Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 41 de 167)

08 de janeiro – São Severino

No século V o império romano do Ocidente foi progressivamente submerso pelos invasores germânicos: visigodos, ostrogodos, vândalos, suevos, bargúndios, alamanos e francos. Na devastação geral só as autoridades cristãs constituíam ponto seguro para a sobrevivência. Esse é o contexto histórico em que se inserem a figura e a obra de São Severino, o apóstolo da Nórica.

É muito fácil seguir os passos de Severino nesta trilha de destruição. Em 454, estava nos confins da Nórica e da Pomonia onde, estabelecido às margens do rio Danúbio, na Áustria, além de acolher a população ameaçada usava o local como ponto estratégico para pregar entre os bárbaros pagãos. Já no ano seguinte estava em Melk e no mesmo ano em Ostembur, onde se fixou numa choupana para se entregar também à penitência.

Esse seu ministério apostólico itinerante frutificou em várias cidades, com a fundação de inúmeros mosteiros. Como possuía o dom da profecia, avisou com antecedência várias comunidades sobre sua futura destruição, acertando as datas com exatidão. Temos, por exemplo, o caso dos habitantes de Asturis, aos quais profetizou a morte pelas mãos de Átila, o rei dos hunos que habitavam a Hungria. O povo além de não lhe dar ouvidos considerou o fato com ironia e gozação, mas tombou logo depois de Severino ter deixado o local. Sim, a cidade foi destruída e todos os habitantes assassinados.

Dali ele partiu para Comagaris e, sem o menor receio de perder a vida, chegou até Comagene, já dominada pelos dos inimigos. Lá, acolheu e socorreu os aflitos, ganhando o respeito inclusive dos próprios invasores, a começar pelos chefes dos guerreiros. Sua história registra também incontáveis prodígios e graças operadas na humildade e na pobreza constantes.

Severino predisse até a data exata da própria morte, avisando também sobre a futura expulsão de sua Ordem da região do Danúbio. Morreu no dia 08 de janeiro de 482 pronunciando a última frase do último salmo da Bíblia , (o 150): “Todo ser que tem vida, a deve ao Senhor”.

Segundo o seu biógrafo e discípulo Eugípio, Santo Severino teria nascido no ano 410, na capital do mundo de então, ou seja na cidade de Roma e pertencia a uma família nobre e rica. Era um homem de fino trato, que falava o latim com perfeição, profundamente humilde, pobre e caridoso. Também possuía os dons do conselho, da profecia e da cura, os quais garantiu e manteve até o final de sua vida graças às longas penitências e preces que fazia ao Santíssimo Espírito Santo e ao cumprimento estrito dos votos feitos ao seguir a vocação sacerdotal.

Especialmente venerado na Áustria e Alemanha, hoje, a urna mortuária de Santo Severino se encontra na igreja dos beneditinos em Nápoles, na Itália.

Fonte: Franciscanos. Acesso em: 02 jan. 2024.

07 de janeiro – Monsenhor André Sampaio

“Nunca é tarde para levantar os olhos, andar de cabeça erguida, contemplar um novo horizonte, sonhar…

Nunca é tarde para estender a mão amiga para tirar alguém da briga que luta contra a solidão, nunca é tarde para ouvir a voz da razão seguir a ordem do coração e viver com gratidão…

Nunca é tarde para saciar a fome ao dividir o pão, ser luz para alguém sair da escuridão, caminhar de mãos dadas sentindo a emoção de haver feito o bem para um irmão…

Nunca é tarde para rever os amigos, ajudar os aflitos, resolver os conflitos no diálogo e não aos gritos, ser vencedor e não vencido pois tudo é belo mais que bonito…

Nunca é tarde para mudar os planos, recuperar o ânimo, caminhar juntos, rever os enganos, enfrentar as barreiras dos anos e no final ainda dizer te amo…

Nunca é tarde para dizer sim para vida, para dizer perdão querida(o), dizer não ao ego enxugar uma lágrima para curar um ferida…

Nunca é tarde para mudar de gesto, de atitude e de pensamento para ser feliz, deixar o protesto, sentir a liberdade numa prece…

Nunca é tarde para dar um basta na amargura, refazer a postura, deixar a vida dura, encontrar a esperança que ficou perdida, viver a paz que é sem medida…

Nunca é tarde para abraçar um filho, sentir o seu amor, orientar seus caminhos para jamais andar sozinho e deixar de ser menino em sua vida escolhida…

Nunca é tarde para dizer que não sei, reconhecer que errei e que tanto tempo passei a me enganar, e por causa da alma ferida nunca encontrei a saída que me impedia de caminhar…

Nunca é tarde para sorrir, agradecer a Deus pela vida, viver a realidade de um novo dia, aprender o que não sabia, fazer o que não fazia e ensinar o que vivia…

Nunca é tarde para fazer o bem, ser amigo de alguém, ajudar a quem não tem, dizer sempre o que convém, respeitar não ir além, viver sempre amando alguém…

