Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

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01 de julho – Santo Aarão, sumo sacerdote do Antigo Testamento

Escultura de Aarão feita por Jacques Bergé

Arão, primeiro sacerdote do judaísmo, sempre esteve ao lado do seu irmão Moisés, desde a libertação do Egito, e 40 anos no deserto. Sobre o monte Sinai, Moisés cedeu ao pedido do povo de ter um ídolo. Foi perdoado por Deus, mas, por suas dúvidas, foi impedido de entrar em Canaã, a Terra Prometida.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 30 jun. 2023.

30 de junho – Monsenhor André Sampaio

NOSSO GRAU DE RESILIÊNCIA É UMA CONSEQUÊNCIA DA BOA ESTRUTURAÇÃO DE NOSSO UNIVERSO INTERIOR 

“Resiliência pode ser definida como a capacidade do indivíduo em suportar pressões. A capacidade de atravessar experiências  adversas sucessivas, enfrentar problemas e dificuldades, sem comprometer a condição de prosseguir e se desenvolver. Esta postura requer energia, equilíbrio emocional, autoestima e autoconfiança. A vida nos coloca frente a frente com situações adversas e, muitas vezes, traumáticas. Por isso, pessoas que desenvolvem um  comportamento vencedor conseguem transformar dificuldades em oportunidades de crescimento e prosseguir em situações nas quais as demais costumam ficar emocionalmente abaladas. Nosso grau de resiliência é uma consequência da boa estruturação de nosso universo interior e depende dos vínculos que estabelecemos  com a vida e com as pessoas mais significativas que dela participam. Ser resiliente é superar problemas, extrair lições das dificuldades e seguir fortalecido. Quanto maior for o nosso nível de consciência,  maiores serão nossas possibilidades de agir assim. O mundo é dos fortes, dos que superam corajosamente as dificuldades e obstáculos, recomeçando continuamente, sem jamais esmorecer. Quanto maior for nossa resiliência, maiores serão as condições de desenvolvimento pessoal e profissional, maior a motivação e a capacidade de lidar com situações tensas e complexas, algo extremamente valorizado no ambiente corporativo.”

Monsenhor André Sampaio

“O Amor antigo” de Drummond: uma reflexão sobre a durabilidade e a profundidade do amor

“O amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera,

mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.

Por aquelas mergulha no infinito,

e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o antigo amor, porém, nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor” (O Amor antigo, Carlos Drummond de Andrade).

O amor antigo, descrito de maneira poética por Carlos Drummond de Andrade, é algo que muitas pessoas buscam em suas vidas. É um amor que não exige nada do outro, que não espera nada em troca, que simplesmente existe por si mesmo. É um amor que tem raízes profundas, que foi moldado pelo sofrimento e pela beleza, e que mergulha no infinito.

Enquanto muitos relacionamentos modernos são construídos em torno da conveniência, das expectativas e da reciprocidade, o amor antigo transcende esses fatores externos e encontra a sua própria fonte de sustento. Ele é alimentado pela lembrança dos momentos vividos, pelas dificuldades superadas e pela admiração mútua.

O amor antigo é também resiliente, capaz de sobreviver ao tempo e às mudanças. Enquanto muitos amores modernos são passageiros e efêmeros, o amor antigo resiste aos desafios e permanece, mesmo que em silêncio, como uma chama que nunca se apaga.

E, por mais que possa parecer paradoxal, o amor antigo se torna cada vez mais intenso com o passar dos anos. Talvez seja porque ele é cultivado de maneira diferente, não através de gestos grandiosos ou presentes caros, mas através de pequenas ações cotidianas, que demonstram o cuidado e o carinho um pelo outro. Ou talvez seja porque, à medida que envelhecemos, aprendemos a valorizar o que é realmente importante na vida, e o amor antigo se torna um refúgio seguro e reconfortante em meio à incerteza do mundo.

De uma forma ou de outra, o amor antigo é algo para se aspirar. É um amor que transcende as limitações do tempo e do espaço, que é alimentado pela alma e que é capaz de nos acompanhar por toda a vida. Ele nos lembra que o amor verdadeiro não é algo que pode ser comprado ou negociado, mas sim algo que deve ser cultivado com paciência, dedicação e, acima de tudo, com amor.

Mauro Nascimento

29 de junho – São Paulo apóstolo, padroeiro da cidade de Roma

Saulo, judeu de Tarso, na atual Turquia, era um cidadão romano, culto, instruído na escola judaica, continuada em Jerusalém, – formado pelo rabino Gamaliel, – tinha uma boa formação cultural Greco-helênica, portanto conhecia o grego e o latim. Filho de um tecedor de cortinas, ele aprendeu também esta arte manual paterna. Como muitos judeus da época, Saulo tinha um segundo nome greco-latino: Paulo, escolhido por simples assonância com seu nome. Era perspicaz, corajoso e audaz; tinha uma boa capacidade dialética. A sua personalidade emerge dos Atos dos Apóstolos e das suas treze Cartas.

