Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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11 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Por nossas vidas passam várias pessoas que sempre deixam uma marca. Seja boa ou ruim. Quando é boa, a lição fica para sempre. Quando é ruim, muitas vezes o sentimento não é dos mais nobres. Mas deveria. Quando as coisas dão errado, a lição é muito maior e mais valiosa. A grande questão é conseguir absorver este aprendizado. Com persistência, porém, é possível.

Na maioria das vezes, os bons exemplos que nos ensinam a ser pessoas melhores estão ao nosso lado.”

Monsenhor André Sampaio

O Verbo que se faz presente: a complementaridade entre Platão e Cristo na visão de Agostinho via Bento XVI

A citação de Agostinho (por Bento XVI), “Com os platônicos aprendi que ‘no princípio era o Verbo’. Com os cristãos aprendi ‘o Verbo se fez carne’. E apenas assim o Verbo chegou também a mim”, é um convite à reflexão sobre a inter-relação entre duas perspectivas aparentemente distintas. Para Agostinho, não se trata de contrapor essas duas linhas de pensamento, mas sim de entender como elas se complementam.

Ao afirmar que “no princípio era o Verbo”, Agostinho está se referindo à filosofia platônica, que entende a existência do mundo material como uma mera sombra do mundo das ideias. Nessa perspectiva, o Verbo é a ideia primordial, a causa primeira de tudo o que existe. Essa concepção é bastante abstrata e metafísica, e pode parecer distante da realidade concreta em que vivemos.

Por outro lado, quando Agostinho diz que “o Verbo se fez carne”, ele está se referindo à mensagem central do cristianismo, que afirma que Deus se encarnou em Jesus Cristo para salvar a humanidade. Essa perspectiva é muito mais concreta e palpável, pois se relaciona diretamente com a experiência humana. No entanto, ela pode parecer limitada e pouco ambiciosa do ponto de vista filosófico.

O que Agostinho nos convida a refletir é justamente a inter-relação entre essas duas perspectivas. Ele nos mostra que, ao mesmo tempo em que a filosofia platônica pode parecer abstrata e distante, ela é fundamental para entendermos o sentido mais profundo da existência. Por outro lado, a mensagem cristã nos ensina que Deus não é uma ideia distante e inacessível, mas sim uma presença concreta e amorosa em nossa vida.

Ao entendermos a inter-relação entre essas duas perspectivas, podemos perceber como o Verbo pode chegar até nós de maneiras diferentes e complementares. Podemos encontrar o sentido da vida tanto na contemplação das ideias mais elevadas, como na experiência do amor divino encarnado em Jesus Cristo. Essa é a grande mensagem de Agostinho, que fascinou o Papa Bento XVI e continua a inspirar muitas pessoas até hoje.

Em suma, para Agostinho não era essencial a contraposição dessas duas linhas, mas a inter-relação entre as duas perspectivas.

Mauro Nascimento

Referência:

RATZINGER, Joseph (Bento XVI) e SEEWALD, Peter. O Último Testamento de Bento XVI: Minha Vida no Vaticano. Editora Planeta do Brasil, 2016.

10 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Há pessoas que têm o mau hábito de falar da vida alheia. Criticam a tudo e a todos. Para essas pessoas ninguém se salva, apenas elas mesmas. Todos erram, todos têm defeitos para eles. Atiram pedras para todos os lados, porém, essas infelizes pessoas se esquecem de que todos nós possuímos telhado de vidro. Todos nós temos as nossas fragilidades, fraquezas, erros e defeitos. Todos os seres humanos são pecadores, como nos afirma o salmista: ‘Porque […] em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe’ (Sl 51.5). Se fôssemos tão bons quanto imaginamos, não estaríamos aqui, neste mundo de provas e expiações. Nesta peregrinação em busca da santidade! Não é por acaso que estamos em aprendizado constante, cursando esta escola da vida. Portanto, antes de atirarmos pedras no telhado dos outros, cuidemos de nosso telhado, buscando melhorar e corrigindo os nossos defeitos. Reforcemos o nosso telhado com a prática do amor e da caridade ao nosso próximo. Devemos nos lembrar de que cada um de nós responderá somente por si mesmo, quando for chegada a hora da prestação de contas a Deus.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento