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Catolicismo de maneira inclusiva

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Reflexões sobre o falecimento de Karol Eller: um grito contra a “cura gay”

A notícia do falecimento de Karol Eller é uma tragédia que ecoa além das fronteiras de uma vida individual. Sua história, marcada por uma luta contra a chamada “cura gay,” é, lamentavelmente, compartilhada por inúmeras outras pessoas.

A “cura gay” é uma prática que algumas igrejas e grupos adotam, baseada na crença de que a homossexualidade, bissexualidade e transexualidade são patologias ou pecados. Essa abordagem cria um ambiente de tortura emocional, onde indivíduos são submetidos a pressões para suprimir sua verdadeira identidade, gerando culpa, medo, frustração, angústia e, em muitos casos, depressão.

Essa visão extrema e desumana deriva de uma leitura literalista, descontextualizada, dogmática e muitas vezes fria da Bíblia. É importante ressaltar que essa interpretação está longe de ser a única possível, e muitos líderes religiosos e comunidades de fé abraçam uma compreensão mais inclusiva e amorosa dos ensinamentos religiosos.

O cerne da questão é a falta de amor e respeito que permeia essa abordagem. Jesus, que é frequentemente citado como modelo de amor e compaixão, ensinou a amar o próximo como a si mesmo e a não julgar. Portanto, é contraditório que a “cura gay” seja realizada em seu nome, causando danos profundos a indivíduos que já enfrentam desafios significativos em sua jornada.

Para avançar em direção a um mundo mais inclusivo e respeitoso, é fundamental que as comunidades religiosas reavaliem suas abordagens à diversidade de orientações sexuais e identidades de gênero. O respeito à dignidade de cada ser humano, independentemente de sua orientação sexual, é um princípio que pode e deve coexistir com as crenças religiosas.

O falecimento de Karol Eller deve servir como um lembrete doloroso da urgência de promover uma sociedade onde o amor, a empatia e o respeito prevaleçam. A “cura gay” é uma prática desumana que precisa ser abandonada, substituída pela aceitação e pelo entendimento. Somente assim podemos honrar o legado de Karol e de todos aqueles que sofreram sob a sombra dessa terrível violência.

Mauro Nascimento

Referência:

Karol Eller: “cura gay” é tortura sem base na ciência, diz psicóloga. Acesso em: 14 out. 2023.

20 de outubro – Santa Maria Bertila Boscardin, virgem de Treviso

Imagem: Wikimedia

Irmã Bertilla conheceu a vida hospitalar, sob diversos pontos de vista, tornando-se enfermeira entre as Mestras de Santa Doroteia, Filhas dos Santíssimos Corações, em Vicência. Trabalhou em Treviso, onde foi acometida por um tumor, que não a poupou. Faleceu aos 34 anos e foi canonizada em 1961.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 19 out. 2023.

20 de outubro – Monsenhor André Sampaio

“Todos os dias a terra dá uma volta em torno de si mesma. O sol nasce e se põe para a lua poder reinar. O mundo dá voltas. A vida dá voltas. E tudo tem o seu tempo.

É preciso ter paciência e saber esperar. Cada novo dia que nasce é uma nova chance para continuar tentando. Ao acordar pense sempre que o mundo e a vida não param, nem enquanto você dorme.

Deseje ter um bom dia, pois isso só depende de você. Se lhe falta disciplina, discipline-se! Se lhe falta alegria, procure descobrir o que pode lhe fazer feliz! Se se sente triste, identifique aquilo que lhe faz mal e tire da sua vida!

Se ontem você não conseguiu alcançar o que queria, hoje é um belo dia para conseguir. O mundo dá voltas para nos mostrar que vale sempre a pena recomeçar. Nunca desista daquilo que acredita.

Deseje ao mundo um bom dia e tenha uma boa vida!”

Monsenhor André Sampaio

19 de outubro – São Paulo da Cruz, presbítero, fundador dos Passionistas

Paulo Francisco Danei nasceu em Ovada, uma pequena cidade na região italiana do Piemonte. Foi o primeiro de 16 filhos, que alegravam a casa de uma família de origens nobres, mas com dificuldades econômicas. Desde criança, demonstrou grande interesse pela religião: tinha uma fé sólida, que nutria com a participação diária da Missa, a frequência dos Sacramentos e a prática contínua da oração. Mas, para ajudar a família, começou a trabalhar com o pai, cuja profissão não o satisfazia. Sua vocação era outra.

A Cruz no coração e na alma

Em 1713, aconteceu algo na vida de Paulo Francisco: decidiu viver como monge eremita, sem pertencer a nenhuma Ordem. Aos 26 anos, o Bispo local permitiu-lhe morar em uma cela, atrás da igreja de Castellazzo Bormida. Ali, amadureceu a ideia de fundar uma nova Congregação dos Pobres de Jesus. Naquela cela, por mais de um ano, escreveu a Regra, orientada ao amor à Cruz. Esta, de fato, foi a espiritualidade típica dos religiosos guiados por Paulo: em uma época de pouca fé, ele abraçou a escolha mais impopular, com base na cruz e no sacrifício. Ele gostava de ser chamado “Irmão Paulo da Cruz” e se dedicava aos pobres e enfermos, nos quais contemplava o rosto de Jesus crucificado.

A Paixão, amor de Deus pelo homem

Finalmente, em 1727, o Papa Bento XIII permitiu que Paulo reunisse, em torno de si, alguns companheiros para ajudá-lo. O primeiro foi seu irmão consanguíneo, João Batista: ambos foram ordenados sacerdotes no mesmo ano. Assim, nasceu o primeiro núcleo da Ordem dos Clérigos Descalços da Santa Cruz e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, depois denominados Passionistas. A base de tudo era a pertença radical à cruz de Jesus e o conceito de que a sua Paixão não era apenas um pré-requisito inevitável para a remissão dos pecados, mas “a máxima expressão do amor de Deus pelo homem”. Os primeiros religiosos eram formados como pregadores: não lutavam contra os turcos com armas, mas, com a Palavra, venciam a ignorância, a irreligiosidade e o abandono do Evangelho.

Ao lado dos “inacessíveis”

Paulo da Cruz pregou muito e também escreveu, talvez, mais de dez mil cartas; a sua pregação, durante o Jubileu de 1750 foi histórica. Porém, passou grande parte da sua vida na solidão: retirou-se para o Monte Argentário, onde fundou o primeiro convento. Dali, partiu para as missões nas regiões mais pobres da Maremma e nas ilhas mais remotas do arquipélago toscano, onde a Palavra de Deus era difícil penetrar. Em 1771, graças à colaboração da Madre Crocefissa Costantini, fundou, em Tarquínia, o ramo feminino do Congregação: as monjas de clausura tornaram-se Irmãs Passionistas de São Paulo da Cruz, uma Congregação de vida apostólica dedicada à missão educativa, sobretudo das mulheres, vítimas da violência e exploração. Paulo da Cruz faleceu em Roma, em 1775, e foi canonizado por Pio IX, em 1867.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 17 out. 2023.

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Por Mauro Nascimento