Catolicismo de maneira inclusiva

Categoria: Santo do dia (Página 47 de 75)

25 de agosto – São José de Calasanz, sacerdote, fundador dos Escolápios

São José de Calasanz, Giuseppe Mazzarese

“É uma missão muito nobre e fonte de grandes merecimentos dedicar-se à educação das crianças, especialmente as mais pobres, a fim de ajudá-las a alcançar a vida eterna. Quem se tornar seu mestre, através da formação intelectual, deve se comprometer com a sua educação, sobretudo na fé e na piedade; ter, de algum modo, a função de ser seu anjo da guarda e, sumamente, benemérito do seu desenvolvimento humano e cristão.”

José de Calasanz nasceu em Aragão, Espanha, em uma família nobre, relativamente rica: na verdade, seu pai era ferreiro. Recebeu uma boa educação religiosa e sonhava com a ideia de entrar para o Seminário, não obstante seu pai desejasse para ele a carreira militar. Ao manifestar-lhe a sua ideia, seu pai, primeiro, se opôs, mas, depois, o mandou estudar nas universidades de Lleida e Valência. José recompensou a boa vontade do seu pai: depois de se formar e emitir os Votos solenes, em breve tempo se tornou Vigário geral da diocese de Urgel.

Em Roma, entre os filhos ricos e as crianças de rua

Em 1592, talvez para resolver assuntos urgentes da Santa Sé, José foi a Roma, onde, entre outras coisas, foi também tutor dos sobrinhos do Cardeal Colonna, seu velho amigo. Este preciso encargo, em forte contraste com o que via em suas caminhadas pelas ruas da Cidade Eterna, contribuiu para esclarecer a sua ideia e refletiu: em cumprimento à sua missão sacerdotal, começou a visitar os enfermos em hospitais e os presos nos cárceres. No entanto, o que mais o impressionava era a juventude que vagueava ao léu pelas ruas: os jovens, muitas vezes até crianças, não tinham ninguém, eram abandonados e ignorados, dependentes dos vícios que, depois, se transformava em delinquência. Tudo aquilo era inadmissível na Cidade do Papa.

De repente, José entendeu que esta era a sua missão: salvar os jovens pobres da degradação, à qual eram condenados, através de uma educação regular, que não se limitasse somente ao catecismo dominical, que recebiam dos sacerdotes. Ele estava realmente ciente de que esta era a verdadeira vontade do Senhor.

Instrução: direito prioritário do homem

José de Calasanz iniciou a sua missão pedindo ajuda dos Jesuítas e Dominicanos, que, porém, estavam muito ocupados com outras atividades. Então, com a ajuda do pároco de Santa Doroteia, no bairro de Trastevere, que lhe colocou à disposição duas pequenas salas, José abriu a primeira escola gratuita da Europa para jovens das classes sociais mais pobres.

Não obstante, José ainda não tinha um projeto educacional preciso, mas vivia o dia a dia. Porém, estava consciente da sua obra, que se tornou a finalidade revolucionária da sua missão: ele considerava a instrução como um direito prioritário do homem e dos pobres, e como tal, não devia ser apenas um gesto de caridade, mas um ato de justiça social. Assim sendo, encontrou logo outros sacerdotes, dispostos a transmitir-lhes seus ensinamentos, gratuitamente.
Em 1612, José de Calasanz conseguiu até comprar um prédio na Praça Navona, com a aprovação da Santa Sé. Naquelas alturas, seus alunos já eram cerca de 1500.

Uma ideia promissora que despertava inveja

Em 1617, José sentiu a necessidade de dar uma espécie de “garantia” às suas escolas. Assim, com a aprovação do Papa, fundou a Congregação Paulina dos Pobres da Mãe de Deus das Pias Escolas, depois chamados Escolápios.

Em 1622, com a bênção do Papa Gregório XV, a Congregação tornou-se Ordem Regular. Em um retiro espiritual, em Narni, o Padre José escreveu as Constituições pelo próprio punho.

No entanto, infelizmente, as armadilhas estavam à espreita. Na época, a instrução e a cultura eram um direito reconhecido exclusivamente para as classes mais ricas. Por isso, a obra do Padre José começou a ser malvista pelos conservadores, que queriam manter o status quo. Então, iniciaram a fazer críticas difamatórias contra ele, a ponto de ser denunciado ao Santo Ofício, que reduziu a sua Ordem ao estado de Congregação de Sacerdotes Seculares, sujeitos à jurisdição episcopal.

