Catolicismo de maneira inclusiva

Categoria: Santo do dia (Página 72 de 75)

26 de abril – São Cleto, papa e mártir

São Cleto, Basilica di san Paolo fuori le mura

Cleto, diminutivo de Anacleto, era romano, mas, provavelmente, de origem ateniense. Foi o terceiro Papa da Igreja, do ano 80 a 92, e autor da dedicatória sobre o túmulo de São Pedro, no Vaticano, ao lado do qual também foi sepultado. Durante seu Pontificado, foi inaugurado o Coliseu de Roma.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 25 abr. 2023.

25 de abril – São Marcos, Evangelista

São Marcos, Evangelista (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

Sobre o Evangelista Marcos, nascido em uma família judaica opulenta, sabe-se o que dizem os Atos dos Apóstolos e algumas Cartas de São Pedro e São Paulo. Ele não foi discípulo do Senhor, não obstante alguns estudiosos o identifiquem com o rapaz, filho da viúva Maria, que, coberto com um lençol, seguiu a Jesus, depois da sua prisão no Horto das Oliveiras. Porém, colaborou com o apóstolo Paulo, que conheceu em Jerusalém, com o qual foi a Chipre e, depois, a Roma. No ano 66, São Paulo escreveu a Timóteo da prisão romana: “Procure Marcos e traga-o com você, porque ele pode ajudar-me no ministério” (2Tm 4,11).

São Marcos em Roma e noutras viagens

Não se sabe se Marcos chegou a tempo a Roma para presenciar ao martírio de Paulo, mas, na capital do Império, certamente, pôs-se a serviço de Pedro. A Basílica romana de São Marcos, em pleno centro histórico, testemunha a sua presença, visto que, – se diz, – a sua casa foi construída sobre o lugar onde surgia a casa onde o Evangelista viveu.

Pedro citou várias vezes o nome de Marcos. Na sua primeira Carta, por exemplo, lemos: “A comunidade que vive em Babilônia (Roma), escolhida como vocês, manda saudações. Marcos, meu filho, também” (1Pd 5,13). E ainda, nos Atos dos Apóstolos, após a libertação “milagrosa” de Pedro da prisão: “Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar” (Atos 12,12).

Depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, não se têm mais notícias de Marcos. Uma antiga tradição diz que ele foi evangelizar o Egito, onde fundou a Igreja de Alexandria. Outra, narra que, antes de chegar ao Egito, esteve em Aquileia, para reconfirmar a evangelização no nordeste do Império. Ali, converteu Hermagoras, que se tornou o primeiro Bispo da cidade. Ao deixar Aquileia, parece que Marcos ancorou, por causa de uma tempestade, nas Ilhas Rialtenses, núcleo original da futura cidade de Veneza. Durante o sono, sonhou que um anjo lhe avisara que deveria permanecer naquela terra, à espera do último dia.

Derradeiro testemunho de São Marcos

O evangelista Marcos morreu, provavelmente, entre os anos 68 e 72, talvez como mártir de Alexandria, no Egito. Assim escrevem os Atos de Marcos, no IV século: “No dia 24 de abril, os pagãos o arrastaram pelas ruas de Alexandria, amarrado com uma corda no pescoço. Jogado na prisão, foi confortado por um anjo. Mas, no dia seguinte, sofrendo atrozes suplícios, morreu. Seu corpo devia ser queimado, mas, salvo pelos fiéis, foi sepultado em uma gruta. Dali, no século V, foi trasladado para uma igreja”.

Segundo uma lenda, no ano 828, dois mercantes venezianos teriam levado o corpo de São Marcos, ameaçado pelos árabes, para a cidade de Veneza, onde ainda hoje descansa na Basílica a ele dedicada. Algumas de suas relíquias são conservadas também no Cairo, Egito, na catedral de São Marcos, sede do Patriarca copta-ortodoxo, Tawadros II.

O Evangelho “concreto” de Marcos

Marcos foi considerado o “estenógrafo” de Pedro e seu Evangelho foi escrito entre os anos 50 e 60. Segundo a tradição, ele transcreveu a pregação e as catequeses de Pedro, dirigidas, sobretudo, aos primeiros cristãos de Roma; porém, ele as escreveu sem elaborá-las ou adaptá-las a um esquema pessoal. Eis porque o seu Evangelho demonstra a vivacidade e a singeleza de uma narração popular. A língua era o grego, a mais falada naqueles tempos; o objetivo das suas narrações era mostrar o poder de Jesus Cristo, Filho de Deus, que se manifesta na realização de muitos milagres.

