Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 110 de 168)

26 de julho – Monsenhor André Sampaio

CARIDADE É…

“Para o faminto – é o prato de sopa.

Para o triste – é a palavra consoladora.

Para o mau – é a paciência com que nos compete auxiliá-lo.

Para o desesperado – é o auxílio do coração.

Para o ignorante – é o ensino despretensioso.

Para o ingrato – é o esquecimento da ingratidão.

Para o enfermo – é a visita pessoal.

Para o estudante – é o concurso no aprendizado.

Para a criança – é a proteção construtiva.

Para o velho – é o braço irmão.

Para o inimigo – é o perdão.

Para o amigo – é o estímulo.

Para o transviado – é o entendimento.

Para o orgulhoso – é a humildade.

Para o colérico – é a calma.

Para o preguiçoso – é o trabalho.

Para o impulsivo – é a serenidade.

Para o leviano – é a tolerância.

Para o deserdado da Terra – é a expressão de carinho.

Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente.

É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, porque, onde estiver o Espírito do Senhor, aí se derrama em benefício do mundo inteiro.”

Monsenhor André Sampaio

26 de julho – Santos Joaquim e Ana, pais da Imaculada Virgem Mãe de Deus

Santos Joaquim e Ana (©BAV, Vat. gr. 1613, f. 23)

Sobre Joaquim e Ana, pais de Maria, não há nenhuma referência na Bíblia e tampouco notícias certas; as que chegaram até nós, hoje, são extraídas de textos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago e o Evangelho do pseudo Mateus, além da tradição.

Descendência, sinal do amor de Deus

Ana parece ter sido filha de Achar e irmã de Esmeria, mãe de Isabel e avó de João Batista. Segundo a tradição, Joaquim era um homem virtuoso e muito rico, da estirpe de Davi, que costumava oferecer parte do ganho dos seus bens ao povo e, outra parte, em sacrifício a Deus. Ambos moravam em Jerusalém. Quando se casaram, Joaquim e Ana não tiveram filhos por mais de vinte anos. Não gerar filhos, para os judeus daquela época, era sinal da falta de bênção e da graça de Deus. Porém, certo dia, ao levar suas ofertas ao Templo, Joaquim foi repreendido por um homem, chamado Ruben (talvez fosse sacerdote ou escriba): pelo fato de não procriar, em sua opinião, ele não tinha o direito de apresentar as suas ofertas. Humilhado e transtornado com aquelas palavras, Joaquim decidiu retirar-se para o deserto e, durante quarenta dias e quarenta noites, suplicou a Deus, entre lágrimas e jejuns, que lhe desse descendentes. Ana também passou dias em oração, pedindo a Deus a graça da maternidade.

Anúncio do nascimento de Maria

As súplicas de Joaquim e Ana foram atendidas lá no alto. Assim, um anjo apareceu a ambos, separadamente, avisando-lhes que estavam para se tornar pais. A encontro entre os dois, na porta de casa, após o anúncio, foi enriquecido com detalhes lendários. O beijo, que os dois esposos trocaram, teria ocorrido diante da Porta Áurea de Jerusalém, lugar onde, segundo a tradição judaica, a presença divina teria se manifestado, como também o advento do Messias. A iconografia deste beijo, diante da famosa Porta, teve grandes dimensões: os cristãos acreditavam que Jesus teria entrado por ali na Cidade Santa, no Domingo de Ramos. Meses depois do retorno de Joaquim, Ana deu à luz a Maria. A criança foi criada com o cuidado carinhoso do pai e a atenção amorosa da mãe, na casa situada perto da piscina de Betzaeda. Ali, no século XII, os Cruzados construíram uma igreja, que ainda existe, dedicada a Ana, que ensinou as artes domésticas à filha.

O culto

Quando Maria completou 3 anos, Joaquim e Ana, em sinal de agradecimento a Deus, levaram-na ao Templo, para consagrá-la ao seu serviço, conforme haviam prometido em suas orações. Os textos apócrifos não fazem outras referências sobre Joaquim, enquanto sobre Anna, acrescentam que ela teria vivido até aos 80 anos de idade. Suas relíquias teriam sido conservadas, por longo tempo, na Terra Santa; depois foram transferidas para a França e enterradas em uma capela, escavada sob a catedral de Apt. Mais tarde, sua descoberta e identificação, teriam sido acompanhadas por alguns milagres.

