Katholikos

Catolicismo de maneira inclusiva

Página 100 de 167

18 de agosto – Santa Helena, imperatriz

Santa Elena, Arte cretense (© Musei Vaticani)

A vida de Santa Helena foi caracterizada pela sua riqueza espiritual, bem mais do que a material, ligada ao prestígio, bem antes da sua conversão, que ocorreu em idade adulta. Pelas poucas notícias de que dispomos, emergem a sua humildade, generosidade e dedicação ao próximo.

Origens, casamento e nascimento de Constantino

Helena, de família plebeia e pagã, nasceu em meados do século III, provavelmente em Drepamin, na Bitínia, no Golfo da Nicomédia (hoje Turquia); esta cidade, mais tarde, foi chamada Helenópolis, em sua honra, pelo seu filho e futuro imperador Constantino. Ali, segundo Santo Ambrósio, Helena exercia o cargo de “estabulária”, ou seja, a estalajadeira encarregada dos estábulos.

A modéstia e a delicadeza de Helena levaram o jovem oficial, Constâncio Cloro, a apaixonar-se por ela, apesar do seu nível social mais elevado. No entanto, quis casar-se com ela, levando-a consigo para Dardania, nos Bálcãs. A jovem, que não tinha direito ao título honorífico do seu marido, foi uma esposa fiel. No ano 280, em Naisso, na Sérvia, deu à luz ao filho Constantino.

Repúdio e escondimento

As virtudes militares e políticas de Constâncio consentiram-lhe obter, junto com Galério, o título de César; mas era preciso ratificar a sua elevação pelo novo sistema político da Tetrarquia. Por isso, os imperadores, Diocleciano e Maximiano, em 293, obrigaram-no a divorciar-se da sua esposa e de unir-se em matrimônio com a enteada do segundo, Teodora.

Assim, Helena, afastada da família e do filho, que até então havia educado com dedicação e amor, nunca desanimou; pelo contrário, permaneceu, humildemente, na sombra, enquanto Constantino foi elevado à corte de Diocleciano.

Augusta, mãe do imperador, humilde e atenciosa com os últimos

Em 305, quando Constâncio Cloro se tornou chefe do império, o jovem filho o seguiu à Grã-Bretanha, onde participou da campanha contra os Pitti, para suceder-lhe, após a sua morte, por aclamação do exército.

Entre as suas primeiras medidas, o novo imperador mandou chamar imediatamente a sua mãe, Helena Flávia Júlia, a qual foi condecorada com o título de Augusta. A mulher, cuja efígie foi cunhada nas moedas, desde então teve livre acesso ao tesouro imperial.

As honras jamais influenciaram seu coração, pelo contrário, estimularam a sua atenção inata para com o próximo, que se concretizou em dar esmolas, satisfazer as necessidades materiais dos pobres e libertar numerosas pessoas das prisões, das minas e do exílio.

Suas obras de misericórdia refletiam a fé de Helena, luminosa e contagiosa, a ponto de muitos perceberem a influência que teve na conversão do seu filho e na promulgação do Edito de Milão, em 313, que concedeu a liberdade de culto aos cristãos, após três séculos de perseguição.

Dizem que Helena participava das celebrações religiosas, usando roupas modestas, para se confundir com a multidão, e convidava os famintos para o almoço, servindo-os pessoalmente.

A descoberta da verdadeira Cruz na Terra Santa

Em 326, um acontecimento perturbou a vida da família: Constantino mandou matar. Primeiro, seu filho Crispo, por instigação da madrasta, Fausta, sua segunda mulher, também suspeita de acometer a sua honra.

Diante desta tragédia, com 78 anos de idade, Helena manteve firme a sua fé fazendo uma peregrinação penitencial à Terra Santa. Ali, mandou construir duas Basílicas: a da Natividade, em Belém, e a da Ascensão, no Monte das Oliveiras. Esta iniciativa inspirou Constantino a construir também a Basílica da Ressurreição.

