Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

Página 2 de 149

28 de fevereiro – Monsenhor André Sampaio

“Aprendi que se aprende errando…

Que crescer não significa fazer aniversário…

Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem…

Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro…

Que amigos a gente conquista mostrando o que somos…

Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim…

Que a maldade se esconde atrás de uma bela face…

Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela…

Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada…

Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida…

Que amar significa se dar por inteiro…

Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos…

Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde…

Que dar um carinho também faz…

Que sonhar é preciso…

Que nosso ser é livre…

Que Deus não proíbe nada em nome do amor…

Que o julgamento alheio não é importante…

Que o que realmente importa é a Paz interior…”

Monsenhor André Sampaio

27 de fevereiro – São Gregório de Narek

São Gregório de Narek, miniatura, 1173

Certo dia, uma tempestade te pegou improvisamente e suas águas… dilaceradas por relâmpagos, entoaram uma música estranha, frenética e harmoniosa, nobremente áspera e suavemente pavorosa… como se fosse tocada pela trombeta de um Arcanjo, tomado pelo medo e o castigo, diante dos horrores do inferno aberto. Era a alma do monge de Narek, que pairava sobre ti” (Poema à língua armênia, 1908).

As palavras que o escritor, Arshak Chopanyan, dedica a Gregório de Narek neste poema, escrito em um dos momentos mais terríveis da história armênia, revelam o crisol, onde o monge forjou um novo verbo teológico, profundamente arraigado na tradição da sua terra.

Não busco quietude, mas o Rosto de Quem a concede (Lamentações)

Gregório de Narek nasceu entre 945 e 951, em Vaspurakan (Armênia histórica), no seio de uma família de eruditos. Após a morte prematura de sua mãe, seu pai, Khosrov, foi nomeado arcebispo de Andzevatsik. Por isso, confiou a educação do pequeno Gregório a seu tio Ananias, médico, filósofo e abade do mosteiro São Basílio de Narek, uma escola famosa de Sagrada Escritura e Patrística. Além da Bíblia, o jovem estudou os poetas e filósofos do Helenismo, foi ordenado sacerdote e, depois, como abade, reformou Narek.

Gregório era contemplativo, mas não isolado dos acontecimentos políticos e eclesiásticos da sua terra e de seu tempo: sua fama ultrapassou os muros do mosteiro. Assim, a pedido do príncipe, Gurgen de Andzevatsik, fez um “Comentário sobre o Cântico dos Cânticos”; e, a pedido do Bispo Stepanos, escreveu a história da Santa Cruz de Aparank. No entanto, adaptou seus sermões e hinos para catequizar o povo.

Para compreender seus ensinamentos mariológicos, de particular importância, compôs os louvores à Santíssima Virgem, nos quais apresenta a Imaculada Conceição de Maria com um estilo tocante, em que se percebe a saudade que sente da figura materna.

No fim da sua vida, Gregório escreveu “O Livro das Lamentações”, tão popular e amado na Armênia, que sua leitura era obrigatória para as crianças, em idade escolar, depois de aprender o alfabeto.

Gregório faleceu por volta do ano 1010, em Narek, onde seu túmulo, lugar de peregrinação por oito séculos, foi destruído, junto com o mosteiro, durante o genocídio de 1915-1916.

Deus se oculta na linguagem

A obra de São Gregório de Narek, escrita há 1.200 anos, continua sendo um modelo universal de literatura e espiritualidade. O autor inventou uma espécie de oração fúnebre grega, em sequência, sobre uma alma em extremo perigo, e um opúsculo, com uma corrente de orações. “O ritmo e o número, aos quais recorri no poema anterior, – diz ele nas Lamentações – não tinham outro objetivo senão o de agravar a dor, a lamentação, a nostalgia, a amarga ladainha das lágrimas… Logo, em cada frase, retomarei o mesmo método, como anáfora e epístrofe, fazendo com que tal repetição possa representar, fielmente, o espírito e a força vivificante da oração”.

São Gregório é um inovador porque liberta a palavra interior de todos os cânones de expressão, regulados pela tradição filosófica ou religiosa do seu tempo. Assim, restitui ao espírito seu direito de se expressar, sem restrições, entrando em um diálogo direto com Deus, que exclui todo e qualquer dogmatismo, exceto o da liberdade. Trata-se de um diálogo, onde a solidão do ser humano e o silêncio expressivo de Deus se entrelaçam e se completam mutuamente: uma “vinda de Deus na linguagem”, que demonstra as limitações da linguagem para se aproximar do divino.

Nos 95 capítulos ou orações das Lamentações, o monge-filósofo torna-se um representante solidário de todo o gênero humano, perdido no labirinto do pecado e angustiado pela falta de amor, mas em constante tensão por alguma coisa que não pertence ao mundo onde ele vive, a ponto de se abandonar à misericórdia do Deus da Luz, cuja proximidade é imediata.

A sua herança foi colhida pelos poetas armênios do século XX, em um período, onde era extremamente difícil colocar o ser humano à frente de qualquer sistema.

Um clamor que se torna oração

Em 12 de abril de 2015, por ocasião da sua proclamação como Doutor da Igreja, o Papa Francisco enviou uma Mensagem aos Armênios: «São Gregório de Narek, monge do século X, mais do que qualquer outro, soube manifestar a sensibilidade do vosso povo, dando voz ao clamor, que se torna oração (…). São Gregório de Narek, formidável intérprete do espírito humano, parece dirigir-nos palavras proféticas: “Assumi voluntariamente todas as culpas, desde aquelas do primeiro padre até às do último dos seus descendentes, e considerei-me responsável por elas” (Livro das Lamentações, LXXII). Quanto nos impressiona este seu sentimento de solidariedade universal! Como nos sentimos pequeninos diante da grandeza das suas invocações: “Recorda-te [Senhor]… daqueles que, na estirpe humana, são nossos inimigos, mas para o seu bem: cumpre neles o perdão e a misericórdia (…). Não extermines aqueles que me afligem: transforma-os! Extirpa o vicioso comportamento terreno e, em mim e neles, arraiga a boa conduta”» (ibid., LXXXIII).

