Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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11 de novembro – Monsenhor André Sampaio

“Não fiquem inquietos com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados” (Mt 6,34).

“Estas palavras de Jesus, são palavras a respeito da maravilhosa provisão divina. Às vezes sentimos que estamos fora da ajuda e provisão do Senhor. Achamos que não temos força, energia emocional, sabedoria ou coragem suficiente para enfrentarmos o dia seguinte. Sentimo-nos com as mãos vazias e nos rendemos ao pânico. Estes sentimentos são frutos de nossa ansiedade, que nos leva a querer cobrir o ontem e o amanhã com a provisão de hoje. A providência divina é aquele fator de graça que providencia exatamente o que precisamos e quando precisamos. Você amanhã terá forças para vencer de novo, da mesma forma que venceu ontem e está vencendo hoje.”

Monsenhor André Sampaio

11 de novembro – São Martinho, bispo de Tours

São Martinho, bispo de Tours (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

Seu gesto: poucos personagens podem ter sua história resumida em uma única ação, tão poderosa a ponto de permanecer indelével e profunda em uma vida.

São Martinho pertenceu a uma categoria especial de santos. Seu famoso manto é a antonomásia de um homem que nasceu em 316 ou 317, ao término do tardo Império Romano, na Panônia, hoje Hungria.

Filho de um tribuno militar, Martinho viveu em Pavia porque seu pai, um veterano do exército, havia recebido de presente um terreno naquela cidade.

Seus pais eram pagãos, mas a criança era atraída pelo cristianismo; com apenas 12 anos, queria ser asceta e retirar-se para o deserto. Mas, um edito imperial interpôs a farda e a espada ao seu sonho de oração em solidão. Por isso, Martinho teve que se alistar e acabou em um quartel na Gália.

Metade ao pobre Jesus

Seu gesto do manto ocorreu em torno do ano 335. Como membro da guarda imperial, o jovem soldado era muito requerido para as rondas noturnas. Em uma delas, durante o inverno, Martinho deparou-se, a cavalo, com um mendigo seminu. Movido de compaixão, tirou seu manto, o cortou em duas partes e deu a metade ao pobre. Na noite seguinte, Jesus apareceu-lhe em sonho, usando a metade do manto, dizendo aos anjos: “Este aqui é Martinho, o soldado romano não batizado: ele me cobriu com seu manto”. O sonho impressionou muito o jovem soldado, que, a festa da Páscoa seguinte foi batizado.

Por vinte anos, ele continuou a servir o exército de Roma, dando testemunho da sua fé em um ambiente tão distante dos seus sonhos de adolescente. Mas, ele ainda tinha uma longa vida para ser vivida.

Do mosteiro à púrpura

Logo que pôde, ao ser dispensado do exército, foi ter com o Dom Hilário, bispo de Poitiers, firme opositor da heresia ariana.

Esta oposição do purpurado custou-lhe o exílio, pois o imperador Constâncio II era um seguidor da doutrina de Ário. No entanto, Martinho tinha ido visitar a sua família na Panônia. Ao saber da notícia, retirou-se para um mosteiro perto de Milão.

Quando o Bispo voltou do exílio, Martinho foi visitá-lo, obtendo dele a permissão para fundar um mosteiro perto de Tours. Assim, vivendo uma vida austera em cabanas, o ex-soldado, – que havia dado seu manto a Jesus, – tornou-se pobre como desejava. Rezava e pregava a fé católica em terras francesas, onde ficou conhecido por muitos.

Sua popularidade transformou-se em nomeação como Bispo de Tours, em 371. Martinho aceitou, mas com seu estilo próprio de vida: não quis viver como príncipe da Igreja, para que as pessoas – pobres, presos e enfermos – continuassem a encontrar abrigo sob seu manto.

São Martinho viveu nas adjacências dos muros da cidade, no mosteiro de Marmoutier, o mais antigo da França. Dezenas de monges o seguiram, muitos deles, pertenciam à casta nobre.

