Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

Página 98 de 167

23 de agosto – Santa Rosa de Lima, virgem, Terciária Dominicana

Santa Rosa de Lima, Angelino Medoro

Você é linda como uma Rosa!”

Isabel nasceu em Lima, em 1586; era a décima de treze filhos da família Flores de Oliva, nobre espanhola, transferida para o Peru. A sua ama, Mariana, de origem indígena, deu-lhe o nome de Rosa, pela incrível beleza que a caracterizava. Depois, este nome foi confirmado na Crisma e quando, aos vinte e três anos, recebeu o hábito religioso da Ordem Terceira Dominicana. Seu modelo de vida foi Santa Catarina de Sena. Ao nome Rosa foi acrescentado também o “de Santa Maria”, como expressão do seu tenro amor, que sempre nutria pela Virgem, à qual recorria, a todo instante, para pedir proteção.

Pobre entre os pobres

Rosa conheceu a pobreza quando a sua família caiu na miséria, por falência nos negócios paternos; trabalhou, arduamente, como doméstica, na horta e como bordadeira, até altas horas da noite; quando fazia entrega nas casas dos seus fregueses, aproveitava para levar a Palavra de Cristo e o seu anseio pelo bem e pela justiça, que, na sociedade peruana da época, – espezinhada pela Espanha colonizadora, – parecia totalmente ofuscada.

Na casa paterna, criou uma espécie de asilo para os necessitados, onde dava assistência às crianças e aos idosos abandonados, sobretudo de origem indígena.

Desde pequena, Rosa desejava consagrar-se a Deus com a vida claustral, permanecendo “virgem no mundo”; como Terciária Dominicana, trancou-se em uma cela de poucos metros quadrados, construída no jardim da casa paterna, da qual saía apenas para a função religiosa; ali, transcorria grande parte dos dias, dedicando-se à oração e em íntima comunhão com o Senhor.

“Dedique a mim todo o seu amor”!

Certo dia, enquanto rezava diante de uma imagem da Virgem Maria, que segurava Jesus nos braços, ouviu a voz daquele Menino, que lhe dizia: “Rosa, dedique a mim todo o seu amor…”! E não hesitou: desde então, Jesus foi o seu amor exclusivo até à morte: um amor cultivado com a virgindade, a oração e a penitência. Ela repetia sempre: “Meu Deus, podeis aumentar meus sofrimentos, contanto que aumenteis o meu amor por vós”. Assim, o significado redentor da Paixão de Cristo, tornou-se claro para ela: o sofrimento, vivido com fé, redime e salva. O sofrimento do homem pode ser associado ao sofrimento salvador de Cristo.

Esta foi uma verdadeira reviravolta interior, que coincidiu com a leitura da vida de Santa Catarina, da qual aprendeu a amar o sangue de Cristo e a Igreja. Precisamente na sua cela no jardim, Rosa reviveu, na sua carne, a Paixão de Jesus, por duas intenções: a conversão dos espanhóis e a evangelização dos índios.

Devoção e Ano jubilar

A Santa Rosa foram atribuídos atos de mortificação e castigos corporais, de todo tipo, mas também tantas conversões e milagres. Um deles foi a não invasão dos piratas holandeses em Lima, em 1615.

Quando ainda era viva, Rosa foi examinada por uma Comissão mista de religiosos e cientistas, que julgou as suas experiências místicas como verdadeiros “dons da graça”; tanto é verdade que, quando ela morreu, pela enorme multidão que participou do seu enterro, já era considerada Santa.

Rosa faleceu só depois de renovar seus Votos religiosos, repetindo várias vezes: “Jesus, permanecei comigo!” Transcorria o dia 23 de agosto de 1617.

Após a sua morte, quando seu corpo foi trasladado para a Capela do Rosário, Nossa Senhora sorriu-lhe pela última vez, daquela estátua, diante da qual a Santa havia rezado tantas vezes. Ao ver o ocorrido, a multidão presente gritou: “milagre”!

Em 1668, Rosa de Lima foi beatificada pelo Papa Clemente IX e canonizada três anos depois.

Santa Rosa de Lima foi a primeira mulher a ser canonizada no Novo Mundo. Ela é Padroeira do Peru, da América Latina, das Índias e das Filipinas. É invocada também como protetora dos floricultores e jardineiros, contra as erupções vulcânicas e ainda em casos de feridas ou de brigas familiares.

Os 400 anos da morte de Santa Rosa foram comemorados com um Ano jubilar, que teve como lema: “400 anos intercedendo por você”, referindo-se às milhares de orações que a Santa havia atendido durante quatro séculos.”

Fonte: Vatican News. Acesso em: 22 ago. 2023.

