Catolicismo de maneira inclusiva

Categoria: Santo do dia (Página 21 de 75)

03 de janeiro – Santa Genoveva, virgem

Santa Genoveva, pintura do século XVII, Museu Carnavalet, Paris

Genoveva nasceu, entre 411 e 416, em Nanterre, uma pequena aldeia nos arredores de Paris, no seio de uma família da nobreza galo-românica. Destinada a uma vida de aventura, embora nas pegadas de Cristo, sua vocação se manifestou já na infância, como muitas vezes acontecia em um encontro especial.

Encontro com São Germano de Auxerre

São Germano de Auxerre partiu, em 429, para a Grã-Bretanha, acompanhado por São Lupo de Troyes: sua missão era evangelizar aqueles povos e combater a heresia desencadeada pelo pelagianismo. Passando por Paris, se encontraram com a jovem Genoveva. Ao vê-la, São Germano reconhece, de alguma forma, seu dom e avisa aos seus pais que ela era uma menina especial. Depois, dirigindo-se a Genoveva, lhe pergunta se gostaria de se tornar noiva de Cristo e permanecer virgem e intacta por Ele. A menina não teve dúvidas.

Ameaça dos Hunos de Átila

Genoveva consagrou-se como virgem: vestia-se de modo diferente das outras jovens, seguia dieta vegetariana, usava cilício e jejuava com frequência, mas ficava na casa da sua família. Aliás, trancou-se em uma cela, da qual nunca saía, da Epifania até Quinta-feira Santa. Ali recebia a visita de outras pessoas consagradas e se dedicava à ascese.
Em 451, espalhou-se a notícia de que os Hunos, liderados pelo rei Átila, após terem saqueado várias cidades no norte da França, estavam se dirigindo para Paris. Por isso, muitos queriam fugir da cidade, mas Genoveva lhes pediu para ficar: “Só fogem os homens que não sabem combater; nós mulheres rezaremos a Deus até nos ouvir”. Por estas suas posições, alguns queriam a sua morte, mas, no final, ela tinha razão: os Hunos passaram longe de Paris, rumo à cidade de Orléans, onde foram derrotados pelo general romano Ezio.

Escassez e milagres

Cinco anos depois, Genoveva e os parisienses tiveram que enfrentar outra grande ameaça: o assédio do rei dos francos, Meroveu, e, depois, de seus filhos. Genoveva opôs-se, com coragem, até que Childerico I – futuro fundador da dinastia dos merovíngios – subiu ao trono, esperando que esta dinastia pudesse ajudar a difundir a fé cristã entre os bárbaros.
No entanto, as pessoas passavam por uma grave escassez. A Santa, guiou um grupo de onze barcos, ao longo do rio Sena, com destino a Troyes, fazendo milagres, entre os quais a cura da esposa de um oficial romano, paralítica por quatro anos, além do restabelecimento da visão de muitos cegos. Por isso, os beneficiários doavam trigo suficiente para alimentar seus concidadãos.

Ao regressar a Paris, continuou a distribuir trigo e fazer pão para os pobres. Com a sua morte – que ocorreu em idade avançada, no início do ano 500 – os parisienses começaram a invocar Santa Genoveva diante das grandes calamidades, como peste e fome, até que foi proclamada padroeira da Cidade de Paris.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 02 jan. 2024.

02 de janeiro – Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno, bispos e doutores da Igreja

Cinco pais da Igreja (© Musei Vaticani)

Uma família de santos

Basílio nasceu em Cesareia, em 329, no seio de uma família de santos: sua irmã Macrina e seus irmãos Pedro, bispo de Sebaste, e Gregório de Nissa também foram elevados à glória dos altares. O jovem Basílio recebeu de seu pai os primeiros passos da doutrina cristã e prosseguiu seus estudos, antes, em Constantinopla e, depois, em Atenas. Ao mesmo tempo, estudou retórica, encaminhando-se para uma brilhante carreira, que, porém, teve que abandonar logo para seguir sua verdadeira vocação: a aspiração a uma vida de silêncio, solidão e oração.