Fonte: Vatican News. Acesso em: 26 fev. 2024.

27 de fevereiro – Monsenhor André Sampaio

“Podemos opinar, aconselhar, sugerir, apontar as possíveis consequências, de uma atitude a alguém, mas se essa pessoa está decidida, a efetivar ou não tal ato… paciência. A teimosia é uma espécie de avesso do bom-senso, e da humildade, e a maioria dos teimosos, não se deixa convencer, não porque realmente, não compreenda ou não enxergue o erro, mas por orgulho e amor próprio, coisas que na essência se equivalem. Levar o cavalo até a fonte é isso. É chamar a atenção de alguém, para coisas que talvez ela não tenha percebido ainda, mas que pode evitar. No entanto, sempre existirá a possibilidade, de ela não aceitar ponderações de qualquer tipo, e preferir ficar com suas posições, mesmo que evidentemente errôneas. Nesses casos nada nos cabe fazer, a não ser respeitar o livre-arbítrio da pessoa, ciente de que cada um deverá colher, exatamente aquilo que plantou.”

Monsenhor André Sampaio

26 de fevereiro – Santo Alexandre do Egito

Entre os numerosos santos com este nome, o patriarca Alexandre, que nasceu no ano de 250, merece lugar de honra especial.

Alexandre que nasceu em 250. Homem de profunda cultura, unida ao zelo e bondade, Alexandre foi eleito bispo em 312, para a importante sede da Igreja em Alexandria, no Egito.

Um dos primeiros cuidados, deste bispo de sessenta anos, foi o da formação e da escolha dos religiosos entre homens de comprovada virtude. Deu início à construção da igreja de são Theonas, a maior da cidade e foi um dos protagonistas da luta contra a heresia de Ário, chamada ariana.

Ário, que tinha sido ordenado sacerdote pelo bispo Aquiles, parece ter sido o responsável pela indicação e divulgação do nome de Alexandre para a nova eleição. Foi considerado um homem arrojado para a época, pois usava todos os meios possíveis de comunicação para a divulgação de suas ideias. Até que começou a espalhar entre os fiéis e religiosos uma doutrina que não concebia a divindade de Cristo. Considerava apenas o Pai como Deus, enquanto que Cristo não era divino, mas apenas um ser humano, superior aos demais.

Alexandre lutou contra o crescimento da doutrina de Ário em Alexandria convocando sínodos locais e o Concílio de Alexandria em 321 d.C., que acabou por expulsá-lo da região. Ário então fugiu para a Palestina, onde foi recebido por Eusébio de Nicomédia, que reclamou não são somente a Alexandre como também ao imperador.

Os seguidores de Ário em Alexandria passaram então a se dedicar à violência em defesa de suas crenças, o que estimulou Alexandre a escrever uma encíclica à todos os bispos do Cristianismo, na qual ele relatou a história do arianismo e sua opinião sobre as falhas no sistema ariano.

Alexandre também escreveu uma confissão de fé em defesa de sua própria posição e a enviou para todos os bispos do Cristianismo recebendo amplo apoio. Ele também mantinha correspondência com Alexandre de Constantinopla, protestando contra a violência dos arianos e contra a promulgação das visões de Ário sobre a influências das mulheres e muitos outros assuntos do arianismo.

Constantino I, o único reclamante ao trono após a execução de Licínio, escreveu uma carta “para Atanásio e Ário”, exigindo que Alexandre e Ário terminassem sua disputa. O herege não atendeu ao imperador Constantino. Só então Alexandre insistiu com o papa e o imperador para a convocação o concílio de Nicéia, ocorrido em 325.

Nessa importante reunião o bispo Alexandre, então já muito velho e enfermo, foi acompanhado por Atanásio, que ainda não era sacerdote. Este ainda adolescente, foi notado e apreciado pelo bispo, que o tomou sob sua proteção e o fez seu secretário.

Quando voltou do concílio, Alexandre foi acolhido triunfalmente em Alexandria. Cinco meses antes de morrer em 26 de fevereiro de 328, ele dignou como sucessor naquela sede episcopal, o discípulo Atanásio, para acabar com a doutrina ariana. O culto de Santo Alexandre, patriarca da Alexandria, se difundiu sendo venerado no dia de sua morte.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 22 fev. 2024.

26 de fevereiro – Monsenhor André Sampaio

“Em Deus refrigero a minha alma entorpecida pelas dores, pelos desenganos, pelas desilusões. Em Deus encontro o refúgio que necessito para refletir sobre meus atos e atitudes, algumas vezes impensadas e que me levaram ao erro, ao engano à ilusão. Em Deus encontro o conforto do colo de um Pai bom, justo e amoroso. Em Deus encontro a sabedoria que me leva a repensar toda minha vida e a descobrir o que preciso mudar em mim. Em Deus encontro a esperança de um novo dia, de um novo começo e a coragem para recomeçar. Deus sempre nos dá novas oportunidades, para crescermos e santificar-nos, pois fomos criados para sermos eternos. Deus é o princípio e o fim. Podemos tudo com Deus ao nosso lado. Sem Deus nada podemos e nada somos. Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”

Monsenhor André Sampaio

« Posts anteriores Posts recentes »

© 2024 Katholikos

Por Mauro Nascimento