Catolicismo de maneira inclusiva

Autor: Katholikos (Página 119 de 168)

06 de julho – Santa Maria Goretti, virgem e mártir

Santa Maria Goretti, Riccardo Sanna

“Um anjo de filha”

Quem a conhecia, em Ferriere de Conca, uma fração da província de Latina, a chamava de Mariazinha, secundogênita de Luís Goretti e Assunta Carlini, camponeses que emigraram, com seis filhos, para a lavoura na região da Pontina, provenientes de Corinaldo, na província de Ancona. Ele nasceu naquela cidadezinha das Marcas em 16 de outubro de 1890.

Testemunha da fé também nas dificuldades

Afabilidade, generosidade e pureza de coração eram as características da índole da pequena Maria; a menina sempre se dedicava aos trabalhos domésticos e aos cuidados dos irmãos menores, enquanto os pais exerciam, sem cessar, o massacrante trabalho na lavoura.

Sua fé e assiduidade na oração, especialmente o Rosário, jamais faltaram em sua vida, nem quando, com a idade de dez anos, sofreu pela perda de seu amado pai, acometido pela malária. Contudo, os sofrimentos não influenciaram no ânimo de Mariazinha; pelo contrário, a partir daquele momento, sentiu o dever de consolar a mãe, que ficara sozinha para cuidar da família.

O desejo da Santa Comunhão

As condições econômicas precárias levaram a família Goretti a associar-se, por necessidade, à família Serenelli, que morava na mesma granja, que também trabalhava no campo agrícola de propriedade do conte Mazzoleni.

Enquanto o pai e o filho da família Serenelli trabalhavam na lavoura e Assunta cuidava dos filhos, Maria se ocupava de vender ovos, na distante cidade de Netuno, preparar a comida para os camponeses e remendar as roupas. As intensas atividades da menina jamais diminuíram seu desejo de rezar: apesar de ser analfabeta, em 1902, com apenas onze anos, pediu e obteve a permissão de receber o sacramento da Comunhão, um ano antes do previsto. Estava disposta a renunciar a horas de sono para poder participar da Missa dominical em Campomorto, situado a vários quilômetros da sua casa.

A cruz e o silêncio

A perturbar a paz espiritual, que Mariazinha sempre havia nutrido em seu coração, foi o momento em que, tendo-se desenvolvido fisicamente, ela se tornou objeto de morbosas atenções de Alexandre Serenelli, dezoito anos, até então considerado como um irmão. O jovem procurou, com insistência, seduzir Maria, que sempre o rejeitou, convidando-o a não ofender a Deus; ele a ameaçava de morte se ela falasse à família sobre as suas insinuações. O silêncio foi-lhe uma pesada cruz para carregar. Mas, a menina, evitando agravar as relações, já tensas, entre as duas famílias, encontrou conforto em suas confidências à Virgem.

O martírio e a canonização

No dia 5 de julho de 1902, enquanto as famílias Serenelli e Goretti trabalhavam na lavoura e Maria se encontrava sozinha em casa, Alessandro a agrediu e tentou violentá-la: “Não! Deus não quer. Você vai para o inferno!”. Assim a menina o advertia, para manter a sua pureza. Então, obcecado pela raiva, o jovem começou a feri-la à morte com diversos golpes de arma pontiaguda. No dia seguinte, antes de expirar, a pequena perdoou o algoz, confiando à mãe seu íntimo desejo de que ele pudesse se encontrar com ela no Paraíso.

Condenado à prisão, o rapaz se converteu, em 1910 e, depois de cumprir a pena, em 1928, pediu perdão a Assunta Goretti, com quem se aproximou da Comunhão.

Por desejo de Pio XII, no dia 24 de junho de 1940, Mariazinha foi beatificada. Em 1950, por ocasião da sua canonização, entre uma imensa multidão, estavam presentes o rapaz e a mãe enferma.

Os restos mortais da virgem e mártir descansam no Santuário de Nossa Senhora das Graças, meta de numerosas peregrinações.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 05 jul. 2023.

