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Catolicismo de maneira inclusiva

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Reflexões sobre a morte e o significado da vida

A alegria de um nascimento é um momento de celebração, um símbolo do início de uma jornada repleta de expectativas e possibilidades. Por outro lado, a intensidade do sofrimento causado por uma morte, embora inevitável, muitas vezes nos leva a questionar por que experienciamos tal dor. Afinal, a morte não é apenas o término da vida, mas a cessação de um conjunto único de memórias, talentos e potencialidades que ainda poderiam ter sido desenvolvidos pela pessoa que se foi.

A morte é um tema complexo que tem desafiado a humanidade desde tempos imemoriais. Mesmo com avanços na ciência e medicina, continua sendo um enigma que nos faz refletir profundamente sobre a natureza da existência humana. Uma das razões pelas quais a morte é tão perturbadora é o fato de que ela não é apenas a extinção da vida física, mas também o fim de todas as experiências, sonhos e potenciais que essa vida continha.

Quando alguém morre, não perdemos apenas a sua presença física, mas também todas as memórias compartilhadas, momentos especiais e a influência que essa pessoa teve em nossas vidas. Além disso, a morte representa a perda de todo o potencial não realizado daquela pessoa. Os dons, talentos e conhecimentos que poderiam ter sido compartilhados e contribuído para o mundo são interrompidos.

Refletir sobre a morte não é apenas uma tarefa sombria, mas uma oportunidade para valorizarmos a vida de uma maneira mais profunda. Quando compreendemos a efemeridade da existência, somos incentivados a apreciar cada momento, a cultivar relacionamentos significativos e a buscar nossos próprios potenciais. A morte nos lembra da impermanência da vida e da importância de viver com autenticidade e propósito.

A alegria de um nascimento e o sofrimento de uma morte são duas faces da mesma moeda, representando o ciclo da vida. A reflexão sobre a morte nos convida a explorar o significado da vida e a abraçar a importância de cada momento. Em vez de nos afundarmos na tristeza da perda, podemos honrar aqueles que partiram lembrando-nos das lições que sua vida e morte nos ensinaram. É através dessa compreensão que podemos encontrar um sentido mais profundo na existência e viver de maneira mais plena.

Mauro Nascimento

19 de setembro – Monsenhor André Sampaio

“Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença. A alegria, o ânimo e o otimismo poderão lhe trazer importantes vitórias na sua vida. Creia nisso. Viva sempre com muita alegria e otimismo que sua vida será repleta de paz e felicidade…”

Monsenhor André Sampaio

19 de setembro – São Januário, bispo de Benevento e mártir

O martírio de São Gennaro e seus companheiros, Menologia de Basílio II

“[…] Como este sangue, que se liquefaz em cada celebração, assim a fé do povo napolitano possa se abrasar, reavivar e se consolidar […]” (Paulo VI, discurso aos peregrinos napolitanos, 1966).

Natural de Nápoles ou talvez de Benevento, Januário nasceu na segunda metade do século III; aos trinta anos, já era Bispo da cidade samnita, onde era amado pelos fiéis e respeitado pelos pagãos, por suas obras de caridade para com os pobres, sem nenhuma distinção. Transcorria o primeiro período do império de Diocleciano, quando os cristãos tinham certa liberdade de culto e podiam até ocupar altos cargos civis. Mas, no ano 303, tudo mudou e os cristãos eram vistos como inimigos a serem eliminados.

Mártir da fé

O episódio, que levou Januário ao martírio, ocorreu no início do século IV, com a retomada das perseguições contra os cristãos. Há algum tempo, Januário era muito amigo de Sóssio, diácono da cidade de Miseno. Certo dia, enquanto lia o Evangelho na igreja, teve uma visão: apareceu uma chama sobre a sua cabeça. Reconhecendo nela o símbolo do seu futuro martírio, Januário deu graças ao Senhor e pediu para aquele fosse o seu destino. Assim, o Bispo convidou Sóssio a participar da visita pastoral, que se realizaria em Pozzuoli, para falar sobre a fé. O diácono pôs-se a caminho, mas, durante a viagem, foi preso pelos guardas, enviados por Dragôncio, governador da Campânia. Na prisão recebeu a visita de Januário, acompanhado pelo diácono Festo e o leitor Desidério: os três tentaram interceder, junto a Sóssio, pela sua libertação. Mas, em resposta, todos foram condenados a serem dilacerados publicamente pelos ursos. No entanto, a notícia da sua condenação à morte não foi bem vista pelo povo. Por isso, temendo uma revolta, o governador mudou a sentença para uma decapitação discreta, longe dos olhos do povo. Foram martirizados também Próculo, diácono da igreja de Pozzuoli, e os fiéis Eutíquio e Acúcio, por terem criticado a execução publicamente.