Ele não conhecia Jesus e, por isso, foi um dos primeiros a perseguir os cristãos, que pensava fizessem parte de uma seita perigosa, que devia ser debelada.

Foi mencionado nas Escrituras, pela primeira vez, na narração da lapidação de Estêvão – primeiro mártir cristão – em Jerusalém. Brioso sustentador da tradição Judaica, Saulo “assolava a Igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At 8,3). Os discípulos o temiam e, para fugir da perseguição, alguns se espalharam em várias cidades, entre as quais Damasco.

A caminho de Damasco

Saulo pediu autorização ao sumo pontífice para processar os fugitivos de Jerusalém. «Em sua viagem, quando se aproximava de Damasco, de repente brilhou ao seu redor uma luz vinda do céu. Ele caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?” Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” Ele respondeu: “Eu sou Jesus, a quem você persegue. Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que você deve fazer”. Saulo levantou-se do chão e, abrindo os olhos, não conseguia ver nada» (At 9,3-6). Então foi acompanhado a Damasco, onde, por três dias, transtornado pela ocorrência, “não comeu nem bebeu”. No terceiro dia, apresentou-se a ele um homem, chamado Ananias, ao qual, durante uma visão, Deus pediu para procurar Saulo e impor-lhe as mãos para que recobrasse a visão. E revelou a Ananias: “Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome”.

Paulo foi batizado, entrou em contato com a pequena comunidade cristã local, apresentou-se na Sinagoga e deu testemunho do que lhe havia acontecido. Assim, começou seu apostolado: agregou-se aos discípulos de Damasco e iniciou a pregar com entusiasmo. Depois, foi a Jerusalém, onde conheceu Pedro e outros apóstolos que, com certa difidência, o acolheram e lhe falam longamente sobre Jesus. Paulo os ouviu, aprendeu os ensinamentos deixados pelo Mestre e fortificou sua fé. Assim, prosseguiu a sua pregação, mas se deparou com a hostilidade de muitos judeus e a perplexidade de vários cristãos. Deixou Jerusalém e regressou para Tarso, sua cidade natal, onde retomou seu trabalho de tecedor de cortinas, mas, ao mesmo tempo, continuou a evangelização.

Alguns anos mais tarde, junto com Barnabé, – um dos primeiros judeus convertidos, – Paulo chegou a Antioquia, onde instaurou um íntimo contato com a comunidade cristã local.

As viagens apostólicas

Após um breve período de permanência em Jerusalém, Paulo prossegue sua missão em outros lugares, começando por Antioquia, entre o judeus e, sobretudo, pagãos – chamados “gentios”. Ele fez três grandes viagens: na primeira, ancora em Chipre e em diversas cidades da Galácia, onde funda diversas comunidades; a seguir, regressa novamente para Antioquia e Jerusalém, para debater com os Apóstolos a questão dos convertidos do paganismo: se deviam ou não respeitar os preceitos da tradição judaica.

Na segunda viagem, dirige-se para o sul da Galácia, depois à Macedônia e, por fim, à Grécia. Detém-se em Corinto por mais de um ano e, a seguir, vai a outras cidades como Éfeso e, novamente, a Jerusalém e Antioquia.

Dali, Paulo parte para a sua terceira viagem: permanece três anos em Éfeso, depois vai à Macedônia, Corinto e outras cidades; visita ainda as comunidades, que o haviam acolhido antes, e, enfim, volta para Jerusalém. Ali, confronta-se com Tiago sobre as tensões surgidas entre as comunidades que havia fundado e os judeu-cristãos, a respeito de algumas normas da lei judaica.

Rumo ao martírio

Acusado pelos judeus – de pregar contra a sua lei e de introduzir no Templo um pagão convertido – foi preso: sob processo, Paulo – como cidadão romano – fez apelo ao imperador e foi transferido para Roma. Após sua prisão, visita diversas cidades, fazendo etapa em Cesareia e em outras localidades.

Em Roma, onde se encontra também Pedro, entra em contato com a comunidade cristã. Livre, por falta de provas, prossegue a sua missão. Mas, foi preso, outra vez, sob o império de Nero: foi condenado à morte pelo Tribunal romano e decapitado na Via Ostiense, enquanto Pedro era crucificado na colina Vaticana.

Segundo a tradição, o martírio de Pedro e Paulo ocorreu no mesmo dia: 29 de junho do ano 67. Sobre suas sepulturas surgiram a Basílica de São Pedro e a Basílica de São Paulo extra Muros.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 28 jun. 2023.

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Por Mauro Nascimento