A Ordem dos Escolápios e seu quarto voto

Passando por grandes sofrimentos físicos e espirituais, José de Calasanz concluiu sua vida terrena, voltando para a Casa do Pai em 1648, sem ver a reconstituição da sua Congregação, que foi, novamente, reconhecida como Ordem religiosa, segundo as Regras do seu fundador, somente em 1699.

Os primeiros Padres Escolápios ou Esculápios voltaram a professar seus Votos solenes, que além dos três habituais, acrescentam um quarto: o da educação dos jovens como missão primordial.

No entanto, suas Escolas se espalharam pelos quatro dos cinco Continentes e, hoje, contam 222 Casas espalhadas pelo mundo.

São José de Calasanz foi sepultado em Roma, canonizado por Clemente XIII, em 1767, e proclamado por Pio XII, em 1948, “Padroeiro universal de todas as Escolas populares cristãs do mundo”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 23 ago. 2023.

24 de agosto – Santa Joana Antida Thouret, virgem, fundadora das Irmãs da Caridade

Santa Joana Antida Thouret

Sou filha da Igreja, sejam vocês também comigo”

Joana nasceu no seio de uma família camponesa pobre, na aldeia de Sancey-le-Long, na França. Órfã de mãe, aos 16 anos a substituiu nos afazeres domésticos como também no trabalho do campo. Mas, a única que conseguiu consolá-la nesta imensa dor foi a Virgem Maria, à qual Joana era particularmente devota. Nossa Senhora tornou-se para ela uma verdadeira mãe, desde quando perdeu sua mãe terrena. Sua vocação para a vida religiosa também começou a se delinear, mas ela teve que se deparar com a rejeição do seu pai, que não aceitava a sua decisão.

A Revolução francesa e a supressão de Ordens

Aos 22 anos, Joana conseguiu entrar para a Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris. Porém, a Revolução Francesa estourou e todas as Ordens religiosas foram abolidas. Então seguiu o abade Receveur no seu exílio em Friburgo, Alemanha, e com ele se dedicou aos cuidados dos enfermos e à reabilitação das jovens. Depois, se transferiu para a Suíça, mas, finalmente, conseguiu regressar para Besançon, na França, onde, em 1797, abriu uma Escola para meninas pobres, sem deixar de assistir aos enfermos. Outras jovens uniram-se a ela: este foi o primeiro núcleo da nova Congregação, as Filhas da Caridade. O novo Instituto obteve a aprovação de Pio VII, em 1819, e também lhe concedeu a isenção da jurisdição episcopal.

Discórdia da “Filia Petri” com o Arcebispo de Besançon

Esta isenção, concedida pelo Papa, foi, para Joana, o início de um verdadeiro e próprio calvário. De fato, não obstante este reconhecimento Pontifício, o arcebispo de Besançon negou à Congregação a permissão de permanecer ali. Ele queria um Instituto em nível diocesano. Por isso, Joana foi a Roma para conversar com o Papa sobre este impasse. No entanto, em Besançon, foi eleita uma nova Superiora em seu lugar, que, no seu retorno, até lhe proibiu entrar no Instituto. Então, Joana decidiu, com o coração partido, desistir ao ver seu Instituto dividido. Desta forma, transferiu-se para Nápoles para administrar um grande hospital com algumas Irmãs que permaneceram fiéis. Às suas coirmãs confiou um programa de vida: “a glória de Deus e a santificação dos membros da Congregação, através das obras de misericórdia e da fidelidade heroica à Sé Apostólica”, a ponto de receber o título de “Filia Petri“.

Joana faleceu em 1826, sem ver a reunificação dos dois ramos do Instituto que fundou, que ocorreu apenas em 1954. Santa Joana Antida Thouret foi beatificada e canonizada por Pio XI, em 1934.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 23 ago. 2023.

23 de agosto – Santa Rosa de Lima, virgem, Terciária Dominicana

Santa Rosa de Lima, Angelino Medoro

Você é linda como uma Rosa!”

Isabel nasceu em Lima, em 1586; era a décima de treze filhos da família Flores de Oliva, nobre espanhola, transferida para o Peru. A sua ama, Mariana, de origem indígena, deu-lhe o nome de Rosa, pela incrível beleza que a caracterizava. Depois, este nome foi confirmado na Crisma e quando, aos vinte e três anos, recebeu o hábito religioso da Ordem Terceira Dominicana. Seu modelo de vida foi Santa Catarina de Sena. Ao nome Rosa foi acrescentado também o “de Santa Maria”, como expressão do seu tenro amor, que sempre nutria pela Virgem, à qual recorria, a todo instante, para pedir proteção.