Outra versão do martírio

Nem todas as fontes, tão antigas, concordavam com o martírio de São Januário e, por isso, há outra hipótese do que, provavelmente, poderia ter acontecido: enquanto Januário se encaminhava para Nola, o pérfido juiz, Timóteo, o prendeu com a acusação de proselitismo, que violava os decretos imperiais. No entanto, as torturas perpetradas contra o Santo, não afetaram seu corpo ou sua fé. Por isso, Timóteo o jogou em uma fornalha da qual, mais uma vez, Januário saiu ileso. Enfim, foi condenado à decapitação em um lugar perto da chamada Solfatara. Durante a sua transferência, encontrou um mendigo, que lhe pede um pedaço do seu manto para guardar como relíquia: o Santo respondeu que podia ficar com todo o lenço, que estava amarrado em seu pescoço, antes da execução. Antes de morrer, Januário colocou um dedo na garganta, que também foi decepado pela lâmina, junto com o lenço, depois conservados como relíquia.

O milagre da liquefação de sangue

Segundo o costume, por ocasião da execução dos mártires, uma mulher, Eusébia, chegou ao lugar da morte de Januário e recolheu, em duas ampolas, o sangue derramado pelo Bispo, já em odor de santidade. Ela as entregou ao Bispo de Nápoles, que mandou construir duas capelas em homenagem ao sagrado traslado: São Januarinho em Vômero e São Januário em Antignano. Seu corpo, ao invés, sepultado na zona rural de Marciano, teve uma primeira translação, no século V, quando o culto ao Santo já era bem difundido. São Januário foi canonizado por Sisto V, em 1586. Quanto à relíquia do seu sangue, foi exposta, pela primeira vez, em 1305. Porém, o milagre do seu sangue, que parece quase ferver e voltar ao estado líquido, permanecendo até a oitava seguinte, ocorreu, pela primeira vez, em 17 de agosto de 1389, após uma grande escassez. Hoje, o milagre se repete três vezes ao ano: no primeiro sábado de maio, em memória da primeira translação; em 19 de setembro, memória litúrgica do Santo e data do seu martírio; e em 16 de dezembro, para comemorar a desastrosa erupção do Vesúvio, em 1631, bloqueada por intercessão do Santo. As duas ampolas estão conservadas em uma teca de prata, por desejo de Roberto d’Angiò, na Capela do Tesouro de São Januário, na Catedral de Nápoles.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 13 set. 2023.

18 de setembro – Santa Sofia

Sec. XVI, Galeria Tretyakov

Sofia, em grego, significa sabedoria. Não obstante, sobre esta Santa, com este nome e que a Igreja recorda em 18 de setembro, sabe-se muito pouco. O Menológio da Liturgia grega – isto é, o volume que contém hinos e orações dedicadas a cada Santo em cada dia do ano – comemora Santa Sofia junto com Santa Irene, mártires em Chipre, sobre as quais faz alusão à sua decapitação.

Em que século viveu?

Várias tradições são confusas até sobre a época em que Sofia viveu: para algumas, a Santa faria parte dos primeiros cristãos; enquanto para outras, ela viveu na época bizantina. É certo, porém, que foi o Cardeal César Baronio, no século XVI, a incluir Sofia e Irene na sua obra Martyrologium Romanum, estabelecendo sua memória litúrgica em 18 de setembro.

Outra Sofia

Muitas vezes, a história de Sofia, mártir em Chipre, se entrelaça com aquela, bem mais legendária, de Sofia que foi martirizada em Roma, durante o império de Trajano (século I-II d.C.), e comemorada em 30 de setembro.

De origem grega e venerada no Oriente, Sofia, esposa de Filandro, teria dado à luz três filhas: Vera, Nadezda e Liubov. Curiosamente, ao longo dos séculos, as três jovens foram associadas às três virtudes teologais de Fé, Esperança e Caridade, talvez, graças ao significado sábio do nome materno.

O Suplício

Ao tornar-se viúva, Sofia teria dedicado a sua vida à ajuda e assistência aos prisioneiros cristãos. Porém, teria sido exatamente esta sua atividade caritativa a despertar a ira do imperador.

Segundo as lendas, Trajano a convocou e lhe pediu para renunciar à fé cristã. No entanto, Sofia recusou-se e, como castigo, foi submetida ao suplício do flagelo.

Mas, dizem, que outra terrível tortura a aguardava: assistir à tortura à qual foram submetidas suas três filhas, que passaram pelo chicote, a espada e o fogo. Apesar dos sofrimentos, as jovens não desistiram. Por isso, os algozes foram obrigados a decapitá-las.

Sofia recolheu seus corpos estraçalhados e deu-lhes uma sepultura digna sobre uma colina, fora da cidade. Três dias depois, consumida pelo sofrimento, a mulher caiu morta sobre o túmulo das suas filhas.

Traslado dos restos mortais

A veneração das quatro mulheres aumentou ao longo dos anos, até que, no século VIII, o Papa Paulo I teria mandado transferir os restos mortais das mártires da Via Aurélia para a igreja de São Silvestre, no Campo Márcio.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 13 set. 2023.

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Por Mauro Nascimento