimos anos, testemunhamos o surgimento de uma nova categoria de influenciadores digitais: os influenciadores católicos. Estes indivíduos têm como objetivo propagar a fé cristã e compartilhar devoções religiosas, mas, paradoxalmente, muitos deles são acusados de promover uma devoção superficial e arrogante, além de manipular o público em busca de sucesso e lucro. Esta reflexão busca analisar esse fenômeno intrigante e entender por que tais influenciadores atraem tantos seguidores e recursos financeiros.

Antes de mergulharmos no debate sobre os influenciadores católicos, é importante reconhecer o poder das redes sociais como uma ferramenta de evangelização. Plataformas como o Instagram, YouTube e TikTok oferecem um alcance global e a capacidade de transmitir mensagens religiosas para uma audiência vasta e diversificada. Isso abre oportunidades sem precedentes para compartilhar a fé e inspirar pessoas em todo o mundo.

Uma das razões pelas quais alguns influenciadores católicos ganham tanta atenção é a sua habilidade de criar conteúdo sensacionalista e polêmico. A controvérsia muitas vezes atrai a atenção das pessoas, e alguns influenciadores se aproveitam disso ao adotar discursos arrogantes e moralistas, o que pode gerar reações fortes, tanto de apoio quanto de oposição.

Outro fator que contribui para o sucesso desses influenciadores é a capacidade de entreter enquanto compartilham mensagens religiosas. Eles criam conteúdo que é facilmente consumido e muitas vezes se assemelha mais a entretenimento do que a pregações tradicionais. Isso torna a religião mais acessível e atrativa para um público mais jovem, que pode se sentir desconectado de abordagens mais tradicionais.

Não podemos ignorar o aspecto financeiro desse fenômeno. Muitos influenciadores católicos ganham dinheiro por meio de anúncios, doações de seguidores e venda de produtos relacionados à fé. Essa monetização pode ser uma motivação significativa para manter e aumentar sua popularidade.

No entanto, é crucial lembrar que a autenticidade na evangelização é fundamental. A preocupação com a devoção superficial e a manipulação do público são críticas válidas, e os católicos devem discernir cuidadosamente quem eles escolhem seguir e apoiar online. A verdadeira evangelização busca a transformação espiritual e o bem-estar das pessoas, não apenas o sucesso e o lucro pessoal.

Os influenciadores católicos são um reflexo da crescente influência das redes sociais em nossas vidas e na maneira como vivemos e compartilhamos nossa fé. Embora muitos possam ser criticados por sua abordagem, é importante lembrar que o conteúdo religioso nas redes sociais é diversificado, e os indivíduos têm a responsabilidade de escolher fontes autênticas de inspiração espiritual. No final, o verdadeiro sucesso na evangelização está em tocar os corações e transformar vidas, em vez de buscar apenas popularidade e dinheiro.

Mauro Nascimento

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Por Mauro Nascimento