Um verdadeiro cavaleiro

Em 397, em Condate, atual Candes de Saint-Martin, o Bispo de 80 anos partiu com a missão de reconstituir um cisma surgido entre o clero local. Em virtude do seu carisma, pacificou os ânimos. Mas, antes de regressar para Tours, foi acometido por uma série de febres violentas.

São Martinho de Tours faleceu, deitado na terra nua, conforme o seu desejo. Uma grande multidão participou do enterro de um homem tão querido, generoso e solidário como um verdadeiro cavaleiro de Cristo.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 08 nov. 2023.

10 de novembro – São Leão Magno, papa e doutor da Igreja

São Leão Magno, Basílica de São Paulo Extramuros

No ano 452 d.C., a península italiana tremia diante dos Hunos, liderados por Átila. Grande parte do norte já havia caído nas garras do invasor. As cidades de Aquileia, Pádua e Milão tinham sido conquistadas, saqueadas e arrasadas. Átila avançava na sua continua corrida e se encontrava perto de Mântua, no rio Mincio. Ali, a história se detém e se forma.
Leão Magno, eleito Papa doze anos antes, guiou uma delegação de Roma para se encontrar com Átila, o qual dissuadiu a continuar a guerra de invasão.

A lenda – retomada depois por Raphael, nos afrescos das “Salas do Vaticano” – narra que o líder dos hunos se retirou após ter visto aparecer, atrás de Leão, os Apóstolos Pedro e Paulo, armados de espadas.

Três anos depois, em 455, foi ainda o “Papa Magno”, embora desarmado, a deter, às portas de Roma, os Vândalos da África, guiados pelo rei Genserico. Graças à sua intervenção, a cidade foi saqueada, mas não incendiada. Permaneceram intactas as Basílicas de São Pedro, de São Paulo fora dos Muros e de São João em Latrão, nas quais a população encontrou abrigo e se salvou.

“Pedro falou pela boca de Leão”

A vida de Leão, porém, não consistiu apenas no seu compromisso com a paz, que levou adiante com coragem e sem cessar. O Pontífice dedicou-se muito também à defesa da doutrina. Foi ele que, de fato, inspirou o Concílio Ecumênico de Calcedônia – atual Kadiköy, na Turquia -, que reconheceu e afirmou a unidade de duas naturezas em Cristo: humana e divina; rejeitou a “heresia de Eutiques”, que negava a essência humana do Filho de Deus. A intervenção de Leão no Concílio foi feita através de um texto doutrinal fundamental: o “Tomo de Leão” contra Flaviano, bispo de Constantinopla. O documento foi lido publicamente aos 350 Padres conciliares, que o acolheram por aclamação, afirmando: “Pedro falou pela boca de Leão, que ensinou segundo a piedade e a verdade”.

Teólogo e pastor

Sustentador e promotor da Primazia de Roma, o “Pontífice Magno” deixou para a história quase 100 sermões e cerca de 150 cartas, nos quais demonstra ser teólogo e pastor, zeloso com a comunhão entre as várias Igrejas, sem jamais esquecer as necessidades dos fiéis. De fato, foi para eles que incentivou as obras de caridade em uma Roma dominada pela escassez, pobreza, injustiças e superstições pagãs; colocou em prática todas as ações necessárias – lê-se em seus escritos – para manter constantemente a justiça e “oferecer amorosamente a clemência, porque sem Cristo nada podemos fazer, mas com Ele tudo é possível”.

O 45º Papa da história

Natural da Toscana, tornou-se diácono da Igreja de Roma, por volta do ano 430; dez anos depois, Leão foi enviado pela imperatriz Plácida para pacificar a Gália, disputada pelo general Aécio e o prefeito pretoriano Albino. Após alguns meses, faleceu o Papa Sisto III. Leão, seu conselheiro, foi o Sucessor. Sua consagração como Pontífice – o 45º da história – ocorreu em 29 de setembro de 440.

Um Pontificado de “primazias”

Seu Pontificado, que durou vinte e um anos, colecionou várias primazias: foi o primeiro Bispo de Roma a ser chamado Leão; o primeiro Sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”; o primeiro Papa, que por sua pregação, foi também um dos dois únicos Papas – o outro foi Gregório Magno – a receber, em 1754, por desejo do Papa Bento XIV, o título de “Doutor da Igreja”.

