Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

Página 50 de 167

16 de dezembro – Santa Adelaide

O biógrafo desta Santa é Santo Odilo, abade de Cluny, que a conheceu pessoalmente. Segundo ele conta, quando era menina ainda, Santa Adelaide, filha de  Rodolfo II de Borgonha, atual França, experimentou a amargura do caminho do sofrimento. Órfã com 6 anos, enviuvou-se com 19 anos, tendo sido esposa de Lotário, Rei da  Itália, depois, como geralmente se crê, foi envenenado pelo duque Berengário. Obedeceu este ato ao plano de apoderar-se do trono da Itália e obrigar a jovem viúva a contrair matrimônio com o filho do duque, ao que Adelaide firmemente se opôs. Esta resistência custou-lhe a liberdade; pois determinou Berengário apoderar-se da vítima indefesa e encarcerá-la num castelo perto do lago de Garda, onde sofreu não só as maiores e mais duras privações, como também os maus tratos da parte de Wila, mulher de Berengário.

Embora Adelaide se sujeitasse por algum tempo a condições tão indignas, aproveitou a primeira ocasião que lhe oferecia, devido à valiosa cooperação do  capelão Martinho, para, em companhia da  fiel empregada, fugir da prisão. Viajou para a Alemanha para pedir o apoio do imperador Oto, que, além de devolver-lhe a Corte, casou-se com ela. Assim, tornou-se a imperatriz Adelaide, caridosa, piedosa e amada pelos súditos.

Durante anos tudo era felicidade, mas o infortúnio atingiu-a novamente. O imperador morreu e Adelaide viu-se outra vez viúva. Assumiu seu filho Oto II, que aceitava seus conselhos, governando com ponderação. Os problemas reiniciaram quando ele se casou com a princesa grega Teofânia. Como não gostava da influência da sogra sobre o marido, conseguiu fazê-lo brigar com a mãe por causa dos gastos com suas obras de caridade e as doações que fazia aos conventos e igrejas. Por isso exigiu que Adelaide deixasse o reino.

Escorraçada, procurou abrigo em Roma, junto ao papa. Depois, passou um período na França, na Corte de seu irmão, rei da Borgonha. Mas a dor da ingratidão filial a perseguia, Viu, também, que ele reinava com injustiça, dentro do luxo, da discórdia e da leviandade, devido à má influência de Teofânia. Nessa época, foi seu diretor espiritual o abade Odilo, de Cluny. Ao mesmo tempo, o abade passou a orientar Oto II. Após dois anos de separação, arrependido, convidou a mãe a visitá-lo e pediu seu perdão. Adelaide se reconciliou com filho e a paz voltou ao reino. Entretanto o imperador morreria logo depois.

Como o neto de Adelaide, Oto III, não tinha idade para assumir o trono, a mãe o fez. E novamente a vida de Adelaide parecia encaminhar-se para o martírio. Teofânia, agora regente, pretendia matar a sogra, que só não morreu porque Teofânia foi assassinada antes, quatro semanas depois de assumir o governo. Adelaide se tornou a imperatriz regente da Alemanha, por direito e de fato. Administrou com justiça, solidariedade e piedade. Trouxe para a Corte as duas filhas de sua maior inimiga e as educou com carinho e proteção. O seu reinado foi de obrigações políticas e religiosas muito equilibradas, distribuindo felicidade e prosperidade para o povo e paz para toda a nação.

Nos últimos anos de vida, Adelaide foi para o Convento beneditino de Selz, na Alsácia, que ela fundara, em Strasburgo. Morreu ali com oitenta e seis anos de idade, no dia 16 de dezembro de 999.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 16 dez. 2023.

15 de dezembro – Santa Cristiana

Nos primeiros anos do século IV, nas terras pagãs entre o mar Negro e o mar Cáspio, hoje território da Geórgia, vivia uma jovem escrava cristã chamada Nina ou Nuné. A Capital do Império Romano mudou-se para Constantinopla, cidade fundada em 324, e dedicada em 11 de maio de 330 D.C. O crescimento da Igreja passou a exigir esclarecimentos e definições relacionados com seu credo. Em 325 aconteceu o Concílio de Nicéia, Turquia, e o de Constantinopla, em 381.

A partir do ano 300 os bárbaros começaram a invadir a região oriental do império romano, saqueando cidades e levando prisioneiros para serem vendidos como escravos. E a região da Capadócia e sua vizinhança havia sido evangelizada desde as primeiras viagens missionárias de Paulo. Muitos desses escravos tiveram oportunidade de testemunhar sua fé nas terras pagãs para onde eram levados. Se em Roma o cristianismo exigia definições mais elaboradas da doutrina, por outro lado, as primeiras sementes evangélicas eram lançadas nas terras pagãs da Geórgia. Era o Espírito de Deus em ação.

A obra do bispo Eusébio, ‘A História da Igreja’, tornou-se o primeiro registro importante da história da Igreja, passando assim um legado, sem precedentes, de documentos da igreja antiga. Eusébio morreu em 340. É em seu livro, e em algumas tradições posteriores, que encontramos a história, mesmo que um pouco lendária, da santa de hoje.

Nina era uma escrava que demonstrava toda sua fé em Cristo, na alegria com que enfrentava as dificuldades e os sofrimentos. Esse fato chamou a atenção dos pagãos com quem convivia. Assim, teve a oportunidade de ensinar a palavra de Cristo a todos os que a cercavam. Tornou-se tão conhecida que passaram a chamá-la de “Cristiana”, a serva cristã.