As palavras do Evangelho de Marcos “Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas” – explicou, uma vez, o Papa Francisco, indicam, claramente, o que Jesus quer dos seus discípulos.

Marcos, Padroeiro de Veneza

Em 1071, São Marcos foi escolhido como titular da Basílica e principal Padroeiro da Sereníssima. Na época, Veneza era, indissoluvelmente, ligada à pessoa do Evangelista, cujo símbolo, um leão alado, – que traz um livro com a escrita: “Pax tibi, Marce, evangelista meus” (Paz a ti, Marcos, meu evangelista) – se torna o brasão da cidade, colocado em todos os lugares dominados pela Sereníssima, título dado à República de Veneza.

São Marcos é Padroeiro dos tabeliões, escrivães, vidraceiros e ópticos. É venerado como Santo por várias Igrejas cristãs, além da Católica, como a Ortodoxa e a Copta, que o considera seu Patriarca.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 24 abr. 2023.

24 de abril – Santo Fiel de Sigmaringa, sacerdote mártir

Santo Fiel de Sigmaringa, Pfärrenbach

“Se me matarem, aceitarei a morte, com alegria, por amor de Nosso Senhor. Eu a considerarei uma grande graça!”

Marcos Reyd, o futuro Frei São Fidélis, nasceu em 1577, na família do magistrado principal da sua cidade; foi o mais intrépido dos filhos, por isso, seu pai o mandou estudar.

Em 1604, um senhor nobre confiou-lhe alguns meninos para serem instruídos, inclusive seus próprios filhos. Com eles, Marcos criou uma espécie de escola itinerante, entre a Itália, Espanha e França. Voltou para a sua casa somente seis anos depois, para se formar em Direito e se tornar advogado de todos os que não tinham condições de pagar.

De advogado dos pobres a frade

Aos 34 anos, Marcos surpreende a todos ao pedir para ser ordenado sacerdote. Porém, quis ir mais além: entrou para os Capuchinhos de Friburgo, a Ordem que vivia, de modo mais rígido, o espírito original de Francisco. Ali, recebeu o nome religioso de Fidélis e começou a viver uma vida de jejum, penitência e vigílias de oração.

Como frade, recebeu vários encargos, estudou Teologia e se tornou Guardião do convento de Weltkirchen, onde era admirado por sua coragem de socorrer os enfermos, durante a epidemia da pestilência.

No entanto, Frei Fidélis distinguiu-se mais como pregador, por suas palavras fortes, sempre baseadas na Palavra, obtendo assim numerosas conversões; mas, as suas palavras também eram como dardos contra as heresias. Seus sermões eram simples e diretos, compreensíveis tanto por pessoas cultas quanto por camponeses, porque eram acompanhados, sobretudo, pelo exemplo de uma vida de santidade.

Missão na Suíça calvinista

A voz do Frei Fidélis era tão límpida e forte, que lhe foi confiada uma missão delicada: fazer pregações na Rezia, uma região que incluía o atual Cantão suíço dos Grisões, Tirol e parte da Bavária.

Ali, há alguns anos, estava bem arraigado o Calvinismo, uma doutrina semelhante à Reforma Protestante, liderada pelo teólogo francês João Calvin. O conflito entre Calvinistas e Católicos já era habitual. Por isso, um frade, que pregava o retorno à fé, não podia, certamente, ser bem-vindo. Certo dia, durante a Missa, alguém atirou nele, porém, não desanimou e continuou a sua missão, apesar de imaginar que seus dias estavam contados.

Fiel até o fim, como o seu nome

Em 24 de abril de 1622, Frei Fidélis aceitou o convite dos Calvinistas para fazer uma pregação em Séwis, sem saber que era uma armadilha. Durante seu sermão, ocorreu uma grande confusão, mas ele continuou, sem parar. Quando acabou, ao sair da igreja, foi cercado por uns vinte soldados armados, que lhe mandavam renegar tudo o que havia dito no sermão. Ao recusar a proposta, foi golpeado na cabeça, com espadas, que nem teve o tempo de perdoar seus assassinos. Assim foi Fidélis, ou seja, fiel até à morte.

