Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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23 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Se tudo na vida fosse só alegria, as pessoas não dariam valor a felicidade. Ás vezes é preciso chorar para sabermos o quanto é bom sorrir, é preciso sentir saudade para saber o quanto gostamos de alguém, quando temos tudo nada parece ter valor. A vida é um antes, um durante e um depois. Por isso, viva hoje, aprenda com o ontem e deixe Deus decidir o amanhã.”

Monsenhor André Sampaio

A persistência oculta: o racismo como um vírus camuflado

“O racismo é um vírus que se transforma facilmente e, em vez de desaparecer, se esconde, mas está sempre à espreita. As manifestações de racismo renovam em nós a vergonha, demonstrando que os progressos da sociedade não estão assegurados de uma vez por todas” (Papa Francisco).

O episódio de racismo sofrido pelo atacante Vinícius Júnior durante a partida entre Real Madrid e Valencia é mais uma dolorosa evidência de que o racismo persiste, mesmo em um cenário aparentemente evoluído e cosmopolita como o futebol europeu. Infelizmente, esse incidente nos lembra de que o racismo é um vírus insidioso, capaz de se transformar e se esconder, mas sempre à espreita, pronto para emergir e ferir as pessoas.

Como afirmou o Papa Francisco, o racismo é um problema que não desaparece facilmente. Embora a sociedade tenha alcançado progressos significativos na luta contra a discriminação racial, é evidente que esses avanços não são permanentes nem garantidos. A cada manifestação de racismo, somos confrontados com a vergonha de perceber que, apesar de todas as conquistas, ainda não alcançamos uma verdadeira igualdade e respeito entre as raças.

O futebol, sendo um esporte amplamente popular e com um público diversificado, deveria ser um exemplo de inclusão e tolerância. Infelizmente, atos racistas nos estádios demonstram que o preconceito e a discriminação persistem em meio à paixão e ao entretenimento. É lamentável que, mesmo com medidas e campanhas de conscientização, alguns indivíduos continuem a manifestar sua intolerância, afetando não apenas os jogadores, mas também a reputação do esporte.

Episódios como o enfrentado por Vinícius Júnior devem nos motivar a redobrar nossos esforços na luta contra o racismo. É necessário que as autoridades do futebol, clubes e associações tomem medidas firmes e efetivas para punir os responsáveis por atos discriminatórios. Além disso, é importante que haja uma conscientização contínua, tanto nas arquibancadas quanto fora delas, para promover a aceitação, o respeito e a igualdade entre todos os indivíduos.

A educação desempenha um papel fundamental na erradicação do racismo. É essencial que desde a infância sejam promovidos valores de diversidade, inclusão e empatia, para que as futuras gerações possam crescer em um ambiente livre de preconceitos. Também devemos encorajar o diálogo e o entendimento entre as diferentes raças, culturas e origens, pois é através da comunicação e do conhecimento mútuo que podemos superar estereótipos e promover a igualdade.

Em última análise, o episódio de racismo vivenciado por Vinícius Júnior nos recorda que a batalha contra o racismo é constante e exige o engajamento de toda a sociedade. Devemos permanecer vigilantes, denunciar atos discriminatórios e trabalhar juntos para criar um mundo onde a cor da pele não seja motivo de discriminação, mas sim uma fonte de diversidade e enriquecimento para todos.

Mauro Nascimento

22 de maio – Monsenhor André Sampaio

“Tomemos muito cuidado com aquilo que fazemos em relação ao próximo. Cuidado com as atitudes e os sentimentos que alimentamos em relação ao outro. Por mais que alguém nos faça passar por dor e sofrimento, devemos evitar o revide bem como não guardar sentimentos como raiva, ciúme, mágoa, ressentimento e outros tão ou mais negativos. Não nos esqueçamos de que Deus está atento a tudo e suas leis são infalíveis. Ao praticar o mal, seja por pensamento ou ação, abarrotamo-nos de energias pesadas e deletérias que acabam por prejudicar mais a nós do que ao outro. Não queira fazer justiça. Só Deus tem esse poder de ser justo, assim como suas leis. Tenhamos a certeza de que sua justiça se cumprirá sempre. E quanto àquele que foi nosso algoz, apenas oremos por ele para que cresça, amadureça e perceba que a única coisa que nos faz realmente felizes é fazer o bem ao outro. E mais: tudo o que mandamos para alguém fatalmente retornará para nós, de bom e de ruim.”