No Gólgota, ao mandar destruir os edifícios pagãos, construídos pelos romanos, aconteceu uma prodigiosa descoberta da verdadeira Cruz: o cadáver de um homem, que jazia sobre o madeiro, encontrou milagrosamente a vida. Os três cravos, que perfuraram o Corpo de Jesus, foram doados por Elena para Constantino: um foi encastrado na Coroa de Ferro, conservado na Catedral de Monza, como a lembrar que não existe soberano que não deve sucumbir à vontade de Deus. As preciosas relíquias estão guardadas, hoje, na Basílica romana de Santa Cruz de Jerusalém.

Santa Helena morreu em 329, aos 80 anos de idade, em um lugar não identificado. Ainda moribunda, foi assistida por seu filho, que, depois, levou seu corpo para a Via Labicana, em Roma, onde foi sepultado em um mausoléu em sua homenagem. Seu sarcófago de pórfiro, transportado ao Latrão, no século XI, hoje está conservado no Museu Vaticano. O culto a Santa Helena espalhou-se no Oriente e no Ocidente, onde ela é celebrada, respectivamente, em 21 de maio e em 18 de agosto, associada iconograficamente ao símbolo da Cruz.

A grandeza espiritual de Santa Helena foi tamanha a ponto de ser inserida, junto com os santos André, Verônica e Longino, entre as estátuas monumentais, postas aos pés dos pilares da Cúpula de Michelângelo, na Basílica do Vaticano.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 17 ago. 2023.

17 de agosto – Santa Clara da Cruz, de Montefalco, abadessa agostiniana 

Santa Clara da Cruz, de Montefalco

Clara nasceu em Montefalco, região italiana da Úmbria, em 1268. Aos 4 anos, já demonstrava uma profunda inclinação para a oração e a contemplação.

Segunda filha de Damião e Jacobina, com apenas 6 anos, decidiu seguir as pegadas da sua irmã, Joana, que se retirou para viver em oração e penitência em uma clausura, construída pelo pai em uma propriedade da família.

Clara imergiu-se, totalmente, no estilo de vida do eremitério; as orações, penitências, sacrifícios e mortificações tornaram-se para ela o caminho para se conformar com a Paixão de Cristo.

Com a entrada de Clara, começou a aumentar o número de postulantes. Então, Joana, superiora do pequeno claustro, resolveu ampliar o local. Contando ainda com a ajuda do pai, em 1290, obteve a permissão do Bispo de Espoleto, Dom Gerardo Artesino, para transformá-lo em mosteiro, que foi chamado “Mosteiro da Cruz”. Às religiosas foi imposta a observância da Regra de Santo Agostinho.

No ano seguinte, Joana faleceu e foi sucedida por Clara, que tinha vinte e três anos.

Abadessa sábia e defensora “fidei

Clara aceitou o cargo, contra a sua vontade, considerando-se indigna. Ao invés, como abadessa deu novo impulso à comunidade religiosa: organizou melhor a vida comunitária, propondo o trabalho manual a todas as Irmãs, mas deixou ampla liberdade para as mais inclinadas à oração. Cuidou de todas, amorosamente, instruindo-as, corrigindo-as e dando atenção especial às necessidades de cada uma.

Imergiu, assim, uma mulher de uma firmeza iluminada. Aproximavam-se da grade do seu locutório pobres e necessitados, aos quais sempre estava pronta para dar algo para comer ou uma palavra de conforto; para os mais cultos, sacerdotes e alto clero, foi uma conselheira sábia, capaz de ler os corações dos outros e de prever os acontecimentos.

Fez tudo isso apesar de uma dura provação de aridez espiritual, que a acompanhou por 11 anos.

Bem antes da morte da sua irmã, passou por um estado interior de deserto e de silêncio de Deus. Santa Clara sofreu até 1299.

“Tenho Jesus no meu coração”

No início de 1294, no jardim do mosteiro, Cristo apareceu-lhe como peregrino e sofredor com a cruz, dirigindo-se a ela com estas palavras: “Procuro um lugar sólido, onde possa plantar a cruz; e vejo aqui o lugar apropriado para plantá-la”. Este lugar era o coração de Clara, que, desde então, sempre repetiu: “O meu Jesus está dentro do meu coração”.