Viajou muito, – antes a Ponto e depois ao Egito, Palestina e Síria, – atraído pela vida dos monges e dos eremitas. Ao voltar a Ponto, encontrou um amigo, com o qual havia estudado em Atenas, Gregório de Nazianzeno. Com ele, fundou uma pequena comunidade monacal, baseada nas regras que Basílio havia elaborado com as experiências adquiridas em suas viagens.

Contra o Arianismo

No entanto, em Cesareia, difundia-se, sempre mais, uma nova doutrina, nascida pela pregação de Ário, que já havia sido condenado como herege pelo Concílio de Niceia, no ano 325. Mas, o Arianismo, graças ao apoio do imperador do Oriente, Valente, começou a ser conhecida, rapidamente, também na Síria e Palestina. Então, Basílio deixou a paz e a segurança do seu eremitério, para ir a Cesareia, onde foi ordenado presbítero e depois Bispo. Ali, começou sua luta infinita contra a nova heresia, a ponto de merecer, ainda em vida, o título de “Magno”.

Contudo, a sua luta não era só em nível doutrinal, mas também caritativo. Aos arianos, que pensavam não culpar ninguém, defendendo o que achavam certo, dizia: “O que realmente lhes pertence? De quem receberam o que dizem pertencer a vocês? Se a gente se satisfizesse com o necessário e doasse o supérfluo ao próximo, não haveria mais pobres”.

Por outro lado, Basílio fundou, bem na entrada da cidade, uma Cidadela da caridade, chamada Basilíada, que compreendia orfanatos, hospitais e assistências sanitárias. Entretanto, também o imperador Teodósio, sucessor de Valente, apoiou a obra de Basílio, que conseguiu assistir à derrota da heresia antes da sua morte, ocorrida no ano 389, com a idade de quase sessenta anos.

O amigo do peito

Gregório de Nazianzeno, que tinha uma irmã, Gorgônia, e um irmão, Cesário, ambos santos, era filho de um presbítero. Em Atenas, onde havia estudado, conheceu Basílio, ao qual teve um forte elo de amizade e com o qual conviveu no eremitério da Capadócia. Porém, ele também teve que deixar a paz do mosteiro para dar assistência aos seus pais bastante idosos.

Seu pai o quis, de modo particular, ao seu lado no presbiterado, em Nazianzo, mas Gregório, que se tinha deixado convencer, contra a sua vontade, se arrependeu da escolha feita e buscou, novamente, voltar a viver com Basílio. Mas este, ao invés, o convenceu a voltar à casa do pai para ser seu conselheiro no difícil governo da igreja de Nazianzo.

Mais tarde, Gregório foi enviado pelo imperador Teodósio a Constantinopla, para combater a difusão da heresia ariana. Ao chegar, foi recebido com uma pedrada. Então, Gregório permaneceu fora dos muros de Constantinopla, em uma igrejinha que a dedicou à Ressurreição. Graças à sua eloquência e solidez da sua doutrina, mas, sobretudo, graças à sua vida exemplar, Gregório reconduziu a cidade à ortodoxia.

Porém, hostilizado por uma facção de opositores, não conseguiu ser Bispo de Constantinopla. Decidido a deixar a cidade, à qual havia dedicado toda a sua vida, com grandes esforços, pronunciou um longo e comovente discurso de despedida.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 28 dez. 2023.

01 de janeiro – Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

A oitava do Natal coincide com o Ano Novo. Visto que os pagãos celebravam este dia com devassidão e superstição, a Igreja antiga levou os fiéis a começar o ano com um “espírito novo”, ou seja, com dias de preparação de penitência e jejum.

No ano 431, durante o Concílio de Éfeso, que se concluiu em 22 de junho, foi definida a verdade de fé da “maternidade divina de Maria”. Assim, em 1931, por ocasião do XV centenário do Concílio, o Papa Pio XI instituiu a sua festa litúrgica, que já se celebrava no século VII. Este é um dia repleto de significado e mensagens: Oitava de Natal, Circuncisão e Santíssimo Nome de Jesus, Solenidade de Maria, Mãe de Deus, sem falar da comemoração do Dia Mundial da Paz (instituído, em 1968, por Paulo VI).