Monsenhor André Sampaio

22 de maio – Santa Rita de Cássia, religiosa agostiniana

Santa Rita, Santuário de Cássia

A pequena periferia de Roccaporena, na Úmbria, foi berço de Margarida Lotti, provavelmente por volta de 1371, chamada com o diminutivo de “Rita”. Seus pais, humildes camponeses e pacificadores, procuraram dar-lhe uma boa educação escolar e religiosa na vizinha cidade de Cássia, onde a instrução era confiada aos Agostinianos. Naquele contexto, amadurece a devoção a Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau de Tolentino, que Rita escolheu como seus protetores.

Rita, mulher e mãe

Por volta de 1385, a jovem se uniu em matrimônio com Paulo de Ferdinando de Mancino. A sociedade de então era caracterizada por diversas contendas e rivalidades políticas, nas quais seu marido estava envolvido. Mas a jovem esposa, através da sua oração, serenidade e capacidade de apaziguar, herdadas pelos pais, o ajudou a viver, aos poucos, como cristão de modo mais autêntico. Com amor, compreensão e paciência, a união entre Rita e Paulo tornou-se fecunda, embelezada pelo nascimento de dois filhos: Giangiacomo e Paulo Maria. Porém, a espiral de ódio das facções políticas da época acometeram seu lar doméstico. O esposo de Rita, que se encontrava envolvido, também por vínculos de parentela, foi assassinado. Para evitar a vingança dos filhos, escondeu a camisa ensanguentada do pai. Em seu coração, Rita perdoou os assassinos do seu marido, mas a família Mancino não se resignou e fazia pressão, a ponto de desatar rancores e hostilidades. Rita continuava a rezar, para que não fosse derramado mais sangue, fazendo da oração a sua arma e consolação. Entretanto, as tribulações não faltaram. Uma doença causou a morte de Giangiacomo e de Paulo Maria; seu único conforto foi pensar que, pelo menos, suas almas foram salvas, sem mais correr o risco de serem envolvidos pelo clima de represálias, provocado pelo assassinato do marido.

Monja agostiniana

Tendo ficado sozinha, Rita intensificou sua vida de oração, seja pelos seus queridos defuntos, seja pela família de Mancino, para que perdoasse e encontrasse a paz.

Com a idade de 36 anos, Rita pediu para ser admitida na comunidade das monjas agostinianas do Mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia. Porém, seu pedido foi recusado: as religiosas temiam, talvez, que a entrada da viúva de um homem assassinado pudesse comprometer a segurança do Convento. No entanto, as orações de Rita e as intercessões dos seus Santos protetores levaram à pacificação das famílias envolvidas na morte de Paulo de Mancino e, após tantas dificuldades, ela conseguiu entrar para o Mosteiro.

Narra-se que, durante o Noviciado, para provar a humildade de Rita, a Abadessa pediu-lhe para regar o troco seco de uma planta e que sua obediência foi premiada por Deus, pois a videira, até hoje, é vigorosa. Com o passar dos anos, Rita distinguiu-se como religiosa humilde, zelosa na oração e nos trabalhos que lhe eram confiados, capaz de fazer frequentes jejuns e penitências. Suas virtudes tornaram-se famosas até fora dos muros do Mosteiro, também por causa das suas obras de caridade, juntamente com algumas coirmãs; além da sua vida de oração, ela visitava os idosos, cuidava dos enfermos e assistia aos pobres.

A Santa das rosas

Cada vez mais imersa na contemplação de Cristo, Rita pediu-lhe para participar da sua Paixão. Em 1432, absorvida em oração, recebeu a ferida na fronte de um espinho da coroa do Crucifixo. O estigma permaneceu, por quinze anos, até à sua morte. No inverno, que precedeu a sua morte, enferma e obrigada a ficar acamada, Rita pediu a uma prima, que lhe veio visitar em Roccaporena, dois figos e uma rosa do jardim da casa paterna. Era janeiro, período de inverno na Itália, mas a jovem aceitou seu pedido, pensando que Rita estivesse delirando por causa da doença. Ao voltar para casa, ficou maravilhada por ver a rosa e os figos no jardim e, imediatamente, os levou a Rita. Para ela, estes eram sinais da bondade de Deus, que acolheu no Céu seus dois filhos e seu marido.

Santa Rita expirou na noite entre 21 e 22 de maio de 1447. Devido ao grande culto que brotou logo depois da sua morte, o corpo de Rita nunca foi enterrado, mas mantido em uma urna de vidro. Rita conseguiu reflorescer, apesar dos espinhos que a vida lhe reservou, espalhando o bom perfume de Cristo e aquecendo tantos corações no seu gélido inverno. Por este motivo e em recordação do prodígio de Roccaporena, a rosa é, por excelência, o símbolo de Rita.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 21 mai. 2023.

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Por Mauro Nascimento