Catolicismo de maneira inclusiva

Tag: Cristo

10 de junho – Monsenhor André Sampaio

NÃO DEIXE PARA PENSAR NA FÉ QUANDO ESTIVER PASSANDO PELA DOR

“Normalmente nos esquecemos da fé, porque só pensamos na fé quando passamos por alguma dificuldade, não temos os habito de mantê-la ativada em nós, porque muitas vezes as atribulações do dia a dia nos distanciam da oração, da leitura Bíblica, da convivência com Jesus e seus ensinamentos.

Devemos então ativar diariamente a fé em nossos corações, independente da situação em que estamos vivendo, se estamos felizes, ativemos a fé em agradecimento pelas dádivas benéficas do Criador e se estivermos passando por dificuldades, ativemos nossa fé buscando a confiança da superação.

Percebam que todos os dias há necessidade de ativarmos a fé, que muitas vezes deixamos calar em nós. Através de uma simples prece nos colocamos à disposição de Deus como filhos que somos, e desta forma no juntamos a Ele firmes e confiantes em nossa caminhada.

Não deixe para pensar na fé quando estiver passando pela dor, ative diariamente a sua fé pelo amor e pela prática dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Monsenhor André Sampaio

O Verbo que se faz presente: a complementaridade entre Platão e Cristo na visão de Agostinho via Bento XVI

A citação de Agostinho (por Bento XVI), “Com os platônicos aprendi que ‘no princípio era o Verbo’. Com os cristãos aprendi ‘o Verbo se fez carne’. E apenas assim o Verbo chegou também a mim“, é um convite à reflexão sobre a inter-relação entre duas perspectivas aparentemente distintas. Para Agostinho, não se trata de contrapor essas duas linhas de pensamento, mas sim de entender como elas se complementam.

Ao afirmar que “no princípio era o Verbo“, Agostinho está se referindo à filosofia platônica, que entende a existência do mundo material como uma mera sombra do mundo das ideias. Nessa perspectiva, o Verbo é a ideia primordial, a causa primeira de tudo o que existe. Essa concepção é bastante abstrata e metafísica, e pode parecer distante da realidade concreta em que vivemos.

Por outro lado, quando Agostinho diz que “o Verbo se fez carne“, ele está se referindo à mensagem central do cristianismo, que afirma que Deus se encarnou em Jesus Cristo para salvar a humanidade. Essa perspectiva é muito mais concreta e palpável, pois se relaciona diretamente com a experiência humana. No entanto, ela pode parecer limitada e pouco ambiciosa do ponto de vista filosófico.

O que Agostinho nos convida a refletir é justamente a inter-relação entre essas duas perspectivas. Ele nos mostra que, ao mesmo tempo em que a filosofia platônica pode parecer abstrata e distante, ela é fundamental para entendermos o sentido mais profundo da existência. Por outro lado, a mensagem cristã nos ensina que Deus não é uma ideia distante e inacessível, mas sim uma presença concreta e amorosa em nossa vida.

Ao entendermos a inter-relação entre essas duas perspectivas, podemos perceber como o Verbo pode chegar até nós de maneiras diferentes e complementares. Podemos encontrar o sentido da vida tanto na contemplação das ideias mais elevadas, como na experiência do amor divino encarnado em Jesus Cristo. Essa é a grande mensagem de Agostinho, que fascinou o Papa Bento XVI e continua a inspirar muitas pessoas até hoje.

Em suma, para Agostinho não era essencial a contraposição dessas duas linhas, mas a inter-relação entre as duas perspectivas.

Mauro Nascimento

Referência:
RATZINGER, Joseph (Bento XVI) e SEEWALD, Peter. O Último Testamento de Bento XVI: Minha Vida no Vaticano. Editora Planeta do Brasil, 2016.

© 2024 Katholikos

Por Mauro Nascimento