As mensagens deste primeiro dia de Ano Novo são realmente numerosas: somos convidados a aprender da Virgem Mãe a “conservar” a Palavra e a nos questionar o que o Senhor Jesus vai nos dizer ao longo desses dias, sabendo que estamos sob o “signo” das bênçãos de Deus, como diz a primeira leitura extraída do livro de Números.

“Naquele tempo, os pastores foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que haviam ouvido sobre o Menino. Todos os que os ouviam ficavam admirados com o que os pastores lhes contavam. Maria, por sua vez, conservava todas essas coisas e as meditava em seu coração. Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e concordavam com tudo o que lhes havia sido dito. Completados os oito dias da sua circuncisão, o Menino recebeu o nome de Jesus, como o anjo havia dito, antes de ser concebido no seio materno” (Lc 2,16-21).

Nascimento do Menino

O evangelista Lucas não narra fatos extraordinários. O único acontecimento central que podia contar já tinha acontecido: o nascimento daquele Menino, que os anjos anunciaram como Salvador e Cristo Senhor (Lc 2,11), que ouvimos no Evangelho da Missa da manhã do Dia de Natal.

Os Pastores e as periferias do mundo

As primeiras pessoas a quem o anjo transmitiu a notícia foram os pastores, que também foram os primeiros, que, “com grande pressa” (Lc 2,16), acorreram à gruta de Belém para “ver este acontecimento” (Lc 2,15). Como já tivemos a oportunidade de dizer, por ocasião do Natal do Senhor, visto que Jesus nasceu fora de Jerusalém, era inevitável que os primeiros a acorrer fossem os pastores: “Quando chegaram à gruta, viram o Menino e contaram o que lhes havia sido dito” (Lc 2,17). Não esqueçamos que João Batista pregava no deserto e as pessoas iam até, negligenciando o Templo de Jerusalém! (II Domingo do Advento).Os pastores representam os excluídos, os pecadores, os distantes, aos quais Jesus dispensou mais atenção, a ponto de suscitar discussões, às quais Ele mesmo respondeu: “Não vim pelos sãos, mas pelos enfermos; não vim pelos justos, mas pelos pecadores” (cf. Mt 9,13 – coerente com o texto de Samuel: a chamada de Davi, o pastor, 1Sm 16,19).

Pressa e louvor

A pressa dos pastores de ir à Gruta recorda a pressa com que Maria (Lc 1,39) foi visitar sua prima Isabel, após o anúncio do anjo, e o seu hino de exultação: o Magnificat. Também os pastores “maravilhados”, “voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido…” (Lc 2,20; cf. Dn 3,24.51). Poderíamos quase dizer que os pastores, por sua vez, se tornaram anjos, levando aos outros a Boa Nova, que haviam recebido, pois não podiam guardá-la para si, como disse João, mais tarde: “O que ouvimos e contemplamos… nós vos anunciamos”. Essas palavras ecoam e prolongam as palavras do Salmo 18: “Os céus narram a glória de Deus…” (cf. 1Jo 1,2-3; cf. Sl 18). Este anúncio alegre chegou também até nós, hoje, através gerações de “anjos”, que transmitiram de “geração em geração”; quem se depara com o olhar de Jesus (cf. Mt 4,12-23) ou é seduzido pelo seu Amor (Jr 20,7) não pode deixar de contar aos outros… Isso envolve toda a sua pessoa, toda a sua vida: “Preguem sempre o Evangelho e, se necessário, também com as palavras” (Fontes franciscanas 43), disse São Francisco de Assis, explicando que as palavras são algo mais, o importante é deixar a vida falar.