Nunca é tarde para ver Deus na natureza, ser ativo na igreja, dizer amém, assim seja, dar um basta na tristeza, estar em paz com todos, ser feliz e que Deus nos proteja…

Nunca é tarde para sair da rotina, aprender com disciplina, não desistir, dar a volta por cima depender sempre de Deus, crer no que Ele nos ensina, ser feliz é nossa sina…”

Monsenhor André Sampaio

07 de janeiro – São Raimundo de Peñafort, presbítero dominicano, co-fundador dos mercedários

Raimundo nasceu em 1175, em Peñafort, Catalunha, em uma família rica e nobre. Estudou filosofia e retórica em Barcelona e, depois, transferiu-se para Bolonha, onde se formou em Direito Civil, tornando-se docente em Direito Canônico. Com o passar dos anos, o Bispo de Barcelona, Dom Berengário IV, em viagem à Itália, fez-lhe a proposta de ser professor no Seminário, que queria instituir na sua diocese. Assim, Raimundo retorna a Catalunha e, quatro anos mais tarde, em 1222, torna-se Dominicano. No ano seguinte, com a ajuda do futuro santo Pedro Nolasco, fundou a Ordem dos Mercedários, com o objetivo de resgatar os escravos cristãos, e escreveu um livro-guia para sacerdotes confessores.

Papa Gregório IX confia a Raimundo uma tarefa gravosa

Em 1238, seus coirmãos Dominicanos insistem para que se torne Mestre Geral da Ordem e Raimundo teve que aceitar. Era o terceiro Superior Geral da Ordem, depois de Domingos de Gusmão e Jordano da Saxônia.

Com seu novo cargo, começa a viajar, sempre a pé, visitando convento por convento por toda a Europa. Suas atividades o debilitaram e, já com setenta anos, foi obrigado a deixar o cargo e voltou a fazer o que mais gostava: rezar e estudar. Dedicou-se, de modo particular, à formação dos novos pregadores da Ordem Dominicana, que se propagava na Europa. Raimundo estava ciente de que, como missionários, seus coirmãos deveriam ser capazes de aproximar, atrair a atenção e convencer as pessoas, às quais deviam anunciar Jesus Cristo.

Logo, a Ordem devia providenciar todos os instrumentos culturais indispensáveis. Eram necessários, por exemplo, testes idôneos para o confronto com pessoas cultas de outras confissões. Por isso, ele se comprometeu em preparar seus coirmãos, pois era preciso também conhecer de perto a cultura daqueles, aos quais deveriam levar o Evangelho. Por isso, Raimundo instituiu uma escola de hebraico, em Múrcia, e uma de árabe, em Túnis.

Faleceu com a idade de 100 anos, em 6 de janeiro de 1275, em Barcelona. Dizem que, durante as suas exéquias, ocorreram muitos milagres.

Foi canonizado, em 1601, pelo Papa Clemente VIII. Seus restos mortais estão custodiados na catedral da capital da Catalunha.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 02 jan. 2024.

06 de janeiro – Solenidade da Epifania do Senhor

Epifania, em grego, significa “manifestação”. No Ocidente, comemora-se, neste dia, a visita dos Reis Magos: através deste acontecimento, o Senhor “se manifesta” aos pagãos e, portanto, ao mundo.

Nas Igrejas do Oriente, esta solenidade ressalta a “manifestação” trinitária, durante o Batismo de Jesus no Jordão. O ponto central do Dia de Natal é o nascimento do Menino Jesus; na Epifania, este Menino pobre e frágil é o Rei Messias, o Senhor do mundo. Com a Epifania cumpre-se a profecia de Isaías, que a liturgia escolheu como primeira leitura: “Levanta-te, sê radiosa, eis a tua luz!” (Is 60,1), como se quisesse dizer: não se feche, não desanime, não seja prisioneiro das suas “convicções”; não se desmoralize, reaja, “levante seu olhar“! Como os Reis Magos, olhe para “as estrelas” e encontrará “a estrela” que é Jesus.

Texto: (Mt 2, 1-12)“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que Magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: “Onde está o rei dos Judeus, que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. A essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele… Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar ao lugar onde estava o Menino e ali parou. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria. Entrando na casa, encontraram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos de não voltarem a Herodes, tomaram outro caminho para voltar” (Mt 2, 1-12).

Reis Magos

Os Magos “levantam a cabeça” e partiram para aonde era lógico “encontrar” um rei, ou seja, em um palácio. A sua chegada, porém, cria confusão, tanto que Herodes convocou os sacerdotes e fariseus, peritos nas Escrituras. Eles “sabiam” que o Messias devia nascer em “Belém”, mas seu “conhecimento” não vai mais além. Não reagem, não têm experiência, permanecem inertes; não “se levantam”, mas preferem ficar tranquilos no conforto do palácio. Os Magos, ao invés, se puseram a caminho, vinham de longe: os sacerdotes e os fariseus estavam próximos ao acontecimento, mas ficaram bloqueados pela cegueira dos seus conhecimentos, pelas suas certezas, pelas suas posições privilegiadas… Parece que Deus se revela onde não se brilha, com luz própria, e onde não há holofotes da notoriedade.