A morte de Leão Magno ocorreu em 10 de novembro de 461. Segundo alguns historiadores, ele foi também o primeiro Papa a ser sepultado na Basílica Vaticana. Suas relíquias, ainda hoje, são conservadas na Capela de “Nossa Senhora do Pilar, na Basílica de São Pedro”.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 08 nov. 2023.

10 de novembro – Monsenhor André Sampaio

“Sabemos que todos têm suas dificuldades, seja no lar, no trabalho, na igreja ou templo que frequentam, enfim, de formas diversas. Onde existe dificuldade, normalmente há conflito. São pessoas que agem e pensam de forma diferente. As diferenças sempre hão de existir, pois cada pessoa encontra-se num grau de entendimento, crescimento e limitação. Então, caberá aquele que tem mais conhecimento fazer o possível para dirimir os conflitos, especialmente quando ocorrem dentro do lar. Não podemos imaginar que todas as pessoas pensam da mesma maneira. Temos que compreender o tempo e a limitação de cada um. Alguns estão alguns passos à frente, outros alguns passos atrás. Procuremos sempre esclarecer aqueles que insistem em permanecer no erro, com paciência e doçura nos lábios. Agir com estupidez, grosseria e orgulho, julgando-se melhor que o outro, não tornará a situação mais amena, tampouco trará o entendimento necessário às pessoas. A convivência no lar é grande desafio para aqueles que são antagonistas. Eis aí a grande oportunidade de colocarmos em prática os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, amar acima de tudo, ainda que haja diferenças de ideias, pensamentos e atitudes. E o mais importante: perdoar sempre, e buscar o entendimento com paciência, tolerância e muito amor!”

Monsenhor André Sampaio

09 de novembro – Santo Orestes

Existe um Santo Orestes que é celebrado pela Igreja Oriental, no dia 14 de abril. Ele é um dos 72 discípulos escolhidos por Jesus (Lucas 10,1). O segundo Santo Orestes é celebrado pela Igreja Católica Romana no dia 9 de novembro. Ele é natural de Tiana, na Capadócia. Foi um médico cristão e que foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano. Orestes, ao contrário dos médicos pagãos, não aceitava a magia feita por seus colegas como tratamento. Orestes cuidava de todos os seus pacientes sem distinção de raça, credo ou riqueza, aceitando, como pagamento por seus serviços profissionais, o que eles fossem capazes de dar, muitas vezes trabalhando de graça e doando roupas, alimentos e remédios para os pobres.

Ele agiu como Madre Teresa de Calcutá, que reconheceu Jesus em cada pessoa que necessita de cuidados, cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. Por esta razão, as pessoas recorreram a inúmeros tratamentos de Orestes. E, uma vez que muitos de seus pacientes, fascinados por sua fé e sua caridade, converteram-se ao cristianismo, tendo entre eles até mesmo as autoridades políticas e religiosas. Ele foi acusado de não reconhecer a divindade do imperador, não dar a devida consideração à reputação das autoridades imperiais (políticos e religiosos) e de desviar o povo da adoração dos deuses pagãos ao Deus que se fez homem. Assim, foi denunciado como cristão e promotor da nova fé.

Durante o julgamento público, ele clamou que o céu lhe concedesse um prodígio capaz de cair sobre o povo, que queria trair a verdade do cristianismo. Imediatamente, foi atendido. Orestes, apenas com um sopro, fez as estátuas dos ídolos voarem como folhas mortas e as colunas do templo caírem, como se fossem de fios de palha. Foi condenado à morte.

Mas antes foi torturado com pregos e arrastado por um cavalo. No final, com o cadáver desfigurado, foi atirado num rio, que devolveu seu corpo refeito e coberto com uma magnífica túnica. Foi assim que as relíquias do mártir chegaram naquele antigo local, onde existiu o famoso mosteiro de santo Orestes, na Capadócia, atual Turquia.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 07 nov. 2023.

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Por Mauro Nascimento