05 de julho – Monsenhor André Sampaio

PROCUREMOS NOS ATER MAIS AO QUE NOS FAZ BEM

“As mais belas coisas da vida estão em mínimos gestos que muitas vezes nem percebemos, porque buscamos em momentos grandiosos a beleza da vida. Não devemos nos preocupar se hoje não podemos nos proporcionar momentos grandiosos, devemos sim nos preocupar sempre em fazer o melhor que podemos e utilizar nossas energias em coisas que realmente mereçam o nosso esforço. Procuremos nos ater mais ao que nos faz bem e deixemos de lado tudo aquilo que nos machuca e nos faz mal. Jamais devemos nos esquecer que o pouco é muito e este pouco é que nos proporcionará realmente o conhecimento do que significa a beleza da vida para nós.”

Monsenhor André Sampaio

05 de julho – Santo Antônio Maria Zacarias, presbítero, fundador dos Barnabitas

Imagem de Santo Antônio Maria Zacarias no Colègio San Francesco, em Lodi (Itália)

Com 36 anos, Antônio contribuiu para o avanço da Igreja no século XV: fundou os Clérigos de São Paulo, as Angélicas de São Paulo – primeiro exemplo de Irmãs fora da clausura – e os Casados de São Paolo, um grupo de leigos casados, que se dedicava ao Evangelho. Acusado de heresia, Roma o absolveu.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 04 jul. 2023.

 

André Valadão: palavras incendiárias e a responsabilidade dos líderes religiosos

“Agora é a hora de tomar as cordas de volta e dizer: Pode parar, reseta! Mas Deus fala que não pode mais. Já meti esse arco-íris aí. Se eu pudesse, matava tudo e começava de novo. Mas prometi que não posso, agora tá com vocês. Não entendeu o que eu disse? Agora, tá com vocês! Deus deixou o trabalho sujo para nós” (Pastor André Valadão, 02/07/2023).

No atual contexto social, a disseminação de mensagens carregadas de ódio e intolerância representa um desafio para a coexistência pacífica e o respeito à diversidade. As afirmações feitas pelo Pastor André Valadão recentemente têm suscitado várias indagações sobre a responsabilidade dos líderes religiosos em promover o diálogo e criar um ambiente inclusivo. Nessa reflexão, examinaremos essa controvérsia, destacando a importância de uma comunicação responsável, baseada no amor e no respeito ao próximo.

Líderes religiosos têm uma influência significativa sobre suas comunidades e, portanto, precisam ser conscientes do poder de suas palavras. Embora seja fundamental exercer a liberdade de expressão, é igualmente essencial que essa liberdade seja exercida com responsabilidade. Ao proferir declarações que promovem o ódio e a violência contra qualquer grupo, inclusive a comunidade LGBTQIA+, há uma clara violação da responsabilidade de disseminar valores de amor, tolerância e respeito que são centrais em muitas tradições religiosas.

Além do mais, as palavras de Valadão também revelam uma contradição teológica. Ao afirmar que “Deus deixou o trabalho sujo para nós”, ele parece esquecer que Deus é concebido como onipotente, onipresente e onisciente nas principais religiões monoteístas. A natureza de Deus não está sujeita a limitações humanas e não requer intervenção humana para alcançar Seus propósitos. Portanto, tais afirmações contradizem a própria essência do conceito divino.

A disseminação de mensagens que incitam o ódio pode ter consequências devastadoras. Palavras carregadas de intolerância alimentam o preconceito e a discriminação, levando a um ambiente de hostilidade. Essa hostilidade pode culminar em atos violentos, colocando em risco a vida e a dignidade das pessoas LGBTQIA+. Nesse sentido, a fala irresponsável do pastor contribui para a construção de um clima de violência, contrapondo-se ao princípio fundamental de amor e compaixão que muitas religiões defendem.