O culto aos avós de Jesus, desenvolveu-se, primeiro, no Oriente e, depois, no Ocidente; mas, ao longo dos séculos, foram recordados pela Igreja em datas diferentes. Em 1481, o Papa Sisto IV introduziu a festa de Sant’Ana no Breviário romano, fixando a data da sua memória litúrgica em 26 de julho, dia da sua morte, segundo a tradição; em 1584, o Papa Gregório XIII incluiu a celebração litúrgica de Sant’Ana no Missal Romano, estendendo-a a toda a Igreja; em 1510, Papa Júlio II inseriu, no calendário litúrgico, a memória de São Joaquim em 20 de março; depois, foi mudado várias vezes, nos séculos seguintes. Com a reforma litúrgica, após o Concílio Vaticano II, em 1969, os pais de Maria foram “reunidos” em uma única celebração, em 26 de julho.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 25 jul. 2023.

25 de julho – Monsenhor André Sampaio

A FELICIDADE ESTÁ EM SERVIR AO PRÓXIMO 

“Não há sensação mais maravilhosa do que ajudar o próximo. Como é bom trazer o sorriso num rosto amargurado pela dor. Como é bom aliviar a dor de alguém. Que felicidade trazer a esperança e a fé à alguém que perdeu a confiança no futuro. Não há bem material que pague a sensação de ser útil, de demonstrar carinho e afeto pelos nossos irmãos de jornada. Por isso a caridade está sempre acompanhada da alegria. O homem busca a felicidade nos lugares mais improváveis. Não sabe que a verdadeira felicidade se encontra tão perto. A felicidade está em servir ao próximo, como Jesus tanto nos ensinou e exemplificou. A caridade é a mãe de todas as virtudes e quem a pratica está sempre em paz, alegre e feliz. Lembremo-nos de que quando partirmos daqui para a nossa verdadeira morada nada levaremos de material, mas tão somente o bem que tivermos feito, e as sementes de amor e carinho que tivermos semeado em cada coração que tenha cruzado o nosso caminho!”

Monsenhor André Sampaio

25 de julho – São Cristóvão, mártir

São Cristóvão, Escola de Rimini (© Musei Vaticani)

Protetor dos viajantes

A figura mais frequente de São Cristóvão é representada por um gigante barbudo, que carrega o Menino Jesus nos ombros, ajudando-o a atravessar um rio; o Menino segura o mundo nas pontas dos dedos, como se brincasse com uma bola. Esta imagem remonta a uma das lendas hagiográficas mais famosas sobre a vida do Santo, martirizado em 25 de julho em Anatólia, na Lícia. Segundo esta tradição, seu verdadeiro nome era Reprobus, um gigante que queria prestar serviço ao rei mais poderoso do mundo.

Ao chegar à Corte de um rei, que achava ser invencível, pôs-se ao seu serviço. Mas, certo dia, percebeu que o rei, ao escutar o canto de um trovador que falava do diabo, fez o Sinal da Cruz. Então, perguntou-lhe porquê. E o rei lhe respondeu que tinha medo do diabo e que todas as vezes que o ouvia falar em seu nome, fazia o Sinal da Cruz para buscar proteção.

Desta forma, o diabo pôs-se a procurar o diabo, que pensava que fosse mais poderoso que o seu rei. Não demorou muito e o encontrou; assim, pôs-se a servi-lo e a segui-lo. Porém, um dia, passando por uma rua onde havia uma cruz, o diabo desviou seu caminho. Então, Reprobus perguntou-lhe porquê havia agido desta maneira. E o diabo foi obrigado a admitir que Cristo tinha morrido na Cruz; por isso, diante da Cruz, tinha que fugir de medo.

Por fim, Reprobus deixou o diabo de lado e pôs-se à busca de Cristo. Certo dia, encontrou um eremita que lhe sugeriu construir uma cabana às margens de um rio, cujas águas eram perigosas, e colocar-se à disposição das pessoas a atravessá-lo, uma vez que tinha uma estatura gigantesca.

Um belo dia, o bom gigante ouviu uma voz de criança, que lhe pedia ajuda: era um menino que queria atravessar o rio. Então, o gigante o colocou sobre os ombros e o carregou para o outro lado daquele rio perigoso. Enquanto fazia a travessia, o peso daquela criança aumentava cada vez mais, tanto que, com muito custo, conseguiu chegar à outra margem. Lá, o menino revelou sua identidade: era Jesus e o peso, que havia carregado, era o do mundo inteiro, salvado pelo sangue de Cristo.