22 de agosto – São Filipe Benício, presbítero dos Servos de Maria

Século XVII, por Dolci Carlo, atualmente no Museu de Belas Artes de Brest, na França

Irmão leigo dos Servos de Maria, Filipe dedicou-se, por 5 anos, aos trabalhos mais humildes da Ordem; depois, ao ser ordenado sacerdote, tornou-se Mestre de Noviços. Em 1267, como Prior geral e propagador da Ordem, escreveu suas Constituições. Faleceu em Todi, em 1285, e canonizado em 1671.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 ago. 2023.

22 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Oremos especialmente por aqueles irmãos que ainda se deixam conduzir pela maldade e pela ignorância. São os irmãos difíceis e que nos causam problemas os mais necessitados de uma prece, uma oração sincera. Jesus nos disse há mais de dois mil anos que Ele veio para salvar aqueles que estavam perdidos do caminho do Senhor. Assim, oremos por aqueles que nos ferem, que nos ofendem. A oração tem um poder que não temos noção. A oração opera mudanças no estado psíquico de uma pessoa e mesmo da atmosfera psíquica do Planeta em que nos encontramos. Oremos e confiemos no nosso Pai Celestial. Jesus nos disse que nenhuma de suas ovelhas se perderia do seu rebanho. Disse ainda que os sãos não necessitam de médico. Então, colaboremos com o Cristo ajudando, auxiliando, especialmente os irmãos mais difíceis. Não podemos nos esquecer de que independentemente de alguém ser bom ou mau não deixa de ser um filho de Deus. Se não pudermos fazer nada de material por alguém, façamos uma prece. A prece é o maior bem que podemos oferecer a alguém. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta (Mt 7, 11).”

Monsenhor André Sampaio

21 de agosto – São Pio X, papa

São Pio X, Basílica de São Paulo Extramuros

Quantos pensamentos se passavam pela cabeça do pequeno José Sarto, quando percorria, – muitas vezes, a pé, – a estrada da sua casa, em Riese, na região veneta, até à escola em Castelfranco! Mas, jamais teria imaginado que um dia ocuparia o sólio de Pedro.

Pio X foi o primeiro Papa, na história contemporânea, proveniente da classe camponesa; a sua formação foi exclusivamente pastoral: não ocupou nenhum cargo na Cúria Romana, nem nas atividades diplomáticas da Santa Sé.

Nasceu em 1835 e foi o segundo de dez filhos. Com a morte do pai, poderia tê-lo substituído no trabalho Municipal – pois tinha 17 anos – mas a sua mãe o ajudou a seguir a sua vocação, trabalhando, dia e noite, para ir levando a vida. Tal amor e tenacidade não foram esquecidos por José Sarto: gostava de estudar, gozava de uma ótima saúde, era bondoso, mas também muito tenaz, e tinha uma vida rica de obras de caridade. Foi capelão, pároco, diretor espiritual no Seminário, Bispo de Mântua, Patriarca de Veneza e, por fim, Papa. Seu primeiro ato, como Pontífice, foi abolir o “veto laical”, – uma espécie de direito, derivado de algumas monarquias europeias – com a Constituição “Commissum nobis“.

“Restaurar” para reformar

O famoso Catecismo, que traz o seu nome, foi adotado na Itália com uma particular estrutura de “perguntas e respostas”. Foi elaborado precisamente para pessoas simples, em uma sociedade onde a cultura ainda não havia atingido todas as classes sociais. A maior preocupação de Pio X era difundir, o máximo possível, a catequese entre os cristãos. Eis algumas das principais características do seu Pontificado: oposição ao modernismo e às leis anticristãs na França; impulso à reforma do Direito Canônico e da Cúria Romana; antecipação para sete anos de idade a Primeira Comunhão. Ainda na Itália, a moderação das restrições do “Non expedit” de Pio IX, ou seja, a proibição dos católicos italianos de participar da vida política.

Por outro lado, Pio X favoreceu a reforma Litúrgica, o movimento Bíblico e deu prioridade ao canto gregoriano. Mas, ao centro de tudo, estava a participação na Eucaristia. Estes são apenas alguns acenos, diante da riqueza das intervenções do seu Pontificado.

Ao centro, a preocupação Pastoral

Logo, o Papado de Pio X foi, certamente, muito “ativo” e variegado, tanto que, seu grande amigo e Secretário de Estado, Cardeal Rafael Merry del Val, não por acaso, ressaltou: “Este enorme trabalho foi, sobretudo, devido à sua iniciativa pessoal, consequente da sua bondade, que ninguém seria capaz de colocar em dúvida”. Ao centro da sua vida e Magistério estava a sua preocupação pastoral, em uma sociedade onde se advertia, cada vez mais, uma crise de Fé. Esta sua intenção já era claramente expressa no lema do seu Pontificado “Instaurare omnia in Christo“, extraído da Carta aos Efésios. Enfim, São Pio X quis viver como pobre. De fato, deixou escrito em seu testamento: “Nasci pobre, vivi como pobre e, certamente, morrerei muito pobre”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 18 ago. 2023.

« Posts anteriores Posts recentes »

© 2026 Katholikos

Por Mauro Nascimento