Em tempos de polarização, é imprescindível que líderes religiosos assumam um papel de agentes de reconciliação e promotores do diálogo construtivo. A diversidade de pensamentos, crenças e orientações sexuais deve ser acolhida com empatia e respeito, permitindo que as diferenças sejam debatidas e compreendidas em um ambiente seguro e inclusivo. É necessário lembrar que todas as pessoas merecem dignidade e proteção, independentemente de orientação sexual.

Portanto, a controvérsia envolvendo as declarações do Pastor André Valadão nos faz refletir sobre a importância da responsabilidade na comunicação religiosa.

Mauro Nascimento 

04 de julho – São Pier Giorgio Frassati

Beato Piergiorgio Frassati

Pier Giorgio nasceu em Turim, em 1901, no seio de uma família da alta burguesia: seu pai, Alfredo, jornalista e dono do jornal “La Stampa”, era amigo íntimo de Giolitti, que o enviou a Berlim como embaixador. Sua mãe era uma pintora famosa: Vitório Emanuele III comprou uma das suas obras, exposta na Bienal de Veneza. Na família Frassati, a fé não era bem “de casa”; não obstante, o Senhor soube abrir alas nos corações dos homens, dispostos a dar-lhe ouvido.

Combater o sistema por dentro

Pier Giorgio não se sentia à vontade na classe social onde vivia, nem na sua vida no lar, onde a fé era um elemento mais formal do que essencial. Passou sua infância com a irmã Luciana, mais nova de um ano; era a sua única confidente, uma vez que os contrastes com seus pais se tornavam cada vez mais evidentes: Pier Giorgio não era um excelente estudante, pelo menos até entrar para o Instituto Social dos Padres Jesuítas.

Ao se formar, passou a estudar Engenharia mecânica, com especialização em mineração, para seguir de perto os mineiros, que, na época, eram considerados os mais explorados dos explorados.

Infelizmente, não conseguiu concluir seu curso de graduação, em vida, mas apenas o título “honoris causa”, em 2002. A sua prioridade não eram os estudos, mas a oração, a Eucaristia e a caridade. Por isso, o jovem preferiu ficar em casa, junto com a família.

“Passava o tempo” a serviço da caridade

Os contrastes, unilaterais, com o pai, não tardaram: seu pai Alfredo começou a definir o filho como “homem inútil”, dizendo que “andava à toa” pelas ruas da cidade, frequentando pessoas que não estavam à sua altura.

Por sua vez, Pier Giorgio era uma pessoa sempre sorridente, aceitava as repreensões de modo sereno, como uma eterna criança: assim, se comportava com o próximo necessitado, apesar de não agir da mesma forma com os jovens da sua classe; contudo, demonstrava a todos verdadeiro amor e participação nos sofrimentos humanos.

Nos últimos anos de vida, Pier Giorgio Frassati participou, praticamente, de todas as Associações católicas, desde a Conferência de São Vicente à Ação Católica e à FUCI, e sempre prestava a sua ajuda e serviço aos mais indigentes.

Empresa de Transporte “Frassati” 

Os amigos de Pier Giorgio zombavam dele, chamando-o Empresa de Transporte “Frassati”, porque sempre visitava os “porões” dos pobres e os casebres da periferia de Turim, uma cidade de grandes Santos e intelectuais, mas também de tantos operários, pobres e excluídos as sociedade.

O jovem Frassati levava de tudo às casas dos mais necessitados: alimentos, roupas, lenha, carvão, móveis, gastando todo o dinheiro que sua família lhe dava, que diminuía sempre mais.

No entanto, Pier Giorgio se aproximava, sempre mais, da espiritualidade dos Dominicanos, a ponto de se tornar Terciário.

Ao transferir-se a Berlim, teve a oportunidade de conhecer, pessoalmente, o Padre Karl Sonnenschein, o “São Francisco alemão”, uma presença que o levou a se questionar sobre a possibilidade de ser sacerdote, uma ideia que Pier Giorgio deixou de lado porque achava que não tinha vocação.

Contudo, o jovem continuava a ser feliz: deixava as ocasiões mundanas para ir à Missa; ao invés da companhia dos jovens burgueses, preferia estar com os pobres, que saciava, a sua sede de viver o Evangelho. Seria um erro pensar que ele era um tipo estranho ou isolado, pelo contrário, repleto da verdadeira vida, era um grande apaixonado, entre outras coisas, pela montanha, da qual era um entusiasta alpinista.