A antiga tradição russa narra que, certa vez, uma senhora procurou-a, pedindo que solicitasse a intervenção de Deus para que seu filho, gravemente enfermo, não morresse. Nina se ajoelhou aos pés da cama onde estava a criança e rezou com tanto fervor que o menino abriu os olhos, sorriu e levantou-se na frente de todos. Foi o bastante para que toda a região mostrasse interesse pela religião da serva de Cristo. Quanto mais prodígios ela promovia, mais catequizava e convertia os pagãos.

Até que, um dia, a rainha desse povo, chamada Nana, adoeceu gravemente e nenhum remédio conseguia fazê-la melhorar. Tentaram de tudo. Nada parecia possível. Então, alguém se lembrou dos chamados “poderes” da serva cristã. Como último recurso, foram sugeridos à rainha, que mandou chamá-la. Assim, essa humilde escrava foi ao palácio atender a rainha, levando consigo apenas a certeza de sua fé e a confiança de suas orações. Logo conseguiu curar a soberana.

Enquanto ela se recuperava, seu marido, o rei Mirian, certo dia, saiu em comitiva para uma caçada. Mas o grupo acabou isolado no bosque devido a uma violentíssima tempestade. A situação era crítica, com trovões e raios incendiando árvores, pedras rolando ao vento e atingindo pessoas. O pavor tomou conta de todos, clamaram por seus deuses, mas nada acontecia. Lembrando-se da rainha, o rei decidiu rezar para o Deus de Cristiana. Uma luz, então, foi vista saindo do céu, a tempestade cessou e todos puderam regressar sãos e salvos à Corte. Nesse instante, o rei sentiu a fé invadir seu coração.

Ao voltar, procurou a escrava Nina e lhe pediu que falasse tudo o que sabia sobre sua religião. Acabou catequizado e convertido. Entretanto os reis Mirian e Nana não podiam ser batizados, pois na Corte não havia nenhum bispo. Seguindo a orientação de Cristiana, o rei enviou esse pedido ao imperador Constantino.

Nesse meio tempo, mandou construir a primeira igreja cristã, de acordo com uma planta feita sob orientação de Nina, já liberta. Quando chegou o primeiro bispo da Geórgia acompanhado de um grupo de sacerdotes missionários, encontraram o povo já abraçando a doutrina de santa Nina, como os fiéis a chamavam por força de sua piedade e prodígios de fé. Com facilidade, converteram a nação inteira, a partir da grande solenidade do batismo do casal real. Depois, junto com o bispo, o rei Mirian e a rainha Nana construíram o Mosteiro Samtavro, anexo àquela igreja, onde mais tarde foram sepultados. Nele também viveu alguns anos santa Nina, que morreu no ano 330.

Venerada pelos fiéis como padroeira da Geórgia, suas relíquias estão guardadas na Catedral da Metiskreta, antiga capital do país. Seu culto foi confirmado, sendo realizado, no Oriente, em 14 de janeiro, enquanto a Igreja de Roma a comemora no dia 15 de dezembro.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 16 dez. 2023.

14 de dezembro – São João da Cruz, presbítero e doutor da Igreja, carmelita descalço

São João da Cruz (© Ordine dei Carmelitani Scalzi)

“Hoje, vou recitar o Ofício divino no céu”!

A vida religiosa e a vocação Carmelita foram evidentes no final da formação de João – no civil Juan de Yepes Álvarez – filho de um casal muito pobre da antiga Castela, perto de Ávila.

Em 1563, com 18 anos, saiu do Colégio dos Jesuítas de Medina do Campo, onde havia estudado ciências humanas, retórica e línguas clássicas. Logo a seguir, o encontro com Teresa de Ávila mudou suas vidas. João a conheceu, quando era sacerdote, e ficou imediatamente envolvido e fascinado pelo plano de Reforma de Teresa, também no ramo masculino da Ordem. Trabalharam juntos, partilhando ideais e propostas e, em 1568, inauguraram a primeira Casa para os Carmelitas Descalços, em Duruelo, província de Ávila. Naquela ocasião, ao criar com outros a primeira comunidade masculina reformada, João acrescentou ao seu nome “da Cruz”, com o qual ficou universalmente conhecido.

Em fins de 1572, a pedido de Santa Teresa, João da Cruz tornou-se confessor e vigário do Mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde a santa era priora. Mas, nem tudo foi um mar de rosas: a adesão à reforma comportou para João diversos meses de prisão por acusações injustas. Conseguiu fugir, correndo risco, com a ajuda de Santa Teresa. Ao retomar as forças, começou um caminho de grandes incumbências, até à morte, em consequência de uma longa doença e enormes sofrimentos.

São João da Cruz despediu-se de seus coirmãos, que recitavam as Laudas matutinas, em um Convento, próximo a Jaén, entre os dias 13 e 14 de dezembro de 1591. Suas últimas palavras foram: “Hoje, vou recitar o Ofício divino no céu!”. Seus restos mortais foram transladados para Segóvia.

São João da Cruz foi beatificado, em 1675, pelo Papa Clemente X e canonizado, em 1726, pelo Papa Bento XIII.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 11 dez. 2023.

« Posts anteriores Posts recentes »

© 2026 Katholikos

Por Mauro Nascimento