Pobre entre os pobres

Rosa conheceu a pobreza quando a sua família caiu na miséria, por falência nos negócios paternos; trabalhou, arduamente, como doméstica, na horta e como bordadeira, até altas horas da noite; quando fazia entrega nas casas dos seus fregueses, aproveitava para levar a Palavra de Cristo e o seu anseio pelo bem e pela justiça, que, na sociedade peruana da época, – espezinhada pela Espanha colonizadora, – parecia totalmente ofuscada.

Na casa paterna, criou uma espécie de asilo para os necessitados, onde dava assistência às crianças e aos idosos abandonados, sobretudo de origem indígena.

Desde pequena, Rosa desejava consagrar-se a Deus com a vida claustral, permanecendo “virgem no mundo”; como Terciária Dominicana, trancou-se em uma cela de poucos metros quadrados, construída no jardim da casa paterna, da qual saía apenas para a função religiosa; ali, transcorria grande parte dos dias, dedicando-se à oração e em íntima comunhão com o Senhor.

“Dedique a mim todo o seu amor”!

Certo dia, enquanto rezava diante de uma imagem da Virgem Maria, que segurava Jesus nos braços, ouviu a voz daquele Menino, que lhe dizia: “Rosa, dedique a mim todo o seu amor…”! E não hesitou: desde então, Jesus foi o seu amor exclusivo até à morte: um amor cultivado com a virgindade, a oração e a penitência. Ela repetia sempre: “Meu Deus, podeis aumentar meus sofrimentos, contanto que aumenteis o meu amor por vós”. Assim, o significado redentor da Paixão de Cristo, tornou-se claro para ela: o sofrimento, vivido com fé, redime e salva. O sofrimento do homem pode ser associado ao sofrimento salvador de Cristo.

Esta foi uma verdadeira reviravolta interior, que coincidiu com a leitura da vida de Santa Catarina, da qual aprendeu a amar o sangue de Cristo e a Igreja. Precisamente na sua cela no jardim, Rosa reviveu, na sua carne, a Paixão de Jesus, por duas intenções: a conversão dos espanhóis e a evangelização dos índios.

Devoção e Ano jubilar

A Santa Rosa foram atribuídos atos de mortificação e castigos corporais, de todo tipo, mas também tantas conversões e milagres. Um deles foi a não invasão dos piratas holandeses em Lima, em 1615.

Quando ainda era viva, Rosa foi examinada por uma Comissão mista de religiosos e cientistas, que julgou as suas experiências místicas como verdadeiros “dons da graça”; tanto é verdade que, quando ela morreu, pela enorme multidão que participou do seu enterro, já era considerada Santa.

Rosa faleceu só depois de renovar seus Votos religiosos, repetindo várias vezes: “Jesus, permanecei comigo!” Transcorria o dia 23 de agosto de 1617.

Após a sua morte, quando seu corpo foi trasladado para a Capela do Rosário, Nossa Senhora sorriu-lhe pela última vez, daquela estátua, diante da qual a Santa havia rezado tantas vezes. Ao ver o ocorrido, a multidão presente gritou: “milagre”!

Em 1668, Rosa de Lima foi beatificada pelo Papa Clemente IX e canonizada três anos depois.

Santa Rosa de Lima foi a primeira mulher a ser canonizada no Novo Mundo. Ela é Padroeira do Peru, da América Latina, das Índias e das Filipinas. É invocada também como protetora dos floricultores e jardineiros, contra as erupções vulcânicas e ainda em casos de feridas ou de brigas familiares.

Os 400 anos da morte de Santa Rosa foram comemorados com um Ano jubilar, que teve como lema: “400 anos intercedendo por você”, referindo-se às milhares de orações que a Santa havia atendido durante quatro séculos.”

Fonte: Vatican News. Acesso em: 22 ago. 2023.

22 de agosto – São Filipe Benício, presbítero dos Servos de Maria

Século XVII, por Dolci Carlo, atualmente no Museu de Belas Artes de Brest, na França

Irmão leigo dos Servos de Maria, Filipe dedicou-se, por 5 anos, aos trabalhos mais humildes da Ordem; depois, ao ser ordenado sacerdote, tornou-se Mestre de Noviços. Em 1267, como Prior geral e propagador da Ordem, escreveu suas Constituições. Faleceu em Todi, em 1285, e canonizado em 1671.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 ago. 2023.

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Por Mauro Nascimento