Finalmente o amor ou, talvez, não

Certo dia, entre um grupo de escaladores, Pier Giorgio conheceu Laura Hidalgo, da qual se apaixonou: um amor, que manteve oculto dentro de si, em seu coração, seja para “não colocá-la em embaraço”, seja para não ser um ulterior problema para a sua família, visto que ela pertencia a uma classe social bem mais inferior: um sacrifício que poucos jovens, no lugar de Pier Giorgio, conseguiriam enfrentar. Ele, porém, enfrentava tudo com sorriso nos lábios, porque sabia, nas profundezas do seu espírito, que o verdadeiro amor era outro: aquele que o aguardava na sua iminente vida eterna, que, talvez, começava a entrever, chegando até a desejar o dia do seu nascimento para o céu, que chamava “o dia mais lindo de todos”.

No último período da sua existência terrena, Pier Giorgio fundou a “Sociedade de Tipos Estranhos”, cujos membros, “desonestos e vigaristas”, recebiam apelidos engraçados: o de Pier Giorgio era Robespierre. Estes tipos faziam excursões, contavam piadas, mas, acima de tudo, aspiravam à amizade mais profunda, fundada no vínculo sagrado da oração e da fé. Era uma verdadeira amizade cristã, em certos aspectos, profética para a maioria da associatividade leiga da Igreja, que haveria de vir.

Morte repentina

No dia 30 de junho de 1925, toda a família Frassati estava preocupada com a saúde da avó Linda, que veio a falecer no dia seguinte. Assim, ninguém percebeu que Pier Giorgio sentia uma profunda dor de cabeça, a ponto de não querer se alimentar. Precisamente ele, que era sempre tão bonito e saudável! No entanto, sua família percebeu isso no dia do enterro da avó, porque o rapaz nem conseguia levantar da cama. Mas, já era tarde demais: foi acometido por uma meningite fulminante, que ceifou a sua vida no dia 4 de julho, com apenas 24 anos de idade.

Milhares de pessoas participaram das suas exéquias, sobretudo os pobres de Turim, que ele havia ajudado ou, até mesmo, apenas tocado com a sua vida repleta de Deus. “Não reconheço meu filho!”, murmurou o pai, impressionado com a multidão presente. Assim, a sua tristeza se tornou ainda mais dolorosa.

“Primeiro milagre” de Pier Giorgio

Seu pai, Alfredo Frassati, era inconsolável por compreender quem era seu filho, somente no momento em que o perdeu para sempre. Seu coração estava arrasado, porque Pier Giorgio havia deixado um grande vazio, um silêncio ensurdecedor. Entretanto, Alfredo não teve medo de enfrentar o sofrimento: deixou-se escavar, profundamente, pela dor e, aos poucos, aquele vazio foi preenchido pela Luz e a Palavra de Deus. Desta forma, o pai se aproximou da fé, que amadureceu no fim da sua vida – ele faleceu em 1961, – provocando-lhe uma conversão poderosa e maravilhosa, que muitos consideraram, talvez, com razão, o “primeiro” milagre de Pier Giorgio.”

Oração a Pier Giorgio Frassati:

Senhor Jesus, dai-nos a coragem de voar alto,

fugir da tentação da mediocridade e da banalidade;

tornai-nos capazes, como Pier Giorgio,

de aspirar às coisas mais nobres,

com tenacidade e constância,

e acolher, com alegria, o vosso convite à santidade.

Livrai-nos do medo de não conseguir

ou da falsa modéstia de não ser chamados por Vós.

Concedei-nos a graça,

que vos pedimos, por intercessão de Pier Giorgio,

e a força para continuar, com fidelidade,

no caminho, que conduz, verdadeiramente, “ao alto”.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Fonte: Vatican News. Acesso em: 03 jul. 2023.

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Por Mauro Nascimento