Maria, Theotókos

Maria é a Mãe de Deus, Theotókos, porque é a Mãe de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Por isso, ela, mais do que ninguém, é a única que nos pode conduzir ao seu Filho; ninguém, como ela, sabe quem é Jesus e ninguém, melhor do que ela, sabe se relacionar com Ele. Maria é a Mãe que, diante das palavras dos pastores, entendeu logo que aquele Menino não era só “seu Filho”: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”, disse Jesus (Lc 8, 19-21). Ela, que o carregou no ventre por nove meses, agora deve recebê-lo, todos os dias, sabendo ouvir todos aqueles que o Senhor lhe faria encontrar: pastores, magos, Simeão e Ana… porque cada um “revela” algo sobre a identidade de Jesus e sobre a sua missão.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 27 dez. 2023.

31 de dezembro – São Silvestre, papa

São Silvestre, papa (© Musei Vaticani)

Papa “na liberdade de culto”

São Silvestre foi o primeiro Papa de uma Igreja que não devia mais se esconder nas catacumbas, por causa das perseguições dos primeiros séculos. No ano 313, durante seu Papado, o africano Milzíades e os imperadores Constantino e Licínio deram plena liberdade de culto aos cristãos. No ano seguinte, foi precisamente Silvestre a ocupar o sólio de Pedro .

Silvestre, sacerdote romano, cuja data de nascimento se ignora, – segundo o Liber Pontificalis – era filho de certo Rufino romano. Ele foi artífice da passagem da Roma pagã para a Roma cristã e aquele que presenciou à construção das grandes Basílicas, por obra de Constantino.

Ainda segundo o Liber Pontificalis, por sugestão do Papa, Constantino fundou a Basílica de São Pedro, na Colina Vaticana, sobre um templo preexistente, dedicado a Apolo, onde sepultou o corpo do apóstolo Pedro. Graças às boas relações entre Silvestre e Constantino, surgiram a Basílica e o Batistério de São João em Latrão, perto do ex-palácio imperial, onde o Pontífice começou a morar; a Basílica do Sessorium (Basílica de Santa Cruz em Jerusalém) e a Basílica de São Paulo extra Muros.

No entanto, a memória de Silvestre é ligada, principalmente, à igreja in titulus Equitii, que recebe o nome de um presbítero romano, que, se diz, tenha construído esta igreja sobre sua propriedade. Ela ainda existe nas proximidades das Termas de Trajano, ao lado da Domus Aurea.

Papa “confessor da fé”

Ao invés, não se sabe se Silvestre participou das negociações sobre os Donatistas de Arles e o Arianismo, no primeiro Concílio Ecumênico da história, ocorrido em Niceia, no ano 325. Segundo alguns, ele nem teve a possibilidade de intervir. Entretanto, ele deve ter gozado de grande impacto entre seus contemporâneos, tanto que, ao morrer foi honrado, publicamente, com o título de “Confessor”. Aliás, ele foi um dos primeiros a receber este título, atribuído, a partir do século IV, a quem tivesse transcorrido uma vida sacrificada por Cristo, mesmo sem martírio.

Além do mais, este Papa, sem dúvida, contribuiu para a evolução da Liturgia. Durante o seu Pontificado, provavelmente, foi escrito o primeiro Martirológio Romano. O nome de Silvestre é ligado também à criação da Escola romana de Canto.

A Milícia Dourada

O Papa São Silvestre é o Padroeiro da Ordem cavalheiresca chamada Milícia Dourada ou também “Espora de Ouro”, que, segundo a tradição, foi fundada pessoalmente pelo imperador Constantino I. Após vários acontecimentos, ao longo dos séculos, o Papa Gregório XVI, em 1841, no âmbito de uma ampla reforma das Ordens equestres, separou a Milícia Dourada da Ordem do Papa São Silvestre, assegurando-lhe dignidade e estatutos próprios. Em 1905, Papa Pio X acrescentou outras modificações, que vigoram ainda hoje.

A Ordem prevê quatro classes: Cavaleiro, Comendador, Oficial (Grande-Oficial), Cavaleiro Grã-Cruz. Das três Ordens equestres, disciplinadas pela Santa Sé, a menor é a de São Silvestre; a classe mais alta pertence à Ordem Planária, seguida por aquela de São Gregório Magno.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 27 dez. 2023.

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Por Mauro Nascimento