Esta lenda, além de inspirar a iconografia ocidental, fez com São Cristóvão fosse invocado como Padroeiro dos barqueiros, peregrinos, viajantes e motoristas.

Um Santo cinocéfalo

No Oriente, São Cristóvão é, geralmente, representado com a cabeça de cão, como testemunham muitos ícones existentes em São Petersburgo e Sofia. A iconografia do santo cinocéfalo, segundo alguns, demonstra que se trata de um culto surgido em âmbito helênico-egípcio, com clara referência ao culto a deus Anúbis. Outra hipótese seria ainda bem mais plausível e complexa: Reprobus se teria alistado no exército romano e se teria convertido ao cristianismo com o nome de Cristóvão. Ao ser denunciado pelo seu apostolado entre os pelotões, foi conduzido diante de um juiz que fez todas as tentativas para que renunciasse a Cristo; tendo resistido, foi, por fim, decapitado. Logo, Cristóvão “carregou Cristo” em seu coração até ao martírio, como o jumento carregou Cristo a Jerusalém, no dia de Ramos.

Por este motivo, ter-se-ia difundido no Oriente, inicialmente, o costume de representar Cristóvão com a cabeça de jumento, que, depois, teria mudado para uma cabeça de cão. Trata-se, porém, de uma iconografia existente no âmbito cristão, sem nenhuma relação com cultos pagãos.

Protetor da vista

Segundo a Lenda Dourada, o martírio de Cristóvão aconteceu em Anatólia, na Lícia. O Santo resistiu às torturas com hastes de ferro e metal incandescentes. Até as flechas que lhe atiraram, ficaram suspensas no ar; uma delas, voltou e transpassou o olho do soberano, que lhe havia ordenado o suplício. Assim, o rei mandou decapitar Cristóvão. Mas, antes de morrer, disse-lhe: “Banhe os olhos com o meu sangue e ficará curado”. O rei recuperou a visão e se converteu. Desde então, São Cristóvão foi invocado contra as doenças da vista.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 24 jul. 2023.

Transbordando falsidade: desvendando a efemeridade das aparências

“Gente falsa é igual leite fervendo… Virou as costas já sabe…” (Autor desconhecido).

A efemeridade das relações humanas muitas vezes se assemelha ao leite fervendo, pronto para transbordar e espalhar-se pela vida de cada um. Essa analogia traz à tona a dinâmica complexa de conviver com pessoas falsas, cujas intenções podem se dissolver no calor das aparências e da hipocrisia.

Assim como o leite, cuja natureza líquida se transforma drasticamente ao ser submetido ao calor, as relações humanas também passam por mudanças quando expostas ao fogo das adversidades e das dificuldades. Algumas pessoas, infelizmente, revelam sua falsidade quando a pressão do cotidiano se intensifica, e os verdadeiros aspectos de suas personalidades emergem.

Nesse contexto, virar as costas torna-se uma reação natural e compreensível. A decepção ao descobrir a falsidade de alguém pode criar uma barreira entre as partes envolvidas, afastando-as como água que evapora com o calor do descontentamento. Afinal, lidar com a hipocrisia pode ser uma experiência desgastante, capaz de corroer a confiança e gerar cicatrizes emocionais profundas.

Contudo, é preciso enxergar além dessa aparente amargura. Assim como o leite fervido pode ser utilizado em receitas saborosas, a experiência de conviver com pessoas falsas também pode nos ensinar lições valiosas sobre a importância de discernir e valorizar os verdadeiros amigos e companheiros. A adversidade pode nos guiar ao crescimento pessoal e ao entendimento de que, em meio à volatilidade humana, existem indivíduos genuínos com quem podemos construir relações sólidas e verdadeiras.

Em última análise, a metáfora do leite fervendo nos convida a refletir sobre as nuances das relações interpessoais e a importância de cultivar laços baseados na sinceridade e na verdade. Aqueles que optam por serem falsos podem até transbordar momentaneamente, mas suas máscaras eventualmente caem, revelando sua real essência. Por outro lado, aqueles que se mantêm autênticos permanecem como a essência mais pura do leite, não importa quais sejam as circunstâncias.

Portanto, que possamos aprender com a sabedoria do leite fervendo e encontrar em nós mesmos a coragem para filtrar o que é falso e abraçar o que é verdadeiro. Assim, seremos capazes de nutrir nossa vida com relacionamentos genuínos e duradouros, formando uma conexão verdadeira com o mundo à nossa volta.

Mauro Nascimento 

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