Certa vez, o Mestre de Noviços o obrigou a citar algumas palavras do Apocalipse, que se revelaram proféticas: “Seja fiel até à morte e eu lhe darei a coroa da vida”. Parecia ter terminado ali, mas não foi, porque, como sempre acontece, o sangue dos mártires torna a terra fértil. Assim, a morte de Frei Fidélis conseguiu obter uma rápida reconciliação entre Católicos e Calvinistas e o retorno de muitos à fé.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 23 abr. 2023.

23 de abril – São Jorge mártir

São Jorge mártir (© Musei Vaticani)

São inúmeras as narrações fantasiosas, que nasceram em torno da figura de São Jorge. Um dos seus episódios mais conhecidos é o do dragão e a jovem, salva pelo santo, que remonta ao período das Cruzadas.

Narra-se que na cidade de Selém, Líbia, havia um grande pântano, onde vivia um terrível dragão. Para aplacá-lo, os habitantes ofereciam-lhe dois cabritos, por dia e, vez por outra, um cabrito e um jovem tirado à sorte. Certa vez, a sorte coube à filha do rei. Enquanto a princesa se dirigia ao pântano, Jorge passou por ali e matou o dragão com a sua espada. Este seu gesto tornou-se símbolo da fé que triunfa sobre o mal.

Quem era São Jorge?

Jorge, cujo nome de origem grega significa “agricultor”, nasceu na Capadócia, por volta do ano 280, em uma família cristã. Transferiu-se para a Palestina, onde se alistou no exército de Diocleciano. Em 303, quando o imperador emanou um edito para a perseguição dos cristãos, Jorge doou todos os seus bens aos pobres e, diante de Diocleciano, rasgou o documento e professou a sua fé em Cristo. Por isso, sofreu terríveis torturas e, no fim, foi decapitado.

No lugar da sua sepultura, em Lida, – um tempo capital da Palestina, agora cidade israelense, situada perto de Telavive, – foi construída uma Basílica, cujas ruinas ainda são visíveis.

Até aqui, a Passio Georgii classificada, pelo Decreto Gelasianum, no ano 496, entre as obras hagiográficas é definida Passio lendária.

Entre os documentos mais antigos, que atestam a existência de São Jorge, uma epígrafe grega, do ano 368, – descoberta em Eraclea de Betânia, – fala da “casa ou igreja dos santos e triunfantes mártires, Jorge e companheiros”. Foram muitas, ao longo dos anos, as narrações posteriores à Passio.

De mártir a Santo guerreiro

Os cruzados contribuíram muito para a transformação da figura de São Jorge de mártir em Santo guerreiro, comparando a morte do dragão com a derrota do Islamismo.

Com os Normandos, seu culto arraigou-se profundamente na Inglaterra, onde, em 1348, o rei Eduardo III instituiu a “Ordem dos Cavaleiros de São Jorge”. Durante toda a Idade Média, a sua figura tornou-se objeto de uma literatura épica, que concorria com os ciclos bretão e carolíngio.

Devoção a São Jorge

São Jorge é considerado Padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Ele é invocado ainda contra a peste, a lepra e as serpentes venenosas. O Santo é honrado também pelos muçulmanos, que lhe deram o apelativo de “profeta”.

Na falta de notícias sobre a sua vida, em 1969, a Igreja mudou a sua celebração: de festa litúrgica passou a ser memória facultativa, sem, porém, alterar seu culto.

As relíquias de São Jorge encontram-se em diversos lugares do mundo. Em Roma, na igreja de São Jorge em Velabro é conservado seu crânio, por desejo do Papa Zacarias.

Como acontece com outros santos, envolvidos por lendas, poder-se-ia concluir que também a função histórica de São Jorge é recordar ao mundo uma única ideia fundamental: que o bem, com o passar do tempo, vence sempre o mal. A luta contra o mal é uma dimensão sempre presente na história humana, mas esta batalha não se vence sozinhos: São Jorge matou o dragão porque Deus agiu por meio dele. Com Cristo, o mal jamais terá a última palavra!

Fonte: Vatican News. Acesso em: 23 abr. 2023.

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Por Mauro Nascimento