Catolicismo de maneira inclusiva

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Mudança histórica: leigos terão direito a voto no Sínodo sobre a sinodalidade

O Sínodo dos Bispos passou por uma importante mudança em sua estrutura, abrindo espaço para a participação de leigos no processo de tomada de decisão. Agora, 70 membros não bispos serão escolhidos pelo Papa, após indicações das conferências episcopais, tendo direito a voto, algo que antes era exclusivo dos bispos.

A escolha dos membros não bispos será feita após indicações das conferências episcopais, e o Vaticano exige que 50% de mulheres integrem essa lista, garantindo uma representação mais equilibrada de gênero. Apesar dessa novidade, o Sínodo manterá seu caráter episcopal, com 75% da assembleia ainda composta por bispos.

O Papa Francisco está modificando a estrutura do Sínodo de forma gradual, sem querer “super revolucionar” a tradição da Igreja. A inclusão de leigos no processo de tomada de decisão é vista como um avanço significativo, trazendo novas perspectivas e experiências para a discussão de temas importantes para a Igreja Católica.

O próximo Sínodo dos Bispos, dedicado ao tema da sinodalidade, acontecerá em duas partes. A primeira parte está prevista para acontecer de 4 a 29 de outubro desse ano (2023), e a segunda, em outubro de 2024. A inclusão de membros não bispos votantes é um passo importante em direção a uma Igreja mais participativa e inclusiva.

Mauro Nascimento

Referência:

Perfil no Twitter da vaticanista Mirticeli Medeiros. Acesso em: 26 abr. 2023.

Da competição à colaboração: a sinodalidade como um novo modelo de relacionamento

“Sinodalidade é passar do eu para o nós” (Nathalie Becquart – subsecretária do Sínodo dos Bispos).

O conceito de sinodalidade tem sido cada vez mais discutido dentro da Igreja Católica, especialmente desde o pontificado do Papa Francisco. Em sua essência, sinodalidade significa caminhar juntos, em comunhão, buscando a escuta mútua e a tomada de decisões em conjunto.

Como bem disse Nathalie Becquart, sinodalidade é passar do eu para o nós. Isso significa deixar de lado o individualismo e o egoísmo que muitas vezes nos dominam a olhar para o outro, para a comunidade, para a coletividade. É reconhecer que não somos seres isolados, mas seres que dependem uns dos outros para existir e prosperar.

Ao adotarmos a sinodalidade em nossas vidas, estamos abrindo espaço para o diálogo e o consenso, para a construção de um projeto comum. Estamos dizendo não à imposição de ideias e à tirania do mais forte, e sim ao respeito pelas diferenças e ao valor da diversidade.

No entanto, é preciso reconhecer que a sinodalidade não é algo fácil de ser praticado. Requer humildade, paciência, disposição para ouvir e aprender. Requer, acima de tudo, uma profunda conversão interior, uma mudança de mentalidade que nos leve a ver o outro como um irmão, um parceiro, e não como um adversário.

Mas é exatamente essa mudança de mentalidade que a sinodalidade nos convida a fazer. É um convite para sairmos de nós mesmos, de nossas zonas de conforto e de nossas certezas, e nos abrirmos para o outro, para a coletividade. É um convite para vivermos em comunhão, em fraternidade, em solidariedade.

Por isso, é tão importante que a sinodalidade não seja apenas uma palavra bonita ou uma teoria abstrata, mas algo que se traduza em práticas concretas, em gestos e atitudes que expressem essa nova mentalidade. E que, aos poucos, essa mentalidade se torne uma cultura, uma forma de vida, uma expressão da identidade cristã.

Em resumo, sinodalidade é passar do eu para o nós. É um convite para construir juntos um mundo melhor, mais justo, mais fraterno. Um convite que, se acolhido, pode transformar não apenas a Igreja, mas toda a sociedade.

Mauro Nascimento

Referência:

Nathalie Becquart: «Sinodalidad es pasar del yo al nosotros». Acesso em: 20 abr. 2023.

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Por Mauro Nascimento