Hesitação

Os Reis Magos puseram-se a caminho, seguindo a estrela. Mas, em um dado momento, não a veem mais, porque estavam certos de encontrar o rei no palácio: uma certeza que, momentaneamente, ofuscou a sua busca, a ponto de perderem o destino. Nestas alturas, caíram em si e aceitaram questionar-se, “converter-se”; assim, a estrela reapareceu e continuou a guiá-los rumo à meta. Este fato é bonito e importante, pois nos faz entender que o drama do homem não é cair ou errar, mas hesitar se render diante das quedas.

Como os Magos, que buscavam a verdade, às vezes ou quase sempre, corremos o risco de ficarmos ofuscados pelas nossas convicções, a ponto de perder o nosso caminho. Hoje, somos convidados a aprender não ter medo de questionar nossas certezas e conclusões, porque aquele que “busca”, realmente, sabe aceitar seus erros e retoma sua senda. Nossos corações têm grandes expectativas, têm fome e sede de justiça, verdade, alegria e esperança. Seguir a estrela é seguir nossos anseios mais elevados, nobres, justos, belos, que entram no coração e são capazes de animar a vida, retomar o caminho, enfrentando o cansaço, os riscos, as derrotas, como aconteceu com os Magos.

Encontro com o Menino Rei

Quando a busca é guiada pela verdade, então se pode encontrar o que se busca e até aprender de um “Menino envolvido em faixas e deitado em uma manjedoura” (Lc 2,12, Missa da Noite de Natal). Esta passagem é muito interessante, porém, não é possível “ir à busca” quem não tiver um coração puro, livre de interesses partidários e animado por sentimentos sinceros.

Herodes queria adorar o Menino, mas sabemos que este seu desejo era dissoluto: “Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos Magos… mandou massacrar todos os meninos” (cf. Mt 2,16); “Quem é, pois, este, de quem ouço tais coisas?… e procurava ocasião para vê-lo”… (Lc 9,9) porque estava curioso para saber sobre seus milagres. Tomado pelo medo e ambiguidade, prisioneiro do seu poder, Herodes não conseguia ver naquele Menino o que ele realmente era e se deixou dominar pelo temor de um concorrente perigoso.

Epifania: manifestação de Jesus aos corações

A Epifania não é só manifestação de Jesus, o Filho de Deus, mas toca os corações: o Salvador pode ser acolhido (como aconteceu com os pastores e Magos), mas também rejeitado (no caso de Herodes). Não devemos ignorar que, em cada um de nós, há  “magos”, e um “Herodes”. Uma parte de nós está sempre pronta a “pôr-se a caminho” para conhecer e entender, crescer e melhorar, ir além; mas temos também um Herodes, que está sempre pronto a destruir sonhos e esperanças, a cometer “massacres” dos nossos desejos de bem, beleza, justiça; ele não quer que encontremos “o Menino”, capaz de mudar a vida. Nossos magos ensinam-nos que a vida é um caminho, que deve ser trilhado como Jesus; nosso Herodes adula-nos e engana-nos dizendo que só o sucesso e o poder ajudam a viver.

Presentes

Ouro e incenso recordam os presentes que a Rainha de Sabá fez a Salomão, uma referência que também encontramos no Salmo. O ouro representa a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade; a mirra, sua humanidade: devemos saber que os corpos dos mortos eram aspergidos com esta substância. A luz da estrela leva sempre a um ato de adoração, a inclinar-se diante do mistério que se fez carne; leva a doar, ou melhor, a entregar-se totalmente. É precisamente a “doação de si” que impede muitos de se deixarem atrair por Jesus, causando medo em muitos de perder o poder, conforto, segurança, privilégios; impede também uma mudança de vida e a conversão.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 02 jan. 2024.

06 de janeiro – Monsenhor André Sampaio

“Nas mãos de Deus está a nossa existência, nada acontece conosco sem que Ele esteja ciente, vale a lembrança que Deus é justiça e bondade, jamais nos castiga ou nos pune por nada, tudo transcorre na mais perfeita ordem, nada acontece ao acaso. Somos criaturas em aprendizado e Ele como bom Pai nos dá a lição conforme nosso crescimento, assim como nos corrige quando há necessidade de correções. Por isso a importância de estarmos atentos aos nossos atos e que tipo de caminho estamos traçando para nossa vida. Sejamos simples de sentimentos procurando sempre a humildade em nossas ações, sejamos compreensivos com aqueles que julgamos ser nossos inimigos porque estes são aqueles que nos ajudam a melhorar moralmente. Deus Pai de infinita bondade não nos desampara um só minuto, nós é que esquecemos que Ele está no comando de tudo.”

Monsenhor André Sampaio

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Por Mauro Nascimento