Segundo a tradição, Cristo, o viajante, ter-lhe-ia dado o seu bastão, o qual, tendo sido plantado, tornou-se uma árvore, que ainda hoje é viçosa. A “árvore de Santa Clara” ou o “Melia Azedarach”, originário do Himalaia, produz bagos lenhosos usados, há séculos, para fazer rosários.

No início de 1300, Clara adoeceu e, em julho de 1308, foi obrigada a ficar de cama, passando seus dias em êxtase e em contemplação. No entanto, enquanto se preparava para seu encontro com Deus, aconselhava as monjas a serem humildes, obedientes, pacientes e unidas na caridade.

No dia 17 de agosto, pediu para ser levada à igreja, que havia construído no mosteiro, onde, com 40 anos, exalou seu último respiro.

As Irmãs decidiram conservar seu corpo; seus órgãos foram extraídos e, com grande surpresa, em seu coração foram descobertos os sinais da Paixão de Cristo.

Berengário de Donadio de Santo Africano, biógrafo de Clara, escreveu: “Havia… dentro do coração… em forma de nervos rígidos de carne, de um lado, a cruz, três cravos, a esponja e a cana; do outro, o pilar, o chicote… e a coroa. No saco de fel… havia três pedras redondas, todas iguais, que, provavelmente, representavam a Trindade”.

A fama de santidade de Clara difundiu-se rapidamente e vários milagres foram documentados pela sua intercessão. Seu corpo incorrupto e as relíquias encontram-se, ainda hoje, em Montefalco, na nova igreja, ao lado do mosteiro agostiniano.

A história de Santa Clara é recordada pelos esplendidos afrescos, na Capela de Santa Cruz, e a igrejinha primitiva da comunidade religiosa, onde a Santa passou as últimas horas da sua vida na terrena.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 16. ago. 2023.

17 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Se observarmos o mundo e as pessoas poderemos notar que cada um tem suas dificuldades, obstáculos a serem transpostos, enfim, não há quem não tenha os seus percalços na caminhada da vida. Há pessoas que não desanimam jamais. Estão sempre enfrentando os desafios buscando vencê-los, mantendo a esperança e a confiança. Acreditam na vitória e confiam num poder superior. Ainda que ocorram tempestades e turbulências em suas vidas, não se desesperam jamais, pois sabem que Deus quer o melhor para cada um de nós e está sempre olhando por nós e nos amparando. Esses heróis da vida sabem que quando enfrentamos as dificuldades nos tornamos mais fortes e mais sábios. Quando as dificuldades nos visitarem, façamos como eles, verdadeiros exemplos de coragem, dignidade e fé. Não nos entreguemos ao desânimo e lutemos sempre. A verdadeira vitória não é o triunfo final, mas a capacidade de nos levantarmos a cada queda. Vitória é não desistirmos nunca!”

Monsenhor André Sampaio

16 de agosto – Monsenhor André Sampaio

“Cada dia é uma página em branco no diário da sua vida. A caneta está em suas mãos, mas as linhas não serão todas escritas da forma como você escolher. Algumas virão do mundo e das circunstâncias que o envolvem. Mas, muitas coisas estão no seu controle e, sobre isso, há algo especial que você precisa saber. Escreva o diário e preencha as páginas com palavras vindas do seu coração. Siga seus sonhos. Trabalhe com empenho. Seja bom. É tudo que alguém pode pedir. Divirta-se. Encontre força. Seja verdadeiro. Tenha fé. Não se concentre, nem perca tempo, com as coisas que você não tem. Dedique um espaço especial aos amigos. Perceba que as pessoas são um tesouro na vida. Descreva, no seu diário, o que você faz de melhor. Logo você vai descobrir como a vida é bela. E, nem sempre, a gente percebe isso.”

Monsenhor André Sampaio

« Posts anteriores Posts recentes »

© 2026 Katholikos

Por Mauro Nascimento